23 dezembro, 2012

O rapaz do tambor


Bom Natal!

Este ano, para alguns, ainda haverá Natal. Para o ano não sei...

Fazendo parte de uma família onde o desemprego já chegou e onde os pensionistas milionários não abundam, espero vir a ter um Natal humilde mas solidário.

Neste tempo de Natal, façamos da solidariedade um festa. Lembremo-nos do familiar, do amigo, do vizinho, do desconhecido que também gostaria de ter Natal e não o deixam, e com um pouco de esforço, mas sem sacrifício, ajudemos.

A todos que por aqui passaram e passam um Bom Natal, e como diria o Solnado, façam o favor de ser felizes!

22 dezembro, 2012

Porque é Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

Dia de Natal, António Gedeão

21 dezembro, 2012

Sempre pelas piores razões

Mais uma vez o Porto e o Norte, andam na liça pelas piores razões.

Desta feita cabe a fatia à RTP - Norte e à Casa da Música, cada uma por diferentes razões, mas que não se entendem, pois ambas são âncoras duma voz diferente no todo nacional.

Se, sobre a Casa da Música, mau grado se reconhecer o seu estatuto de exceção e os compromissos assumidos, o (des)governo se borrifa nos acordos havidos, confundindo estado com governo com já nos habituou, já incompreensível se torna a deslocalização do programa "Praça da Alegria" para Lisboa com base em critérios económicos, até porque a saída do programa não vai fazer diminuir os custos estruturais da RTP-Norte, nem ao fazer-se em Lisboa irá sair mais barato.

O autarca de Gaia miou um pouco, mas os restantes... nem um pio!

Pelos vistos, para além da destruição da economia também se procura destruir o resto do País!

Sempre que a parolada do Norte chega ao paço o Norte sofre! Porque será? Será complexo ou apenas complexos.

Convencido e convicto!

Para além dos disparates normais, o nosso primeiro já nem no português acerta, e, quando tenta usar palavreado mais fino, pimba!

Não lhe bastará as embrulhadas em que se mete quando tenta anunciar qualquer ideia que ouviu de outrém e que quer passar como sua?

A última trapalhada da TAP ainda não lhe chegará para lhe fazer ver que não percebe nada disto e que à sua volta, o bando que se alimenta a peso de ouro o faz fazer uma figura atroz!?

Então não é que o mocinho, que tem à ilharga um pensionista daqueles que não descontou o que recebe se dá ao luxo de vir para a ribalta falar das pensões e dos pensionistas sem saber como funciona o nosso sistema de pensões?

Será que não sabe que muitos dos parasitas deste país com reformas douradas têm assento no seu PSD e alguns até estão representados nos orgãos do poder?

Mas teve ele alguma medida efetiva contra os detentores dessas reformas douradas, ou desatou a chular todos os que ganham mais do que o salário mínimo nacional?

E que dizer do imbróglio com as forças da PSP e GNR a propósito duma propalada reestruturação que nem o MAI sabia que se estava a dersenrolar?

E sobre a Justiça? Será que as reformas da Paula ministra que tardam em aparecer à luz do dia e tantas vezes dadas como  efetuadas levaram ao abandono da tradicional demora habitual?

Já nem me deterei na saúde nem na escola, pois quer uma, quer outra são tratadas a pontapé, e, se de um lado faltam medicamentos, noutro encerram-se escolas e sufoca-se com falta de verbas.

Estará o primeiro-ministro convicto de que o seu governo é o melhor que tem passado por este país? E para além disso, está também convencido?

19 dezembro, 2012

Ainda há crentes!

Pelos vistos, no DN, ainda há crentes...


Cavaco já não pede fiscalização preventiva

 

E estavam à espera de quê?! Ah, Ah, Ah, Arrrgggghhh!

17 dezembro, 2012

E ninguém se explica!

Este país, que está de rastos e corre célere em direção ao abismo, tem à sua frente um grupo de gente que anda a tentar vender ao desbarato os poucos anéis que ele ainda tem, mas por muitas perguntas que se façam ninguém consegue obter uma resposta por parte dos responsáveis pelo disparate.

Vende-se tudo e mais alguma coisa, pois os disparates da governação têm sido mais do que muitos, e os buracos criados por uma política desastrosa aí estão.

Parece que, quer o povo deste país, quer os políticos, quer a sociedade civil,  anda tudo de cabeça perdida, pois não se vê quem possa impedir esta cambada de vendilhões de consumar os seus intentos.

Se vier a concluir-se que os negócios foram ruinosos e/ou que houve favorecimentos quem nos poderá ressarcir?

Será que não há solução à vista? Será que votado um governo nada mais há que nos possa livrar dos seus erros? Que sistema político é este que permite que um povo enganado não possa remediar o seu erro?!

Alguém nos pode acudir?

15 dezembro, 2012

Não consigo entender!

Mas que raio de justiça é esta que, em nome da reinserção dum criminoso, pune com pena suspensa um canalha que queima deliberadamente uma criança de dois anos, parte-lhe um braço e não dá sinais de arrependimento?!

Será que os juízes portugueses entendem que este tipo de ofensa não é passível de encarceramento de alguém já condenado recentemente por outro tipo de crime?!

Será que a criança maltratada terá de sofrer mais para que apareça castigo, ou mais alguém terá de sofrer com as agressões deste indivíduo?

Depois venham os senhores juízes queixarem-se de que não são entendidos pela população e a sua associação de classe andar para aí a reclamar de que eles poderão agir mal porque ganham pouco!

Parafraseando a dupla Agostinho & Agostinha: 
- Este país é um colosso... Está tudo grosso! Está tudo grosso!

14 dezembro, 2012

Segredo de justiça

As quebras do segredo de justiça e as fugas de informação saídas dos orgãos de investigação são, infelizmente, o pão nosso de cada dia neste deserto em que transformaram o jardim da Europa de Tomás Ribeiro.

A ministra da justiça que tanto se afadiga em declarações despropositadas a pretexto de tanta coisa, quando chega a este patamar fica-se pelas banalidades habituais, promete averiguações de que não se conhecem os resultados, e, fica tudo na mesma!

O orgão legislativo por excelência, pródigo em meter o bedelho a propósito de tudo e mais alguma coisa, emudece, assobia para o lado, critica as fugas e os seus perpetradores como se tratassem de virgens a quem o mistério da carne ainda não foi desvendado.

Por outro lado, contentores de comentadores a metro, fazem o papel de carpideiras, chorando falsas lágrimas sobre o assunto, sabendo que este lhes vai enchendo os bornais de apetitosos euros e tempos de exposição mediática.

O cidadão comum, que assiste impotente a este estado de coisas, mas que demasiadas vezes também embandeira em arco quando vê serem atingidos alguns que ele entende como poderosos, comtinua a julgar que está livre de tanto abandalhamento até ao dia em que se encontra a braços com a "justiça de praça pública". Aí geme e grita pelos seus direitos mas já vai tarde.

Poucos são ainda os que pedem uma investigação célere, resultados públicos, penas severas e dolorosas para os que cometem tais crimes.

Também não se vê, aparentemente, que se esteja a diligenciar no desenho de um manual operativo que aumente a segurança dos processos, limite os intervenientes operativos, puna violenta e capazmente quem cause ou dê azo a fugas, por pequenas que sejam.

Indemnizar os enxovalhados e dar conhecimento público do ocorrido deveria ser obrigatório e o estado ser responsabilizado por tal.

Enquanto isto não acontecer, continuaremos neste pântano que Guterres tão bem previu e onde nos encontrámos atolados.

13 dezembro, 2012

Fomos todos capados?

Depois de um forçado silêncio volto às lides por causa de um patego oriundo do continente mais atrasado do mundo que, em frente a uma plateia de apáticos laparotos, se permitiu dar conselhos aos portugueses que tem ajudado a empobrecer com umas teorias da treta.

Esse triste funcionário do FMI, talvez deslumbrado com os muitos salamaleques com que muitos portugueses o obsequiam, achou-se no direito de dar palpites sobre o que os portugueses devem ou não sentir àcerca do esbulho que lhes tem sido ministrado por instruções  de outros pategos iguais a ele.

As rádios e televisões mais a pasquinada habitual desataram a ampliar as tratantadas e disparates que nos foi servindo, como se de dogmas se tratassem e vai daí nem um pio sobre o descaramento e atrevimento do personagem.

Tudo corre bem e o País está a curar-se..., mas ainda há mais remédio amargo a ser tomado,  talvez, diz o Abebe, se calhar porque vive muito acima das possibilidades das populações qie diz ajudar e que lhe pagam principescamente pelos disparates que comete.

Ninguém o confronta com o delirante orçamento, o derrapante défice, o terrível desemprego, a abjeta miséria que se instala, o desmantelamento do País, etc.!

Pelos vistos nada disto é importante para os que o convidaram e para os que lhe poderiam ter feito perguntas sérias, ponderadas e incisivas.

Se calhar todos nós merecemos isto, pois poucos vejo a indignarem-se com tal pesporrência da parte de quem devia andar envergonhado e a apresentar desculpas por nos ter lançado no abismo com os remédios que nos obrigou a tomar.

17 novembro, 2012

Estranho, ou talvez não?

Nos últimos dias debate-se mais a violência frente à A.R. do que a oportunidade perdida da greve geral!

Pelos 'blogs' perpassam comentários sobre quem tem a culpa, como se de um lado ou de outro apenas fosse possível existirem apenas culpados.

Ninguém me parece querer discutir a razão porque é que, umas dúzias de bem protegidos agentes da polícia, preferiram aguardar calmamente pelo anoitecer, para carregarem sobre umas largas centenas de cidadãos que, muito paulatinamente, observavam a arruaça de uma vintena de paspalhos que se entretinham a fazer de conta que estavam revoltados contra o governo, mas que apenas tinham o desejo de brincar com coisas sérias e se possível aparecer na televisão ou no 'you tube', para não os acusar de coisa ainda mais grave e que salta à vista.

Curiosamente, há muito boa gente de "esquerda" a pedir que a pancada desça sobre os prevaricadores e a desculpar a ineficiência das forças de ordem (será que as podemos chamar assim'), que não souberam (ou não quiseram) abortar o movimento 'pedreiro' à nascença.

Estranho que se desculpe o evidente exagero das forças policiais e se recomende aos cidadãos que fiquem em casa, mas se calhar sou eu que estou a ver mal o problema!

15 novembro, 2012

Violência & brutalidade


Pode apenas ser uma imagem isolada, mas que é violência injustificada não tenho dúvidas nenhumas.

Infelizmente, a violência passou a ser a notícia do dia em vez da brutalidade governativa!

Estratégia?

14 novembro, 2012

09 novembro, 2012

Discurso direto

"... ai, aguenta, aguenta!" Fernando Ulrich, presidente do BPI a propósito da austeridade em Portugal;

"... cá em Portugal podemos estar mais pobres, mas não temos miséria..." - Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, que se intitula voluntária, contra a fome na SIC;

"Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário..." - Passos Coelho, primeiro ministro português, quando confrontado pelos jornalistas sobre o crescente desemprego dos professores;

"... uma baixa da TSU para os 3,75%", ou seja, uma redução de 20 pontos percentuais." - Ferraz da Costa, presidente do Forum para a Competitividade, que queria também fazer aumentar o IVA, pois entende que os portugueses consomem demais;

"... Porque não existe um franchising de pastéis de nata?" - Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia como medida para atacar o défice;

"... Eu não acredito em reformas quando se está em democracia..." - Manuela Ferreira Leite, ex-presidente do PSD, ex-ministra das Finanças, ex-ministra da Educação;


06 novembro, 2012

Afinal está vivo

Anda a inaugurar hotéis de luxo!

Em tempo de austeridade, não tenham dúvidas de que é um trabalho urgente e imperioso...

Notícias da Grécia

Chega-me à mão esta notícia da Folha de S. Paulo, sobre o que se passa na Grécia em termos de assistência médica!

Como por cá há quem esteja interessado em refundar o papel do estado, será que esta não será também uma das medidas de poupança?

02 novembro, 2012

Afinal o que é que ela vem cá fazer?

A que se deve a visita da Führer alemã ao nosso País?

Será que a senhora não terá mais nada a fazer do que vir a Portugal para visitar a Auto-Europa e assistir ao início de uma conferência no CCB?

Vem da Alemanha a Portugal para cá passar seis horas, conforme noticia o I?

Vem visitar a creche e dar rebuçados aos miúdos por se portarem tão bem?

Os juízes são representados por isto?

O país está em aflições. Pede-se sacrifício a toda a gente (mais a uns do que a outros, claro), mas na generalidade toda a gente paga e, embore reclame, paga, mas a Associação Sindical dos Juízes Portugueses, entende que os seus representados perderão independência se virem os seus rendimentos serem diminuídos!

Será que os nossos juízes entendem este tipo de argumentação em seu nome?!

Será que os nossos juízes entendem que é justo que os sacrifícios se estendam a todos menos a eles?

Se sim, será que confiartemos em juízes que olham primeiro para os seus interesses e só depois para os do País?

Andará a justiça assim tão mal?

Quadratura do Círculo

O que eles disseram sobre a refundação!

01 novembro, 2012

O medo

Começa a ouvir-se falar já na possibilidade de esta Europa entrar em convulsão!

Estamos a falar da mesma Europa que há apenas alguns anos atrás era aplaudida pelos seus avanços civilizacionais, pelo sua noção de segurança social, pelo entendiento entre categorias profissionais que em princípio estarão sempre de lados opostos da barricada, pelo pujança económica, enfim, pela paz que já há mais de meio século perdurava tirando alguns episódios localizados.

Bastou que uma meia dúzia de especuladores selvagens na sua fome de mais lucros entrassem no delicado equilíbrio para que tudo isto passasse, de repente, a ser posto em causa, afinal, pelos que estão de barriga cheia que parecem esquecer-se que se a Europa do sul ficar em reboliço a do norte cairá a pique.

Será bom que não nos esqueçamos que foi a gulodice que já atirou às feras milhões de europeus e gerações que só há pouco puderam viver em paz e harmonia.

O medo começa a surgir, devagar e pela voz dos mais avisados, é bom que não desprezemos os avisos.

31 outubro, 2012

A nova panaceia

Este (des)governo descobriu, agora, que o remédio que irá meter o país nos eixos será um forte corte no social!

Não se sabe muito bem o que será esse corte, nem quem é que irá sofrê-lo, pois no segredo deverá estar a alma do negócio.

Alguns trombeteiros já começaram inclusivé a falar em valores, e um deles, reles economista a soldo, que adora papaguear nos pasquins e televisões até já questionou se será justo alguém que ganhe 2.000 € por mês pagar o mesmo que um detentor do SMN quando recorre ao hospital!

Para além de não saber do que está a falar, pois quem ganha o SMN não paga taxas moderadoras, como proporá o senhor que seja taxado o utente? Como será feita a cobrança do acto médico? E que percentagem pagará? Será então que quem ganhe 2.000 € pagará o mesmo do que os que ganham 4 000 €? E os que ganham 10.000 €? Ainda terão direito a ser atendidos no hospital público?

Então que dizer na educação? Iremos passar a cobrar propinas de acordo com o IRS/IRC? Haverá quem fique isento? E porque não privatizar o ensino na sua totalidade e dar cheques ensino a quem fosse estudar e não tivesse meios? De uma assentada acabavam-se com os gastos na manutenção das escolas, o ministério da educação passaria à categoria de subsecretaria de estado e os professores passavam todos para o ensino privado! Como o estado pouparia...

De caminho, em vez de pagar pensões de miséria, talvez dar uns valezinhos para o óleo (pois azeite só para ricos), para a margarina, arroz, massa e batatas. Umas senhas para a carne e o peixe e um pacote de maizena para o creme aos domingos.

O mesmo se faria para os desempregados, que se colocariam em IPSS's a fazer o servicinho, ou a cortar a relva nos jardins públicos, a fazer segurança em museus e bibliotecas, como tarefeiros nos hospitais ou guias turísticos nos postos de turismo. No fim opagavam-lhes em senhas.

Ah! Não esquecer do chequezinho para a renda que seria dado parcimoniosamente a quem tivesse casinha modesta e pequenina, pois os restantes que não fossem pobrezinho e humildes que se desenrascassem, pois não podia andar o pessoal a pagar os impostos para sustentar maus hábitos.

Não sei porquê, mas dá-me a impressão que há por aí muita gente com vontade de ter os pobrezinhos outra vez à porta, humildes, rotinhos, de chapéu na mão, para depois deixar cair uns cêntimos nas mãos estendidas e despedir-se com um:

- Não se esqueça de o ir gastar todo em vinho e cigarros!


30 outubro, 2012

Animal farm

Na Quinta, todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais do que outros.

Talvez por isso a preocupação do (des)governo seja o de deixar alguns reformados gozar de todos os seus privilégios enquanto, de "justiça" a tiracolo, vai sugando os restantes até ao tutano.

Razões para a diferença? Eu não a encontro mas que desconfio qual seja, desconfio.

Cai o pano

Finalmente, o chefe (!) deste (des)governo começou a tirar a fantasia que envergou já há muito tempo e que o faz aparecer como um social-democrata.
Finalmente, começa a emergir o rosto da mais violenta perseguição aos estratos mais débeis da nossa sociedade.
Finalmente, podem os louvaminheiros e apoiantes identificar-se com este bafiento lote de adeptos do mais abjecto projeto de tomada do poder.
Os meninos da esquerda caviar, os embotados stalinistas da velha guarda, os ingénuos democratas liberais podem agora envergonhar-se do apoio que não lhes negaram mesmo com as evidências que lhes eram diariamente apontadas.
Com o proverbial descaramento que só a velhacaria é capaz de permitir, fazem agora apelos à uniao e apoio a quem atiraram os cães e maltrataram de forma vergonhosa, não lhes pedindo opinião fosse para o que fosse e achincalhando qualquer proposta que lhes fosse presente.
Neste momento, nós, o povo que tem de pagar as diabruras deste lote de ineptos que alguém muito laboriosamente alcandorou ao pote, teremos uma palavra a dizer ou vamos ficar, mais uma vez, de braços cruzados à espera de um qualquer D. Sebastião providencial?
Agora que o pano caiu sobre a pobre tragicomédia que tem levado à cena, é tempo que toque a música e que o elenco seja posto no olho da rua, por má qualidade da representação.

29 outubro, 2012

Falar sempre, mesmo que não seja verdade

De passagem pelo Aventar, deparo-me com este post do João Cardoso sobre uma notícia do Público.

Interessante verificar que Roberto Carneiro, a acreditar no que o Público publicou aqui, ou enganou-se na afirmação, ou então estará a mentir deliberadamente.

Será curioso saber quem é que terá razão.

O nosso primeiro falou!

E, como de costume, quando fala, abre a boca, o que possibilita sempre a possibilidade de entrar mosca ou sair asneira.
Como não se engasgou, certamente não entrou mosca, mas saiu-lhe a refundação do memorando do entendimento!
E que é que será essa refundação, onde quer contar com o PS, partido a que não tem passado cavaco (passe a interessante homofonia) a não ser para o achincalhar ou acusar de dolo e má-fé?
Pelos vistos ninguém sabe.
Dá a entender que é uma reforma do estado, seja lá o que é que ele entende por isso, alegando para tal que "...o Estado só deve fazer aquilo que faz bem, e deve fazer muito melhor aquilo que não pode deixar de fazer...".
Ora, não sabendo ninguém o que é que ele considera que o Estado faz bem e muito menos o que é que ele (Estado) não pode deixar de fazer,  seria curial que o esclarecimento viesse rápido.
Estou em crer que ele apenas quererá ver o Estado cobrar impostos, taxas e quejandos, manter a ordem pública, ter umas forças armadas para mostrar aos amigos e representar o País nos areópagos internacionais, tudo o resto deverá ser privatizado, pois são bem conhecidas as críticas ao SNS, à dimensão da escola pública, à universalidade da proteção social, à dinamização económica, só para elencar estes quatro.
As privatizações em massa andam por aí, desde as águas, aos portos e aeroportos, passando pelo  espaço aéreo, a que se seguirão sem dúvida a orla costeira, as bacias hidrográficas, a totalidade da rede energética, as vias de comunicação, os transportes, a que se seguirá a segurança social, e a cereja em cima do bolo que é o desmantelamento do SNS.
Cada governo estabelece as leis conforme a sua conveniência. 
Já se viu que a conveniência deste governo é dar uma oportunidade aos poderosos à custa dos mais fracos.
A partir daí, não será difícil concluir que esta refundação não é a do memorando mas a de todo o País, deixando a democracia passar a ser uma figura de estilo em vez de ser uma maneira de governar.

24 outubro, 2012

Estou farto...

... das aldrabices que diariamente nos são impingidas como se fossem verdades;
... de ver o desemprego a aumentar;
... de assitir à emigração forçada de milhares de jovens;
... de ver os reformados e pensionistas serem roubados por quem tinha obrigação de os proteger;
... de ver os funcionários públicos a serem acusados de tudo e mais alguma coisa;
... de ver o ensino a degradar-se nas escolas públicas;
... de assitir à degradação do SNS;
... de ver os ziguezagues na justiça;
... de ver os (donos dos) bancos a engordar enquanto o país emagrece;
... de ver os de cima cada vez melhor à custa dos de baixo, que cada vez estão pior;
... de ver classes que passam incólumes na enxurrada;
... de assistir ao extermínio da classe média;
... da dança dos preços dos combustíveis;
... das poupanças no essencial e os contínuos gastos no supérfluo;
... da politiquice interesseira e comezinha;
... de jornais que são plataformas de propaganda e em vez de informar, desinformam;
... de jornalistas a soldo de interesses que julgam serem os seus;
... de ministros que não sabem o que fazem;
... de um (des)governo que não acerta uma;
... de uma "troika" que se borrifa em todos;
... de um pm que não sabe o que é reserva da intimidade e que entende que gostos são mais do que prazeres;
... de uma oposição que o não sabe ser;
... de sindicatos que preferiram deixara de defender o interesse dos trabalhadores e passartam a servir agendas partidárias;
... de uma sociedade masoquista;
... de um  presidente silencioso que comunica via Facebook;

21 outubro, 2012

Francamente!

Francamente não sei se esta notícia veiculada pelo I é verdadeira, mas sendo-o, questiono-me que raio de governo é que eu tenho, que castiga o populacho com medidas draconianas enquanto esbanja em juros de dinheiro que não utiliza de empréstimos estrangeiros!
Qual será a explicação que esse inteligente Gaspar terá para nos dar sobre este tipo de utilização dos dinheiros públicos?
Será esta a gestão rigorosa e eficiente que nos prometeram?
Será esta a maneira de acautelar os superiores interesses do país que dizem governar?
Mas que raio de governação é esta?
E que estranho silêncio é este que nos incomoda tanto?
Francamente!

20 outubro, 2012

Mas admiram-se, porquê?

Há por aí uma data de gente a admirar-se das declarações do nosso (salvo seja, t'arrenego!) Passos Coelho, em Bucareste!
Mas admirar-se-ão porquê, e de quê?
Já não se sabia que o miúdo não sabe nadar, yo!?
Que quando abre a boca, se não entra mosca, o mais certo é sair asneira?
Que alguém lhe escreve os discursos e ele nem sempre entende o que lê?
De ele andar feliz e contente com as historinhas que lhe conta o Gaspar?
Da sua incapacidade para gerir um partido, um governo ou um país?
Da sua impreparação habitual que tenta colmatar com desastradas intervenções ou da triste ajuda do Caçola?
Da sua subserviência à troika?
Da sua falta de decoro?
Da sua falta de sentido de estado?
Da seu precário juízo de avaliação?
Das suas birras?

Manuel António Pina



Já tinha estranhado, pois as suas crónicas tinham desaparecido, e, geralmente, estes silêncios raramente prenunciam algo de bom.
A notícia, triste, chegou.
Aos 68 anos morreu!
Mais uma voz incómoda que desaparece. Os que mais necessitam e a liberdade estão hoje mais pobres.
Que descanse em paz e que o seu exemplo frutifique.

O Medo 

 

Ninguém me roubará algumas coisas,
nem acerca de elas saberei transigir;
um pequeno morto morre eternamente
em qualquer sítio de tudo isto.

É a sua morte que eu vivo eternamente

quem quer que eu seja e ele seja.
As minhas palavras voltam eternamente a essa morte
como, imóvel, ao coração de um fruto.

Serei capaz

de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?


Manuel António Pina, in "Nenhum Sítio"

19 outubro, 2012

Quem nos acode?

Não será novidade para ninguém afirmar que o país está de pantanas!

Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, diz-nos a sabedoria popular, mas não é razão que se procura, mas apenas um pouco mais de respeito, por este povo que por aqui anda há mais de oito séculos e que se espera que continue a andar.

O coro dos protestos alterou a sua voz quando viu que as mordidelas não se ficavam apenas pelos funcionários públicos, reformados, pensionistas, desempregados e dependentes do RSI. Logo que a austeridade lhes bateu à porta - estou a falar da classe média que escreve nos jornais, que dá palpites nas mesas redondas, que até tem mais de uma casita e um carrito, que manda os filhos estudar nos privados, que não anda pelos postos da "caixa", que tem canudo e vai ao cinema, etc. - desatou aos berros de que a estavam a roubar!

Ainda bem que assim foi, pois parecia que este país já se tinha esquecido que havia outros portugueses, que até podiam ser seus vizinhos, e que há muito se debatem com dificuldades porque uma qualquer pandilha decidiu que seriam eles a pagar a crise que não existia!

No rescaldo do PEC IV, de triste memória, chumbado porque o BE clamava pela boca do Pureza, que "não é por se abrir uma crise política que o FMI virá", enquanto o PCP, pela voz de Honório Novo afirmava que "O Fundo Monetário Internacional [FMI] já cá está pela vossa mão [do Governo], pela mão dos três PECs anteriores. (...) Confirma-se aqui tudo o que o PCP disse há uma semana (...) afinal o Fundo Europeu de Estabilidade tem o FMI por trás. É o FMI que dita as regras, as análises, que decide e que também financia. O PEC IV é o PEC do FMI", por seu lado, o PSD através de Ferreira Leite afirmava "Neste momento este Governo não toma medidas que conduzam à melhoria dos mercados. O problema que está em causa é a confiança deste Governo. As mesmas medidas com outro Governo teriam outra reacção dos mercados", e o CDS, via Paulo Portas criticava "Hoje este Parlamento não debate o PEC IV. Debate o que resta de um PEC IV que está negociado e comprometido em Bruxelas. Este Governo colocou o País a ser governado por credores.", vê-se agora bem a razão que lhes assistia. Então não está mesmo à frente dos nossos olhos?!!

O FMI veio contra a opinião do BE, afinal o PEC IV não era o PEC do FMI como afirmava o PCP, o governo que veio a seguir não teve melhor reação dos mercados como dizia o PSD, nem o governo tinha então colocado o país sob a bota dos credores como afimava o CDS!

De mentira em mentira, chegamos ao caos que todos sentimos hoje na pele, amanhã será pior!

No rescaldo de tudo isto, com um governo desnorteado e com graves dissenssões internas, com uma oposição presa da "sua culpa", com um presidente da república enredado nas sua próprias manobras, com um coro de protestos mas sem soluções à vista, restar-nos-á gritar:

- Quem nos acode?

16 outubro, 2012

30 anos


Saudade de Adriano

... o vento cala a desgraça 
o vento nada me diz...

...

há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não

13 outubro, 2012

12 outubro, 2012

Trabalho socialmente útil!

O que será trabalho socialmente útil, que em simultâneo não seja uma qualquer atividade que integre o âmbito de conteúdo funcional dos lugares previstos no quadro de pessoal de uma determinada instituição ou organismo e que não esteja a coberto de um qualquer contrato coletivo de trabalho?
E que atividades serão essas que necessitam de habilitações escolares, qualificações e até experiência profissional(!) da parte dos envolvidos?
E porque é que poderão ser candidatas a esse tipo de prestação de trabalho instituições privadas?
Não andará por aqui escondido gatarrão com rabo de fora?

Compilação

Via CC, esta espantosa compilação da Fernanda Câncio.

Adaptação poética

Primeiro vieram sacar aos funcionários públicos
e eu não disse nada
porque não era funcionário público.
Então vieram sacar aos pensionistas
e eu não disse nada porque não era pensionista.
De igual modo vieram sacar aos reformados
e eu não disse nada porque não era reformado.
Depois sacaram uma taxa no subsídio de Natal aos empregados
e eu não dise nada porque não era empregado.
Agora vieram sacar-me a guita a mim
eh! lá, o malta, todos p'ra rua protestar, porra!

Porque se cala?

Será que o presidente da república sofre de algum mal desconhecido que o leva a esquecer os discursos proferidos em que afirmava que já estavamos demasiado sacrificados?
Será que também ele, como aliás outros economistas, se confundiu e errou na apreciação de uma crise que apelidavam de "passageira"?
Será que ainda não deu pelo erro e entende que o silêncio é a melhor atitude?
E que tal apresentar umas desculpazinhas...

Será a Madeira portuguesa?

Mais uma vez, a Madeira, é notícia pelos maus motivos. Desta feita, parece que afinal o programa de emagrecimento que acordou com o governo da república marca passo e a troika já fez barulho!
Claro que isto não é relevante para a maioria dos jornais, até porque estamos a falar de uma região que passou de jardim a laranjal.

11 outubro, 2012

Manoel de Oliveira

Oportuno, sem dúvida, o seu Gebo e a Sombra que nos faz recordar Raul Brandão.

Futurologia (IV)

Novas Oportunidades


Mais um tiro no pé?

O Pedro Lains dá-nos este Obviamente, que embora não tendo o demito-o a acompanhar poderia tê-lo.

Estaremos perdidos?

Começam a ouvir-se aqui e ali algumas vozes discordantes sobre os remédios que temos sido obrigados a tomar para (dizem) virmos a ser felizes.
Mas afinal quem é que irá ressarcir os europeus destes anos malditos da austeridade custe o que custar em nome de modelos que, segundo afirmavam, ir-nos-iam levar a um novo tempo de vacas gordas?
A sra. Lagarde já começa a dizer que afinal, nós, os gregos e os espanhóis terão de ter mais tempo para atingir as metas que nos foram impostas.
Mas onde estará a novidade?
Há muito que muita gente vem criticando esta austeridade que, visivelmente, está a destruir economias e países a uma velocidade impressionante, tendo os nossos economistas liberais abanado a cabeça negativamente acusando-nos de termos vivido para além das nossas posses!
E quem é que viveu para além das suas posses?
Terão sido os 10,5% dos portugueses que ganham o salário mínimo nacional? Serão os muitos milhares de pensionistas e reformados com pensões de miséria (85 % com pensões inferiores ao salário mínimo nacional) que se arrastam abaixo do limiar da pobreza? Terão sido os mais de 100.000 desempregados com mais de 50 anos de idade? Serão aquela mole imensa de portugueses que correm às promoções dos supermercados e se atropelam nas muitas filas à porta das IPSS's? Serão ainda os que definham nos lares de idosos à espera da derradeira viagem?
Que discurso é esse que, em vez de assinalar os desvios da riqueza para benefício de uma oligarquia dominante, apouca apenas o rebanho que os sustenta?
Numa invulgar concertação de esforços, políticos e oligarcas recentemente deram as mãos para atirar o povo e a incipiente classe média de regresso à selva da sobrevivência diária.
Atirou-se, não com um povo, mas com uma parte da europa de cangalhas para benefício de quem?
O (des)governo que foi eleito cá na terra mostra que não sabe o que faz, não sabe para onde quer ir, nem tampouco sabe como há-de ir para o local do piquenique.
A oposição perdeu o norte, o mapa que tem está desatualizado e não há agulha de marear disponível no mercado.
Será que desta vez estamos mesmo perdidos?

Negócos do laranjal

O Público continua com a saga da Tecnoforma, empresa que teve como consultor e gestor o nosso primeiro-ministro.
Lida a notícia, verifica-se a excelência da gestão da dita empresa, a magnífica prestação de serviços efetuada e uma nova maneira de aceder aos dinheiros públicos.
Está lá tudo.
Assim se vai sabendo para que serviam os Euros que vinham da Europa e a boa aplicação que por cá se fazia deles.

Igualdade?!

Numa Europa que se quer cada vez mais igual, e onde os nossos liberais gostam de ir buscar inspiração quando se trata de feriados, horários de trabalho, tsu's e quejandos, porque é que não os  ouvimos agora a falar quando Mário Monti baixa os impostos de quem ganha até 28.000 €/ano?
Será que esta igualdade já não lhes interessa comentar, ou entendem também que os ricos por cá começam nos que ganham o SMN ou que trabalham 35h/semana.

09 outubro, 2012

Desculpem lá o incómodo

É preciso ter lata!
O FMI, pede desculpa pois enganou-se nas contas, afinal, por cada euro de austeridade a economia arrefece entre 40 a 80 % mais do que tinham inicialmente previsto!
Aqueles pobres economistas e gestores, pagos a peso de ouro e comandados pela D. Lagarde afinal, parece que fazem contas à merceeiro, isto sem desprimor para os merceeiros que ainda sabem fazer contas.
E agora como é?
Vão restituir-nos o que perdemos?
Vão devolver-nos o emprego?
Vão-nos devolver os juros?
Vão indemnizar o país?
Ou, como de costume, vão passar pelo meio das tempestade que criaram com um sorriso nos lábios e milhões nas algibeiras?
E o governo portugês?
Permanece manso?
E a Europa, continua calada?

O discurso da treta

Volta meia volta, quando se fala na estrutura da depesa pública, os economistas adoram referir que os custos com os vencimentos mais as prestações sociais rondam os 80 % do total da despesa.
As pessoas, coitadas, ao ouvirem isto, arrepelam os cabelos e estão prontas a deixar despedir os funcionários públicos, e que lhes seja cortado na saúde, nos subsídios diversos, sabe-se bem lá o que mais ainda.
Aqui chegados, perguntamo-nos para que servirá o estado?!
Para que servirão os impostos?
Então não é para sustentar um SNS de qualidade, proteger a população no desemprego e na velhice, cuidar da formação/educação dos portugueses, acautelar a proteção de pessoas e bens, manter  as infraestruturas necessárias ao bem estar das populações?
Mas não são as prestações sociais que pagam as escolas, os hospitais, as pensões de reforma e sobrevivência, os subsídios de desemprego, os abonos de família, etc.
Claro que as despesas com pessoal, que orçaram em 2009 mais de dezoito milhões de euros e que foram cerca de 25% da receita total, até poderão estar ligeiramente acima da média, mas que dizer das despesas sociais?
Será que num período de forte contração económica queremos cortes nelas?
E já agora, porque é que os ditos economistas que tanto se escandalizam com as despesas não falam na roubalheira dos juros a mais de 3% que nos são levados pelos credores, quando os mesmos credores não se importam de emprestar a quem mais tem a 0%!?
Ter-se-ão esquecido que os juros a pagar serviriam para pagar mais de um terço do total dos vencimentos da função pública?
Então porque é que o enfoque fica nos vencimentos + prestações sociais, parecendo que para além disto, e num período de crise há muito mais onde gastar!
E para os que defendem os despedimentos na função pública!
Quanto custaria mandar para casa os funcionários públicos e pagar-lhes sem produzir?

06 outubro, 2012

Os novos milionários

Diz-nos o Correio da Manhã, logo na primeira página!
É vê-los por aí, vaidosos, radiantes com o seu novo vencimento de 2.000 € mensais!
Finalmente, que desafogo.
Depois de deduzidos os descontos, olha extasiado para a fortuna que tem nas mãos, que dificilmente chegará aos 1.500,00 €, e, sente-se um priveligiado!
1.500,00 €!
50,00 € por dia em boa parte do ano, noutra não chegará aos 48,40 € e no fabuloso mês de Fevereiro mais de 53,50 € por dia! 
Reis, está-se mesmo a ver!
Telefonam logo para o "stand" mais próximo e encomendam o Ferrari dos seus sonhos (204 salários), o Porsche à medida (130 salários), um clássico Mercedes (107 salários), um modesto Jaguar ou um burguês BMW (90 salários). Afinal, se são milionários...
Claro, que se tiverem em linha de conta que terão de gastar obrigatoriamente na alimentação e higiene cerca de 160,00 €, em água, gás e eletricidade mais 60,00 €, mais 40,00 € para os transportes, renda de casa/prestação levarão cerca de mais 300,00 €, a contita da farmácia, pois não chegamos a milionários sem aspirinas, xaropes p/ a tosse, antiácidos, vitaminas, calmantes, analgésicos, eu sei lá, m ais uns 50,00 €...e os sonhos vão ficando mais distantes.
E que dizer do seu "status" milionário que os leva a ter telemóvel, televisão por cabo,  ida ao ginásio, um copito ao fim de semana, a internet, o desporto ao ar livre, etc.
Depois há ainda que juntar a prestação do carrito, a roupita que se gasta, o sapatito que vai cambando, o eletrodoméstico que avaria, a lâmpada que se funde, o vício da bica e do cigarrito, uma fugida para ver o "glorioso", o jornaleco ao fim de semana, enfim, um mar de pequenas coisas que são a argamassa que une e prolonga a sua existência.
De repente, olham para o saldo da conta e verificam que já é só a centena a medida expressiva da sua saúde financeira e ainda terão de se precaver, pois um destes dias irá por aí a chegar o IMI, o IRS, o selo,  seguro e inspeção da "voiture", a talhada dos seguros da casa e agora, pasme-se, o Gaspar com mais um cortezito porque passaram agora a ser milionários!
Claro que quem decide estas coisas é gente que ganha muito mais do dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo e por aí fora; que tem mais de uma ocupação; que se senta em comissões onde se pagam senhas de presença; que dão pareceres milionários; que mamam, não a dois carrinhos, mas a uma frota interira; que come à mesa do OE que eles sustentam; que acumulam reformas como eles dores de cabeça; que dão palpites em orçamentos alheios quando não cuidam sequer dos próprios.
Este é o mundo dos nossos novos milionários.
Mais palavras para quê?

05 outubro, 2012

Yo no creo en las brujas...

pero que las hay, hay! (El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha, Cervantes)


Segundo a tradição, hastear uma bandeira de cabeça para baixo significa a rendição perante uma força estrangeira e/ou um pedido de auxílio urgente.

Vimos hoje, o presidente da república, sem pestanejar e sem interromper o cerimonial fazê-lo!
Vimos também, as autoridades que por perto estavam a não mexer uma palha para evitar o gesto!
Foi intencional?
Foi premeditado?
É um pedido de auxílio ou uma rendição?

04 outubro, 2012

Será verdade?


e o Ministério Público, vai averiguar e levar os ladrões a julgamento?

Triste parlamento

Um parlamento, onde um refinado incompetente insulta parlamentares, com o beneplácito duma omissa presidente e o silêncio da maioria par(a)lamentar.
Um parlamento, onde o (des)governo ao invés de responder prefere a já cansativa cassete pirata de  que a culpa foi dos outros.
Um parlamento onde um pobre troca-tintas transvestido em deputado se insurge contra o direito à greve. 
Um parlamento onde há uma deputada que afirma que os parlamentares são pagos pela "troika" sem ser alvo de vaia monumental. 
Um parlamento que deixa que o (des)governo oriente os trabalhos sem levantar grandes questões, é um parlamento triste!
Será este o parlamento que todos nós queríamos ter e onde nos sentimos representados?

03 outubro, 2012

Aldrabices

Primeiro era a TSU, tirava-se aos assalariados para dar aos patrões, ou como dizem os mais alaranjados, *as empresas, como se as empresas não pertencessem a empresários e que esses empresários não sejam patrões!
Se calhar até terão razão, pois para ser patrão é preciso sabê-lo ser, e há por aí muito empresário que nada faz para além de explorar o próximo, mas adiante.
Desse fabuloso "negócio", tirava-se a uns (muitos) 2,7 mil milhões e dava-se a outros (muito poucos) 2,2 mil milhões e no fim ainda sobravam uns 500 milhões para o Gaspar abater ao défice.
A coisa foi ao ar, e de má cara, o (des)governo, agora, vem dizer que por causa disso, e da famosa boa recuperação que está a ser feita para fixar o défice em 4,5%, vamos ficar com um défice de 5% (hipotéticos) pois há por aí receitas extraordinárias a que se junta ainda uma grossa fatia de um mês de ordenado roubado aos funcionários públicos, reformados e pensionistas.
Mas não satisfeito com isso, vem dizer que temos de tomar uma dose mortal de veneno para quê?
Para substituir os 500 milhões que se perderam no negócio da TSU!?
A tal que ía fabricar empregos à velocidade da luz!
Mas estes fulanos estão a tentar enfiar o barrete a quem?
E a malta come?

Tribunal de contas!

O porta-voz do CDS, tao atrapalhado estava, que ao pretender justificar mais esta mão cheia de austeridade (para os mesmos), até afirmou que esta nova dose é fruto do parecer do Tribunal de Contas (!).

Futurologia (III)


TAXI


01 outubro, 2012

Podia repetir s.f.f.

Esta notícia do Público não carecerá de uma explicação bem fundamentada?
Alguém me explica como é que o desconto nas SCUT's não tem impacto no OE?!
Então as SCUT's não são um cancro para o OE, e a sua negociação não atenuou apenas levemente os graves prejuízos que dão?
Como é que o Secretário de Estado ao ir buscar às poupanças geradas pela negociação, segundo ele, as verbas que vão deixar de ser recebidas, faz com que esse dinheiro não afete o OE?
Mas que contas de merceeiro serão essas?

30 setembro, 2012

Más notícias

Decidi colocar ontem um ponto final à colaboração que,... diz-nos, Francisco Seixas da Costa, no seu blog "duas ou três coisas".
São más notícias por várias razões.
A primeira, é a constatação de que um grupo de gente de muita qualidade (Seixas da Costa, António Martinho, António Amorim, Jorge Morais Dias e Julio Pedrosa),  abandona um projeto que se queria vivo e bem sedimentado e que por titubeações corre perigo de se afundar.
Em segundo lugar, torna-se já um lugar comum ver pessoas, que muito tinham ainda a dar a este país, acabarem por desistir face à teimosia do rebanho.
Por último, sentir que por lá andam os passarinheiros do costume a vender ilusões sem cuidar do futuro e apenas se interessando nos seus projetos pessoais.
Face a isto, não haverá quem olhe com olhos de ver para o ensino em Portugal?

Balões de oxigénio

Mais uma vez, António Borges faz um favor ao governo, tirando da praça pública as questões incómodas substituindo-as por discussões estéreis sobre as suas polémicas afirmações.
Borges, que é uma figura que não se sabe ao certo o que faz e para o que serve, bem pago, com acesso fácil à comunicação social, entretem-se a negociar na sombra o que devia ser claro e a criar diversões quando os interesses se focam demasiado no governo.
Durante o primeiro "affaire" Relvas, Borges, sem nada que o fizesse prever, atira com uma bombita de maucheiro:
Economista António Borges defende que reduzir salários "é uma urgência". 
Claro que a CS se atirou em peso à pseudo-notícia, os partidos largaram o Relvas para comentarem o Borges e o (des)governo aproveirou para delinear a estratégia que acabou por vencer.
A jornalista foi à sua vida, as declarações esquecidas, e o Relvas tomou novo fôlego.
O Borges, continuou na sua senda e os salários não sofreram nenhum beliscão. 
Em Julho, o segundo caso Relvas arrastava-se na CS, agora a propósito das equivalências, e o "amigo" Borges atira cá para fora com a concessão da RTP.
As atenções de imediato se viraram para este assunto, e, de uma cajadada, se matam dois coelhos, pois a administração da RTP desfaz-se, e o incómodo presidente sai de cena.
Agora que a contestação anda na rua, e as manifestações aí estão, Borges ataca de novo, agora insultando os emoresários, aliás na senda iniciada por Passos Coelho no Estoril.
Claro, que a manifestação da CGTP foi para o tinteiro, pois o que está a dar são as respostas ao Borges!
Interessante o "timing" que este Borges escolhe para mandar as suas atoardas. Poderá ser apenas o acaso a ditar tais eventos, mas mesmo eu, que até nem creio em bruxas, estranho as coincidências.

29 setembro, 2012

Futurologia (II)


Bairro Operário



Quem se mete com a banca, paga!

Os nossos inteligentes (des)governantes, part safar o défice do ano passado, lembraram-se de meter as mãos num bolo envenenado que estava a cargo dos banqueiros - os fundos de pensões!
Esqueceram-se talvez de dizer que mais de metade regressou de imediato aos cofres da banca, fazendo assim que o que a banca teria de pagar ao longo dos anos servisse para encaixar pagamento de curto/médio prazo, com os benefícios daí decorrentes e com os encargos a pesar do lado do estado nos anos seguintes!
Os artífices de tão grande negócio, ruinoso para o estado sem dúvidas algumas, pois o que se transferiu foram responsabilidades ficando os bancos com o património que estava cativo pelos fundos de pensões na mão a custo zero.
Poderão os economistas de serviço explicar muito bem explicadinho quem é que ficou a ganhar com o negócio?
Será que a Segurança Social já anda pela mó de baixo por causa desta fabulosa operação?
Porque é que não perguntam ao Vitor Bento, à Manuela Ferreira Leite, ao inteligente António Borges, ao sempre atento João Duque, ao curioso João Salgueiro, para já não falar de outros conotados com o reino do disparate.

28 setembro, 2012

Desculpem lá...

... mas é gente desta que anda a defender a lei, a exercer a ação penal e a defender a legalidade democrática!

Futurologia (I)

Salário Mínimo Nacional

 

Quem te avisa teu amigo é!

Rui Rio, que não é propriamente um amigo ou apaniguado dos visados, vai deixando avisos.
Lamentável para o governo, é que tenha de ser um autarca do PSD a verberar as atitudes que alguns pêessedêzinhos se apressaram a expressar, e que outros tentem enfiar a cabeça na areia.

Fora da realidade!

Se alguém tinha dúvidas de que o atual primeiro-ministro não estava em consonância com a realidade, este, ontem, num discurso a empresários que se reuniram no Pavilhão de Congressos do Estoril, definitivamente dissipou-as!
Para além de continuar a considerar "bem sucedido" o processo que se tem desenvolvido, parece entender que os sacrifícios que tem pedido são apenas o início de um processo longo e que "exige um esforço maior do que o desempenhado até agora"!
Considerar bem sucedido um processo em que roubou, numa primeira fase, 3,6 % dos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrém e pensionistas, aumentou os impostos indiretos, e ainda teve de recorrer a 6.000 milhões de euros de receita extraordinária (fundos de pensões da banca) para manter o défice em 5,9% fazendo assim baixar em 2,1% o défice real que ficaria próximo dos 8%.
Que no ano seguinte, para além de novos aumentos do IVA, se tenha atirado a tudo que era receita aumentando-a para valores incomportáveis, procedesse a novo saque, agora de mais de 14% dos rendimentos, aos trabalhadores do estado, reformados e pensionistas, ande a estudar novas maneiras de conseguir receitas extraordinárias, tenha alienado património do povo português, tenha lançado no desespero dezenas de milhar de portugueses e ainda lhes tenha cortado no subsídio de desemprego.
Que, depois de todo este esforço, o défice prometido de 4,5% não será atingido, ficando-se segundo o ministro Gaspar pelos 6%, número que não podemos confirmar pois é um mistério bem guardado, dando cabo de todas as otimistas previsões dos três da vida airada, do (des)governo nacional e da corja de bajuladores de servico onde se encontram reputados economistas(!).
Para lá de tudo isto, a dívida pública ( a tal que era incomportável e que o pedido de resgate faria desaparecer) se tenha agravado, e que as previsões do seu agravamento continuarão para o ano, e ainda ter a lata, sim porque é preciso uma grande lata, para dizer que este programa é um sucesso e que estamos no bom caminho!
A realidade atual é muito diversa do país que fomos em 2011.
Estamos mais pobres, pagamos mais impostos, temos menos escolas, menos hospitais, mais desemprego, um comércio interno a morrer, indústrias a desaparecer, centros de decisão a fugir, investimento a cair, a própria democracia a fenecer, e aparece gente a dizer que tudo isto é necessário pois das cinzas renascerá um país novo!
Mas um país para quem?
Para uma oligarquia que continua a engordar sem nada fazer, a sentar os rabiosques em carros de luxo, a mandar fazer os fatos de encomenda e engravatada de seda?
Ora bolas, para o bom caminho e para o sucesso!

27 setembro, 2012

Fundações

Ainda muito se escreverá sobre as fundações, sobre as (reais) intenções do (des)governo em poupar o erário público, da demagogia do discurso partidário, do estranho caso da avaliação das fundações, do motivo porque só algumas fundações foram avaliadas, dos critérios que ninguém entende e das classificações nebulosas que foram dadas numa primeira fase e que até agora não foram corrigidas.
Neste processo, que já vai longo, destacam-se no entanto algumas coisas interessantes, ou melhor, curiosidades a reter.
Não sabe a Secretaria de Estado da Administração Pública quantas fundações existem!
Como? Então o Estado não sabe?!
Das 558 fundações que reponderam ao censo só 401 foram avaliadas, tendo deliberadamente sido deixadas de fora 147! Porquê?
Segundo o Secretário de Estado Hélder Rosalino, devido a serem cooperativas, associações, centros sociais e/ou paroquiais ou pertencerem à centena que foi fundada ao abrigo do direito canónico, e, apenas uma que à data tinha sido extinta!
Será que essas não recebem apoios, não delapidam dinheiros públicos?
Mas não contentes com isto, ainda foram deixadas de fora mais 37, por "insuficiência de informação" e nada mais nos é dito, ficando assim por saber se, irão ser avaliadas ou haverá qualquer outro interesse subjacente que as retirou da avaliação!
Daqui resulta que, mais de um quarto da totalidade das fundações ficou de fora, escapando a uma avaliação por decisão do governo!
Razões para este procedimento, não há!!
Depois, e mais uma vez, o principal critério para a avaliação é o da sustentabilidade!
Ou seja, se não for sustentável (entenda-se aqui o sustentável pelos apoios recebidos do estado superiores a 50% do total), é meio caminho andado para ir borda fora!
Mas, surpresa das surpresas, das 401 fundações avaliadas só 99 tinham na época mais de 50% das receitas provenientes do estado. Menos de um quarto das avaliadas, ou cerca de 18% da totalidade das encontradas pela secretaria de estado, sendo que 47% delas são IPSS's.
Se levarmos em linha de conta que, estas fundações, dão emprego  a 25.698 pessoas começa a ver-se no que é que se está a mexer.
Mas adiante, pois o que interessa é o resultado prático de tal avaliação, de que ainda não sabemos os custos, mas que o discurso político caracterizava por uma das nossas terríveis e doentias maleitas a que urgia pôr cobro.
E, a surpresa chega em todo o seu esplendor!
O (des)governo, depois de muito ponderar decide o quê? Extinguir quatro (4) fundações! Quatro! Então nas 401 só haviam quatro a mais? Seriam essas quatro que levaram o país à ruína e atiraram com o défice de cangalhas?!
Então os culpados são a Fundação Cidade de Guimarães, o Museu do Douro, o Coa Parque e as Salinas do Samouco!
Sabendo que a Fundação Cidade de Guimarães iria encerrar após o fim da Capital Europeia da Cultura, mais bizarro se tornará falar no seu encerramento como medida de fundo!
Não contentes com isso, dizem que vão terminar todos os apoios do estado a dez fundações, entre as quais se encontra a primeira classificada - Fundação Casa de Mateus, não se compreendendo bem, se o fazem para poupar dinheiro ou por vingança política, dado que aquela fundação atribuiu o prémio D. Dinis a uma poetisa que se negou a receber o prémio das mãos do primeiro-ministro, ou no caso da Fundação Oriente que nega receber apoios há muito tempo; mas tudo bem, pois penso que estas duas, felizmente, bem podem dispensar os apoios.
Estranho no entanto que a secretaria de estado não tenha conseguido avaliar a Fundação AIP, a Sousa Cintra, a Eurocrédito, a Amélia da Silva Mello e mais uma mão cheia delas. Ficamos sem saber porquê!
Estranho ainda, esta história da Fundação Social Democrata da Madeira, que o secretário de estado afirma não receber dinheiros públicos (!!!) uma vez que esta fundação, aliás como as demais beneficia em termos de política fiscal de isenções e outras regalias que oneram o erário público, deitando por terra o argumentário de que esta fundação não custa dinheiro ao estado português.


Equidades!

Preço da água no Porto é 35% superior ao de Lisboa

26 setembro, 2012

Justiça, ou talvez não?

A senhora ministra da Justiça ainda penso que Justiça deve ser escrito com letra maiúscula - aproveitou uma viagem a um estabelecimento prisional para deitar cá para fora mais uma enormidade, que poderia ter sido dita sabe-se lá bem por quantos, mas que na boca de uma ministra que se afirma da Justiça, se tornam numa afirmação terrível.
A frase aí está, assassina q.b., e com intenções sabe-se lá bem de quê?
A senhora ministra, pelos vistos entende que ninguém está acima da lei e que terminou o tempo de impunidade.
Ora, se acabou o tempo de impunidade, presumo que esse tempo terá existido e é do conhecimento da senhora ministra, o que me leva a concluir que, das duas uma, ou a senhora ministra conhece crimes que ficaram impunes e não os denunciou às autoridades respetivas, nem sequer deles prestou testemunho, cometendo assim um crime, ou a senhora ministra apenas pensa terem existido crimes, e está apenas a fazer propaganda político-partidária, atirando a Justiça de cangalhas e a presunção de inocente e bom nome dos indiciados para o caixote do lixo.
Estamos perante um caso em que a mulher de César não parece ser séria, podendo daí tirar todas as conclusões possíveis, onde a Justiça, naturalmente não sai nunca a ganhar.

Fala-se muito de competitividade, mas...

Sempre que ouvimos falar de rentabilidade, competitividade, emprego, desenvolvimento e outros que tais, os nossos políticos, economistas e demais demagogos de serviço, enchem a boca com a necessidade urgente de baixar impostos às empresas, de esmagar (ainda mais) os vencimentos dos trabalhadores por conta de outrém (TCO), aumentar os horários de trabalho, etc.
Ou seja, penalizar os TCO e aliviar o patronato!
Mas se olharmos à nossa volta, verificamos que a taxa média de impostos (TMI) das sociedades no nosso País é idêntica ou inferior à que vigora nos países que nos são indicados como exemplo, vejamos:
TMI em 2010 - 25% em Portugal, que é o mesmo que é na China ou na Dinamarca, mas depois o que vemos? 
25,5% na Holanda, 26% na Finlândia, 26,3% na Suécia, 28% na Inglaterra e na Noruega, 29,4 na Alemanha, 30% na Espanha, 31,4 % na Itália, 34 % na Bélgica, 40 % nos Estados Unidos,  40,7 no Japão... (Fonte KPMG).
O que é que se conclui?
Temos uma taxa assim tão elevada como transparece dos discursos oficiais?
E que dizer dos custos do trabalho?
Será que os nossos 12,1 €/h estarão perto dos 20,1 da Inglaterra, dos 20,5 da vizinha Espanha, dos 27,4 da Irlanda, dos 30,1 da Alemanha ou dos 39,1 da Suécia, entre outros? (Fonte Eurostat)
A quem é que convence os contos da carochinha dos impostos mais baixos para as empresa e a redução dos custos na retribuição para atingirmos uma melhor competitividade?
Não será a nosso tecido empresarial que precisa de mudar de vida?
Não será o governo que terá de apontar o caminho para o futuro?
Não andaremos todo a ser enganados para contribuir para a engorda de uns poucos?

25 setembro, 2012

Citações (LX)

O problema dos partidos (políticos) é que se tornam reaccionários porque têm de funcionar com o aparelho, como qualquer igreja.

António Lobo Antunes

24 setembro, 2012

E o Zé, come?

Na rua, a classe média protestou em força contra a transferência de parte dos seus proventos para o bolso dos seus empregadores.
Saíram a terreiro, alguns clérigos, os jornais, os comentadores, os líderes partidários, dirigentes e ministros da mesma cor do (des)governo e até o patronato, todos irmanados na crítica à medida.
O primeiro-ministro, disse que iria recuar.
Agora, pelos vistos, quer sacar aos mesmos, a quem junta os reformados e pensionistas mais dinheiro através da alteração do IRS!
Será que ninguém lhes pergunta em quanto importam essas transferências, e o que é que resultam em benefício do emprego, da redução do défice, do crescimento económico, no aumento da equidade fiscal, em suma, em benefício do país e não apenas para esconder o descalabro das políticas que têm estado a seguir.

PPP's

Isto já me anda a chatear!
São PPP's p'raqui, são PPP's p'racoli, são pra cima, são pra baixo, porra, já não há pachorra!
A conversa das PPP's que, segundo alguns, parece só terem sido efetuadas em Portugal, para além de serem um exercício de pura demagogia, são a almofada ideal para justificar seja o que for. Ah! já me esquecia das fundações, que é assim como umas PPP's mais pequeninas,
Claro que (quase) toda a gente se preocupa em esconder de onde é que as PPP's saíram, quem as iniciou, porque é que se seguiu essa via e não outra, etc., etc., etc..
Pelos vistos, descobriram que as PPP's são um malefício horrível, mas porventura apresentam outro esquema de fazer obras sem dinheiro na mão ou com as taxas de juro em alta?
Ah! Claro que o que parece que muita gente quer(ia) era que os privados fizessem a obra para os governos ao preço da uva mijona, ou então, com prejuízos desastrosos, em nome do interesse nacional, ou estarei errado?
Sereia uma espécie de masoquismo empresarial ou mecenato patriótico.
O mais engraçado, é que quem atira achas para essa fogueira são os liberais, os que defendem a iniciativa privada, as privatizações, o recuo do estado em todos os campos, exceto no das contas públicas.
Longe de mim defender algumas PPP's que foram um refinado disparate, mas atirar tudo para dentro de um mesmo saco e chamar corruptos aos seus negociadores, parece-me uma generalização sem pés nem cabeça, e é apenas a maneira, que políticos rasteiros e os seus apaniguados têm, de molestar os seus adversários, pois não precisam de apresentar provas,  nem sequer apresentam em alternativa projetos, ideias, ou um fio de orientação. Nada! Apenas destilam veneno.
O mesmo se passa com as fundações, comparando o incomparável, como se a fundação social democrática da Madeira se comparasse à Gulbenkian, a de Serralves à Eurocredito, a Mário Soares à Jornal de Lavra - Matosinhos ou a Paula Rego à Sousa Cintra!


23 setembro, 2012

Fica o aviso

Dado pelo duas ou três coisas

Curiosidades

Há na vida factos interessantes que não deixam de me espantar.
Por causa de uma avaliação de desempenho 120.000 professores saíram à rua, manifestando-se assim contra a degradação das condições do exercício da actividade docente.
Agora que 37.000 deles ficaram sem colocação e com contrato ficaram menos cerca de 4.500, que irão receber menos salário e que 13.000 vão ficar com mobilidade interna, parece que ninguém pensa em fazer manifestações!
Se isto não é estranho o que é que passará a ser?

A Golpada

Já outros o alvitraram, mas que me começa a parecer estranha esta posição do (des)governo em deixar cair a TSU por outra contrapartida qualquer, parece!
Não nos esqueçamos de que esta manobra iria, quando muito, render 500 milhões aos cofres do estado, para além de reduzir o poder de compra da grossa maioria da população com incidência lógoca no consumo interno.
Agora, simpaticamente, o (des)governo já pretende que os parceiros sociais se entalem numa ou noutras quaisquer medidas que anulem certamente esses 500 milhões que entrariam na receita. Será?
Vejamos:
- o corte dos subsídios à função pública e pensionistas rendeu, em 2011, cerca de 2.016 milhões de euros;
- a taxa de 50% no subsídio de Natal em 2010 rendeu 1.025 milhões;
- em 2013 cortando-se um subsídio a todos renderá cerca de 2.050 milhões o que, em termos de equidade, será mais justo para os assalariados por conta de outrém, mantendo-se apenas a injustiça para os pensionistas, pois o dinheiro que lhe estão a tirar já os mesmos descontaram há muito tempo.
Mas creio que o (des)governo pretenderá mais, pois a sua sede é imensa e os erros que cometeu colocaram-nos numa situação calamitosa pelo que estes dois milhões não dão para nada.
Daí a golpada.
Com uma encenação digna do La Feria, vão-nos ao bolso e ainda vai haver quem fique satisfeito.
Ora digam-me lá se isto, a não ser verdade, poderá mesmo acontecer?!