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09 novembro, 2012

Discurso direto

"... ai, aguenta, aguenta!" Fernando Ulrich, presidente do BPI a propósito da austeridade em Portugal;

"... cá em Portugal podemos estar mais pobres, mas não temos miséria..." - Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, que se intitula voluntária, contra a fome na SIC;

"Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário..." - Passos Coelho, primeiro ministro português, quando confrontado pelos jornalistas sobre o crescente desemprego dos professores;

"... uma baixa da TSU para os 3,75%", ou seja, uma redução de 20 pontos percentuais." - Ferraz da Costa, presidente do Forum para a Competitividade, que queria também fazer aumentar o IVA, pois entende que os portugueses consomem demais;

"... Porque não existe um franchising de pastéis de nata?" - Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia como medida para atacar o défice;

"... Eu não acredito em reformas quando se está em democracia..." - Manuela Ferreira Leite, ex-presidente do PSD, ex-ministra das Finanças, ex-ministra da Educação;


31 outubro, 2012

A nova panaceia

Este (des)governo descobriu, agora, que o remédio que irá meter o país nos eixos será um forte corte no social!

Não se sabe muito bem o que será esse corte, nem quem é que irá sofrê-lo, pois no segredo deverá estar a alma do negócio.

Alguns trombeteiros já começaram inclusivé a falar em valores, e um deles, reles economista a soldo, que adora papaguear nos pasquins e televisões até já questionou se será justo alguém que ganhe 2.000 € por mês pagar o mesmo que um detentor do SMN quando recorre ao hospital!

Para além de não saber do que está a falar, pois quem ganha o SMN não paga taxas moderadoras, como proporá o senhor que seja taxado o utente? Como será feita a cobrança do acto médico? E que percentagem pagará? Será então que quem ganhe 2.000 € pagará o mesmo do que os que ganham 4 000 €? E os que ganham 10.000 €? Ainda terão direito a ser atendidos no hospital público?

Então que dizer na educação? Iremos passar a cobrar propinas de acordo com o IRS/IRC? Haverá quem fique isento? E porque não privatizar o ensino na sua totalidade e dar cheques ensino a quem fosse estudar e não tivesse meios? De uma assentada acabavam-se com os gastos na manutenção das escolas, o ministério da educação passaria à categoria de subsecretaria de estado e os professores passavam todos para o ensino privado! Como o estado pouparia...

De caminho, em vez de pagar pensões de miséria, talvez dar uns valezinhos para o óleo (pois azeite só para ricos), para a margarina, arroz, massa e batatas. Umas senhas para a carne e o peixe e um pacote de maizena para o creme aos domingos.

O mesmo se faria para os desempregados, que se colocariam em IPSS's a fazer o servicinho, ou a cortar a relva nos jardins públicos, a fazer segurança em museus e bibliotecas, como tarefeiros nos hospitais ou guias turísticos nos postos de turismo. No fim opagavam-lhes em senhas.

Ah! Não esquecer do chequezinho para a renda que seria dado parcimoniosamente a quem tivesse casinha modesta e pequenina, pois os restantes que não fossem pobrezinho e humildes que se desenrascassem, pois não podia andar o pessoal a pagar os impostos para sustentar maus hábitos.

Não sei porquê, mas dá-me a impressão que há por aí muita gente com vontade de ter os pobrezinhos outra vez à porta, humildes, rotinhos, de chapéu na mão, para depois deixar cair uns cêntimos nas mãos estendidas e despedir-se com um:

- Não se esqueça de o ir gastar todo em vinho e cigarros!


04 maio, 2011

A noite das grandes monas

Ainda não se conhecia nada sobre o acordo, e noticiários e comentadores, deixavam no ar os desastres anunciados, ele eram os despedimentos na função pública, os cortes nos subsídios, o empréstimo que já ascenderia a 120 mil milhões, o desaparecimento do Teixeira dos Santos, as privatizações ao molho, o fim do estado social, os despedimentos sem justa causa e mais uma mão cheia de palpites recebidos de fontes insuspeitas e bem informadas.
Os partidos que se tinham recusado a negociar atirando para os braços do demissionário governo essa responsabilidade, grasnavam que nos encontros com a troika tinham dito isto e mais aquilo, como se o triunvirato estivesse a negociar com eles e não com o governo.
Eram os mocinhos e mocinhas que tinham mandado para ouvir o PM a babar-se com pseudo-novidades que sabiam que iriam ser ditas numa antecipação juvenil de um desastre em primeira mão.
Abre-se a porta, aparecem o PM e o ministro das Finanças (líder da equipe negocial) e dizem o que ninguém esperava ouvir.
Que os jornais só tinham dito parlapatices, que os partidos, nomeadamente o PSD, só fabulava, que o PEC IV tinha sido a base das negociações e que mais tarde todos os pormenores seriam conhecidos após as conversas com os partidos.
Os comentadores, coitados, já com risos amarelos, ainda se atiravam à cara austera de Teixeira dos Santos, ao desconhecimento do valor do empréstimo e congeminavam em mais uma dose de especulação noticiosa.
A conta-gotas, o PM vai deixando cair as desilusões (para eles) afinal o empréstimo era de 78 milhares de milhões.
Secou-se-lhes a boca, tiveram de engolir o que diziam ainda há minutos atrás mas não perdiam a coragem, ainda havia a cara do Teixeira dos Santos e não se sabia a taxa de juro.
Nos PSD, o cartomante de serviço, clamava vitória e dizia que se não fosse a sua negociação (!!!!) com a troika a coisa tinha sido pior, o BE clamava pela derrota e tentava também manter-se à tona, o CDS mandava uma jovem jurista opinar sobre o assunto, pois o amado líder estaria recolhido a rezar para que o PM não estragasse mais as previsões.
Num canal público mas que parecia do Balsemão, um Nogueira Leite despenteado e alucinado, reclamava e esbracejava com um Pinho calmissimo afirmando que era doutor e catedrático e que portanto sabia destas coisas melhor do que ele que era apenas doutor em economia e membro do FMI durante três anos... patético.
Esperemos por ver mais grandes monas nos próximos dias e mais desespero.