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16 outubro, 2012

30 anos


Saudade de Adriano

... o vento cala a desgraça 
o vento nada me diz...

...

há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não

25 abril, 2011

Discursos (iv)

Chega finalmente o discurso esperado.
Cavaco fala sem ser no twitter.
Apela à unidade que se esqueceu de promover atempadamente, fala do 25 de Abril como se nele tivesse participado ativamente e fala de eleições.
Engana-se, dizendo que este ano comemoramos o 35º aniversário das primeiras eleições livres (25 de Abril de 1975), o que não é de admirar, pois a democracia e sua história ainda são coisas mal cimentadas, fala de esperança num tempo melhor e dignidade. Fala nos antepassados que me faz lembrar um tempo que já lá vai e que não quero ver de volta.
Diz que em democracia se deve respeitar os votos dos portugueses, de supetão me chega a ideia do velho provérbio olha para o que eu digo e não para o que eu faço, o filme está a correr bem!
Fala na próxima campanha que deve ser serena, e manda um recado ao PSD dizendo que os partidos devem apresentar os seus programas com serenidade, recusa a agressividade e a mentira no debate e pede soluções. Fala no cuidado de não se inviabilizar o diálogo e na criação de espaços de entendimento e no apoio maioritário que o próximo governo deverá ter. Pena que não se tenha lembrado há mais tempo.(sublinhado meu).
Manda um pequeno recado à europa e dirige-se ao povo e chama a atenção da comunicação social para o seu dever de informação e pede o abandono da noticia acessória em benefício da notícia essencial.
Discurso balanceado, que deveria ter sido feito no dia da tomada de posse evitando talvez a situação em que estamos.
Talvez tenha aprendido alguma coisa! Quem sabe?

Discursos (iii)

Chega a expectativa! Que dirá Eanes? 
Surpresa!
Qual Ovo Kinder, o discurso começa com uma interrogação! O homem descobre que afinal há fome em Portugal (pelos vistos estava erradicada), e em que somos obrigados a dobrar a cerviz perantes os ditames estrangeiros!!!!
Será que o homem se esqueceu? Lembrar-se-á de que as anteriores vindas do FMI foram em 77 e 83 durante presidências suas? Parece que sim! Continuemos ouvindo...
O general Eanes, disserta depois sobre os problemas endémicos dos portugueses, como se acabasse de aterrar em Marte e não fosse humano, mas sim uma mistura estranha de filósofia das beiras com ânsia de protagonismo e moralidade castrense q.b..
Afinal, o doente Portugal, nunca teve hipóteses de cura, pois gastava mais do que produzia e os médicos receitavam-lhe continuamente mézinhas caras e não comparticipadas e ele que se entreteve a assistir a tudo isto agora pasma-se e atira as culpas para os partidos, esuqecendo mais uma vez que esteve na gánese do defundo PRD que mais não passou dum arranjinho para um bando de parasitas! Estou à vontade pois conheço alguns, Lembram-se do Hermínio Martino que agora é um fervoroso apoiante do PSD?
Depois cita Cavaco Silva quando este responsabilza as direcções partidárias que foram incapazes de interpretar e corrigir uma tendência longa de acumulação de desiequilíbrio ocultando os sinais de agravamento.Fim de citação. Aproveita para cascar também na sociedade civil, pois esta foi ineficiente ao dialogar (com quem?onde?como?, não diz) e continua a lançar achas para a fogueira com aquela ar de asceta bem tratado.
Depois encapotadamente, recorda o passado como se tudo fosse um mar de rosas, em que tudo crescia e estava bem, 
Descobriu agora que a economia em 2001 entrou em crise o que a levou a traumatizar-se em 2008! Oportuno este 2001 início do consulado Guterres, já aí o esclarecido general via a crise, talvez por isso Cavaco tivesse fugido com o rabo à seringa.
Esqueceu-se o beirão, que o tempo perdido com os seus famosos governos de iniciativa presidencial, Nobre da Costa, Mota Pinto, Lurdes Pintassilgo/Pinto Balsemão que substitui Sá Carneiro no leme quando do acidente/atentado de Camarate, em que o País se divertia com governos que ou nem sequer tomavam posse ou tinham durações máximas de dois anos. Talvez esta fosse a sua maneira de estar ao leme.
Finaliza com citações que adora fazer, e apela ao concertamento das forças políticas.
Se tivesse o cartão laranja na lapela, ficaria perfeito.
Prestou, mais uma vez, um mau serviço ao País. A história o recordará como o eterno indeciso, qual balança que nunca se chegou a centrar em ciosa nenhuma a não ser num distintivo de um partido, morto em tenra idade.

Discursos (ii)

Falou a seguir o nosso dinossauro que teima em não se deixar ficar por Nafarros, para falar sobre o 25 de Abril, teceu encómios ao movimento, falou na desgraça do PREC (não confundir com PEC), na adesão à CEE, falou no acesso fácil ao crédito, ao ensino, lembrou os pareceres de alguns economistas que defendiam o abandono da agricultura que classificou por erro enorme, falou na mudança de país de emigrantes para país de imigrantes, no facilitismo e irresponsabilidade da sociedade consumista.
Criticou os líderes europeus pela incapacidade de defesa dos ataques ao euro e países periféricos e da sua falta de solidariedade e dos ataque especulativos dos mercados e na falta de medidas para os controlar.
Estranhou que seja o FMI surpreendentemente a defender o crescimento económico, enquanto o FEEF e o BCE ficam nas tibiezas e encolhas.
Falou ainda na necessidade de esquecermos o que nos divide e de encontrar pontes que sirvam de ligação para o que nos interessa colectivamente, deixando ainda uma palavra de esperança e otimismo para o futuro que aí vem.
Mais não seria de esperar para quem tão grande experiência viveu.
Um discurso que aplaudo mas que me soube a pouco.
A idade a todos vai pesando...

Discursos (i)

Lá estava reunida, com pompa e circunstância, a trupe do costume, mais gasta e envelhecida embora aqui e além, a intervalos, se vislumbrasse uma cara nova ou apenas mais conhecida mas nada de verdadeiramente interessante ou inovador.
Não gostando particularmente, nem lhe tendo grande afecto, o primeiro falante lá juntou o molho de papéis, e eu, cá para comigo preparei-me para ouvir um discurso feito em português de boa cepa, mas inintelígivel ao vulgar dos cidadãos.
Surpresa!
O homem, falou e falou bem, falou que só em democracia poderemos encontrar as soluções para ultrapassar as nossas dificuldades, criticou a abstenção galopante responsabilizando assim todos nós e também aos partidos solicitando-nos e solicitando-lhes sugestões e medidas para evitar que a nossa indiferença, desconfiança e afastamento trerminem.
Falou ainda na repetição do ciclo do sobe e desce que é marca registada da economia portuguesa, na falta de uma perspetiva a longo prazo, na focagem da resolução dos problemas imediatos em detrimento da sua eliminação definitiva, falou na doença bipolar que nos afecta (um dia somos bestiais, no próximo somos bestas para no dia seguinte logo voltarmos a ser os melhores), recomendou que nos habituemos a olhar-nos ao espelho em vez de fantasiar sobre o que gostamos de parecer, pediu-nos enfim que trabalhássemos em vez de gritar aos quatro ventos que há muitos que não o fazem, a nossa felicidade com o aceesório em vez de o sermos com o essencial,
Enfim, o homem saiu-se bem e não se excluiu do lote dos responsáveis pelo estado a que chegamos.
Mas para melhor ajudicar sobre a mensagem aqui fica o link para ela.