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09 outubro, 2012

Desculpem lá o incómodo

É preciso ter lata!
O FMI, pede desculpa pois enganou-se nas contas, afinal, por cada euro de austeridade a economia arrefece entre 40 a 80 % mais do que tinham inicialmente previsto!
Aqueles pobres economistas e gestores, pagos a peso de ouro e comandados pela D. Lagarde afinal, parece que fazem contas à merceeiro, isto sem desprimor para os merceeiros que ainda sabem fazer contas.
E agora como é?
Vão restituir-nos o que perdemos?
Vão devolver-nos o emprego?
Vão-nos devolver os juros?
Vão indemnizar o país?
Ou, como de costume, vão passar pelo meio das tempestade que criaram com um sorriso nos lábios e milhões nas algibeiras?
E o governo portugês?
Permanece manso?
E a Europa, continua calada?

11 setembro, 2012

Perder tempo

Hoje, pelas 15H00, lá estava eu em frente do televisor à espera de ouvir o Gaspar, expectante face às promessas que cruzavam os ares.
Logo de início, desiludi-me.
O atraso da conferência que era motivada por acertos de última hora, levava água no bico.
Lá entrou a matulada toda para o que se adivinhava ser um parto difícil.
O Gaspar começou, como de costume, com os salamaleques e ademanes habituais, com aquela voz que me faz lembrar sempre um desenho animado.
De novo, para além de umas vagas promessas de cortes, em português suave nos que mandam no quadrado, lá mete mais uns nos reformados  e pensionistas do estado (10%), um aumento do IMI que se irá refletir nas rendas trazendo mais problemas às empresas (aí já não o preocupa a competitividade e o emprego) e aos particulares, um aumento de tributação no IRS a distribuir pelos do costume mas ainda sem figurino definido, e, para finalizar, um aviso aos contratados a termo que trabalham para o estado, que o Fundo de Desemprego já está à espera deles (lá se vai mais um bocado da teoria do emprego à custa da redução de 5,75% ao patronato).
Sobre os cortes nas gorduras, um vago olhar sobre as PPP's que vai renegociar, as fundações que vai deixar de apoiar e mais nada.
Os jornalistas tentaram não incomodar muito, com o pateta do Camilo Lourença a preferir lançar perguntas a brincar do que questões sérias, e eis que o Nicolau Santos lhe manda com três obuses de respeito, o homem avisa logo que não responde a mais nada depois disso, não vá alguém seguir-lhe as pegadas, e dá umas respostazinhas tíbias, mete os pés pelas mãos, tenta responder em economês, e não surtindo efeito, opta pela economia de café.
Um desatino.
Os secretários de estado que lá estiveram para decoração, mais o Moedas que não abriu o bico, debitaram umas tartamudices e calaram-se, felizmente.
Nesta pura perda de tempo, verifiquei que isto vai de mal a pior, pois já nem desculpas esfarrapadas condignas se apresentam, preferindo-se os chavões ou o discurso obscuro.
Dei comigo, irritado demais, para ainda ter de apanhar com uma figura, que certamente foi um erro de "casting", a debitar a posição do PS.
Isto está a ficar mau demais!

05 setembro, 2012

A "troika" está cá?!

Dou uma vista de olhos pelos jornais e procuro novidades sobre a "troika".
Para além de uns subservientes pedidos da parte de alguns partidos políticos e da intenção de os fazer da parte de outros, do lado governamental não nos chega nada.
Longe vão já os tempos em que os três funcionários das instituições financeiras tinham as suas caretas estampadas por todo o lado e um corropio de gente à sua volta.
A discrição é a palavra de ordem!
Num país em que os "mass media", infelizmente, educaram a população a variar de opinião entre o oito e o oitenta, nem será de admirar, mas será sintomático de que algo não estará a correr pelo melhor.
Por outro lado, o extraordinário silêncio do Moedas, do Álvaro, do Gaspar e de outras figuras tão lestas em embandeirar em arco com as anteriores avaliações não deixa de ser curioso. Já nem falo do Relvas, uma vez que depois do desaire das negociações sobre as autárquicas, a que se somam o discurso disparatado na longínqua Timor, a que estão agarradas as monumentais trapalhadas já amplamente glosadas, deve ser deixado em paz, pois quanto mais se mexer nele, pior para as pituitárias nacionais.
Resta-me pois aguardar serenamente pelo resultado da avaliação, que irá oscilar entre o diploma do bom aluno azarado e o de dedicado cumpridor de um programa demasiado esforçado, pois nem avaliadores, nem avaliados, quererão enfiar as orelhas de burro que a ambos deveriam ser enfiadas.

27 novembro, 2008

25 novembro, 2008

120.000

É um número redondo, assustador, mas que parece que ninguém pretende analizar exaustivamente.

Os 120.000 que estiveram nas manifestações eram todos professores? Não havia por lá mãezinhas e paizinhos a acompanhar, irmãos solidários, alunos que cursam ESE's, professores reformados, sindicalistas profissionais, funcionários de partidos, aprendizes de políticos e até simples motoristas de camioneta e respectivos familiares?

E estavam lá só contra os critérios da avaliação, ou estariam também contra o estatuto do docente, contra o medo de serem avaliados, ou de não terem a coragem de não ir, pela resistência à mudança, pela redução dos seus muitos tempos livres, contra as aulas de substituição, contra as aulas de apoio, por opção partidária.

É que não me convenço que lá estiveram tantos, até porque conheço escolas de onde não foi um único, mas que sabem que lá estiveram representadas!

21 novembro, 2008

Professores

Até gosto deles, não de todos é claro, até porque não os conheço a todos, mas alguns que eu conheço, e não são tão poucos como parece, dão-me a sensação de se sentirem ameaçados por algo que não conseguem explicar.

Muitos deles, felizmente, são bons professores, dedicados, esforçados, competentes, que criticam muitos dos seus colegas por serem uns parasitas do sistema, mas, de repente, e sem nexo, passam a juntar-se todos do mesmo lado da barricada, em estranha aliança protectora dos que o são apenas por acidente e não por vocação ou querer.

Esta estranha aliança, faz-me desconfiar que a culpa não é da ministra, do governo, da avaliação, do estatuto do professor ou da autonomia das escolas, mas sim um cocktail esquisito, em que os ingredientes atrás mencionados se misturam em proporções diversas mas cuho resultado só dará a desenxabida mistela corporativa habitual.

Como todos, ou melhor, como a maioria dos que sabem ler e escrever e frequentaram uma escola, também eu tive professores, alguns (muitos) que recordo com saudade, e outros (demasiados) de quem recordo a ineficiência, a ausência de capacidades pedagógicas, e até conhecimentos suficientes para leccionar fosse que matéria fosse.

Gostava que os professores, principalmente os do ensino básico, se lembrassem que são o fermento que faz crescer a sociedade, e que o futuro dessa sociedade também os atingirá, quer directa, quer indirectamente, pelo que esta sua posição de negação da avaliação (eu sei, eu sei, que todos dizem querer ser avaliados) com influência no seu percurso laboral me assusta, pois cheira-me a medos ocultos que só em privado se confessam.

Os professores, afinal, não me parecem ser uma massa unida por um desejo único, antes me parecem um rebanho que só está junto, porque lhes dizem que o lobo lhes ronda o pasto, quando albergam no seu meio, muitas dúzias de lobos disfarçados de cordeiros, que se saciarão dos mais tenros e confiantes, para gáudio das hienas que no alto do monte tentam abafar o seu riso cacarejado, esperando a oportunidade de se saciarem com os restos.

É altura de abrirem os olhos, de confiarem um pouco mais no pastor e nos cães de guarda, por muito que eles lhes mordam nas patas, pois valerá mais ficar com os artelhos esfolados, do que morrer esquartejado, ou à míngua.

Se querem cantar vitória, continuem a caminho do abismo, mas no fim não se queixem de quem comandou o rebanho foi o general Pirro!

13 novembro, 2008

Avaliações

A propósito deste tema, dou comigo a arengar com a minha cara-metade, que segundo a lógica professoral e sindical, fui toda a vida um injustiçado, a saber:

1º - Desde 1965 o meu trabalho sempre foi avaliado, e ainda hoje o é;

2º - Creio que me posso queixar de todas as avaliações que tive, pois nunca existiu nenhum critério correcto e efectivo para poderem aquilatar do meu desempenho profissional, e isto porque sempre fui avaliado por pessoas que:

a) - Nem sempre vestiam tão bem quanto eu, e eu era classificado no item - apresentação!

b) - Outros estariam muito longe dos meus conhecimentos profissionais, mas isso não os impedia de me classificarem por comparação com os meus colegas nesse item recorrente nas avaliações;

c) - Vários avaliadores chegavam mais tarde do que eu e saíam mais cedo, pelo que será duvidosa a sua capacidade em me terem avaliado na área da pontualidade/assiduidade;

d) - Tive a felicidade de ter óptimos colaboradores, com quem me relacionava com facilidade, coisa que muitos dos meus avaliadores não conseguiam, mas no entanto tiveram sempre critérios de aferição flutuantes, que variavam, na sua maior parte das vezes, mais com o estilo do avaliador do que com a lógica da avaliação;

e) - Nunca tive nenhum especialista em direito a avaliar-me, muito embora fosse uma área onde eu frequentemente emitia opiniões devidamente fundamentadas;

f) - Nunca tive nenhum professor de português a avaliar-me, não obstante ter de fazer extensos relatórios, para serem entendidos, quer por especialistas, quer por leigos nas matérias então versadas;

g) - Tive oportunidade de avaliar e ser avaliado, fazer parte de comissões de recurso de avaliação, sem ter necessidade de ter a sapiência do Leonardo da Vinci, a compaixão de S. Francisco de Assis, a razoabilidade de S. Tomás de Aquino nem tampouco ser Aristóteles para emitir lógicos pareceres;

h) - Muitas outras que poderia enunciar, mas que certamente enfastiariam o leitor mais apressado.

3º - Nunca entendi porque é que só os confrades se deverão avaliar entre si, pois já sabemos que as confrarias tendem a ser criadas para defender uma casta, e não para aprimorarem a qualidade e o julgamento isento dos confrades;

Assim sendo, não vejo onde é que estarão os grandes problemas da avaliação dos professores, pois as críticas que na sua maior parte são veiculadas, fixam-se geralmente em dois problemas-base:

i - os professores não querem ser avaliados por professores mais novos, ou que tenham especialidade diferente da sua;

ii - a avaliação dá muito trabalho e ocupa-lhes muito o tempo.

Claro que a avaliação dá trabalho, e a primeira é sempre a mais custosa e de maior dificuldade, mas creio que estas não serão de facto razões para rejeitar tal processo.

Por favor, esclareçam-nos, pois eu cada vez menos os entendo.