04 Fevereiro, 2008

Recusando a morte



Poesia caipira

Vô contá como é triste vê a veíce chegá,

Vê os cabêlo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê “aquilo” esmoreceno, sem força prá levantá.

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As oiça vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pulmão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
Correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
Porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça .


Mão amiga fez-me chegar via e-mail e como é Carnaval.

18 Novembro, 2007

Pois é

Pus-me a ver filmes e a ouvir a Dulce Pontes e deu nisto...

Eu escrevi esse texto quando vi Cine Paradiso pela milionésima vez, em fevereiro de 2003:

Eu deveria ver esse filme pelo menos uma vez por mês. Só para ter o horror de saber que a vida é verdadeira, como o NN diz. Ou como ele cita - acho que Fernando Pessoa, não tenho certeza.

Cine Paradiso

Eu não vou conhecer todos os lugares que desejo, nem tudo e todos que quero. Não posso viajar no tempo. Não consigo acabar com a saudade, nem conseguirei. Eu vou morrer algum dia. "O cinema é só um sonho", diz um personagem quando o Nuovo Paradiso é destruído. E eu choro, como já estava fazendo desde o começo do filme e continuo até meia hora (ou mais) depois do fim. Vou até o banheiro, lavo o rosto e tento esquecer novamente que a vida é verdadeira, fugir um pouco do horror, só um pouco: o sentimento, músicas, filmes, livros, amor. Estranho como eu tento amenizar esse horror, de saber que a vida é verdadeira, ao observá-la assim, em sonhos. E de um sonho pode-se dizer tudo, menos que é mentira - como já disse o Ernesto Sábato. É, é isso mesmo: eu só consigo fugir dessa verdade quando a encaro de frente. Mas preciso me lembrar disso com um pouco mais de freqüência.

Nessa época eu era uma estudante de cinema. Sim, eu já fui uma estudante de cinema. Agora parece que foi em outra vida; mas faz só cinco anos. Provavelmente eu fui a estudante de cinema mais relapsa que já existiu. Provavelmente eu não nasci para ser cineasta. Provavelmente o meu amor pelo cinema não venha tanto das imagens, mas das histórias -- o que me torna, definitivamente, uma estudante de cinema desnaturada. Mas o que ninguém pode negar é que sempre fui apaixonada, completamente apaixonada pelos filmes. Ainda assim, eu acreditava que já estava imune a certas coisas. Uma dessas coisas era ouvir a trilha sonora que o Ennio Morricone fez para Cine Paradiso e não chorar. E sim, eu estava redondamente enganada.
por Marcele Fernandes as 20:24:46

in, Eclipse

28 Setembro, 2007

Férias

Parece-me que tirei férias a mais, vamos a ver se é desta que regresso.

Nunca pensei escrever isto

Parabéns Santana Lopes.

22 Julho, 2007

Ainda há quem se admire...

Rio não participa no «Porto Bike Tour» como forma de protesto contra fim do Porto Feliz (in O Primeiro de Janeiro de hoje)

Mas onde estará a surpresa?!

O homem gosta é de andar de automóvel, e, quanto mais antigo melhor.

O Porto Feliz acabou, não por causa da atitude do IDT, mas por causa da repetida teimosia do presidente que se nega a aceitar qualquer proposta daquele organismo, desde que diversa da que pretende, uma vez que o IDT fez várias propostas que estavam em sintonia com os desejos dos técnicos que gerem a Porto Feliz e - sempre e exclusivamente ele - a todas recusou liminarmente!

Claro, que lhe faz imenso jeito arranjar um bode expiatório para o enterro do abcesso que criou, quando decidiu encerrar o programa existente na cidade, da autoria do Fernando Gomes. e o substituiu por este seu programa, que segundo garantia na época, eliminaria, no prazo de um ano, os arrumadores toxicodependentes da cidade, e dava como garantia, não a sua, mas a cabeça do seu então amigo e apoiante Paulo Morais, no prato da execução a ser servida se tal desiderato não fosse cumprido.

E não foi.

Ninguém então se demitiu, como fora prometido, ninguém avançou sequer com explicações, e as contas do que foi gasto e do que foi alcançado permanecem no segredo de relatórios a que não há público acesso por vontade do agora protestante!!!

O que se sabe, é que os arrumadores toxicodependentes por cá continuam, alguns mesmo à porta da resdência do autarca e arruamentos circunvizinhos, mau grado as tentativas de expulsão por parte de forças policiais.

O programa falhou. Ponto final, parágrafo.

Se a seriedade fosse atributo deste cavalheiro, talvez fosse mais fácil para mim compreender as razões do falhanço, mas como infelizmente - para mim - não basta à mulher de César ser séria, continuo a aguardar (sentado, pois corro o risco de me cansar) as provas da seriedade deste inteligente e manipulador político, que propagandeia ser defensor dos fracos e oprimidos, mas que pouco tem contribuido para o seu bem-estar, preocupado como está em dar à cidade os espectáculos de entretenimento de encher o olho, e deixando escapar por entre os dedos a população residente, criar-se um muro de betão e movimento envolvente ao parque da cidade e manter a Baixa e o Bolhão longe dos seus dias mais felizes.

E como o faz bem.

Ainda há pouco tempo, apenas com uma singela medalha de ouro calou definitivamente uma voz que começava a tornar-se um pouco incómoda...

Alguém adivinha de quem era?

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16 Julho, 2007

Saloiada

De excursão, despejados em frente à porta de um hotel, diziam honestamente de onde vinham e não sabiam ao que iam!

Não me admirei muito, mas fiquei triste por ver o PS fazer o mesmo que tantos fazem e que agora despudoradamente apontam o dedo acusador.

Como a espontaneidade continua igual ao que era antigamente!!!

02 Julho, 2007

De vez em quando...

... tenho de me ausentar mas volto breve...

27 Abril, 2007

Do homem que eu gostava de ver na CMP

Para ler com atenção.

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Um decálogo inquietante

No Lote 5 - 1º Dto. encontro este aviso perturbante.

Ler com atenção.

Primeiro vieram prender os judeus...

(do poema atribuído ao Pastor Martin Niemöller)


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Discurso redondo

É deveras interessante ver como rapidamente somos acusados de utilizar um discurso redondo, sempre que nos referimos a algo que, sendo verdadeiro, é tido por insignificante na óptica do beneficiado.

Vem isto a propósito de um comentário que inseri num blog amigo, que em interessante post acusava de provincianismo a antiga mui nobre sempre leal e invicta cidade do Porto, acusando os seus habitantes de se sentirem desconfortáveis em relação aos lisboetas.

Claro que medidas, de proteccionismo à capital, tão disparatadas como a que não permitiu a uma famosa casa bancária, nos idos de sessenta, se transformar em banco por pretender ter a sua Sede no Porto, não passam de discurso redondo, assim como o desaparecimento por migração/fusão das sedes de algumas instituições financeiras, ou na diferença de tratamento que tiveram as decisões sobre o lançamento de projectos na rede de transportes públicos urbanos, na diferença de tratamento entre as duas cidades nas acessibilidades rodo-ferroviviárias (quem se lembra dos trinta anos que levou a completar a A1) para já não falar no desenvolvimento fluvial inexistente a Norte, na constante prática de sub-valorização de retribuições para uma mesma prática funcional, no esquecimento do desenvolvimento escolar de que é exemplo a faculdade de Direito, que só aparece no Porto em 1978 pela mão da Católica e só 16 anos mais tarde na UP - mas quem quiser aprofundar o assunto das diferentes faculdades é só querer e constatar as diferenças.

E de quem será a culpa?

Dos lisboetas certamente que não é, daí não serem eles os responsáveis por tal situação, mas tentar fazer de conta que ela não existiu, e de que não teve perniciosa influência na evolução das duas cidades, é a mesma coisa que dizer que antes do 25 de Abril estava tudo bem, e que ninguém era preso por delitos de opinião.

Ainda hoje, é ver os exemplos que a governação ainda dá, até na colocação das agências europeias.

Enquanto na Alemanha, Grécia, Espanha, França e Itália se distribuem por cidades que não a capital, por cá, as duas existentes EMCDDA e EMSA ficam-se por Lisboa!


E que dizer da diversidade de tratamento que é dada nas áreas da cultura, espectáculo ou lazer?

Quando tantas vozes se levantam a clamar que o conceito utilizador/pagador deve ser aplicado a todos porque não falar nas indemnizações compensatórias que do erário público saem para, por exemplo, o Metropolitano de Lisboa e para o do Porto?

Será que é o provincianismo portuense que faz deslocar para Lisboa as sedes das empresas, nomeadamente as da comunicação social?

Será que é o discurso que é redondo, ou que a política seguida desde o tempo do D. Manuel I é que tem apenas um sentido?

O centralismo por vezes ofusca os sentidos, e muitas vezes quem mora na capital ou arredores, esquece-se que há mais nove milhões para além deles, e que no Porto estão alguns naquela que já foi a segunda cidade do País, mas que por força de politiquices absurdas, cada vez mais se afasta desse lugar a velocidade mais elevada do que a que tem afastado o País do centro da Europa a que pertence por obrigação geográfica.

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