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20 outubro, 2012

Manuel António Pina



Já tinha estranhado, pois as suas crónicas tinham desaparecido, e, geralmente, estes silêncios raramente prenunciam algo de bom.
A notícia, triste, chegou.
Aos 68 anos morreu!
Mais uma voz incómoda que desaparece. Os que mais necessitam e a liberdade estão hoje mais pobres.
Que descanse em paz e que o seu exemplo frutifique.

O Medo 

 

Ninguém me roubará algumas coisas,
nem acerca de elas saberei transigir;
um pequeno morto morre eternamente
em qualquer sítio de tudo isto.

É a sua morte que eu vivo eternamente

quem quer que eu seja e ele seja.
As minhas palavras voltam eternamente a essa morte
como, imóvel, ao coração de um fruto.

Serei capaz

de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?


Manuel António Pina, in "Nenhum Sítio"

19 setembro, 2012

A Europa mais pobre

Morreu um dos nomes grandes da Europa que toda uma vida lutou pela liberdade. Deve ter morrido triste.

22 abril, 2011

João Maria Tudela

Faleceu um dos cantores e senhores da música ligeira portuguesa. Os seus Kanimambo, Moçambique, O Meu Chapéu e tantos outros êxitos cujas letras ainda recordamos com alguma facilidade, foram marcos indeléveis num país amordaçado.
Lembra-me de o ter encontrado uma vez no cinema Roma, sito na avenida com o mesmo nome, no intervalo de um filme que já esqueci.
De fino trato, afável e educado era um gentleman na verdadeira aceção da palavra, talvez por isso, não era pessoa que se misturasse com os arrivistas do costume.
Que descanse em paz, embalado pelas suas canções e que seja mais uma estrela a brilhar no céu azul deste infinito que nos espera.

30 março, 2011

O Porto está mais pobre

Morreu Ângelo de Sousa, nesta cidade que o acolheu para viver e trabalhar e a que respeitou e tratou sempre como sua.
Ficámos mais pobres com o desaparecimento do primeiro dos quatro vintes.
Para memória futura dois pormenores de um dos seus trabalhos que podemos apreciar nesta cidade.

24 janeiro, 2009

Fernando Amaral

Hoje ao abrir o JN dou com mais uma triste notícia, a morte de Fernando Amaral.

Fernando Amaral, foi um dos presidentes da AR que a prestigiou e onde deixou exemplo que infelizmente parece estar a desaparecer.

Português de fino trato e límpida palavra, enobreceu os lugares por onde passou e prestigiou o Pais.

Tinha por ele uma estima especial.

Que descanse em paz.

23 janeiro, 2009

Jaime Isidoro

Aguarelista fantástico, não deixou de experimentar outras técnicas onde também se revelou de qualidade superior.

O Porto e o Norte, muito lhe devem, pois as suas iniciativas, o seu olhar e as suas impressões ficaram para nos recordar a genialidade e a beleza que o dia-a-dia nos faz esquecer.

Começou na Soares dos Reis, na altura situada no nº 49 da Rua da Firmeza, escola de Artes que o Porto tem o dever de conservar e de onde saíram muitos dos responsáveis pelo desenvolvimento artístico e industrial do Porto.

Deixou-nos a Galeria Alvarez e a Dois e a Bienal de Cerveira, que só por si já seriam obra bastante, mas para além disso deixa-nos uma vastíssima e variadíssima obra sobre a cidade que o viu nascer.

Ontem, aqui perto, no cemitério de Agramonte ficou a descansar.

Que o faça em paz.

25 dezembro, 2008

Despedida

Partiste, como eu desejei que partisses, em paz, sossegadamente...

Há muito tempo que não te sentia assim..., pois lutaste quanto pudeste!

O teu amor à vida era estranho, pois tu, que não gostavas do sofrer, fizeste-o tantas vezes nestes últimos tempos, só para poderes sorver mais um pouco duma vida que não entendemos... a tua vida.

Ontem, no teu olhar mortiço, já não vi as bolinhas escuras que procurava sempre que estava contigo e conseguia descortinar sob aquele olhar semicerrado, travesso, que tu tão bem sabias fazer. Olhavas e já só nos vias a espaços, numa derradeira batalha que travavas entre o ficar e o partir, e ainda fiquei esperançado que, mais uma vez, a fintasses com uma das tuas habilidades misteriosas.

Mas não. Desta vez, não conseguiste... não sei se baixaste os braços, ou se apenas já estavas cansada de tanto jogo de escondidas, mas creio que tomaste a melhor opção.

Claro que o meu egoísmo preferiria que tu te mantivesses mais um pouco, pelo menos até conseguires juntar mais um aos que já passaram desde mil novecentos e dezasseis, e era já em Janeiro, mas... também não te poderia exigir assim tanto.

Mas ficarei sempre contigo, como fiquei sempre com todos aqueles a que te juntaste, e que já vão sendo demasiados a ocupar os recantos das minhas recordações.

Partiste mas ao mesmo tempo ficas aqui, comigo, connosco, até um dia qualquer, em que eu tenha de partir também, e satisfaça a curiosidade final.

Até sempre! Um beijo do teu teofilo.

14 janeiro, 2006

Até qualquer dia

Sem o esperar, saibo da tua partida e sinto que a minha vida não mais será como antes.

Melhor? Pior? Quem o sabe? Diferente será, sem dúvida alguma.

Mas quando escolher um vinho para servir, recordar-te-ei, do mesmo modo que o farei nos meses de Janeiro que porventura irei viver, quando experimentar um novo chá ou mesmo no comezinho gesto de apertar uma torneira.

Irá fazer-me falta o troar alegre da tua voz, que se ouvia pela casa toda e a tua expansiva maneira de ser, e, se calhar até terei saudades dos teus amuos.

Foram muitos anos, por isso espero encontrar-te ainda no dia em que todos os mistérios me forem desvendados.

Acredito que sim, por isso, não te digo adeus, mas apenas até lá...