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11 outubro, 2012

Estaremos perdidos?

Começam a ouvir-se aqui e ali algumas vozes discordantes sobre os remédios que temos sido obrigados a tomar para (dizem) virmos a ser felizes.
Mas afinal quem é que irá ressarcir os europeus destes anos malditos da austeridade custe o que custar em nome de modelos que, segundo afirmavam, ir-nos-iam levar a um novo tempo de vacas gordas?
A sra. Lagarde já começa a dizer que afinal, nós, os gregos e os espanhóis terão de ter mais tempo para atingir as metas que nos foram impostas.
Mas onde estará a novidade?
Há muito que muita gente vem criticando esta austeridade que, visivelmente, está a destruir economias e países a uma velocidade impressionante, tendo os nossos economistas liberais abanado a cabeça negativamente acusando-nos de termos vivido para além das nossas posses!
E quem é que viveu para além das suas posses?
Terão sido os 10,5% dos portugueses que ganham o salário mínimo nacional? Serão os muitos milhares de pensionistas e reformados com pensões de miséria (85 % com pensões inferiores ao salário mínimo nacional) que se arrastam abaixo do limiar da pobreza? Terão sido os mais de 100.000 desempregados com mais de 50 anos de idade? Serão aquela mole imensa de portugueses que correm às promoções dos supermercados e se atropelam nas muitas filas à porta das IPSS's? Serão ainda os que definham nos lares de idosos à espera da derradeira viagem?
Que discurso é esse que, em vez de assinalar os desvios da riqueza para benefício de uma oligarquia dominante, apouca apenas o rebanho que os sustenta?
Numa invulgar concertação de esforços, políticos e oligarcas recentemente deram as mãos para atirar o povo e a incipiente classe média de regresso à selva da sobrevivência diária.
Atirou-se, não com um povo, mas com uma parte da europa de cangalhas para benefício de quem?
O (des)governo que foi eleito cá na terra mostra que não sabe o que faz, não sabe para onde quer ir, nem tampouco sabe como há-de ir para o local do piquenique.
A oposição perdeu o norte, o mapa que tem está desatualizado e não há agulha de marear disponível no mercado.
Será que desta vez estamos mesmo perdidos?

08 setembro, 2012

Será isto investigação?

Há dias, folheando O Público, esbarrei nesta notícia:  
O título era apelativo, pois indiciava que alguém teria tido uma ideia que poderia poupar dinheiro ao estado e que, simultaneamente, poderia trazer mais negócio e menos importações.
E apressei-me a ler o palpita que uma tal Beatriz Pereira, que era crismada de investigadora na Universidade do Minho, dava às autarquias nacionais.
Logo abri a boca de espanto, pois a senhor propagandeava que deveriam ser distribuídas bicicletas aos miúdos que frequentam o ensino entre o 1º e o 9º ano, para utilizar nas suas deslocações de casa para a escola e vice-versa, poupando assim nos custos do transporte subsidiado.
Certamente que a senhora não tem filhos em idade escolar, não faz a mínima ideia do que é andar de bicicleta no meio do caótico trânsito das grandes e médias cidades, como será andar nas estradas municipais e nacionais ou nas distâncias envolvidas.
Mais estranho ainda, é ver uma jornalista que espeta com a notícia no jornal, se preocupar apenas com os custos do equipamento necessário superficialmente, ir pedir a opinião a outra senhora que seria parte interessada no negócio, aceitar as tolas explicações da sra. investigadora.
Curioso o facto de nas caixas de comentários haver uma data de pessoas a achar muito bem e a passar por cima da segurança, do civismo exibido pelos cidadãos auto-transportados, de falta de infra-estruturas, etc.
Já alguém imaginou o que seria mandar um filho de seis ou dez anos para a escola de bicicleta, sózinho, no meio de uma cidade como Braga, Vila Real, Viana do Castelo ou Tomar?
E que tal imaginarmos os miúdos a pedalar à chuva e ao vento, distâncias que por vezes ultrapassam a meia dúzia de quilómetros, em duas ou quatro viagens diárias?
E as bicicletas teriam que especificações?
Guarda-lamas, luz frente e traseira, protetor de corrente, bagageira, sinalizações laterais.
E isso atiraria o seu custo para quanto? Cento e setenta ou duzentos euros?
E o equipamento para os utentes? Qual seria e quanto custaria?
Capacete, faixas refletoras e joelheiras/cotoveleiras.
E os que não soubessem andar de bicicleta ou não dominassem a técnica, iriam a pé, ou a sra. investigadora tem mais soluções?
Claro, que a sra. investigadora falou logo nos países onde isso acontece, não como obrigatório, mas por hábitos criados e infraestruturas adaptadas.
Pensou a sra. investigadora na morfologia do terreno, na ausência de ciclovias, na falta de preparação a nível escolar e pré-escolar, no trânsito, no civismo, na fiscalização, na realidade nacional.
Não!
A sra., limita-se a dizer que "Onde circula um automóvel pode circular uma mota ou uma bicicleta, basta haver uma cultura de respeito pelo outro" !!!
Mas a sra, saberá o que está a dizer ou está a gozar connosco apenas?
A sra. não lê jornais? Não conhece os indíces de sinistralidade nacionais? Não conhece o esado das nossas vias? Será a sra. deste País?
Poderia ter apresentado a ideia com a ponderação devida e os limites que a realidade impõe; aí eu ter-lhe-ía batiado palmas, agora tornar obrigatório algo que não o pode ser, é coisa de quem não tem os pés bem assentes no chão e daí por vezes o descrédito em que cai a investigação de qualidade.
Nem o jornalista, nem a investigadora prestaram um bom serviço à ideia.
Pode ser que alguém pegue nela a acarinhe e a torne exequível. Quem me dera!

08 junho, 2011

Eles aí estão!

Em entrevista ao Público, Cadilhe, o tal que recebeu 10 milhões de euros quando foi para a SLN (a do BPN), com a desculpa que iria perder a pensão vitalícia do BCP, advoga a privatização total da CGD!
Também quer vender os submarinos e todos os ativos que tivermos (com algumas excepções que não explicita).
Se formos por aí, daqui a quatro anos o país apenas terá dedos, pois os anéis ter-se-ão ido na voragem do liberalismo.

05 maio, 2011

Sobre o protocolo de entendimento

Não deixa de ser curioso que o representante da UE tenha dito que a base de trabalho foi aquilo que as oposições em bloco rejeitaram por ser extremamente gravoso para o povo português!
Interessante que um banqueiro que anda aflito a encerrar balcões e a despedir colaboradores contratados a termo, venha agora dizer que foi bom o PEC IV ter sido chumbado, uma vez que no entendimento há uma fatia que lhe vai cair direitinha nos bolsos, enquanto no PEC IV não existia nenhuma.
Curiso que o líder do principal partido da oposição tenha preferido um programa humorístico para dizer que ía assinar o protocolo de entendimento, e que umas horas antes se tenha negado a fazê-lo numa entrevista dada à RTP 1 em horário nobre;
Por falar em Nobre, de notar que este acha que o protocolo de entendimento ataca violentamente o estado social, pelo que gostarei de o ouvir falar sobre o assunto na próxima campanha.
Seria estranho que a tríade não afirmasse que se tívessemos recorrido mais cedo o acordo seria menos penoso, pois se o dissesse estaria apenas a dizer que os erros que cometeram na Grécia e na Irlanda teriam sido cometidos também por cá, ou julgam que foi pelos nossos lindos olhos ou pela intervenção do Catroga que as medidas se tornaram mais soft?
Este protocolo devia ser lido com atenção, pois há nuances para o seu cumprimento e há os que querem que seja apenas o Zé Pagode a paga-lo e há outros que preferem que todos paguem, aí está a diferença, saibam os portugueses fazer a destrinça.

19 janeiro, 2009

Relação custo/benefício

Este chavão, pois apenas se trata de mais um chavão para utilizar quando interessa, faz-me lembrar um outro que ainda há pouco era moda e que era o do utilizador/pagador...

Qual será a relação custo/benefício da construção de uma auto-estrada entre Vila Real e Bragança para um residente da Covilhã? E de uma escola a construir em Belmonte para a evolução científica das gentes da Minho?

Será que o reequipamento das Forças Armadas têm um custo/benefício suficientemente baixo para ser levado a sério?

Se quanto aos custos eles são fáceis de calcular, já os benefícios tornam-se muito difíceis de elencar, pois não há fórmula estudada que se lhes aplique.

Quando muito, poderemos tentar chegar a conclusões que possibilitem criar uma ordenação dos investimentos a fazer, mas nenhuma dessas conclusões será um dogma nem sequer poderemos garantir que é a opção certa para os próximos anos, pois à velocidade com que a ciência evolui e que as políticas se modificam, o que é verdade hoje, será falso amanhã de manhã.

E a solução?... Será parar?!

Neste momento parece-me fácil indicar quais são as prioridades a ter em conta:

  • suster a evolução do desemprego;
  • apostar na evolução da aprendizagem:
  • evitar o recurso às importações, recorrendo ao produto nacional;
  • expandir as exportações pela via da qualidade;
  • energia mais barata;
  • proteger o ambiente;
  • dinamizar as áreas tecnico-científicas onde já levamos alguma vantagem;
  • utilizar a via férrea e a marítima em detrimento da automóvel;
  • descentralizar.
creio que não será difícil verificar que estes serão actualmente os caminhos a seguir, hoje, claro que terão custos e parece-me que trarão benefícios, agora se a relação entre os custos e benefícios será a óptima não sei, pois apenas sei que o óptimo é inimigo do bom.

Falar em futuro é apenas tentar tapar o Sol com uma peneira.

Qual será o preço do petróleo no fim do ano? Estaremos ao abrigo de uma qualquer catástrofe que se abata sobre nós? Será que a India e o Paquistão não se vão envolver em zaragata? Será que não poderá ocorrer uma pandemia que altere o equilíbrio geo-estratégico?

Não se deverão recordar os políticos e opinadores que o primeiro automóvel a combustão apenas apareceu em 1886, há apenas 122 anos e que o primeiro avião segundo alguns voou em 1903 há pouco mais de um século, que a penicilina tem apenas 80 anos, que os primeiros computadores pessoais apareceram na década de 70, que os primeiros temóveis têm cerca de vinte e cinco anos, e que os automoveis eléctricos têm apenas 10 anos?

Que nos reservará o amanhã para termos tantas certezas ao falar em custos/benefícios para as próximas gerações!!!

14 janeiro, 2009

As eleições estão aí

Basta ver a animação que vai n' A Baixa do Porto sobre o assunto, para se verificar que, alguns portuenses, e não só - como é hábito dizer-se - já estão a começar as escaramuças.

Pena é que ainda se discutam as virtudes e pecados do Fernando Gomes e do Nuno Cardoso versus Rui Rio.

Penso que esse será o caminho errado para debater a cidade que queremos todos ter.

Falemos antes do que não está feito, do que é urgente fazer-se, do que será necessário e do que será desejável.

É tempo de reflectir e avançar com ideias, sejam elas grandiosas ou insignificantes, simples ou complicadas, mas que tenham algo de positivo.

É tempo de deixarmos de olhar para trás.