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09 janeiro, 2013

Parvalhices

Depois da sua diretora geral, Christine Lagarde, defender uma travagem nas medidas de austeridade que estão a ser implementadas na Europa e do economista chefe, Olivier Blanchard,  ter admitido que errou nos cálculos e subestimado o impacto recessivo da austeridade, aparece um relatório do confuso FMI a propor o despedimento de 50 mil professores, o aumento das taxas moderadoras na saúde, um corte em todas as pensões e por aí fora...

Não sei quem é que são os autores do relatório, mas algo não andará muito bem por aquela casa, pois, pelos vistos, cada um fala por si e a hierarquia já não é o que era.

Por cá, o governo esfregará as mãos, pois assim poderá fazer mais uma data de tropelias apoiando-se num relatório elaborado por tão competentes técnicos que presumo devem ser os mesmos que constriram as folhas de Excel do Gaspar, pois mergulharam o país num lamaçal sem saída.

Será que o PR não tem nada a dizer sobre o assunto?

Será que os jornalistas ainda não encontraram o PM para o confrontarem com o relatório?

Que terá a maioria parlamentar a dizer sobre o assunto?

Porque raio de carga de água, o FMI, o governo, os jornais, os políticos, os "opinion makers" nunca falam na penalização por acumulação de "tachos" e prebendas? Será que não é imoral ter dois ou mais empregos, a que se somarão por vezes outras tantas reformas, detidas por muita gente que passa a vida a falar de cátedra sobre os malefícios da crise?

Pois, se a penalização fosse para a frente e dissuasora se calhar lá se arranjavam mais uma data de empregos, e, muitos dos que agora flanam aliviados, passariam a ter mais respeito por quem trabalha, ou trabalhou, e deixavam de descobrir as virtudes do liberalismo selvagem.

13 dezembro, 2012

Fomos todos capados?

Depois de um forçado silêncio volto às lides por causa de um patego oriundo do continente mais atrasado do mundo que, em frente a uma plateia de apáticos laparotos, se permitiu dar conselhos aos portugueses que tem ajudado a empobrecer com umas teorias da treta.

Esse triste funcionário do FMI, talvez deslumbrado com os muitos salamaleques com que muitos portugueses o obsequiam, achou-se no direito de dar palpites sobre o que os portugueses devem ou não sentir àcerca do esbulho que lhes tem sido ministrado por instruções  de outros pategos iguais a ele.

As rádios e televisões mais a pasquinada habitual desataram a ampliar as tratantadas e disparates que nos foi servindo, como se de dogmas se tratassem e vai daí nem um pio sobre o descaramento e atrevimento do personagem.

Tudo corre bem e o País está a curar-se..., mas ainda há mais remédio amargo a ser tomado,  talvez, diz o Abebe, se calhar porque vive muito acima das possibilidades das populações qie diz ajudar e que lhe pagam principescamente pelos disparates que comete.

Ninguém o confronta com o delirante orçamento, o derrapante défice, o terrível desemprego, a abjeta miséria que se instala, o desmantelamento do País, etc.!

Pelos vistos nada disto é importante para os que o convidaram e para os que lhe poderiam ter feito perguntas sérias, ponderadas e incisivas.

Se calhar todos nós merecemos isto, pois poucos vejo a indignarem-se com tal pesporrência da parte de quem devia andar envergonhado e a apresentar desculpas por nos ter lançado no abismo com os remédios que nos obrigou a tomar.

29 outubro, 2012

O nosso primeiro falou!

E, como de costume, quando fala, abre a boca, o que possibilita sempre a possibilidade de entrar mosca ou sair asneira.
Como não se engasgou, certamente não entrou mosca, mas saiu-lhe a refundação do memorando do entendimento!
E que é que será essa refundação, onde quer contar com o PS, partido a que não tem passado cavaco (passe a interessante homofonia) a não ser para o achincalhar ou acusar de dolo e má-fé?
Pelos vistos ninguém sabe.
Dá a entender que é uma reforma do estado, seja lá o que é que ele entende por isso, alegando para tal que "...o Estado só deve fazer aquilo que faz bem, e deve fazer muito melhor aquilo que não pode deixar de fazer...".
Ora, não sabendo ninguém o que é que ele considera que o Estado faz bem e muito menos o que é que ele (Estado) não pode deixar de fazer,  seria curial que o esclarecimento viesse rápido.
Estou em crer que ele apenas quererá ver o Estado cobrar impostos, taxas e quejandos, manter a ordem pública, ter umas forças armadas para mostrar aos amigos e representar o País nos areópagos internacionais, tudo o resto deverá ser privatizado, pois são bem conhecidas as críticas ao SNS, à dimensão da escola pública, à universalidade da proteção social, à dinamização económica, só para elencar estes quatro.
As privatizações em massa andam por aí, desde as águas, aos portos e aeroportos, passando pelo  espaço aéreo, a que se seguirão sem dúvida a orla costeira, as bacias hidrográficas, a totalidade da rede energética, as vias de comunicação, os transportes, a que se seguirá a segurança social, e a cereja em cima do bolo que é o desmantelamento do SNS.
Cada governo estabelece as leis conforme a sua conveniência. 
Já se viu que a conveniência deste governo é dar uma oportunidade aos poderosos à custa dos mais fracos.
A partir daí, não será difícil concluir que esta refundação não é a do memorando mas a de todo o País, deixando a democracia passar a ser uma figura de estilo em vez de ser uma maneira de governar.

27 setembro, 2012

Fundações

Ainda muito se escreverá sobre as fundações, sobre as (reais) intenções do (des)governo em poupar o erário público, da demagogia do discurso partidário, do estranho caso da avaliação das fundações, do motivo porque só algumas fundações foram avaliadas, dos critérios que ninguém entende e das classificações nebulosas que foram dadas numa primeira fase e que até agora não foram corrigidas.
Neste processo, que já vai longo, destacam-se no entanto algumas coisas interessantes, ou melhor, curiosidades a reter.
Não sabe a Secretaria de Estado da Administração Pública quantas fundações existem!
Como? Então o Estado não sabe?!
Das 558 fundações que reponderam ao censo só 401 foram avaliadas, tendo deliberadamente sido deixadas de fora 147! Porquê?
Segundo o Secretário de Estado Hélder Rosalino, devido a serem cooperativas, associações, centros sociais e/ou paroquiais ou pertencerem à centena que foi fundada ao abrigo do direito canónico, e, apenas uma que à data tinha sido extinta!
Será que essas não recebem apoios, não delapidam dinheiros públicos?
Mas não contentes com isto, ainda foram deixadas de fora mais 37, por "insuficiência de informação" e nada mais nos é dito, ficando assim por saber se, irão ser avaliadas ou haverá qualquer outro interesse subjacente que as retirou da avaliação!
Daqui resulta que, mais de um quarto da totalidade das fundações ficou de fora, escapando a uma avaliação por decisão do governo!
Razões para este procedimento, não há!!
Depois, e mais uma vez, o principal critério para a avaliação é o da sustentabilidade!
Ou seja, se não for sustentável (entenda-se aqui o sustentável pelos apoios recebidos do estado superiores a 50% do total), é meio caminho andado para ir borda fora!
Mas, surpresa das surpresas, das 401 fundações avaliadas só 99 tinham na época mais de 50% das receitas provenientes do estado. Menos de um quarto das avaliadas, ou cerca de 18% da totalidade das encontradas pela secretaria de estado, sendo que 47% delas são IPSS's.
Se levarmos em linha de conta que, estas fundações, dão emprego  a 25.698 pessoas começa a ver-se no que é que se está a mexer.
Mas adiante, pois o que interessa é o resultado prático de tal avaliação, de que ainda não sabemos os custos, mas que o discurso político caracterizava por uma das nossas terríveis e doentias maleitas a que urgia pôr cobro.
E, a surpresa chega em todo o seu esplendor!
O (des)governo, depois de muito ponderar decide o quê? Extinguir quatro (4) fundações! Quatro! Então nas 401 só haviam quatro a mais? Seriam essas quatro que levaram o país à ruína e atiraram com o défice de cangalhas?!
Então os culpados são a Fundação Cidade de Guimarães, o Museu do Douro, o Coa Parque e as Salinas do Samouco!
Sabendo que a Fundação Cidade de Guimarães iria encerrar após o fim da Capital Europeia da Cultura, mais bizarro se tornará falar no seu encerramento como medida de fundo!
Não contentes com isso, dizem que vão terminar todos os apoios do estado a dez fundações, entre as quais se encontra a primeira classificada - Fundação Casa de Mateus, não se compreendendo bem, se o fazem para poupar dinheiro ou por vingança política, dado que aquela fundação atribuiu o prémio D. Dinis a uma poetisa que se negou a receber o prémio das mãos do primeiro-ministro, ou no caso da Fundação Oriente que nega receber apoios há muito tempo; mas tudo bem, pois penso que estas duas, felizmente, bem podem dispensar os apoios.
Estranho no entanto que a secretaria de estado não tenha conseguido avaliar a Fundação AIP, a Sousa Cintra, a Eurocrédito, a Amélia da Silva Mello e mais uma mão cheia delas. Ficamos sem saber porquê!
Estranho ainda, esta história da Fundação Social Democrata da Madeira, que o secretário de estado afirma não receber dinheiros públicos (!!!) uma vez que esta fundação, aliás como as demais beneficia em termos de política fiscal de isenções e outras regalias que oneram o erário público, deitando por terra o argumentário de que esta fundação não custa dinheiro ao estado português.


25 setembro, 2012

Citações (LX)

O problema dos partidos (políticos) é que se tornam reaccionários porque têm de funcionar com o aparelho, como qualquer igreja.

António Lobo Antunes

24 setembro, 2012

PPP's

Isto já me anda a chatear!
São PPP's p'raqui, são PPP's p'racoli, são pra cima, são pra baixo, porra, já não há pachorra!
A conversa das PPP's que, segundo alguns, parece só terem sido efetuadas em Portugal, para além de serem um exercício de pura demagogia, são a almofada ideal para justificar seja o que for. Ah! já me esquecia das fundações, que é assim como umas PPP's mais pequeninas,
Claro que (quase) toda a gente se preocupa em esconder de onde é que as PPP's saíram, quem as iniciou, porque é que se seguiu essa via e não outra, etc., etc., etc..
Pelos vistos, descobriram que as PPP's são um malefício horrível, mas porventura apresentam outro esquema de fazer obras sem dinheiro na mão ou com as taxas de juro em alta?
Ah! Claro que o que parece que muita gente quer(ia) era que os privados fizessem a obra para os governos ao preço da uva mijona, ou então, com prejuízos desastrosos, em nome do interesse nacional, ou estarei errado?
Sereia uma espécie de masoquismo empresarial ou mecenato patriótico.
O mais engraçado, é que quem atira achas para essa fogueira são os liberais, os que defendem a iniciativa privada, as privatizações, o recuo do estado em todos os campos, exceto no das contas públicas.
Longe de mim defender algumas PPP's que foram um refinado disparate, mas atirar tudo para dentro de um mesmo saco e chamar corruptos aos seus negociadores, parece-me uma generalização sem pés nem cabeça, e é apenas a maneira, que políticos rasteiros e os seus apaniguados têm, de molestar os seus adversários, pois não precisam de apresentar provas,  nem sequer apresentam em alternativa projetos, ideias, ou um fio de orientação. Nada! Apenas destilam veneno.
O mesmo se passa com as fundações, comparando o incomparável, como se a fundação social democrática da Madeira se comparasse à Gulbenkian, a de Serralves à Eurocredito, a Mário Soares à Jornal de Lavra - Matosinhos ou a Paula Rego à Sousa Cintra!


23 setembro, 2012

A Golpada

Já outros o alvitraram, mas que me começa a parecer estranha esta posição do (des)governo em deixar cair a TSU por outra contrapartida qualquer, parece!
Não nos esqueçamos de que esta manobra iria, quando muito, render 500 milhões aos cofres do estado, para além de reduzir o poder de compra da grossa maioria da população com incidência lógoca no consumo interno.
Agora, simpaticamente, o (des)governo já pretende que os parceiros sociais se entalem numa ou noutras quaisquer medidas que anulem certamente esses 500 milhões que entrariam na receita. Será?
Vejamos:
- o corte dos subsídios à função pública e pensionistas rendeu, em 2011, cerca de 2.016 milhões de euros;
- a taxa de 50% no subsídio de Natal em 2010 rendeu 1.025 milhões;
- em 2013 cortando-se um subsídio a todos renderá cerca de 2.050 milhões o que, em termos de equidade, será mais justo para os assalariados por conta de outrém, mantendo-se apenas a injustiça para os pensionistas, pois o dinheiro que lhe estão a tirar já os mesmos descontaram há muito tempo.
Mas creio que o (des)governo pretenderá mais, pois a sua sede é imensa e os erros que cometeu colocaram-nos numa situação calamitosa pelo que estes dois milhões não dão para nada.
Daí a golpada.
Com uma encenação digna do La Feria, vão-nos ao bolso e ainda vai haver quem fique satisfeito.
Ora digam-me lá se isto, a não ser verdade, poderá mesmo acontecer?!

21 setembro, 2012

Liberais?

Há por aí muita gentinha, nomeadamente governantes e seus apoiantes, que gosta de se intitular liberal por oposição a ser apodada de conservadora ou mesmo de reacionária.
O liberalismo, ao opor-se ao estado que tudo regula e tudo dirige, baseia-se na liberdade individual, no mercado livre e na ordem espontânea, coisas tão longe das mentes dos nossos governantes como a água do deserto.
O que este (des)governo tem vindo a promover, é nada mais, nada menos, do que o regresso ao passado, às políticas dos baixos salários, a um estado omnipresente na arrecadação de impostos que são devorados pela oligarquia que alimenta, a uma sociedade de classes bem definidas e que se aproxima da medieval trindade, clero-nobreza-povo, onde o clero ainda se manterá (se andar na linha, pois se não o fizer os bajuladores que andam pelos jornais rapidamente lançarão sobre eles histórias do arco da velha), a nobreza foi substituída pelos políticos de pacotilha que arrastam com eles a corte respetiva onde pululam empresários sem escrúpulos, intelectuais sem "espinha", abencerragens do estado novo, saltitantes camaleões e os bajuladores encartados.
O povo, continua a ser o mesmo, agora engordado com a pequena e média burguesia que já julgava pertencer a outra casta, mas que rapidamente foi atirada para a realidade quando se viu remetida para o lugar de vaca leiteira.
Estes liberais da treta, chulam o povo até sangrar, agravam taxas que são impostas por lei, tudo pretendem regular e dirigir, não se coibem de afrontar as mais altas instâncias da democracia, tudo pretendem governamentalizar em prol dos seus interesses, quer os imediatos, que os de médio e longo prazo.
Assim, o ataque à Constituição, ao Tribunal Constituciona, a defesa do privado à custa do património público, os entraves à escola pública, o ataque ao SNS universal, e, finalmente o delapidar da Segurança Social, seria o bastante para que todos se levantassem contra este (des)governo, infelizmente, parece que a política da mentira e da ilusão começa a dar frutos, o povo prefere culpar a democracia, caminhando alegremente para o cadafalso ao som das trombetas e da charanga desta pandilha.

18 setembro, 2012

Saco de gatos

Este (des)governo liderado (!) por Passos Coelho, tornou-se rapidamente num saco de gatos que, em vez de assumir uma postura solidária entre si, prefere deitar achas para a comunicação social que vão alimentando a fogueira das dissenções que o atravessam.
 Um governo de coligação, é sempre um governo de equílibrios e compromissos, mas os seus líderes devem, em primeiro lugar, defendê-lo dos holofotes da opinião pública, tratando no seu seio as questões que os separam e publicitando as que os unem.
Nesta nossa experiência, desde o início, verificou-se que do seu interior saíam muitas vez para o exterior situações que revelavam um conflito latente.
O mau hábito de usar a pasquinada de serviço para forçar situações, foi um mau hábito que a direção governativa foi deixando alastrar.
Desde o triste episódio do sms sobre Bernardo Bairrão, este primeiro-ministro e o seu núcleo duro, mostraram não estar preparados para assumirem as suas escolhas.
Já antes, a luta pelas secretarias de estado, tinha saltado para as páginas dos jornais dando origem a que os iniciais vinte e cinco, referidos em campanha por Passos Coelho, vissem alargado para trinta e cinco (mais uma subsecretária de estado) o seu número definitivo, pois cada partido queria um no ministério do outro.
O CDS conseguiu enfiar um na educação, um nas finanças (que teve um aparte assaz interessante na última conferência de imprensa do Gaspar), um na administração interna, quatro na agricultura, um nos negócios estrangeiros acompanhado de mais uma subsecretária.
Mas não ficaram por aqui as desgraças.
Desde a célebre campanha na Madeira, a privatização da RTP, a reforma da lei autárquica proposta pelo Relvas, os diversos "affaires" Relvas, a política de impostos, os cortes de pensões que os frequentes choques iam abrindo brechas na coligação. Por outro lado, dentro do próprio governo, a comunicação e entendimento entre ministros não seria a mais afável, basta recordarmos a troca de piropos entre o ministro Álvaro e o Gaspar, que mereceram um ostensivo silêncio de quem devia impor respeito, passando por secretários de estado que não confirmam o que dizem ministros, ministros que falam demais e depois são desmentidos ou aparecem a clarificar o que queriam dize mas não disseram, até ao cúmulo de assessores virem dar cá para fora notícias que atrapalham o governo que lhes paga.
Esta última picardia, só é possível, porque toda a gente faz de conta que o Paulo Portas não sabia de nada - que é que andaria a fazer o Mota Soares pois a TSU diz-lhe diretamente respeito - depois de infantilmente o primeiro-ministro, em entrevista à RTP, ter falado em assuntos que não deveria falar, dando provas de uma criancice absurda, para não lhe chamar outra coisa.
Assim, e dada a falta de alternativa que se vislumbre, estamos condenados a ter de engolir este saco de gatos, a não ser que valor mais alto se levante.
Há por aí gente que faria melhor o lugar, não tenho dúvida alguma, mas desconfio que ninguém os quererá, talvez porque já estão a ver que não seriam "os do costume" de novo a ganhar com tudo isto.

16 setembro, 2012

Para ler com atenção

Este texto publicado no Ponte Europa, com o sugestivo título - T.S.U. - UM EMBUSTE DA DIREITA?
Não é despicienda a hipótese lançada nesta opinião.
Numa altura em que nem tudo que parece, é, a chamada de atenção é mais uma variável que não poderá ser deixada de fora, tão habituados estamos a ser enganados com jogos florais.

Máquina do tempo

Ontem, pela primeira vez em democracia, os portugueses deram mais uma descoberta ao mundo - a máquina do tempo.
Todos is que assistiram às manifestações no Porto e em Lisboa recordaram o 1º de Maio de 74, só que, desta vez, não se viram bandeiras partidárias, nem discursos programados.
Foi pura emoção, civismo e cidadania!
Nem a pequena provocação em Lisboa teve os resultados pretendidos.
Estamos todos de parabéns!

14 setembro, 2012

Mais uma acha?

O Presidente da República resolveu convocar o Conselho de Estado para a próxima sexta-feira, 21 de Setembro.
Nada de admirável, pois já no ano passado, sem crise idêntica à vista, fez igual convocatória tendo então apelado ao entendimento das forças políticas na votação do orçamento.
Desta vez, fá-lo um pouco mais cedo e no meio de um vendaval de opiniões negativas sobre a atuação do governo que, teimosamente, falha as metas que se tinha proposto, mas continua a dizer que a sua política foi um êxito!
Amanhã, teremos duas interessantes notícias desta crise.
A primeira e mais curiosa será a da posição do CDS e como vai Portas desenvencilhr-se do imbróglio em que está metido. Talvez vejamos um ministro do CDS trilhado.
A segunda, será a afluência que terão as diversas manifestações contra a TSU e política estratégica do governo.
Prevejo que não serão grandes manifestações dada a dispersão de locais onde ocorrerá, mas, por outro lado será interessante ver quem é que abandona o conforto de um fim-de-semana ainda quente, para tratar de algo que lhes diz diretamente respeito.
Creio que estaremos todos, de uma maneira ou de outra bastante atentos.


13 setembro, 2012

Mau tempo em Portugal

Desde o célebre discurso de PPC da passada sexta-feira, este país entrou num vendaval do qual parece não querer sair tão cedo.
A inépcia governamental estatela-se pelas páginas de jornais, e as opiniões adversas saltam que nem rolhas de champanhe em programas radiofónicos e televisivos onde o assunto é sempre o mesmo - austeridade.
Mesmo assim, ainda há vozes que tentam defender este tipo de políticas.
O Gaspar agradece, não sei é se conseguirá pagar os favores, mas, a cereja em cima do bolo colocou-a ontem na TVI Manuela Ferreira Leite.
Desde a declaração de que não compreendia as medidas, passando pela afirmação de que não conhecia os seus fundamentos e por isso lhe seria difícil uma crítica objetiva, até o apelo à revolta dos deputados da maioria, o meu espanto não teve limites.
Hoje, pela fresquinha, chega-nos mais uma, a do Selassie, que atira para cima do governo a estupidez da alteração da TSU dizendo que a opção foi do governo português e não da "troika"!
Será que o silêncio de Belém é prenúncio de mau tempo no retângulo?
Logo, mais para a terde, talvez o saibamos.

12 setembro, 2012

O silêncio

O país está em efervescência, os jornais, bem como outros meios de comunicação social, começam a abandonar a letargia em que viviam e lá vão dando conta de que nem tudo estará a correr bem. Os partidos políticos engrossam a voz. Os parceiros sociais, desde os patrões aos empregados, torcem o nariz e ameaçam. A coligação abana.
Estranhamente, dos lados de Belém, nem um pio!
Não há notícias de sua excelência!
O povo, intrigado, quer através das redes sociais, quer nas parcas entrevistas de rua, pede-lhe uma palavra apenas, mas nem isso ele concede.
Não há comunicações oficiosas, nem mensagens de facebook, nem fontes de Belém deixam escapar para os jornais um qualquer incómodo, o conselho de estado não é convocado, nem sequer uma ou outra personalidade.
Estranho!
Mais estranho ainda, se nos recordarmos das correrias e discursatas com que nos brindavam ainda há bem pouco tempo, onde os sacrifícios eram bem menores, mas que sua excelência então achava um exagero.
Esta diversidade de pesos e medidas que o eleito para Belém tem dado provas nos últimos tempos, faz-me pensar se ele disse a verdade quando afirmou que era o presidente de todos os portugueses.
Parece que ele tem mais cuidado com os portugueses de cima do que com os debaixo, mas, se calhar sou eu que estou a ver mal o problema.
Há silêncios que são de ouro, outros de prata, este será de lata?

11 setembro, 2012

Portas discorda de Passos Coelho?

Saber isto dá-me outro ânimo!
Não é que o malandro, quando questionado sobre as novas (ou serão velhas e estafadas) medidas do governo a que diz pertencer, se sai com uma declaração de prudência que crsima de patriotismo!
Patriotismo porquê?
Se as apoiasse, não era por uma questão de patriotismo que se negaria a dar o seu apoio a tais medidas, ou não será assim?
Ora, não as apoiando, prefere calar-se "por patriotismo", e refugia-se atrás do Conselho Nacional e da comissão politica dizendo querer ouvi-los, até porque Ribeiro e Castro já deu o sinal de partida.
Este apoio envenenado, é a prática habitual do Maquiavel dos Negócios Estrangeiros que, ainda no Brasil, glosava declarações de pelo menos dois governantes há uns tempos atrás, comentando com o seu ar de gozo, que "quando tenho que representar o país tenho a regra que é fazer política externa e nada mais"
De recordar,  que declarações dizendo que não falavam de assuntos internos do País quando no estrangeiro, foram proferidas, quer por Passos Coelho em Chicago, quer por Álvaro Santos Pereira em Macau.

Perder tempo

Hoje, pelas 15H00, lá estava eu em frente do televisor à espera de ouvir o Gaspar, expectante face às promessas que cruzavam os ares.
Logo de início, desiludi-me.
O atraso da conferência que era motivada por acertos de última hora, levava água no bico.
Lá entrou a matulada toda para o que se adivinhava ser um parto difícil.
O Gaspar começou, como de costume, com os salamaleques e ademanes habituais, com aquela voz que me faz lembrar sempre um desenho animado.
De novo, para além de umas vagas promessas de cortes, em português suave nos que mandam no quadrado, lá mete mais uns nos reformados  e pensionistas do estado (10%), um aumento do IMI que se irá refletir nas rendas trazendo mais problemas às empresas (aí já não o preocupa a competitividade e o emprego) e aos particulares, um aumento de tributação no IRS a distribuir pelos do costume mas ainda sem figurino definido, e, para finalizar, um aviso aos contratados a termo que trabalham para o estado, que o Fundo de Desemprego já está à espera deles (lá se vai mais um bocado da teoria do emprego à custa da redução de 5,75% ao patronato).
Sobre os cortes nas gorduras, um vago olhar sobre as PPP's que vai renegociar, as fundações que vai deixar de apoiar e mais nada.
Os jornalistas tentaram não incomodar muito, com o pateta do Camilo Lourença a preferir lançar perguntas a brincar do que questões sérias, e eis que o Nicolau Santos lhe manda com três obuses de respeito, o homem avisa logo que não responde a mais nada depois disso, não vá alguém seguir-lhe as pegadas, e dá umas respostazinhas tíbias, mete os pés pelas mãos, tenta responder em economês, e não surtindo efeito, opta pela economia de café.
Um desatino.
Os secretários de estado que lá estiveram para decoração, mais o Moedas que não abriu o bico, debitaram umas tartamudices e calaram-se, felizmente.
Nesta pura perda de tempo, verifiquei que isto vai de mal a pior, pois já nem desculpas esfarrapadas condignas se apresentam, preferindo-se os chavões ou o discurso obscuro.
Dei comigo, irritado demais, para ainda ter de apanhar com uma figura, que certamente foi um erro de "casting", a debitar a posição do PS.
Isto está a ficar mau demais!

07 setembro, 2012

Cratinices!

Era uma voz incómoda que se levantava a defender um certo tipo de "ensino", em vez da vulgar "aprendizagem" que ele detestava e achava aberrante.
Sorri algumas vezes perante as suas ideias, onde separava as duas coisas, como se fosse possível separá-las, sinal de que ele não entendia muito bem qual era a função do professor.
Para além de ensinar, o professor, deve verificar se aquilo que ensina está a ser aprendido, procurando adequar a prática da transmissão do saber à possibilidade de entendimento do receptor.
Claro que estou a falar de Nuno Crato, o atual ministro da educação, que com a sua paixão de ensinar, vai acumulando erros sobre erros até fazer ruir todo o edíficio do ensino público.
A última achega que nos dá é afirmar apenas e só isto:
- (a) redução de professores é inevitável nos próximos anos...
Não lhe interessa que uma das razões seja o aumento do número de alunos por turma que ele decidiu e que faz naturalmente diminuir a necessidade de professores, não ajudando em nada o aumento da aprendizagem, pois como se sabe, e é facilmente demonstrável, atirar um monte de alunos para cima de um professor, não torna a sua tarefa menos exigente, nem ajuda a uma maior interação nas aulas, pelo contrário.
O nº mínimo de 24 alunos por turma saltou de 24 para 26 e o nº máximo passou a ser de 30 em vez de 28!
O que levou Crato a tomar tal medida? Razão pedagógica não foi, pois ele é incapaz de a enunciar. Não será que é apenas o critério economicista a funcionar, mais uma vez?
E que tal dar uma saltada ao terreno?
Porque é que não olhamos para a nossa realidade?
Teremos uma boa rede escolar? As assimetrias regionais não se refletirão nas escolas? Estará este País dotado de uma maioria de escolas modernas, bem equipadas, quer do ponto de vista material, quer do ponto de vista docente? Terá a generalidade dos alunos um ambiente económico-familiar que lhes proporcione um auxílio efetivo na aprendizagem? Estará o estado a fazer um bom trabalho na educação? Estarão os professores ocupados exclusivamente com a dação de aulas e/ou a investigação ou andarão dispersos por outras áreas, que em vez de contribuirem apenas lançam poeira em cima do que se pretende fazer ou já está feito?
Do que tenho visto e ouvido nada disto parece interessar ao matemático ministro, antes pelo contrário, o seu amor antigo pelo rigor e pela excelência parece ser tudo menos isso.
Enganou bem!

05 setembro, 2012

A "troika" está cá?!

Dou uma vista de olhos pelos jornais e procuro novidades sobre a "troika".
Para além de uns subservientes pedidos da parte de alguns partidos políticos e da intenção de os fazer da parte de outros, do lado governamental não nos chega nada.
Longe vão já os tempos em que os três funcionários das instituições financeiras tinham as suas caretas estampadas por todo o lado e um corropio de gente à sua volta.
A discrição é a palavra de ordem!
Num país em que os "mass media", infelizmente, educaram a população a variar de opinião entre o oito e o oitenta, nem será de admirar, mas será sintomático de que algo não estará a correr pelo melhor.
Por outro lado, o extraordinário silêncio do Moedas, do Álvaro, do Gaspar e de outras figuras tão lestas em embandeirar em arco com as anteriores avaliações não deixa de ser curioso. Já nem falo do Relvas, uma vez que depois do desaire das negociações sobre as autárquicas, a que se somam o discurso disparatado na longínqua Timor, a que estão agarradas as monumentais trapalhadas já amplamente glosadas, deve ser deixado em paz, pois quanto mais se mexer nele, pior para as pituitárias nacionais.
Resta-me pois aguardar serenamente pelo resultado da avaliação, que irá oscilar entre o diploma do bom aluno azarado e o de dedicado cumpridor de um programa demasiado esforçado, pois nem avaliadores, nem avaliados, quererão enfiar as orelhas de burro que a ambos deveriam ser enfiadas.

04 setembro, 2012

O país arde

Damos por nós no fim de Agosto e com o país a arder!
Há incêndios para todos os gostos. Desde os habituais florestais, aos que lavram em fábricas e instalações industriais e até os que invadem já áreas urbanas.
A área ardida no 1º semestre quase triplica a do ano anterior - 3.504 ha em 2010 m e 9.447 em 2011- e parece que não há sinais de abrandamento.
A delicadeza com que a imprensa trata do assunto é deveras interessante.
Já não há críticas, já não se barafusta contra a escassez de meios e a quase inexistente prevenção, etc.
Mas não arde o país só com esse tipo de fogos, há muitos outros a lavrar.
Os maus tratos a mulheres continuam a aumentar, segundo o JN três mulheres mortas em menos de 24 horas.
O setor empresarial do estado, o tal que iria ser reestruturado e posto a dar lucro, no segundo trimestre tem uma variação negativa de 94% em relação ao homólogo do ano anterior.
Os centros de emprego estão entupidos com os professores, os tais que se atiravam ao governo anterior em manifestações imensas e que agora resmungam nas filas do desemprego.
A lei autárquica, que tanto queriam renovar, ardeu nas discussões entre os parceiros da coligação.
A bomba relógio do BPN está ainda em contagem decrescente, podendo ainda estragar (mais) as contas do governo, as poucas décimas do Cavaco e os horizontes da troika.
Com tanto cheiro a fumo e com o calor abrasador que nos chega das chamas, o governo diz que sente uma agradável brisa e que tudo está bem!
Voltamos os olhos para a nossa sabedoria popular e lá está o ditado que confirma:
"Não há maior cego do que aquele que se nega a ver"

03 setembro, 2012

Do disparate à desculpabilização

O governo continua alarvemente a utilizar uma cassete estafada copiando assim o partido de paredes de vidro, e dando a entender que tudo está bem!
No encerramento da pomposamente chamada universidade de verão, que apenas é um tipo de escolinha do tio Marcelo, PPC volta a meter água quando afirma que tudo corre sobre esferas, deitando para baixo do tapete o valor do défice, que não cumpre, o aumento da dívida, que afirmou ir pagar e fazer desaparecer, o aumento da desigualdade social, que se pretendia reduzir, o ensino profissional, que passa de opção a castigo, o aumento do desemprego, que iria diminuir, a destruição da economia e do aparelho produtivo, que ia promover, a ineficácia da justiça, que ia tornal célere, o fim do compadrio, que prometeu acabar, afirmando que ir além da troika foi a melhor coisa que o programa de governo consagrou!
Do outro lado, o inquilino de Belém, tenta desculpar o governo que ajudou a chegar ao poder atirando as culpas do desatino que corre célere por este país para cima da troika, como se o governo não tivesse responsabilidade nas negociações que entretanto já fez, pois como todos muito bem sabemos, a troika pode pedir ou sugerir, mas não pode decidir, e o presidente esquece-se deliberadamente disso, ao ponto de ser recordado do facto pelo representante da CE na troika.