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21 setembro, 2012

Liberais?

Há por aí muita gentinha, nomeadamente governantes e seus apoiantes, que gosta de se intitular liberal por oposição a ser apodada de conservadora ou mesmo de reacionária.
O liberalismo, ao opor-se ao estado que tudo regula e tudo dirige, baseia-se na liberdade individual, no mercado livre e na ordem espontânea, coisas tão longe das mentes dos nossos governantes como a água do deserto.
O que este (des)governo tem vindo a promover, é nada mais, nada menos, do que o regresso ao passado, às políticas dos baixos salários, a um estado omnipresente na arrecadação de impostos que são devorados pela oligarquia que alimenta, a uma sociedade de classes bem definidas e que se aproxima da medieval trindade, clero-nobreza-povo, onde o clero ainda se manterá (se andar na linha, pois se não o fizer os bajuladores que andam pelos jornais rapidamente lançarão sobre eles histórias do arco da velha), a nobreza foi substituída pelos políticos de pacotilha que arrastam com eles a corte respetiva onde pululam empresários sem escrúpulos, intelectuais sem "espinha", abencerragens do estado novo, saltitantes camaleões e os bajuladores encartados.
O povo, continua a ser o mesmo, agora engordado com a pequena e média burguesia que já julgava pertencer a outra casta, mas que rapidamente foi atirada para a realidade quando se viu remetida para o lugar de vaca leiteira.
Estes liberais da treta, chulam o povo até sangrar, agravam taxas que são impostas por lei, tudo pretendem regular e dirigir, não se coibem de afrontar as mais altas instâncias da democracia, tudo pretendem governamentalizar em prol dos seus interesses, quer os imediatos, que os de médio e longo prazo.
Assim, o ataque à Constituição, ao Tribunal Constituciona, a defesa do privado à custa do património público, os entraves à escola pública, o ataque ao SNS universal, e, finalmente o delapidar da Segurança Social, seria o bastante para que todos se levantassem contra este (des)governo, infelizmente, parece que a política da mentira e da ilusão começa a dar frutos, o povo prefere culpar a democracia, caminhando alegremente para o cadafalso ao som das trombetas e da charanga desta pandilha.

08 setembro, 2012

O embuste

Vejo o primeiro ministro a falar e não consigo acreditar no que ouço!
O rapaz, com aquela cara das cerimónias solenas, começa a debitar o missal, onde lá está o costumeiro discurso anti-governo anterior, o qual foi capaz de todas as malfeitorias e que arruinou (segundo ele e os seus pares) o país, mas onde não aparecem os desastres que ele e a sua comitiva fizeram a desgraça de nos oferecer.
Depois, com a lata que lhe conhecemos, diz que os empregados por conta de outrém passarão a pagar mais 7% na TSU, para compensar o que irá dar aos patrões (5,75%), ficando com o diferencial para comprar caramelos em Badajoz.
Quanto ao corte dos subsídios, talvez para salvaguardar a equidade, continua a reter os dos reformados e pensionistas, devolvendo um, em duodécimos, aos funcionários públicos!
E estas medidas servem para quê, afinal?
Para tapar o buraco enorme que não conseguem tapar com todas as medidas que já tomaram.
A desculpa apresentada, tentando dar a entender que a culpa e sugestão veio do TC, é ignóbil, para não lhe chamar coisa pior, pois distorce quer a letra, quer o espírito da decisão daquele tribunal, e, por outro lado, afirmar que estas medidas se destinam a criar emprego e aumentar a competitividade, são de uma falsidade atroz.
Se, o universo que beneficia, e pode de facto aumentar a competitividade, é o setor exportador, como explicar que, sendo este apenas uma pequena fração do todo nacional onde os custos do trabalho influenciam os custos totais do produto em apenas 13%, como entender que será isto, apenas e só, que endireitará as contas nacionais?!
Esta, é apenas mais uma medida que vai beneficiar um lado da população, a mais forte, que vai ver aliviada a sua carga fiscal transferida e paga pelos que menos podem.
E onde param os trabalhadores por conta própria, os recibos verdes, os investidores especulativos, os proprietários, os que vivem dos rendimentos, o patronato,  etc., etc..
Qual estado social, qual paz laboral, qual equidade, qual carapuça!
O que este (des)governo está a fazer é a destruir um país, um povo, uma sociedade em nome de interesses mesquinhos e particulares.
Se as pessoas o consentem, quem sou eu para dizer o contrário.

21 fevereiro, 2012

Competências e esquecimentos

Pelos vistos o governo liderado pelo competente Coelho, esqueceu-se de avisar o competente Gaspar de que era preciso ouvir a Comissão de Acompanhamento das Privatizações antes de vender o BPN ao BIC.
O mesmo competente governo, ao abolir a Terça-feira gorda como dispensa de ponto para a função pública, esqueceu-se de que era preciso combinar, com as empresas tuteladas pelo ministério do competente Álvaro, as necessidades para as suas deslocações e deixou que os STCP, Carris, Metro e quejandos fizessem horários de feriado dificultando assim um pouco mais a vida dos funcionários públicos que irão trabalhar.
Ainda no domínio dos esquecimentos, o governo português exercendo as suas competências, esqueceu-se de se colocar ao lado dos países europeus que como a Inglaterra, Itália, Noruega, Polónia, Espanha, Irlanda, República Checa, Estónia, Letónia, Suécia, Finlândia e Eslováquia que querem uma Europa em clima de crescimento, preferindo ficar ao lado da Alemanha, França, Áustria, Países Baixos (são mesmo baixos) ou Roménia, que preferem novos laços com a democrática China e Rússia e os tradicionalmente preocupados apenas com o seu quintal Estados Unidos da América do Norte!
Destas competências e esquecimentos parece que o PR não as vê, nem sequer se apercebe delas, t5ão preocupado anda com as indisponibilidades que ultimamente o têm assaltado.

08 fevereiro, 2012

Estalou o verniz!

Já há uns meses que vinha sentindo a impressão de que isto iria acabar mal!
A descortesia do governador do BP, que não representa ninguém para além da instituição a que preside, sendo nomeado por interesses políticos para com um deputado na AR era já um prenúncio.
As nomeações escandalosas de personagens em idade de reforma para gaiolas douradas onde acrescentam boas maquias ao seu gordo pecúlio alimentaram a ideia.
Só faltavam, em catadupa as declarações dum ministro que se formou tarde e a más horas, e que agora recomenda celeridade aos que querem ser como ele, de outro que vindo das Américas julga que descobriu o pastel de nata finalizando com o da defesa que se entretem a hostilizar os seus comandados para se começar a ver que algo está podre neste reino que não é da Dinamarca.
A carta aberta ao Ministro da Defesa, é, por si só, um sinal de alarme que deveria refrear o discurso inflamado de ministros que não estão habituados a dirigir homens quanto mais um país!
O mal estar da sociedade já chegou a forças armadas, as mesmas que nos devolveram há precisamente quarenta anos a democracia que andou aferrolhada em caixas que eram vigiadas pelos pais de alguns destes meninos agora no poder.
O povo que foi enganado por um político que mentiu descaradamente numa campanha eleitoral desonesta e que hoje faz precisamente o contrário do que prometeu e ainda insulta os que sofrem na pele as diatribes que sob a sua batuta são cometidas, começa a estar farto de tanto sacrifício e não vê onde estarão as gorduras do estado a ser cortadas, pois o que se tem cortado é nos benefícios sociais e nos direitos dos trabalhadores.
Ainda agora se deu posse a mais um lugar que ninguém sabe para que serve - a da nova mediadora de crédito - em nome sabe-se lá do quê.
Confundem produtividade com trabalho braçal, destroem o ensino de adultos, tuberculizam o SNS, vão ao bolso dos que já descontaram para terem direito a uma reforma, mas não abdicam dos carros de luxo, das dezenas de assessores e técnicos, das ajudicações diretas de motoristas, ou na dança das cadeiras do poder.
Creio que o caldo está a entornar-se rapidamente, e o silêncio de Belém não pronuncia nada de bom.
Espero que quando decidir abrir a boca, o presidente da república não o faça já demasiado tarde.

18 novembro, 2008

Tudo muda

É por vezes interessante fazer uma pausa, e relembrar grandes temas de debate que moveram multidões mas que, pelos vistos, caíram no esquecimento do portugueses.

Ainda há bem pouco tempo, os economistas e teóricos das previsões, não se calavam, proclamando do alto do seu sacrossanto saber, que o 'crude' iria chegar aos 200 dólares; que o mercado era o principal moderador do desenvolvimento económico: que na privatização da maioria dos serviços públicos estava o Santo Graal do desenvolvimento; que a saúde deveria passar pela canalização dos descontos dos trabalhadores, para as seguradoras (que os aplicariam em quê? fundos de investimento de médio/elevado risco?), que por sua vez pagariam a hospitais privados os custos com a dita; que a regionalização era a diabolização a expurgar do pensamento político nacional; que precisavamos de uma revolução na educação já que este modelo se encontrava esgotado; que o excesso de diálogo tinha sido o pecado do guterrismo que arrastou o País para a penúria; que o Santana Lopes era um libertino delapidador do erário público e político inconsequente; que o Marques Mendes não sabia fazer oposição; que a banca estava sólida e para durar; que os USA eram o Sol do Mundo.

Afinal, em menos de doze meses, tudo está de pernas para o ar, e muitas das mesmas cabeças, dão-nos opiniões diametralmente opostas, como se só os 'pobres' dos políticos fossem os únicos a não ter autorização para mudar de opinião.

Não deixa de ser interessante, mas creio que ainda agora a procissão vai no adro, e até ao lavar dos cestos (eleições) ainda veremos muitos mais malabarismos.