19 fevereiro, 2012

Para memória futura

Ainda sou do tempo em que um tabefe dado a tempo e oportuno fazia melhor do que dez palestras assistidas pelo melhor psicólogo infantil.
Nessa altura quando andavamos à pancada, não apareciam fotografias nos jornais, filmes no You tube e gentinha a comentar sobre o "bullying".
Um que fosse mais anafado era apelidado de "gordo" ou "bolinha", alguém que usasse óculos era um "caixa de óculos", uma rapariguita mais escanzelada era conhecida por "Olívia Palito" e tudo isso fazia parte da nossa transição da inf|ancia para a idade adulta.
Os paizinhos n\ao eram chamados a reuniões na escola a não ser que os meninos andassem selvaticamente a destruir a propriedade comum ou a manifestar comportamentos anti sociais, os cont[inuos eram respeitados e mantinham a ordem nos corredores e recreios, os professores tinham autoridade q.b. para manterem a disciplina nas aulas e os que n\ao tinham eram gozados de fininho pela malta toda.
Havia uma esquadra de polícia de x em x metros, e quando rebentava uma altercação, era fácil encontrar um ou mais agentes da autoridade que convergiam para o seu apaziaguamento/solução.
Acompanhavamos os pais nas excursões ao Palácio de Cristal, à Feira do Livro ou aos eventos mais interessantes, frequentávamos os museus e biobliotecas e também brincávamos nas linhas do caminho de ferro e jogávamos à bola feita com as meias velhas das irmãs/tias/mães e demais elementos do sexo feminino.
Tínhamos como leitura infantil uma secção dos jornais aos Domingos, com o reizinho, o Flash Gordon, o Dick Tracy, o Johnny Hazzard ou o Santo, eram-nos dados livros com contos dos Irmãos Grimm, do Hans Christien Andersen, do Lewis Carroll, da Sophia de Mello Breyner, do Monteiro Lobato, e tantos outros que me desculpo por não escrever aqui.
As famosa fábulas do La Fontaine ou a história da Nau Catrineta eram declamações obrigarórias em récitas, fossem elas familiares ou não.
Crescemos a ler o Tintin, o Pato Donald e a respetiva família, o Mickey, o Piu-Piu, o azarado coyote, as aventuras dos Vaillante, o Zorro, o super-Homem e outros.
Tudo isso fez de muitos de nós o que somos agora, amantes de boas leituras e de equilibrada poesia, pessoas paraa quem a televisão é uma mera faceta de divertimento e informação e não a Bíblia, que ainda se recordam de alguns princípios humanísticos e os aplicam no seu dia a dia, que se interessam pelos outros e que afastam a visão umbiguista da decadente sociedade atual.
Por esse mesmo motivo, sinto sempre um certo amatgo na boca, quando vejpo serem notícias de primeira página casos que há uns anos eram apenas questões acidentais, enquanto o que é importante é deixado debaixo do tapete e escondido porque se tem medo de falar nele.
A sociedade tem vindo a regredir a passos largos.
A evolução trouxe consigo a apologia do facilitismo, do sensasionalismo, do imediatismo.
O tempo do sonho, do olhar para o próximo, das obrigações sociais da empresa e dos cidadãos parecem ser um discurso que a ninguém interessa.
Assim sendo, quantop mais depressa este estado de coisas descambar numa renovação melhor, será bom que este (des)governo que da Europa nos chega cumpra o seu desiderarto e que finalmente possamos novamente tomar o nosso destino nas mãos, no seio de uma sociedade mais limpa e mais atenta aos valores morais e menos interessada nas roupagens do novo riquismo que nos abafa.

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