20 dezembro, 2006

Bom Natal para todos

Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

17 novembro, 2006

Duas notícias interessantes

Arvoredo

A Câmara Municipal desta cidade, durante o pouco tempo da sua gerência, que foi zelosa e ilustrada, não deixou de atender a uma das coisas que mais embelezam uma cidade, como é o arvoredo. O número total de árvores plantadas ultimamente foi de 628 - sendo 161 nas praças, 167 em diferentes ruas e 300 na estrada da Foz.

ARVORES QUE FORAM PLANTADAS, conforme acima está escrito:

Praças e Largos

Bolhão e Aguardente ................................................ 50 freixos
Santo Ildefonso .................................................... 7 vinháticos
Batalha ............................................................... 34 austrálias
Batalha ................................................................ 2 vinháticos
Congregados .......................................................... 2 negrilhos
S. Bento das Freiras .................................................. 2 chorões
Santa Teresa ........................................................... 25 acácias
Viriato ................................................................. 16 vinháticos
Ribeira ..................................................................... 15 freixos
Trindade .................................................................. 1 negrilho
Carmo ..................................................................... 7 plátanos

Ruas

Clérigos ............................................................... 4 negrilhos
Carmelitas ........................................................... 4 negrilhos
Ferreira Borges ..................................................... 2 plátanos
Ferreira Borges .................................................... 2 negrilhos
Ferreira Borges ....................................................... 3 ilantes
Quartéis .......................................................... 28 amoreiras
Olival ....................................................................... 4 acácias
Olival ....................................................................... 4 freixos
Restauração ............................................................. 23 faias
Restauração ...................................................... 24 negrilhos
Hospital ................................................................ 2 plátanos
Hospital ................................................................ 4 choupos
Passeio Alegre ..................................................... 59 acácias
Na estrada de Miragaia para a Foz ............. 300 choupos

Total ..........................................................628 árvores


-//-

Jantar

A Exma. Câmara desta cidade, ou antes, os cidadãos vereadores dela, mandaram, à sua custa, dar anteontem, um jantar aos presos das cadeias da Relação, aos calcetas e rapazes de calcetaria, ao Recolhimento dos Meninos Desamparados, ao das Meninas Desamparadas, aos pobres do Asilo da Mendicidade e ao Recolhimento das Convertidas.

A cada pessoa destas, diz o "O ECO", foi dado meio arrátel de carne de vaca, meio quartilho de vinho maduro, uma quarta de arroz, uma quarta de toucinho, maio arrátel de pão de trigo, feijões, etc.

Foi deste modo que Suas Excelências comemoraram o aniversário natalício de Sua Majestade o Senhor D. Pedro V.

As datas das notícas são, respectivamente, 11 de Março e 18 de Setembro de 1858, e era presidente da Câmara António José Antunes Navarro.


(do Boletim de 1982 3ª série, nºs 2 e 3 da Associação Cultural Amigos do Porto)

Que pena não se seguirem, actualmente, estes exemplos, com as devidas adaptações....

03 novembro, 2006

Justiça à portuguesa

Um jovem de 26 anos foi ilibado num tribunal português por ter disparado 26 tiros contra uma caravana política e forças da GNR, conforme nos relata o JN de hoje.

Não havendo grande admiração pela absolvição do arguido, uma vez que será inimputável, muito se estranha que o seu pai, detentor ilegal da arma, apenas tenha sido condenado numa multa de 750 €!!!

Isto quererá dizer o quê?

- Que poderemos ter em casa uma arma ilegal desde que não sejamos apanhados?

- Que mesmo que a arma seja utilizada por terceiros, por irresponsabilidade nossa na sua arrumação, o crime não é grave e menos de mil euros chegam e sobram para pagarmos a ilegalidade e irresponsabilidade da nossa actuação?

- Afinal porque é que nos havemos de cansar a tirar alicença de uso e porte de arma, pagarmos os seus custos e andar a fazer exames e demais papelada se poderemos encontrar um juiz compreensivo que nos multa em 750 € se alguém fizer borrada?!

Será isto lógico? E justo?

19 outubro, 2006

Eu já sabia

que ele era assim, com ideias arrumadinhas, algumas dúvidas, e sem grande sede de protagonismo, mas ao ouvi-lo ontem, no Porto Canal, lembrei-me de que estava ali um Homem, com ideias que poderiam muito bem assentar como uma luva a este País e a esta Região.

Creio que já sabem de quem estou a falar. Precisamente. É de facto dele, do Rui Moreira, o presidente da Associação Comercial do Porto, que tem feito alguns esforços para abanar a cidade e a região mas que, talvez por não ser associado de nenhum partido e ser sócio confesso do FCP, tem estado na sombra a que os poderes públicos e o público em geral coloca os que os incomodam.

Falou de várias coisas com interesse para a Região Norte, nomeadamente sobre a ferrovia, a interligação entre esta o aeroporto e o porto de mar; na metrópole que é o conjunto de Porto-Gaia-Matosinhos com as suas fronteiras burocráticas ultrapassadas e desnecessárias; no rio D(e)ouro que corre à nossa porta e entra no País vizinho e que está votado ao abandono nas suas vertentes de transporte e turismo; na incógnita do que é a cidade da Ciência para além de cabeçalho atirado para o ar, vazio de projectos e de orientação; na independência reivindicativa perante o poder central assumindo no entanto as suas responsabilidades na gestão do que só deverá ser pago e consumido pelos seus utentes, e muito mais.

Tendo dentro de casa gente assim, porque é que esperamos pelos partidos para nos indicarem quem é o melhor candidato para assumir a liderança das nossas ambições?

Aqui fica a questão, responda quem pode.

17 outubro, 2006

De passagem

pelo É DA VIDA dei com este texto.

Ler até ao fim, pois vale a pena.

Privatizar

Ouço um pouco por toda a parte, doutos e ignorantes, clamarem pela privatização disto e daquilo, com o estafado argumento de que só os privados é que sabem gerir bem, e que o sector público só serve para dar despesa!!

Cá no burgo, há quem defenda a privatização da gestão de espaços públicos (que bom que é gerir algo que não construímos) dando loas ao sôr presidente sempre que este decide enveredar por esse caminho.

Ninguém porventura se lembra de que, o que é importante, é pedir responsabilidades a quem dirige, em vez de colaborar com a incompetência e laxismo com que todos nós nos deparamos no dia a dia.

Quantos dos que por aí falam já escreveram num livro de reclamações por terem sido mal atendidos?

Quantos perderam tempo em escrever uma carta registada com aviso de recepção pedindo satisfações sobre algo que os incomodou ou lesou?

Quantos se abeiraram de um agente das forças de ordem disponibilizando-se para testemunharem sobre seja o que fôr ocorrido com terceiros na sua (deles) ausência?

Porque não pedem estas vozes clamantes pelas privatizações, que se privatize a recolha dos impostos, ou as inspecções fiscais?

E já agora, porque não privatizar o Governo, Câmaras e Juntas de Freguesia?

Alguém me explica porque é que o privado só é bom naquilo que ao privado interessa?

15 outubro, 2006

Masoquismo

Por um qualquer desvio aberrante que ainda não decidi analisar junto de especialista na matéria, continuo a alimentar as minhas tendências sofredoras lendo religiosamente o Público, todas as manhãs de Sábado, indo ao ponto de chegar a ler o que escreve José Manuel Fernandes(JMF)!

Neste Sábado, adquiri como habitualmente o jornaleco numa banca da outrora maravilhosa Esposende, onde Ruy Belo muitas vezes dialogou com as suas musas, e, surpreendido, constatei que o País se tinha alterado profundamente, pois pude ler na separata Público Local (Porto/Norte), que a "Frente ribeirinha de Lisboa está em risco frequente de inundação", que a "Câmara (municipal de Lisboa) constrói rotundas na Avenida de Ceuta" e que "a esplanada do D. Maria II não está licenciada"!!!!

Pensei que nesta coisa da regionalização, o JMF já deve estar na posse de algum segredo esquisito e que afinal a fusão que se deverá discutir não será a de Porto com Gaia mas a de Porto com Lisboa, pois assim teremos a cidade europeia detentora do recorde Guiness para a cidade com maior costa marítima, ou então no Público reina grande confusão sobre o que é regional e local o que torna a coisa mais grave.

Para além deste delicioso pormenor, continuo a constatar que os revisores do Público não devem ser portugueses ou então terão tido grandes cunhas para serem admitidos no jornal, ou ainda não existem, pois os erros de português, sejam eles de concordâncias gramaticais, ou até de palmatória, como se poderá ler num artigo de opinião de São José Almeida, que mesmo depois de ter ido consultar o dicionário da Academia de Ciências escreveu (ou mais grave ainda, alguém que copiou o seu artigo deturpou), o substantivo masculino suborno como soborno, no já mais do que habitual rol de asneiras que nos é dado num produto que é caro demais para o que fornece.

Mas, para fechar com chave de ouro o desastre, nada mais interessante do que ler um outro artigo do JMF em que ele concorda com Hanna Arendt, quando esta conclui que Eichmann era apenas um homem banal que era incapaz de distinguir o mal do bem, e que só procurou ser eficiente na tarefa que assumiu, que afinal foi tão só tentar o extermínio de uma etnia!!!

Chegados a este ponto, eu diria que teremos chegado ao ponto sem retorno - como se diz em aviação - e a partir daí só duas coisas poderão acontecer, ou um final feliz ou uma colossal catástrofe.

Eu, por mim, não acredito em finais felizes.

13 outubro, 2006

Consistências

Não tenho dúvidas que a consistência do queijo da ilha de S. Jorge está a anos-luz da consistência dos artigos do "grande" (porque gordo) JPP, depois de ler esta prosa no seu ABRUPTO.

Admira-se JPP de Adriano Correia de Oliveira, Ana de Castro ou Fernando Nobre estarem incluídos na primitiva lista do anunciado programa da RTP sobre os Grandes Portugueses, colocando-os em pé de igualdade com os futebolistas e treinadores da moda!

Por outro lado, acha que foi censurazinha atrevida a não inclusão do nosso ex-chefe do governo, Oliveira Salazar, chegando a chamar-lhe omissão... "... gritante de significado..." e concluindo que "uma lista deste tipo sem Salazar não tem pés nem cabeça"!!!

Será que o "grande", que a RTP escolheu para pôr no título do programa, quer dizer influente?

Se fôr esse o caso, claro que Salazar devia lá estar assim como mais uns bons milhares de outros que, de uma ou outra maneira, influenciaram os destinos deste país, mas o que me parece, s.m.o., é que nesta grandeza deverá estar mais do que a simples quantidade da obra feita, mas também a sua qualidade e projecção no futuro.

Já basta o mau gosto de se misturarem velhas glórias com visibilidades efémeras, para que os nossos ditos intelectuais ainda defendam que, numa lista de grandes portugueses, devam ombrear perseguidores e perseguidos, como se a maldade e falta de escrúpulos não fossem critérios a seguir na escolha dos personagens, e, de acordo com a época em que viveram, pois o sadismo dum imperador romano que mandava deitar aos leões os cristãos, não será nunca comparável à decisão de um qualquer oportunista que, para atingir os seus desejos, não se importa de sacrificar os seus concidadãos.

Para bons entendedores....


Mais um

De passagem pel' A Cidade Surpreendente dou com mais um blog com pronúncia do Norte intitulado Comboio Azul.

Pelo andar da carruagem, valerá a pena apanhá-lo e viajarmos um pouco na companhia das fotos e dos interessantes apontamentos.

Boa viagem...

12 outubro, 2006

Já há muito que não venho por aqui

pois nem a disposição tem sido muita, nem a força de vontade para remar contínuamente contra a maré do deixa andar e do não-te-rales deixa-me por vezes em estado de desânimo de que difícilmente me recomponho, mas andando por aí dei com este desleixo e abandono de um marco da nossa história ferroviária:

1. http://www.railfaneurope.net/pix/pt/diesel/dmu/historic/cp_fiat.jpg

2. http://www.railfaneurope.net/pix/pt/diesel/dmu/historic/cp_fiat_2.jpg

São imagens tristes e degradantes do que foi o emblemático comboio rápido FOGUETE que apodrecem algures no Alentejo com destino anunciado para algum sucateiro realizar uns cobres.

Este país, onde a maioria não respeita o seu património histórico, preferindo pavonear-se em férias de tudo-a-monte-e-fé-em-Deus, na América Central, do Sul ou outros destinos exóticos, em vez de conhecer o País onde nasceu, que prefere ter o carrinho de gama-acima-das-suas-posses-para-exibir-aos-amigos-e-vizinhos, em vez de utilizar os transportes públicos ou optar por um mais baratinho que lhe possibilite explorar os arredores, que prefere gastar dinheiro em revistas de mexericos ou jornais desportivos em vez de comprar um livrinho de um dos nossos muitos e bons escritores, que vai às urnas depositar o seu voto, não no partido ou político que apresenta o melhor programa mas no clube que foi escolhido pelos avoengos no pós-25 de Abril como se de um clube de futebol se tratasse, este país que eu adoro e que vejo cada vez mais dependente de meios audiovisuais que em vez de distribuir conhecimento procuram atafulhar os jovens com programas sem qualidade e os mais velhos com telenovelas da treta ou fado, fátima e futebol, este país, como dizia a célebre charada televisiva de há uns anos atrás

É um colosso... está tudo grosso... está tudo grosso!

06 setembro, 2006

Um joguinho para se entreterem

Quem ganhar que reclame o prémio...

Experimente

É triste mas é o que há

Divulgação de texto publicado no blogue Fauna Ibérica de autoria de Miguel Barbosa

Hoje é um dia particularmente triste para a Conservação da Natureza em Portugal. Uma das poucas florestas autóctones que ainda existiam no nosso país, a Mata do Ramiscal, integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, foi na sua maior parte destruída pelo fogo. Enquanto escrevo estas linhas (noite de 10 de Agosto) Azevinhos (Ilex aquifolium) centenários são consumidos pelas chamas.
O Vale do Ramiscal é um vale remoto do Alto Minho com cerca de 10 quilómetros de extensão que se dispõe no sentido Este-Oeste. A maior parte da sua área está protegida legalmente pelo máximo estatuto de protecção ambiental, o de Parque Nacional.
A Mata do Ramiscal estendia-se ao longo da margem esquerda do rio e era formada sobretudo por exemplares de Carvalho-alvarinho (Quercus robur ) de grande porte e pelos supra-citados azevinhos. Neste local deambulava o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), a Águia-real (Aquila chrysaetos ) cruzava assiduamente os céus e o Gato-bravo (Felis silvestris) refugiava-se no mais espesso do bosque.
Seria difícil encontrar uma maior diversidade e riqueza natural no nosso país. Nos últimos dois dias tudo isto desapareceu! A Mata do Ramiscal morreu! O solo carbonizado estende-se do rio até ao ponto mais alto da Serra do Soajo. A Natureza lusa está de luto, o Parque Nacional da Peneda-Gerês nunca mais será o mesmo, a minha tristeza é imensa...

17 agosto, 2006

Porque sim!

KATHY'S SONG
Paul Simon - 1965


I hear the drizzle of the rain
Like a memory it falls
Soft and warm continuing
Tapping on my roof and walls

And from the shelter of my mind
Through the window of my eyes
I gaze beyond the rain-drenched streets
To England where my heart lies

My mind's distracted and diffused
My thoughts are many miles away
They lie with you when you're asleep
And kiss you when you start your day

And a song I was writing is left undone
I don't know why I spend my time
Writing songs I can't believe
With words that tear and strain to rhyme

And so you see I have come to doubt
All that I once held as true
I stand alone without beliefs
The only truth I know is you

And as I watch the drops of rain
Weave their weary paths and die
I know that I am like the rain
There but for the grace of you go I

27 julho, 2006

De facto, a educação vai mal...

Mão amiga fez-me chegar este delicioso texto que pretenderia ser a resposta à questão àcerca da utilidade dos fungos!!!

Os fungos são realmente bastante nocivos aos interesses humanos.

Fungando, uma pessoa pode estar inalando milhões e milhões de vírus e bactérias do ambiente que se respira. Mas há também a utilidade. Uma boa fungada pode efectivamente retirar aquele catarro preso na garganta, sendo que quanto maior o som emitido pela fungada maior é a sua Eficiência e precisão na retirada daquela substância indesejada.

Há quem diga que fungar é porcaria mas pesquisas científicas revelam que, além de serem métodos eficientes, as fungadas fazem parte do dia-a-dia de pessoas em todo o mundo.

E como diz a famosa frase: aquele que nunca deu uma fungada que atire a primeira pedra.

23 julho, 2006

Apontadores

Nestes oportunos apontadores do TAF n'A Baixa do Porto, chamo a atenção para os comentários sobre a composição do júri para apreciação das propostas para o mercado do Bolhão.

Dr. José Pedro Aguiar Branco - Presidente da Assembleia Municipal e distinto advogado;
Engº Rui Quelhas - Administrador da SRU e ex-Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara em exercício;
D. Laura Rodrigues - Presidente da Associação de Comerciantes do Porto e que em todo este processo nunca apareceu a defender os seus associados, optando por uma posição de convite ao diálogo, mas nunca revelando a sua posição;
Dr. Lino Ferreira - Actual resposável pelo pelouro do Urbanismo e Mobilidade, técnico superior do ministério da educação e licenciado em Filosofia;
Prof. Dr. Helder Pacheco - Conhecido cronista e historiador da cidade, dá a impressão que apenas empresta o seu nome para dar prestígio ao júri.

Como se pode ver, o processo começa bem!

Voltam ao palco

Israel, desta vez a propósito de uns militares raptados por uma organização terrorista (se conseguir levar a sua água ao moínho, passará a chamar-se guerrilha de libertação), invade outro país.

Há logo quem condene de imediato, e, simultâneamente, quem aplauda
!

Normal, normalíssimo, uma vez que as opiniões são como as cerejas..., mas o que mais estranho, é que se relegue para segundo plano que nem uns nem outros se coibem de bombardear populações civis inocentes, alegando ambos que actuam em defesa dos sacrossantos princípios da liberdade e da paz!!!!

Vamos lá a ser mais democráticos e a afirmar, claramente, que nem um lado nem outro têm direito de se portar da ignóbil maneira com que habitualmente se comportam.

18 julho, 2006

Sobre os cegos

Via e-mail, recebi hoje mais uma daquelas listas parecidas com petições, desta vez a favor dos cegos.

Lá reencaminhei a lista, muito embora saiba que aquilo não vai dar em nada para além de sensibilizar alguns dos que a recebam para o problema dos invisuais e dos demais portadores de deficiências.

Estranho, que num País conhecido pela sua delicadeza para com os estrangeiros, tanto se esqueçam os naturais, particularmente os portadores de deficiências, nomeadamente as visuais, auditivas e motoras.

Não será já tempo de nos questionarmos sobre esta estranha apatia, nomeadamente a dos poderes públicos, sobre a razão de serem esquecidos esses cidadãos, uma vez que, como a maioria dos restantes, também faz parte da nação e pagam os seus impostos.

Vamos lá a colocar etiquetas "braille" nos impressos oficiais, abrir janelas para a linguagem gestual nos programas televisivos, proibir definitivamente com obstáculos que se projectam para fora dos edifícios a meia-altura bem como o estacionamento sobre os passeios e rampas de acesso, dotar as bibliotecas e museus de equipamento específico para colmatar a impossibilidade de utilização, e por aí fora.

Todos nós agradecíamos.


13 julho, 2006

Sobre os desmandos na Avenida dos Aliados

Mais uma opinião, agora de Levi Guerra, n' O Primeiro de Janeiro do pretérito dia 9 do corrente, e tirada dos Aliados.

Lá vão acordando, um após outro, mas chegam tarde... muito tarde...

Como está calor...

fui à Praia e, a propósito de cultura, dei com este link para o Gato Fedorento.

Por coisas idênticas, já deixei muitos livros traduzidos para a nossa língua nas primeiras páginas e busquei os originais (quando o conhecimento mo permite) para não ser enganado.

Mas ninguém consegue pôr termo a este tipo de vandalismo?!

12 julho, 2006

Acabou

Para meu bem e para desconsolo de muitos, finalmente acabou a grande ilusão daquilo que se intitulou Campeonato do Mundo de Futebol.

Durante cerca de um mês, muitos dos que não tem acesso às condições mínimas de vida, viveram na ilusão de serem importantes, apenas por estarem representados num evento onde os ricos têm assento. Vibraram com as alegrias que as respectivas selecções lhes proporcionaram e aguentaram com os subsequentes desgostos. Nós, portugueses, como muitos outros, embalados num doce torpor, também lá estivemos levados pelo encanto de podermos ombrear com os grandes, sentindo que assim vencíamos os muitos anos de desprezo e falta de respeito com que habitualmente somos brindados nos países em que aparecemos como emigrantes de baixa qualidade, e até alguns dos nossos intelectuais se deixaram enlear no canto da sereia.

Um treinador que apresentava como meta os oitavos de final, fez esquecer o País de que, mais uma vez, preferia esperar para ver do que apresentar-se como um lutador pelo título. As exibições exaltadas por jornalistas e repórteres imbuídos de um nacionalismo entusiasmado, nunca passaram da mediania, do mesmo modo que os outros concorrentes faziam o mesmo, num ambiente onde o futebol espectáculo esteve arredado a maior parte do tempo.

De repente, e graças sabe-se lá porquê, vemo-nos chegados às meias-finais, e o País embandeirava em arco, como se o facto não fosse proporcionado por uma confrangedora falta de qualidade no futebol praticado, mas fruto de uma valorosa e competente actuação em campo.

Infelizmente ninguém ganhou!

Nem Portugal, que com um belíssimo quarto lugar deveria ter festejado a sorte que teve, nem sequer a Itália, que viu a decisão do campeonato ser decidida através de grandes penalidades face à falta de brilhantismo na execução, pode clamar bem alto a qualidade do seu futebol, pois nada disso se viu.

A FIFA, por seu lado, mostrou o seu pior lado ao ensarilhar-se em decisões cujas justificações estarão bem longe do que na realidade se passou nos diferentes relvados.

A arbitragem, essa, se fosse feita por árbitros nacionais, faria história duma incompetência confrangedora e ainda hoje estaria a ser discutida nos habituais jornais de referência.

Daqui a uns anos há mais. Só espero que, para bem do futebol, se analise com a inteligência necessária, porque é que não ganhamos a equipas que nada fizeram para isso, e aí talvez, sem sargentões, nossas senhoras de Caravaggio, Madaís ineficazes e com uma nova fornada de jogadores jovens possamos deliciar-nos com um bom espectáculo.

Eu sei que é pedir muito, mas já é tempo de o fazer.