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23 setembro, 2012

Curiosidades

Há na vida factos interessantes que não deixam de me espantar.
Por causa de uma avaliação de desempenho 120.000 professores saíram à rua, manifestando-se assim contra a degradação das condições do exercício da actividade docente.
Agora que 37.000 deles ficaram sem colocação e com contrato ficaram menos cerca de 4.500, que irão receber menos salário e que 13.000 vão ficar com mobilidade interna, parece que ninguém pensa em fazer manifestações!
Se isto não é estranho o que é que passará a ser?

07 setembro, 2012

Ainda sobre educação

Roubado aqui este apontamento da Shyznogud.

Citações (LIX)

Não se podem censurar os jovens preguiçosos, quando a responsável por eles serem assim é a educação dos seus pais.

Esopo

Cratinices!

Era uma voz incómoda que se levantava a defender um certo tipo de "ensino", em vez da vulgar "aprendizagem" que ele detestava e achava aberrante.
Sorri algumas vezes perante as suas ideias, onde separava as duas coisas, como se fosse possível separá-las, sinal de que ele não entendia muito bem qual era a função do professor.
Para além de ensinar, o professor, deve verificar se aquilo que ensina está a ser aprendido, procurando adequar a prática da transmissão do saber à possibilidade de entendimento do receptor.
Claro que estou a falar de Nuno Crato, o atual ministro da educação, que com a sua paixão de ensinar, vai acumulando erros sobre erros até fazer ruir todo o edíficio do ensino público.
A última achega que nos dá é afirmar apenas e só isto:
- (a) redução de professores é inevitável nos próximos anos...
Não lhe interessa que uma das razões seja o aumento do número de alunos por turma que ele decidiu e que faz naturalmente diminuir a necessidade de professores, não ajudando em nada o aumento da aprendizagem, pois como se sabe, e é facilmente demonstrável, atirar um monte de alunos para cima de um professor, não torna a sua tarefa menos exigente, nem ajuda a uma maior interação nas aulas, pelo contrário.
O nº mínimo de 24 alunos por turma saltou de 24 para 26 e o nº máximo passou a ser de 30 em vez de 28!
O que levou Crato a tomar tal medida? Razão pedagógica não foi, pois ele é incapaz de a enunciar. Não será que é apenas o critério economicista a funcionar, mais uma vez?
E que tal dar uma saltada ao terreno?
Porque é que não olhamos para a nossa realidade?
Teremos uma boa rede escolar? As assimetrias regionais não se refletirão nas escolas? Estará este País dotado de uma maioria de escolas modernas, bem equipadas, quer do ponto de vista material, quer do ponto de vista docente? Terá a generalidade dos alunos um ambiente económico-familiar que lhes proporcione um auxílio efetivo na aprendizagem? Estará o estado a fazer um bom trabalho na educação? Estarão os professores ocupados exclusivamente com a dação de aulas e/ou a investigação ou andarão dispersos por outras áreas, que em vez de contribuirem apenas lançam poeira em cima do que se pretende fazer ou já está feito?
Do que tenho visto e ouvido nada disto parece interessar ao matemático ministro, antes pelo contrário, o seu amor antigo pelo rigor e pela excelência parece ser tudo menos isso.
Enganou bem!

29 agosto, 2012

Citações (LVIII)

O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler.

Mark Twain

Aposta na qualidade!

Não haja dúvida alguma que o nosso ministro da educação é um homem de brilhantes ideias.
Hoje, mais uma brota das páginas dos jornais!
Quem se atrever a chumbar mais de duas vezes, até ao 9º ano, já não pode ser doutor, terá de contentar-se com a profissão de talhante, eletricista, agricultour ou canalizador!
Pior do que o estado novo, que ainda entendia que ser eletricista, carpinteiro, canalizador e muitas outras profissões davam direito a qualidade e mérito, este, entende que apenas os alunos com fracas notas, seja qual for o motivo, só servirão para estas profissões.
O atestado de indigência intelectual que estas profissões agora recebem é, no mínimo, espantoso, vindo da parte de quem tem obrigação de zelar pela diversidade de oferta e pela qualidade do ensino.
Se é esta a maneira de reabilitar o ensino profissional, bem podem limpar as mãos à parede.
Atitudes discriminatórias e fracturantes já há muito que são associadas a quem não tem o papelinho que o Relvas arranjou por equivalência, daí que eu entenda bem o que se passa na cabeça desses iluminados "doutores da mula ruça".
Deixemo-nos de tretas!
Só o ensino qualificado de profissões como as acima referidas, bem como de todas as restantes é que levará este país para a frente.
Ser um profissional de categoria, seja qual for o ramo, reveste-se de características que não passam sem um conhecimento de matérias muito específicas que só os mestres são capazes de transmitir, e esses, não precisam de canudos para serem considerados.
É esta a aposta na qualidade, e não aquela que nos pretendem agora impingir.

13 junho, 2011

Sobre educação

A ler com atenção este comentário de Eduardo Pitta.

26 maio, 2011

Às vezes nem dá para acreditar

Se há coisas que antigamente gostava era assistir a concursos em que os concorrentes se iam bater por um lugar no pódio, demonstrando os seus dotes de conhecimentos globais.
Disse gostava, porque hoje em dia, o único desse tipo é conduzido pelo José Carlos Malato, na RTP 1, e chama-se Quem Quer Ser Milionário - Alta Pressão, e dá-me a impressão de que ou os concorrentes são uma data de aldrabões e apenas vão lá para os seus cinco minutos de exposição (raras vezes de fama), ou o ensino neste país desceu abaixo de cão!
Ver pessoas que se intitulam possuidoras de licenciaturas, alunos de pós-graduações e mestrados, estudantes universitários, técnicos disto e daquilo, falharem em perguntas de lana caprina é, infelizmente, o pão-nosso-de-cada-dia, e admirado fico com a displicência com que alguns aceitam a sua gritante ignorância.
Mas, pelos vistos, ninguém aborda o assunto, pois preferem divertir-se na crítica às Novas Oportunidades, aos defeitos do ensino público ou ao facilitismo do GAVE.
Haja pachorra!

03 abril, 2011

Hoje há Benfica - Porto

Infelizmente, não acredito que tudo vá correr bem.

Oxalá me engane.

18 dezembro, 2008

Citações (XXIV)

Não dês a ninguém aquilo que te peça, mas aquilo que achas que necessita; e suporta logo a ingratidão

Unamuno

06 dezembro, 2008

03 dezembro, 2008

Já sei porque é que os professores estão em greve

Ex.mo(a) Sr.(a) Encarregado(a) de Educação


As escolas estão a viver um momento muito conturbado, em consequência das políticas educativas impostas pelo Ministério da Educação e pelo Governo, nomeadamente o processo de avaliação do desempenho docente.
Com efeito, estas políticas degradaram as condições de exercício da actividade docente e têm vindo a transformar as Escolas e o processo educativo num acto burocrático de tal forma complexo, que os professores passam a maior parte do tempo a preencher papéis e a realizar reuniões que não trazem quaisquer efeitos positivos sobre a qualidade da Educação ou sobre o seu desempenho profissional.


Bem pelo contrário! São inúmeros os professores que já pediram a reforma antecipada, assumindo os prejuízos financeiros dessa decisão, por força do esgotamento a que estão sujeitos e da impotência para se dedicarem àquilo de que mais gostam e que é a razão de ser da sua profissão: os alunos e o seu sucesso educativo!
No que diz respeito ao processo de avaliação do desempenho dos docentes, todos reconhecemos a sua importância para garantir uma Educação e uma Escola Pública de Qualidade. No entanto, consideramos que o modelo de avaliação imposto pelo ministério é inaplicável, injusto e perverso.
É um modelo que tem consumido muito do nosso tempo — tempo precioso para preparar as aulas e toda uma série de actividades que visam proporcionar a formação integral dos alunos e a melhoria das suas aprendizagens. Nada disto nos tem sido possível fazer! Não nos têm permitidoser professores!

Caro(a) Encarregado(a) de Educação

Foi por tudo isto que 120 mil docentes se manifestaram no dia 8 de Novembro em Lisboa
e que continuam envolvidos noutras lutas. Porque se sentem atingidos na sua dignidade profissional e humana, porque defendem os superiores interesses da Escola Pública, porque estão verdadeiramente empenhados na melhoria das aprendizagens dos alunos, os docentes estão dispostos a continuar a lutar, no intuito de reconquistarem o direito de voltarem a ser professores.

Gratos pela atenção dispensada, esperamos ter ao nosso lado aqueles a quem mais interessa quea Educação seja valorizada e não espezinhada: os Pais e Encarregados de Educação.

Os Professores e Educadores

Texto de desdobrável distribuído pela Plataforma Sindical de Professores

27 novembro, 2008

25 novembro, 2008

120.000

É um número redondo, assustador, mas que parece que ninguém pretende analizar exaustivamente.

Os 120.000 que estiveram nas manifestações eram todos professores? Não havia por lá mãezinhas e paizinhos a acompanhar, irmãos solidários, alunos que cursam ESE's, professores reformados, sindicalistas profissionais, funcionários de partidos, aprendizes de políticos e até simples motoristas de camioneta e respectivos familiares?

E estavam lá só contra os critérios da avaliação, ou estariam também contra o estatuto do docente, contra o medo de serem avaliados, ou de não terem a coragem de não ir, pela resistência à mudança, pela redução dos seus muitos tempos livres, contra as aulas de substituição, contra as aulas de apoio, por opção partidária.

É que não me convenço que lá estiveram tantos, até porque conheço escolas de onde não foi um único, mas que sabem que lá estiveram representadas!

17 novembro, 2008

Despacho da ministra da Educação

Ao ler o despacho da ministra da Educação, sou levado a crer pelo menos em uma de duas coisas:

- Haverá muitos professores que não sabem interpretar português, ou sabendo-o, apenas pretendem desestabilizar as escolas, ou

- A avaliação dos professores peca por tardia, pois não entendo a necessidade deste despacho clarificador, pois a matéria é simples de entender, a não ser que hajam professores que não o devem ser por ausência de conhecimentos básicos...

16 novembro, 2008

Faltas

Os alunos protestam contra o regime de faltas contido no estatuto do aluno, pois dizem que estão a ser tratados injustamente!

Depois de ler atentamente o regime de faltas aprovado pela Lei 3/2008, não vejo como será possível concordar com o que aqui vem escrito, ou será que os alunos ainda quereriam ter direito a faltar mais?!

13 novembro, 2008

Coisas interessantes

Aluna agride professora - grande escândalo, com notícias e vídeos nos telejornais, mesas redondas, quadradas, rectangulares, octogonais, deputados chocados, jornalistas inflamados, pedem-se medidas à Ministra e policiamento nas escolas.

Alunos atiram ovos a governantes - não há escândalo, os ministros e secretários de estado é que são culpados por estarem lá, acabaram as mesas, a AR é um mar morno e silencioso, os sindicatos e os professores acham um exagero a polícia ter tentado evitar que os ovos chegassem aos destinatários

Procure as diferenças

Avaliações

A propósito deste tema, dou comigo a arengar com a minha cara-metade, que segundo a lógica professoral e sindical, fui toda a vida um injustiçado, a saber:

1º - Desde 1965 o meu trabalho sempre foi avaliado, e ainda hoje o é;

2º - Creio que me posso queixar de todas as avaliações que tive, pois nunca existiu nenhum critério correcto e efectivo para poderem aquilatar do meu desempenho profissional, e isto porque sempre fui avaliado por pessoas que:

a) - Nem sempre vestiam tão bem quanto eu, e eu era classificado no item - apresentação!

b) - Outros estariam muito longe dos meus conhecimentos profissionais, mas isso não os impedia de me classificarem por comparação com os meus colegas nesse item recorrente nas avaliações;

c) - Vários avaliadores chegavam mais tarde do que eu e saíam mais cedo, pelo que será duvidosa a sua capacidade em me terem avaliado na área da pontualidade/assiduidade;

d) - Tive a felicidade de ter óptimos colaboradores, com quem me relacionava com facilidade, coisa que muitos dos meus avaliadores não conseguiam, mas no entanto tiveram sempre critérios de aferição flutuantes, que variavam, na sua maior parte das vezes, mais com o estilo do avaliador do que com a lógica da avaliação;

e) - Nunca tive nenhum especialista em direito a avaliar-me, muito embora fosse uma área onde eu frequentemente emitia opiniões devidamente fundamentadas;

f) - Nunca tive nenhum professor de português a avaliar-me, não obstante ter de fazer extensos relatórios, para serem entendidos, quer por especialistas, quer por leigos nas matérias então versadas;

g) - Tive oportunidade de avaliar e ser avaliado, fazer parte de comissões de recurso de avaliação, sem ter necessidade de ter a sapiência do Leonardo da Vinci, a compaixão de S. Francisco de Assis, a razoabilidade de S. Tomás de Aquino nem tampouco ser Aristóteles para emitir lógicos pareceres;

h) - Muitas outras que poderia enunciar, mas que certamente enfastiariam o leitor mais apressado.

3º - Nunca entendi porque é que só os confrades se deverão avaliar entre si, pois já sabemos que as confrarias tendem a ser criadas para defender uma casta, e não para aprimorarem a qualidade e o julgamento isento dos confrades;

Assim sendo, não vejo onde é que estarão os grandes problemas da avaliação dos professores, pois as críticas que na sua maior parte são veiculadas, fixam-se geralmente em dois problemas-base:

i - os professores não querem ser avaliados por professores mais novos, ou que tenham especialidade diferente da sua;

ii - a avaliação dá muito trabalho e ocupa-lhes muito o tempo.

Claro que a avaliação dá trabalho, e a primeira é sempre a mais custosa e de maior dificuldade, mas creio que estas não serão de facto razões para rejeitar tal processo.

Por favor, esclareçam-nos, pois eu cada vez menos os entendo.

12 novembro, 2008

Alegre

Certo dia, o Alegre (poeta), escreveu um soneto, premonitório no seu título chamado:

E Alegre se Fez Triste.

Claro que nem estamos em 'agosto', nem tampouco é de madrugada, mas este Alegre (político), tem vindo a tornar-se triste, afinal por apenas estar a regressar à inconsequência que já era famosa no seu tempo de Argel e que é do conhecimento de muitos dos seus pares.

O Alegre (poeta) que sempre vislumbrou a floresta e jamais a árvore, quiçá por força de más companhias, transmite como Alegre (político) a visão da árvore fugindo de ver a floresta.

Isenção, é nome que serve para transmitir a liberdade e, só deverá ser usada por quem é isento, imparcial, neutro, coisa que o Alegre (político) não está a praticar do mesmo modo que o fazia o Alegre (poeta), nem tal é seu hábito quotidiano.

Se quer falar de Educação. fale com 'E' maiúsculo, aborde o problema segundo todas as perspectivas, disseque o problema até à exaustão, mas por favor, deixe de bater no(a) ceguinho(a), pois nesse(a) já todos batem - com ou sem razão - e espadeire democraticamente para todos os lados e em todos os sentidos, pois a culpa da educação estar como está é de todos, mesmo todos... até do Alegre (político-poeta).