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20 setembro, 2012

edp

Numa altura em que toda a gente parece estar contra a parolice da transferência das contribuições para a tsu~, dos patrões para os empregados, vem a edp anunciar que se a medida vier a ser aplicada poderá vir a baixar o preço da eletricidade, mas só nas atividades reguladas!
Como a extinção das tarifas reguladas acontecerá em Janeiro de 2013, não se sabe ao certo o que é que o prócere Mexia pretendeu dizer.
Estará apenas a fazer um frete ao governo ou não saberá o que diz?

06 julho, 2011

Cataventos

No tempo do anterior governo, quando o rating caía, era para aí um coro de virgens ofendidas a culpar as más medidas, a ineficiência governamental e a irresponsabilidade do primeiro-ministro.
O Presidente da República, quando o primeiro-ministro protestava contra o desajuste do rating, professoralmente dizia que não se podiam culpar os mercados e que não nos devíamos concentrar nas críticas às agências antes devíamos mostrar obra consolidada.
Os jornalistas e comentadores económicos, apontavam o dedo acusatório e vomitavam barbaridades sobre a mão invísível dos mercados, a disciplina orçamental, as boas práticas económicas e a inépcia governamental.
Muda-se o governo e o rating continua a descer e a que é que assistimos!?
As virgens dizem não entender os critérios de quem o atribuiu (antes compreendiam-nos perfeitamente!), o Presidente da República esqueceu-se do que dizia e afirma que o corte foi injustificado, os jornalistas e comentadores económicos dividem-se entre os que acham que a culpa é da Grécia e os que entendem que a Moody's ainda não se apercebeu das medidas do governo, e, finalmente, o governo faz sair um comunicado onde critica a atitude da agência.
Se tudo isto não fosse uma estultícia, poder-se-ia pensar que estávamos a falar de dois países diferentes, mas não..., é no nosso que estas coisas acontecem e parece que ninguém dá pela diferente posição assumida entre o antes e o depois.
Será isto ético, honesto, moral ou é apenas vergonhoso?

04 julho, 2011

Reviravoltas

Um nobre Fernando, em data que não posso precisar, decidiu aceitar um convite que um Pedro lhe fez, para vir a ser a segunda figura de estado num país em estado crítico.
Não poderia o Pedro garantir ao Fernando vir a honrar tal convite, uma vez que não estava nas suas mãos decidir sobre o assunto, pois para tal não detinha poder que bastasse.
O dito Fernando, embora nobre, era também distraído e, não curando de saber se o Pedro poderia fazer tal convite, apressou-se a aceitar e a dele dar conhecimento a todo o bicho careta que por aí andava.
Tão entusiasmado andava com o seu novo nobre cargo que rapidamente espantou o mundo com declarações tais, que o Pedro e os seus fidalgos correram a arranjar-lhe ama que o acompanhasse e mantivesse de boca fechada, pois havia o risco de... ou sair asneira ou entrar mosca.
E assim se passaram os dias, num escorrer de maledicências aleivosas que os partidários da batalha travada entre o José contra o Pedro, o Paulo, o Francisco e o Jerónimo (irmanados numa estranha confederação de figadais inimigos) travaram com a ajuda de muito bajulador, louvaminheiro, artistas da pena encravada e mestres no rodízio miguelista.
Finda a batalha, o José retirou-se da cena, a confederação desfez-se, e o Pedro e o Paulo disfarçaram-se de amigos e repararam no já esquecido Fernando que, puxando-lhes as abas dos gibões, lhes recordava as promessas feitas.
Claro que o Paulo disse que não tinha prometido nada, deixando ao Pedro o problema que foi afoitamente assumido e glosado pelos louvaminheiros do costume, que afirmavam tratar-se de uma prova do reto carácter do seu mestre.
Começadas as lides, os mandados do Pedro roeram a corda e deixaram apeado o nobre Fernando, que da primeira fila passou para uma das do fundo de onde desapareceu como por magia.
Este nobre, de que já há muito se desconfiava ser capaz de muitas variações humorais, pelos vistos, humildemente afirmou que, mesmo apeado, estaria ali a defender o país enquanto entendesse que poderia ser útil.
Pelos vistos a história desta sua passagem pela bancada do poder poderá ser breve, pois já há hoje boletins que vão dizendo que o nobre personagem já não está virado para a defesa do país, pois talvez o lugar não seja cómodo, ou as prebendas não serão suficientes para o amarrar às nobres lides!
Nestas reviravoltas se entretem a nação, que alegremente procura a luz ao fundo do túnel que outra enigmática personagem, de nome Aníbal, garante que o povo anda a querer vislumbrar.

23 maio, 2011

(Con)Fusões

O PSD, pela voz do seu candidato vai dando a conhecer a conta-gotas os novos ministérios do seu governo.
Primeiro foi a fusão da Justiça e a Administração Interna, a seguir veio a Saúde e a Segurança Social, deta vez cabe a fusão da Agricultura, Mar e Ordenamento do Território.
No meio de tudo isto foi despromovida a Cultura.
E vão 4.
Na forja estará a desmilitarização do Ministério da Defesa, quiçá juntando-lhe os negócios Estrangeiros.
Fundem-se as polícias - deverá ter sido um conselho do homem que advogava as superesquadras de má memória - e desaparece o SEF.
Neste cadinho experimental, em tempo de crise, não se compreende muito bem como é que tudo isto se fará, os custos que determinarão, a inoperacionalidade que resultará, a confusão monstruosa que tudo isto vai acarretar, a não ser que seja apenas uma leve maquilhagem governamental, que aumentará as secretarias de estado, contratará mais uma boa dose de especialistas para analisar os assuntos, deitar tudo na misturadora, carregar no botão e esperar que saia sumo.
Se não sair, paciência, pelo menos estragou-se/destruiu-se o que já havia sido feito, e como o que não tem remédio remediado está, basta atirar a culpa para a propalada calaceirice da função pública, a resistência à mudança dos mais velhos, as forças de bloqueio ou outra qualquer justificação que pode incluir o célebre "estado em que isto estava quando aqui chegamos".

03 maio, 2011

Isto deve estar mesmo mau!

O Abrupto que tem andado tão silencioso nos últimos tempos (será por ter arranjado mais um lugarzito na SIC), decidiu ontem colocar a sua crónica do Público do passado dia 30 de Abril que é apenas e só mais um libelo contra um dos seus demónios que não deixam de o atormentar.
Mais uma vez, José Sócrates é o leitmotiv. Desta vez é classificado como demónio sugador de sangue que vive para fazer mal a Portugal e aos portugueses.
A irracionalidade da argumentação, a contradição que em si mesma encerra, a aldrabice pura, a desfaçatez está lá toda. A crise financeira mundial de 2008 considerada como a mais grave desde a de 1929 por uns e pior do que aquela por outros, passa-lhe ao lado na prosa inflamada. Bastar-lhe-ia ter dado uma vista de olhos por alguns gráficos para ver que o ratio consumo público/PIB em 2008 era inferior em muito ao que se verificou no tempo do seu querido líder entre os anos de 1990 a 1996, que a famosa dívida abissal que aponta era 3 pontos percentuais acima daquela que o Catroga tinha em 1995 sem crise e com dinheiro a entrar aos trambolhões, atira para cima deste Sócrates os projectos do aeroporto e do TGV como se fosse ele o autor das ideias e não estivesse a dar seguimento ao que os seus camaradas de partido tinham acordado, é esta a sua verdade(!), o mentiroso é o outro.
Afirma que metade dos portugueses odeia este homem (Sócrates)! Donde lhe chegam os números, não diz, é mistério ou apenas mais uma das suas mentiras, mas logo a seguir escreve A palavra é deliberadamente escolhida, porque caracteriza a intensidade da sua rejeição por bons e maus motivos, porque não há apenas os bons motivos, mas também algum corporativismo à mistura, como se passa com os professores, os únicos que o venceram até agora. Claro que esqueceu, porquê(?) não se calcula muito bem, os grandes grupos económicos que à cabeça têm o Jerónimo Martins, o Continente, alguns grupos ligados à comunicação social,  a corporação dos juízes, do ministério público, dos funcionários públicos, dos jornalistas, do ensino privado, das IPSS, e tantas outras que seria fastidioso enumerar.
E quais são os maus motivos? Ter-se-á esquecido deles ou fica-se apenas pelas corporações? É preciso ter lata.
Escreve ainda que a outra metade está do seu lado porque o teme(!!!!!), e qual a justificação? Porque todos preferimos um Demónio a sério do que um Anjo virtual! Assim, sem mais!
Depois proclama que não está a fazer campanha ad hominem, porque não se podem simplificar assim as coisas, mas não explica porque é que não é uma campanha ad hominem mas sim apenas contra ideias e conceções governativas. Outro esquecimento... grave.
Depois perde-se num labirinto de raciocínios complexos, pisa areias movediças, salta, faz piruetas qual faz-tudo em intervalo circense, e informa-nos que foi o Sócrates que deitou abaixo o governo, provocou eleições e se arriscou a tudo. Dos outros, nem uma palavra. Pelos vistos não estavam presentes, não intervieram, nem souberam sequer do que se estava a passar.
Oh! Pacheco Pereira, o homem faz-lhe mesmo azia, não é verdade?