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15 janeiro, 2013

Curiosidade

Depois de tanto ler e ouvir falar sobre o famigerado relatório do FMI, concluir que o mesmo está eivado de erros e de propósitos que nada terão de técnicos, gostaria de saber porque é que uma institiuição daquelas empresta o nome para tal tipo de jogadas.

Só grandes interesses que não gostam de aparecer à luz do dia serão capazes de engendrar este tipo de colaborações.

Quem é que afinal estará por trás de tudo isto? Não consigo acreditar que tenha saído da cabeça do Pedrito tal ideia, do mesmo modo que não vejo Gaspar, Relvas, Moedas & Cª capazes de encabeçar tal projeto, quando  muito, poderão apenas ser as cabeças de turco escolhidas para dar voz ao início de algo que, só num país pequeno e dependente, com uma democracia frágil e incipiente,  aonde os cidadãos - iletrados na sua grande maioria - ainda acreditam na propaganda que lhes é abundantemente servida por orgãos noticiosos de onde o contraditório quase desapareceu, como por magia.

11 setembro, 2012

Agora...

... que não são só os reformados, os pensionistas ou a função pública a levar no lombo, parece que já os jornais começam a falar nas incongruências da austeridade.

i Jornal de Notícias 

PúblicoDiário de Notícias
Será porque também os jornalistas  passaram a provar do mesmo veneno?

20 janeiro, 2012

Iliteracia?

Cavaco: Portugal "estará melhor com acordão do que sem ele"

Título com que o Correio da Manhã nos brindou na sua edição eletrónica.
Saberão os jornalistas o que é um acordão? E que é que lá estarão a fazer os revisores?

26 janeiro, 2009

Agora é o JN

Ontem, na minha visita diária à A Baixa do Porto, dou comigo a ler duas vezes a notícia sobre a hipótese de encerramento do JN!

Primeiro, foram o Comércio do Porto e o Primeiro de Janeiro (esse ainda anda por aí em versão electrónica), agora é o Notícias, como é conhecido cá pelo burgo, a seguir é o deserto.

Mas para que queremos nós um jornal cá na cidade? Para sabermos as notícias que são transmitidas por todos os outros?

Na edição de hoje ficamos a saber que o PS aprovou por aclamação onteontem (!!) a Elisa Ferreira para concorrer à CMP, que um cão mais o respectivo dono caíu ao mar, que um médico surfista foi salvo por uma equipa de salvamento da Câmara de Matosinhos e que a CDU denuncia o caso de oito famílias a viver em condições degradantes.

São estes os destaques sobre a cidade e arredores, depois fala-se nos custos de umas escolas em Leça e Matosinhos, numas trapalhadas políticas em Valongo, numa churrasqueira que pode fechar porque os cheiros dos grelhados incomodam a vizinhança, e sobre as queixas de barulho que os vizinhos de Matosinhos apresentam.

Como opinião temos o Mário Crespo a informar-nos de que o José Sócrates já não serve para primeiro-ministro porque um tio fez não sei o quê o que abala a sua credibilidade pelo que deve solicitar eleições antecipadas (!!!), o Rafael Barbosa a falar sobre a crise, e as suas diferenças entre os que a sentem, e o Honório Novo a atirar-se ao Sócrates por causa da Quimonda e da avaliação dos professores.

Afinal chega agora ao último dos grandes jornais portuenses, o mesmo que chegou às restantes actividades de grande dimensão, mudam-se para Sul, e algumas vezes desaparecem no meio dos grandes grupos económicos.

Quem se lembra dos grandes Bancos do Norte e das Companhias de Seguros? O que é que lhes aconteceu? E quem é que se importou?

Porque é que havemos agora de estranhar, se sempre aceitamos tudo com um ligeiro protesto aqui ou ali?

E onde pára a CMP neste processo todo?

E as altas autoridades da concorrência e da comunicação social? E a solidariedade dos restantes jornalistas?

30 novembro, 2008

Porque é importante não esquecer

Tirado d' A Baixa do Porto este texto de Filinto Melo.

"Jornalistas despedidos assinalam aniversário do jornal «O Primeiro de Janeiro»"

No dia 1 de Dezembro de 1868, no culminar da revolta portuense da «Janeirinha», nasceu o jornal «O Primeiro de Janeiro». Ao longo de 140 anos, o periódico foi ganhando importância, tornando-se no principal jornal de referência em Portugal, no período da ditadura salazarista.

Nascido numa revolta contra a política fiscal do Governo de Fontes Pereira de Melo, «O Primeiro de Janeiro» atravessou outros períodos conturbados, como a transição para o regime democrático, acabando por se debater com a mais grave crise da sua história, na década de 1980, quando o seu vasto património foi desbaratado. O jornal foi persistindo, na década seguinte, mas já sem o seu emblemático edifício na Rua de Santa Catarina, e sem muitos dos grandes profissionais que ajudaram a consolidar o título a nível nacional.

Foi nesta altura, no início dos anos 1990, que um empresário da indústria gráfica, de Oliveira de Azeméis, comprou a empresa detentora do jornal. Associando-se a um título que era sinónimo de prestígio, o empresário foi diversificando os seus negócios para as áreas da construção civil, águas engarrafadas, passando pela organização de espectáculos e agências de viagens. Nunca realizou, no entanto, qualquer investimento na redacção de «O Primeiro de Janeiro», que se manteve, desde 1990, na Rua Coelho Neto, no Porto, num espaço sem condições.

No início da presente década, o mesmo empresário alterou a constituição da empresa fundadora do jornal, registada em 1919, mudou-lhe o nome para Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, SA, e transferiu a sede para Gondomar, para uma morada fictícia.

Já sob a direcção de Nassalete Miranda, e apesar do desinvestimento votado pelo empresário, o jornal foi conquistando espaço no panorama da imprensa regional do Norte, não tendo praticamente concorrentes. Todavia, no dia 31 de Julho de 2008, a directora, cumprindo ordens da administração da empresa, demitiu em bloco mais de 30 jornalistas e outros funcionários administrativos, sem uma justificação plausível, sem qualquer indemnização e com salários em atraso.

Os jornalistas despedidos, que se viram obrigados de um momento para o outro, em pleno Verão, a lutar pela sua sobrevivência, não querem agora deixar de assinalar os 140 de existência de um dos mais importantes jornais que se publica em Portugal e para o qual contribuíram, por longos períodos, com muito esforço e dedicação.

Os jornalistas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» reúnem-se domingo, dia 30 de Novembro de 2008 num jantar comemorativo dos 140 anos do diário portuense, às 20h30, no Restaurante Mar do Norte, nº 95, Rua Mouzinho da Silveira, no Porto.

Os jornalistas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» assinalam o aniversário do jornal, manifestando respeito pelos seus leitores, fontes, antigos trabalhadores e por todos aqueles que demonstraram solidariedade com os seus despedimentos ilegais.

Jornalistas de «O Primeiro de Janeiro» despedidos a 31 de Julho de 2008

20 novembro, 2008

O Comércio do Porto

O espólio de O Comércio do Porto, antigo jornal da urbe, ruma para a vizinha cidade de Gaia, por obra e graça do seu presidente de câmara e de um grupo espanhol, derentor do Faro de Vigo.

Tudo isto vem escarrapachado no 'site' de O Primeiro de Janeiro, na sua edição de hoje,, outro jornal da cidade que luta pela sobrevivência.

Entretanto, outro diário que antigamente era conhecido como o farol da cidade, modernizou-se, expandiu-se, e dedica-se sobretudo a outras bandas, deixando mais pobre o Norte e a cidade que o viu nascer, confirmando que só o centralismo absoluto permite o crescimento.

Nós, os portuenses, continuamos a assistir, ao esvaziamento contínuo até ao estertor final, com uma paciência impensável há uns anos atrás, a coberto da conivência dos interesses instalados na cidade, que visam proteger, quer as suas benfeitorias, quer o seu estatuto.

Faltam-nos Almadas, Garrettes, Farias Guimarães, Basílios Teles, e muitos outros que elevaram o nome desta cidade às alturas a que teve e tem direito.

Hoje, temos gente pequena, preocupada com questões do deve e haver - que são encargos de guarda-livros e não de empreendedores - que não arriscam mas petiscam (muito e bem), se enredam em questões comezinhas e nas tricas e baldrocas, mais próprias das comadres e alcoviteiras do que dos feitores e governantas.

E este Porto, vai mirrando, sob um diáfano céu outonal, que não nos permite vislumbrar a chegada do frio Inverno que nos enregelará os osssos, quiçá para sempre, e mantemos a esperança de uma Primavera - que vai e que volta sempre, enquanto eu penso, negativamente , que a mocidade vai e não volta mais.