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29 outubro, 2012

O nosso primeiro falou!

E, como de costume, quando fala, abre a boca, o que possibilita sempre a possibilidade de entrar mosca ou sair asneira.
Como não se engasgou, certamente não entrou mosca, mas saiu-lhe a refundação do memorando do entendimento!
E que é que será essa refundação, onde quer contar com o PS, partido a que não tem passado cavaco (passe a interessante homofonia) a não ser para o achincalhar ou acusar de dolo e má-fé?
Pelos vistos ninguém sabe.
Dá a entender que é uma reforma do estado, seja lá o que é que ele entende por isso, alegando para tal que "...o Estado só deve fazer aquilo que faz bem, e deve fazer muito melhor aquilo que não pode deixar de fazer...".
Ora, não sabendo ninguém o que é que ele considera que o Estado faz bem e muito menos o que é que ele (Estado) não pode deixar de fazer,  seria curial que o esclarecimento viesse rápido.
Estou em crer que ele apenas quererá ver o Estado cobrar impostos, taxas e quejandos, manter a ordem pública, ter umas forças armadas para mostrar aos amigos e representar o País nos areópagos internacionais, tudo o resto deverá ser privatizado, pois são bem conhecidas as críticas ao SNS, à dimensão da escola pública, à universalidade da proteção social, à dinamização económica, só para elencar estes quatro.
As privatizações em massa andam por aí, desde as águas, aos portos e aeroportos, passando pelo  espaço aéreo, a que se seguirão sem dúvida a orla costeira, as bacias hidrográficas, a totalidade da rede energética, as vias de comunicação, os transportes, a que se seguirá a segurança social, e a cereja em cima do bolo que é o desmantelamento do SNS.
Cada governo estabelece as leis conforme a sua conveniência. 
Já se viu que a conveniência deste governo é dar uma oportunidade aos poderosos à custa dos mais fracos.
A partir daí, não será difícil concluir que esta refundação não é a do memorando mas a de todo o País, deixando a democracia passar a ser uma figura de estilo em vez de ser uma maneira de governar.

09 outubro, 2012

Desculpem lá o incómodo

É preciso ter lata!
O FMI, pede desculpa pois enganou-se nas contas, afinal, por cada euro de austeridade a economia arrefece entre 40 a 80 % mais do que tinham inicialmente previsto!
Aqueles pobres economistas e gestores, pagos a peso de ouro e comandados pela D. Lagarde afinal, parece que fazem contas à merceeiro, isto sem desprimor para os merceeiros que ainda sabem fazer contas.
E agora como é?
Vão restituir-nos o que perdemos?
Vão devolver-nos o emprego?
Vão-nos devolver os juros?
Vão indemnizar o país?
Ou, como de costume, vão passar pelo meio das tempestade que criaram com um sorriso nos lábios e milhões nas algibeiras?
E o governo portugês?
Permanece manso?
E a Europa, continua calada?

28 setembro, 2012

Fora da realidade!

Se alguém tinha dúvidas de que o atual primeiro-ministro não estava em consonância com a realidade, este, ontem, num discurso a empresários que se reuniram no Pavilhão de Congressos do Estoril, definitivamente dissipou-as!
Para além de continuar a considerar "bem sucedido" o processo que se tem desenvolvido, parece entender que os sacrifícios que tem pedido são apenas o início de um processo longo e que "exige um esforço maior do que o desempenhado até agora"!
Considerar bem sucedido um processo em que roubou, numa primeira fase, 3,6 % dos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrém e pensionistas, aumentou os impostos indiretos, e ainda teve de recorrer a 6.000 milhões de euros de receita extraordinária (fundos de pensões da banca) para manter o défice em 5,9% fazendo assim baixar em 2,1% o défice real que ficaria próximo dos 8%.
Que no ano seguinte, para além de novos aumentos do IVA, se tenha atirado a tudo que era receita aumentando-a para valores incomportáveis, procedesse a novo saque, agora de mais de 14% dos rendimentos, aos trabalhadores do estado, reformados e pensionistas, ande a estudar novas maneiras de conseguir receitas extraordinárias, tenha alienado património do povo português, tenha lançado no desespero dezenas de milhar de portugueses e ainda lhes tenha cortado no subsídio de desemprego.
Que, depois de todo este esforço, o défice prometido de 4,5% não será atingido, ficando-se segundo o ministro Gaspar pelos 6%, número que não podemos confirmar pois é um mistério bem guardado, dando cabo de todas as otimistas previsões dos três da vida airada, do (des)governo nacional e da corja de bajuladores de servico onde se encontram reputados economistas(!).
Para lá de tudo isto, a dívida pública ( a tal que era incomportável e que o pedido de resgate faria desaparecer) se tenha agravado, e que as previsões do seu agravamento continuarão para o ano, e ainda ter a lata, sim porque é preciso uma grande lata, para dizer que este programa é um sucesso e que estamos no bom caminho!
A realidade atual é muito diversa do país que fomos em 2011.
Estamos mais pobres, pagamos mais impostos, temos menos escolas, menos hospitais, mais desemprego, um comércio interno a morrer, indústrias a desaparecer, centros de decisão a fugir, investimento a cair, a própria democracia a fenecer, e aparece gente a dizer que tudo isto é necessário pois das cinzas renascerá um país novo!
Mas um país para quem?
Para uma oligarquia que continua a engordar sem nada fazer, a sentar os rabiosques em carros de luxo, a mandar fazer os fatos de encomenda e engravatada de seda?
Ora bolas, para o bom caminho e para o sucesso!

26 julho, 2012

Gastos

A propósito de um político nacional que anda na baila pelos piores motivos, esbarro com uma notícia onde espantado constato que um presidente de uma assembleia municipal tem gastos de telemóvel superiores a 30.500 € num período de 10 anos, sendo os gastos num dos anos de mais de 7.000 € e que até durante os mais de dois anos que esteve no governo ainda utilizou a dita Câmara para realizar mais de 3.000 € de chamadas!
Será admissível que seja quem for, num lugar daqueles, gaste à tripa-forra, pois não me acredito que tenha sido para tratar exclusivamente de assuntos ligados a tal autarquia, sem prestar contas a nada nem a ninguém?
Para quem anda, dia sim, dia não, a dizer que os portugueses gastaram acima das suas possibilidades, não estarão a referir-se a eles próprios?
Não terá sido esse tipo de portugueses que gasta à medida das suas conveniências, sabendo que o que gasta não lhe sai do bolso que é o responsável por estarmos de tanga?
Não terá chegado a hora de se criarem mecanismos de consulta populares que possibilitem a inquirição e tomada de medidas para limitar as prevaricações?
Vamos continuar calados e a pagar as contas destes sátrapas de trazer por casa?