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30 outubro, 2012

Animal farm

Na Quinta, todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais do que outros.

Talvez por isso a preocupação do (des)governo seja o de deixar alguns reformados gozar de todos os seus privilégios enquanto, de "justiça" a tiracolo, vai sugando os restantes até ao tutano.

Razões para a diferença? Eu não a encontro mas que desconfio qual seja, desconfio.

19 outubro, 2012

Quem nos acode?

Não será novidade para ninguém afirmar que o país está de pantanas!

Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, diz-nos a sabedoria popular, mas não é razão que se procura, mas apenas um pouco mais de respeito, por este povo que por aqui anda há mais de oito séculos e que se espera que continue a andar.

O coro dos protestos alterou a sua voz quando viu que as mordidelas não se ficavam apenas pelos funcionários públicos, reformados, pensionistas, desempregados e dependentes do RSI. Logo que a austeridade lhes bateu à porta - estou a falar da classe média que escreve nos jornais, que dá palpites nas mesas redondas, que até tem mais de uma casita e um carrito, que manda os filhos estudar nos privados, que não anda pelos postos da "caixa", que tem canudo e vai ao cinema, etc. - desatou aos berros de que a estavam a roubar!

Ainda bem que assim foi, pois parecia que este país já se tinha esquecido que havia outros portugueses, que até podiam ser seus vizinhos, e que há muito se debatem com dificuldades porque uma qualquer pandilha decidiu que seriam eles a pagar a crise que não existia!

No rescaldo do PEC IV, de triste memória, chumbado porque o BE clamava pela boca do Pureza, que "não é por se abrir uma crise política que o FMI virá", enquanto o PCP, pela voz de Honório Novo afirmava que "O Fundo Monetário Internacional [FMI] já cá está pela vossa mão [do Governo], pela mão dos três PECs anteriores. (...) Confirma-se aqui tudo o que o PCP disse há uma semana (...) afinal o Fundo Europeu de Estabilidade tem o FMI por trás. É o FMI que dita as regras, as análises, que decide e que também financia. O PEC IV é o PEC do FMI", por seu lado, o PSD através de Ferreira Leite afirmava "Neste momento este Governo não toma medidas que conduzam à melhoria dos mercados. O problema que está em causa é a confiança deste Governo. As mesmas medidas com outro Governo teriam outra reacção dos mercados", e o CDS, via Paulo Portas criticava "Hoje este Parlamento não debate o PEC IV. Debate o que resta de um PEC IV que está negociado e comprometido em Bruxelas. Este Governo colocou o País a ser governado por credores.", vê-se agora bem a razão que lhes assistia. Então não está mesmo à frente dos nossos olhos?!!

O FMI veio contra a opinião do BE, afinal o PEC IV não era o PEC do FMI como afirmava o PCP, o governo que veio a seguir não teve melhor reação dos mercados como dizia o PSD, nem o governo tinha então colocado o país sob a bota dos credores como afimava o CDS!

De mentira em mentira, chegamos ao caos que todos sentimos hoje na pele, amanhã será pior!

No rescaldo de tudo isto, com um governo desnorteado e com graves dissenssões internas, com uma oposição presa da "sua culpa", com um presidente da república enredado nas sua próprias manobras, com um coro de protestos mas sem soluções à vista, restar-nos-á gritar:

- Quem nos acode?

12 outubro, 2012

Porque se cala?

Será que o presidente da república sofre de algum mal desconhecido que o leva a esquecer os discursos proferidos em que afirmava que já estavamos demasiado sacrificados?
Será que também ele, como aliás outros economistas, se confundiu e errou na apreciação de uma crise que apelidavam de "passageira"?
Será que ainda não deu pelo erro e entende que o silêncio é a melhor atitude?
E que tal apresentar umas desculpazinhas...

03 outubro, 2012

Tribunal de contas!

O porta-voz do CDS, tao atrapalhado estava, que ao pretender justificar mais esta mão cheia de austeridade (para os mesmos), até afirmou que esta nova dose é fruto do parecer do Tribunal de Contas (!).

13 setembro, 2012

Mau tempo em Portugal

Desde o célebre discurso de PPC da passada sexta-feira, este país entrou num vendaval do qual parece não querer sair tão cedo.
A inépcia governamental estatela-se pelas páginas de jornais, e as opiniões adversas saltam que nem rolhas de champanhe em programas radiofónicos e televisivos onde o assunto é sempre o mesmo - austeridade.
Mesmo assim, ainda há vozes que tentam defender este tipo de políticas.
O Gaspar agradece, não sei é se conseguirá pagar os favores, mas, a cereja em cima do bolo colocou-a ontem na TVI Manuela Ferreira Leite.
Desde a declaração de que não compreendia as medidas, passando pela afirmação de que não conhecia os seus fundamentos e por isso lhe seria difícil uma crítica objetiva, até o apelo à revolta dos deputados da maioria, o meu espanto não teve limites.
Hoje, pela fresquinha, chega-nos mais uma, a do Selassie, que atira para cima do governo a estupidez da alteração da TSU dizendo que a opção foi do governo português e não da "troika"!
Será que o silêncio de Belém é prenúncio de mau tempo no retângulo?
Logo, mais para a terde, talvez o saibamos.

11 setembro, 2012

11/9

Claro que não somos os EUA, por isso o nosso, menos mortífero, mas também violento, tem já hora marcada, será às 15H00 e chegará através deste senhor.



01 abril, 2011

É a crise pá

Hoje de manhãzinha o Correio da Manhã dava mais uma suculenta notícia:

- Carris renova frota com carros de luxo.

Como se sabe o País está em crise, a Carris é uma empresa que viu os seus resultados negativos agravados em relação a 2009, muito embora tenha aumentado o nº de passageiros e diminuído o nº de ofertas, pautou-se por uma gestão que roça o disparate, pois viu o seu quadro de pessoal aumentado (porquê?) em dez unidades, muito embora o pessoal de tráfego e o oficinal tenha baixado em vinte e nove unidades o que indica que as trinta e nove admissões se destinaram a funções de serviços/chefia. Curiosamente no seu relatório e contas a habilidosa administração preferiu dizer que fez 66 admissões tendo sido quase todo este esforço direccionado para as funções de tripulante!!!

Continuando o disparate, congratulam-se por ter diminuído em 2% o trabalho suplementar que se cifrou nas 238.000 horas não incluindo o trabalho pago nos feriados que fez reduzir os custos das mesmas em 0,5% em relação ao ano anterior (ou seja menos horas mas mais bem pagas).

Subiu o absentismo, nomeadamente as faltas injustificadas (+ 38%), e baixou o nº de pessoal abrangido pela formação, muito embora o total de horas gasto tenha aumentado; aumentaram os acidentes de trabalho em mais de um terço, em relação ao ano anterior, e os dias de trabalho perdidos bem como a sua gravidade acompanharam este aumento, muito embora tenham um crescimento percentual mais baixo.

A frota manteve-se estável, mas a sua inoperacionalidade aumentou, talvez motivada por uma gestão de stocks deficiente.

Para tudo isto, há um conjunto de cinco gestores(!) que custaram 491.006 € mais os custos do aluguer das viaturas que utilizavam, a saber:
- 2 Mercedes (1 E350 + 1 C220);
- 1 BMW 320;
- 2 Audi A6 2.0

tudo carrinhos na ordem dos 42.000 €.

A austeridade quando chega não é para entrar nos carris...