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27 março, 2013

Um estranho silêncio

Numa altura em que, o atual (des)governo quer mandar para a mobilidade os professores obrigando-os em alguns casos a dar aulas a mais de 200 Km da sua residência, que desenha novas zonas pedagógicas, que discute a dispensa de 50.000 deles, que pretende privatizar escolas públicas, que quer cortar salários, entre muitas outras patifarias, torna-se demasiado estranho ver a passividade desta classe perante a tremenda ofensiva que se abateu sobre a clase.

Lembrar-me eu das monstruosas manifestações que congregaram milhares de professores quando o que estava em causa era a avaliação, que muitos negavam ser o motivo pela qual se manifestavam!!!

Que estranha letargia acompanha agora tão aguerrida classe!

Até o inefável Nogueira ameaça sentar-se no escadório do ministério... mas apenas por uns momentos, a ver se fica bem no boneco. Lembrar-me eu do seu sorriso cúmplice a receber Passos Coelho e revisitar a sua agressividade no tempo da Maria de Lurdes...

Como é delicioso verificar que afinal o adágio "Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti" é o lema de tão esclarecida classe.

E se tivcessem vergonha? Não!

23 setembro, 2012

Curiosidades

Há na vida factos interessantes que não deixam de me espantar.
Por causa de uma avaliação de desempenho 120.000 professores saíram à rua, manifestando-se assim contra a degradação das condições do exercício da actividade docente.
Agora que 37.000 deles ficaram sem colocação e com contrato ficaram menos cerca de 4.500, que irão receber menos salário e que 13.000 vão ficar com mobilidade interna, parece que ninguém pensa em fazer manifestações!
Se isto não é estranho o que é que passará a ser?

03 dezembro, 2008

Já sei porque é que os professores estão em greve

Ex.mo(a) Sr.(a) Encarregado(a) de Educação


As escolas estão a viver um momento muito conturbado, em consequência das políticas educativas impostas pelo Ministério da Educação e pelo Governo, nomeadamente o processo de avaliação do desempenho docente.
Com efeito, estas políticas degradaram as condições de exercício da actividade docente e têm vindo a transformar as Escolas e o processo educativo num acto burocrático de tal forma complexo, que os professores passam a maior parte do tempo a preencher papéis e a realizar reuniões que não trazem quaisquer efeitos positivos sobre a qualidade da Educação ou sobre o seu desempenho profissional.


Bem pelo contrário! São inúmeros os professores que já pediram a reforma antecipada, assumindo os prejuízos financeiros dessa decisão, por força do esgotamento a que estão sujeitos e da impotência para se dedicarem àquilo de que mais gostam e que é a razão de ser da sua profissão: os alunos e o seu sucesso educativo!
No que diz respeito ao processo de avaliação do desempenho dos docentes, todos reconhecemos a sua importância para garantir uma Educação e uma Escola Pública de Qualidade. No entanto, consideramos que o modelo de avaliação imposto pelo ministério é inaplicável, injusto e perverso.
É um modelo que tem consumido muito do nosso tempo — tempo precioso para preparar as aulas e toda uma série de actividades que visam proporcionar a formação integral dos alunos e a melhoria das suas aprendizagens. Nada disto nos tem sido possível fazer! Não nos têm permitidoser professores!

Caro(a) Encarregado(a) de Educação

Foi por tudo isto que 120 mil docentes se manifestaram no dia 8 de Novembro em Lisboa
e que continuam envolvidos noutras lutas. Porque se sentem atingidos na sua dignidade profissional e humana, porque defendem os superiores interesses da Escola Pública, porque estão verdadeiramente empenhados na melhoria das aprendizagens dos alunos, os docentes estão dispostos a continuar a lutar, no intuito de reconquistarem o direito de voltarem a ser professores.

Gratos pela atenção dispensada, esperamos ter ao nosso lado aqueles a quem mais interessa quea Educação seja valorizada e não espezinhada: os Pais e Encarregados de Educação.

Os Professores e Educadores

Texto de desdobrável distribuído pela Plataforma Sindical de Professores

21 novembro, 2008

Professores

Até gosto deles, não de todos é claro, até porque não os conheço a todos, mas alguns que eu conheço, e não são tão poucos como parece, dão-me a sensação de se sentirem ameaçados por algo que não conseguem explicar.

Muitos deles, felizmente, são bons professores, dedicados, esforçados, competentes, que criticam muitos dos seus colegas por serem uns parasitas do sistema, mas, de repente, e sem nexo, passam a juntar-se todos do mesmo lado da barricada, em estranha aliança protectora dos que o são apenas por acidente e não por vocação ou querer.

Esta estranha aliança, faz-me desconfiar que a culpa não é da ministra, do governo, da avaliação, do estatuto do professor ou da autonomia das escolas, mas sim um cocktail esquisito, em que os ingredientes atrás mencionados se misturam em proporções diversas mas cuho resultado só dará a desenxabida mistela corporativa habitual.

Como todos, ou melhor, como a maioria dos que sabem ler e escrever e frequentaram uma escola, também eu tive professores, alguns (muitos) que recordo com saudade, e outros (demasiados) de quem recordo a ineficiência, a ausência de capacidades pedagógicas, e até conhecimentos suficientes para leccionar fosse que matéria fosse.

Gostava que os professores, principalmente os do ensino básico, se lembrassem que são o fermento que faz crescer a sociedade, e que o futuro dessa sociedade também os atingirá, quer directa, quer indirectamente, pelo que esta sua posição de negação da avaliação (eu sei, eu sei, que todos dizem querer ser avaliados) com influência no seu percurso laboral me assusta, pois cheira-me a medos ocultos que só em privado se confessam.

Os professores, afinal, não me parecem ser uma massa unida por um desejo único, antes me parecem um rebanho que só está junto, porque lhes dizem que o lobo lhes ronda o pasto, quando albergam no seu meio, muitas dúzias de lobos disfarçados de cordeiros, que se saciarão dos mais tenros e confiantes, para gáudio das hienas que no alto do monte tentam abafar o seu riso cacarejado, esperando a oportunidade de se saciarem com os restos.

É altura de abrirem os olhos, de confiarem um pouco mais no pastor e nos cães de guarda, por muito que eles lhes mordam nas patas, pois valerá mais ficar com os artelhos esfolados, do que morrer esquartejado, ou à míngua.

Se querem cantar vitória, continuem a caminho do abismo, mas no fim não se queixem de quem comandou o rebanho foi o general Pirro!

17 novembro, 2008

Despacho da ministra da Educação

Ao ler o despacho da ministra da Educação, sou levado a crer pelo menos em uma de duas coisas:

- Haverá muitos professores que não sabem interpretar português, ou sabendo-o, apenas pretendem desestabilizar as escolas, ou

- A avaliação dos professores peca por tardia, pois não entendo a necessidade deste despacho clarificador, pois a matéria é simples de entender, a não ser que hajam professores que não o devem ser por ausência de conhecimentos básicos...

13 novembro, 2008

Coisas interessantes

Aluna agride professora - grande escândalo, com notícias e vídeos nos telejornais, mesas redondas, quadradas, rectangulares, octogonais, deputados chocados, jornalistas inflamados, pedem-se medidas à Ministra e policiamento nas escolas.

Alunos atiram ovos a governantes - não há escândalo, os ministros e secretários de estado é que são culpados por estarem lá, acabaram as mesas, a AR é um mar morno e silencioso, os sindicatos e os professores acham um exagero a polícia ter tentado evitar que os ovos chegassem aos destinatários

Procure as diferenças

Avaliações

A propósito deste tema, dou comigo a arengar com a minha cara-metade, que segundo a lógica professoral e sindical, fui toda a vida um injustiçado, a saber:

1º - Desde 1965 o meu trabalho sempre foi avaliado, e ainda hoje o é;

2º - Creio que me posso queixar de todas as avaliações que tive, pois nunca existiu nenhum critério correcto e efectivo para poderem aquilatar do meu desempenho profissional, e isto porque sempre fui avaliado por pessoas que:

a) - Nem sempre vestiam tão bem quanto eu, e eu era classificado no item - apresentação!

b) - Outros estariam muito longe dos meus conhecimentos profissionais, mas isso não os impedia de me classificarem por comparação com os meus colegas nesse item recorrente nas avaliações;

c) - Vários avaliadores chegavam mais tarde do que eu e saíam mais cedo, pelo que será duvidosa a sua capacidade em me terem avaliado na área da pontualidade/assiduidade;

d) - Tive a felicidade de ter óptimos colaboradores, com quem me relacionava com facilidade, coisa que muitos dos meus avaliadores não conseguiam, mas no entanto tiveram sempre critérios de aferição flutuantes, que variavam, na sua maior parte das vezes, mais com o estilo do avaliador do que com a lógica da avaliação;

e) - Nunca tive nenhum especialista em direito a avaliar-me, muito embora fosse uma área onde eu frequentemente emitia opiniões devidamente fundamentadas;

f) - Nunca tive nenhum professor de português a avaliar-me, não obstante ter de fazer extensos relatórios, para serem entendidos, quer por especialistas, quer por leigos nas matérias então versadas;

g) - Tive oportunidade de avaliar e ser avaliado, fazer parte de comissões de recurso de avaliação, sem ter necessidade de ter a sapiência do Leonardo da Vinci, a compaixão de S. Francisco de Assis, a razoabilidade de S. Tomás de Aquino nem tampouco ser Aristóteles para emitir lógicos pareceres;

h) - Muitas outras que poderia enunciar, mas que certamente enfastiariam o leitor mais apressado.

3º - Nunca entendi porque é que só os confrades se deverão avaliar entre si, pois já sabemos que as confrarias tendem a ser criadas para defender uma casta, e não para aprimorarem a qualidade e o julgamento isento dos confrades;

Assim sendo, não vejo onde é que estarão os grandes problemas da avaliação dos professores, pois as críticas que na sua maior parte são veiculadas, fixam-se geralmente em dois problemas-base:

i - os professores não querem ser avaliados por professores mais novos, ou que tenham especialidade diferente da sua;

ii - a avaliação dá muito trabalho e ocupa-lhes muito o tempo.

Claro que a avaliação dá trabalho, e a primeira é sempre a mais custosa e de maior dificuldade, mas creio que estas não serão de facto razões para rejeitar tal processo.

Por favor, esclareçam-nos, pois eu cada vez menos os entendo.