12 novembro, 2008

Alegre

Certo dia, o Alegre (poeta), escreveu um soneto, premonitório no seu título chamado:

E Alegre se Fez Triste.

Claro que nem estamos em 'agosto', nem tampouco é de madrugada, mas este Alegre (político), tem vindo a tornar-se triste, afinal por apenas estar a regressar à inconsequência que já era famosa no seu tempo de Argel e que é do conhecimento de muitos dos seus pares.

O Alegre (poeta) que sempre vislumbrou a floresta e jamais a árvore, quiçá por força de más companhias, transmite como Alegre (político) a visão da árvore fugindo de ver a floresta.

Isenção, é nome que serve para transmitir a liberdade e, só deverá ser usada por quem é isento, imparcial, neutro, coisa que o Alegre (político) não está a praticar do mesmo modo que o fazia o Alegre (poeta), nem tal é seu hábito quotidiano.

Se quer falar de Educação. fale com 'E' maiúsculo, aborde o problema segundo todas as perspectivas, disseque o problema até à exaustão, mas por favor, deixe de bater no(a) ceguinho(a), pois nesse(a) já todos batem - com ou sem razão - e espadeire democraticamente para todos os lados e em todos os sentidos, pois a culpa da educação estar como está é de todos, mesmo todos... até do Alegre (político-poeta).


11 novembro, 2008

Indemnizar

Ontem, no programa da RTP Prós e Contras, vi alguns senhores dissertarem sobre o acto de indemnizar, clamando que quem comete erros deliberadamente não deve ser indemnizado!

Isto, a propósito do último folhetim da moda que dá pelo nome de nacionalização do BPN.

Até a Fatinha se mostrou agastada por haver direito a ajuste de contas, no caso de os prevaricadores serem pessoas que detenham investimerntos sobre o banco onde causaram dolo.

Pois, é tudo muito bonito, mas ninguém lhes explicou que o direito à indemnização é o resultante do dever de indemnizar existente nas sociedades onde vigora a democracia? Ou será que queremos regressar às nacionalizações selvagens?

Será que um trabalhador que seja despedido por meter a mão na caixa, já não terá direito à indemnização, igual às verbas não pagas a que terá direito pela cessação do contrato, nomeadamente as proporcionalidades já vencidas de férias , subsídios de Natal e quejandos, ou será que deverá ir direito para a rua, sem nada mais ter a haver senão pagar o que roubou?

Que dizer então dos políticos que fazem deliberadamente leis atamancadas para depois ganharem balúrdios, quer através dos pareceres solicitados aos respectivos escritórios de advocacia ou gabinetes técnicos que possuem, ou onde prestam serviços, quer através de avenças exorbitantes pagas por consultadorias de duvidosa eficácia, dos árbitros que apitem com dolo, dos juízes que condenem inocentes, dos jornalistas que publiquem noticias falsas, etc., etc. etc....

Vem tudo para a rua sem direito a indemnização e reforma, ou será apenas para os do BPN?

Voltei

Até porque já chega de descanso. Mas voltei principalmente porque sinto-me triste por ver que tudo continua como dantes, passados que são já nove meses de interregno.

Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, aforismo popular que vem a propósito, muito embora haja cá em casa gente que tem pão a mais (poucos) e gente que não tem sequer pão (bastantes, e em acelerado crescimento).

Agora que o tempo arrefece e as castanhas aí estão - cada vez mais caras - saborosas e olorosas. penso ser tempo de aquecer os motores e botar palavra.

Veremos no que isto dá!

04 fevereiro, 2008

Recusando a morte



Poesia caipira

Vô contá como é triste vê a veíce chegá,

Vê os cabêlo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê “aquilo” esmoreceno, sem força prá levantá.

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As oiça vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pulmão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
Correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
Porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça .


Mão amiga fez-me chegar via e-mail e como é Carnaval.

18 novembro, 2007

Pois é

Pus-me a ver filmes e a ouvir a Dulce Pontes e deu nisto...

Eu escrevi esse texto quando vi Cine Paradiso pela milionésima vez, em fevereiro de 2003:

Eu deveria ver esse filme pelo menos uma vez por mês. Só para ter o horror de saber que a vida é verdadeira, como o NN diz. Ou como ele cita - acho que Fernando Pessoa, não tenho certeza.

Cine Paradiso

Eu não vou conhecer todos os lugares que desejo, nem tudo e todos que quero. Não posso viajar no tempo. Não consigo acabar com a saudade, nem conseguirei. Eu vou morrer algum dia. "O cinema é só um sonho", diz um personagem quando o Nuovo Paradiso é destruído. E eu choro, como já estava fazendo desde o começo do filme e continuo até meia hora (ou mais) depois do fim. Vou até o banheiro, lavo o rosto e tento esquecer novamente que a vida é verdadeira, fugir um pouco do horror, só um pouco: o sentimento, músicas, filmes, livros, amor. Estranho como eu tento amenizar esse horror, de saber que a vida é verdadeira, ao observá-la assim, em sonhos. E de um sonho pode-se dizer tudo, menos que é mentira - como já disse o Ernesto Sábato. É, é isso mesmo: eu só consigo fugir dessa verdade quando a encaro de frente. Mas preciso me lembrar disso com um pouco mais de freqüência.

Nessa época eu era uma estudante de cinema. Sim, eu já fui uma estudante de cinema. Agora parece que foi em outra vida; mas faz só cinco anos. Provavelmente eu fui a estudante de cinema mais relapsa que já existiu. Provavelmente eu não nasci para ser cineasta. Provavelmente o meu amor pelo cinema não venha tanto das imagens, mas das histórias -- o que me torna, definitivamente, uma estudante de cinema desnaturada. Mas o que ninguém pode negar é que sempre fui apaixonada, completamente apaixonada pelos filmes. Ainda assim, eu acreditava que já estava imune a certas coisas. Uma dessas coisas era ouvir a trilha sonora que o Ennio Morricone fez para Cine Paradiso e não chorar. E sim, eu estava redondamente enganada.
por Marcele Fernandes as 20:24:46

in, Eclipse

28 setembro, 2007

Férias

Parece-me que tirei férias a mais, vamos a ver se é desta que regresso.

Nunca pensei escrever isto

Parabéns Santana Lopes.

22 julho, 2007

Ainda há quem se admire...

Rio não participa no «Porto Bike Tour» como forma de protesto contra fim do Porto Feliz (in O Primeiro de Janeiro de hoje)

Mas onde estará a surpresa?!

O homem gosta é de andar de automóvel, e, quanto mais antigo melhor.

O Porto Feliz acabou, não por causa da atitude do IDT, mas por causa da repetida teimosia do presidente que se nega a aceitar qualquer proposta daquele organismo, desde que diversa da que pretende, uma vez que o IDT fez várias propostas que estavam em sintonia com os desejos dos técnicos que gerem a Porto Feliz e - sempre e exclusivamente ele - a todas recusou liminarmente!

Claro, que lhe faz imenso jeito arranjar um bode expiatório para o enterro do abcesso que criou, quando decidiu encerrar o programa existente na cidade, da autoria do Fernando Gomes. e o substituiu por este seu programa, que segundo garantia na época, eliminaria, no prazo de um ano, os arrumadores toxicodependentes da cidade, e dava como garantia, não a sua, mas a cabeça do seu então amigo e apoiante Paulo Morais, no prato da execução a ser servida se tal desiderato não fosse cumprido.

E não foi.

Ninguém então se demitiu, como fora prometido, ninguém avançou sequer com explicações, e as contas do que foi gasto e do que foi alcançado permanecem no segredo de relatórios a que não há público acesso por vontade do agora protestante!!!

O que se sabe, é que os arrumadores toxicodependentes por cá continuam, alguns mesmo à porta da resdência do autarca e arruamentos circunvizinhos, mau grado as tentativas de expulsão por parte de forças policiais.

O programa falhou. Ponto final, parágrafo.

Se a seriedade fosse atributo deste cavalheiro, talvez fosse mais fácil para mim compreender as razões do falhanço, mas como infelizmente - para mim - não basta à mulher de César ser séria, continuo a aguardar (sentado, pois corro o risco de me cansar) as provas da seriedade deste inteligente e manipulador político, que propagandeia ser defensor dos fracos e oprimidos, mas que pouco tem contribuido para o seu bem-estar, preocupado como está em dar à cidade os espectáculos de entretenimento de encher o olho, e deixando escapar por entre os dedos a população residente, criar-se um muro de betão e movimento envolvente ao parque da cidade e manter a Baixa e o Bolhão longe dos seus dias mais felizes.

E como o faz bem.

Ainda há pouco tempo, apenas com uma singela medalha de ouro calou definitivamente uma voz que começava a tornar-se um pouco incómoda...

Alguém adivinha de quem era?

16 julho, 2007

Saloiada

De excursão, despejados em frente à porta de um hotel, diziam honestamente de onde vinham e não sabiam ao que iam!

Não me admirei muito, mas fiquei triste por ver o PS fazer o mesmo que tantos fazem e que agora despudoradamente apontam o dedo acusador.

Como a espontaneidade continua igual ao que era antigamente!!!

02 julho, 2007

De vez em quando...

... tenho de me ausentar mas volto breve...

27 abril, 2007

Do homem que eu gostava de ver na CMP

Para ler com atenção.

Um decálogo inquietante

No Lote 5 - 1º Dto. encontro este aviso perturbante.

Ler com atenção.

Primeiro vieram prender os judeus...

(do poema atribuído ao Pastor Martin Niemöller)

Discurso redondo

É deveras interessante ver como rapidamente somos acusados de utilizar um discurso redondo, sempre que nos referimos a algo que, sendo verdadeiro, é tido por insignificante na óptica do beneficiado.

Vem isto a propósito de um comentário que inseri num blog amigo, que em interessante post acusava de provincianismo a antiga mui nobre sempre leal e invicta cidade do Porto, acusando os seus habitantes de se sentirem desconfortáveis em relação aos lisboetas.

Claro que medidas, de proteccionismo à capital, tão disparatadas como a que não permitiu a uma famosa casa bancária, nos idos de sessenta, se transformar em banco por pretender ter a sua Sede no Porto, não passam de discurso redondo, assim como o desaparecimento por migração/fusão das sedes de algumas instituições financeiras, ou na diferença de tratamento que tiveram as decisões sobre o lançamento de projectos na rede de transportes públicos urbanos, na diferença de tratamento entre as duas cidades nas acessibilidades rodo-ferroviviárias (quem se lembra dos trinta anos que levou a completar a A1) para já não falar no desenvolvimento fluvial inexistente a Norte, na constante prática de sub-valorização de retribuições para uma mesma prática funcional, no esquecimento do desenvolvimento escolar de que é exemplo a faculdade de Direito, que só aparece no Porto em 1978 pela mão da Católica e só 16 anos mais tarde na UP - mas quem quiser aprofundar o assunto das diferentes faculdades é só querer e constatar as diferenças.

E de quem será a culpa?

Dos lisboetas certamente que não é, daí não serem eles os responsáveis por tal situação, mas tentar fazer de conta que ela não existiu, e de que não teve perniciosa influência na evolução das duas cidades, é a mesma coisa que dizer que antes do 25 de Abril estava tudo bem, e que ninguém era preso por delitos de opinião.

Ainda hoje, é ver os exemplos que a governação ainda dá, até na colocação das agências europeias.

Enquanto na Alemanha, Grécia, Espanha, França e Itália se distribuem por cidades que não a capital, por cá, as duas existentes EMCDDA e EMSA ficam-se por Lisboa!


E que dizer da diversidade de tratamento que é dada nas áreas da cultura, espectáculo ou lazer?

Quando tantas vozes se levantam a clamar que o conceito utilizador/pagador deve ser aplicado a todos porque não falar nas indemnizações compensatórias que do erário público saem para, por exemplo, o Metropolitano de Lisboa e para o do Porto?

Será que é o provincianismo portuense que faz deslocar para Lisboa as sedes das empresas, nomeadamente as da comunicação social?

Será que é o discurso que é redondo, ou que a política seguida desde o tempo do D. Manuel I é que tem apenas um sentido?

O centralismo por vezes ofusca os sentidos, e muitas vezes quem mora na capital ou arredores, esquece-se que há mais nove milhões para além deles, e que no Porto estão alguns naquela que já foi a segunda cidade do País, mas que por força de politiquices absurdas, cada vez mais se afasta desse lugar a velocidade mais elevada do que a que tem afastado o País do centro da Europa a que pertence por obrigação geográfica.

26 abril, 2007

Jines

De visita à Carlota, dei com esta palavra (?) recomendada para substituir as velhas jeans, num local tão sério como o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa!

De começo, fiquei um pouco surpreso com o neologismo/barbarismo que invadiu, mais uma vez, a nossa língua, mas dei comigo a vasculhar o glossário lá do sítio, para verificar se mais malabarismos linguísticos apareceriam à superfície.

E lá estão, um pouco por todo o lado, contrariando até opiniões expressas no mesmo site em ocasiões diferentes, vide, por exemplo, a palavra personagem, que no seu glossário é recomendada ser usada no género feminino, negando-se a possibilidade de o fazer no masculino, quando em 11.02.2003 já Susana Correia no artigo Personagem: masculino ou feminino dizia o contrário, ou que na sua Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e Lindley Cintra, na página 197 afirmem : Diz-se, indiferentemente, o personagem ou a personagem com referência ao protagonista homem ou mulher.

Mas neste Glossário, infelizmente, mais coisas esquisitas por lá encontramos, o que quererá dizer que até no melhor pano caem nódoas, como poderá constatar-se ao ver escarrapachadas palavras como futebolês, além/aquém como se fossem apenas usados como prefixos, que não se pode escrever desde Moscovo, ou desde a Bairrada, mas sim de Moscovo ou da Bairrada, que não se pode dizer estratega (!), opina por maqueta em vez de maquete, mas já não o faz em magnate, que admite ser o mesmo que magnata, e por aí fora.

Claro, que quem sai a perder são os que como eu não compram jines, mas apenas calças de ganga ou então apenas umas levis, mesmo que sejam de outra marca qualquer, que continuam a usar uma 1-2-3, mesmo que não seja da Moulinex, fazem marmelada com a ajuda de um passe-vite, ou fazem bricolagem com um Black & Decker mesmo que seja da Bosch.

Depois, ainda querem que nos telejornais e noutros media não brinquem à séria
com a língua de Camões, parindo neologismos e barbarismos a torto e a direito, quando não são apenas anedóticas tolices, ou, simplesmente, erros crassos de português elementar.

23 abril, 2007

Não há meio

de me poder reconciliar com os revisores dos jornais, nem sequer com os jornalistas.

É sagrado... chega o fim-de-semana* e zás... lá estão as aborrecidas gralhas a esparramar-se pelo papel, a fazer-me comichões por todos os lados, conjuntamente com os textos de opinião de jornalistas que teimam em não entender o óbvio, sempre que este se lhes assenta sobre as espáduas.

O mal grassa em todas as publicações, desde as deliciosamente humorísticas revistas ditas do coração, passando pelas dos mexericos, atravessando a pasquinada desportiva, saltando alegremente nos jornais diários e aterrando nos insuspeitos semanários e revistas a dar para o sério.

Numa altura em que decorre uma campanha para a miudagem (e não só) passar a ler mais um bocadito, não deverá a imprensa passar a ter mais cuidado no que deita cá para fora.

Não acharão os bem remunerados directores que se podiam/deviam ocupar dessas coisas em vez de se andarem a ocupar com outras minudências.

* Só ao fim-de-semana é que me dou ao luxo de comprar os ditos jornais, revistas e tudo que dê para entreter os tempos mortos.

18 abril, 2007

Francamente!

Mais 33 entregaram a alma ao Criador - 32 certamente sem ter direito a opinar - numa manifestação de irracionalidade facultada pela legislação apoiada pela maioria dos estado-unidenses.

Neste cantinho europeu, há logo os que aparecem a defender o american way of life e os que, de imediato, o criticam apenas por ser americano, esquecendo que há outros americanos na América do Norte, que detendo armas de caça e defesa em número considerável, estão longe de apresentarem situações como a desta semana.

Claro que me estou a referir ao Canadá.

Com mais de 7 milhões de armas (dados de 2004 - 6.984.485) para cerca de 32,6 milhões de indivíduos, está a grande distância do seu vizinho, que para menos do dobro da população terá 28,5 vezes mais armas, ou seja mais de 200 milhões, segundo esta notícia.

Será que estes americanos, nem pela proximidade se contagiam?

Também oportunamente logo soaram manifestações de pesar, quer da parte dos atingidos que se salvaram, quer de outros que se solidarizaram com as vitímas e suas famílias, logo apoiadas por um presidente que gosta de recorrer a elas sempre que lhe dá jeito.

Estranho, mas mesmo muito estranho, é a NRA ainda estar a aguardar para se pronunciar sobre o assunto! Não saberá que se não existisse a facilidade de comprar armas que defende este estudante ora morto poderia apenas ter andado à pancada com alguém?

E que dizer da segurança de uma Faculdade, que depois de tantos sinais de aviso lançados pelo jovem assassino, continuou a olhar para o lado mais preocupada com o budget anual do que com a segurança dos seus alunos e professores?!

Ter armas de defesa ou caça é uma coisa, poder adquirir armas de guerra apresentando apenas uma identificação e por vezes nem isso é no mínimo escandaloso para não lhe chamar outra coisa ainda pior.

Mas há quem defenda este tipo de hábitos! Alguns porque não fazem intenção de pôr os pés no Estados Unidos, outros porque não se importam de quem morre inocentemente, outros ainda - os piores - que o fazem apenas como defesa de um ponto de vista meramente casual e/ou para alinharem com um grupo de opinião.

Posto isto, só me resta repetir o título desta opinião - FRANCAMENTE!

16 abril, 2007

Confusões

Hoje cá recebi mais um exemplar da revista da CMP - Porto Sempre - que me proporciona sempre algumas divertidas surpresas.

Desta feita, foi uma conversa com o Filipe La Feria que me tirou do sério, pois este insigne encenador, que, pelos vistos, também foi professor da UI, decidiu que a ópera-rock Jesus Cristo Superstar, é o maior clássico do teatro musical de todos os tempos.

Para além do disparate que é a afirmação do encenador, qualificando o musical de modo absoluto, como se o seu dixit fosse uma verdade irrefutável, que dizer de outras obras como My Fair Lady, West Side Story, Musica no Coração, Hello Dolly, Hair, Evita, Porgy and Bess, Violino no Telhado, Cats, Cabaret, O Fantasma da Ópera ou Godspell, e isto só para citar alguns dos grandes!

Talvez ainda um dia, alguém consiga explicar a este brilhante encenador que a poesia não é facilmente transposta para outras línguas, uma vez que se vai perder na tradução a musicalidade da inicial.

Imaginem traduzir isto:

In Xanadu did Kublai Kahn
A stately pleasure-dome decree,
Where Alph, the sacred river ran
Trough caverns measureless to man
Down to a sundless sea.

...

De KUBLA KAHN de Samuel Coleridge

Em Xanadu Kublai Kahn fez
Um impressionante estádio de prazer por decreto
Onde o Alfa, o rio sagrado corre
Através de cavernas impossíveis de medir pelo homem
Para baixo até um mar sem Sol.

Fiz-me entender?

15 abril, 2007

20%

Hoje no JN lá vem a desagradável notícia:

- Em Portugal, 20% da população está abaixo do limiar de pobreza.

Claro, que vamos ficar indignados, vociferar contra o governo, falar sobre o assunto com alguns amigos, e esquecer rapidamente o assunto, pois tristezas não divertem ninguém, voltaremos lestamente aos resultados do futebol, ao diploma do primeiro-ministro, às telenovelas do costume e a sonhar com as férias que estão para aí a aparecer pois o tempo é primaveril.

Esquecemos facilmente que cerca de dois milhões de portugueses nem sequer de pobres podem ser chamados, pois vivem na miséria mais abjecta e certamente que não será por opção própria.

Esquecemos que poderíamos contribuir um pouco para que essa miséria fosse desaparecendo, contribuindo activamente para tantas obras de apoio que tentam chegar a essa população, carente e frágil, que não se cruza connosco, pois vive longe da nossa vista e do nosso olfacto.

Esquecemos que temos roupas e sapatos enfiados em armários e arrecadações a apodrecer, e que poderiam servir para abrigo de alguém, ou que são simplesmente deitados ao lixo pelos mais insensíveis.

Esquecemos simplesmente que até na pobreza somos pobres, mais pobres que os restantes europeus.

Mas, quando por vezes vemos algum desses miseráveis que fazemos?

Já pensou nisso?

11 abril, 2007

Já lá vai algum tempo...

...que por aqui não aparecia.

Ora muito bom dia, meninos e meninas que por aqui apareceram e/ou mandaram recados.

Embora tardiamente, um bom ano para todos, pois este parece querer continuar a correr com falatórios sobre o acessório deixando para trás, como é hábito, o essencial.

Hoje há noite há festa de arromba, pois irá ser notícia de televisão um dos grandes problemas nacionais - o canudo do primeiro-ministro!

Claro que há por aí uma meia-dúzia de outros pequenos problemas tais como a falta de assistência a idosos, a pobreza que se estende pela classe média, a incultura da nossa juventude (pois a dos mais velhos está à vista todos os serões na RTP 1), a falta de vitalidade do nosso comércio, a desertificação do interior, a apatia da generalidade dos nossos industriais, a macrocefalia da Região de Lisboa e Vale do Tejo, a falta de segurança nas estradas e vias públicas, a pobreza do discurso da generalidade da classe política, a corrupção generalizada, a violência nos estádios de futebol, a violência nas escolas, a inoperância da justiça, etc., etc., etc....

Iremos ficar mais descansados e com perspectivas de um futuro mais risonho se passarmos a saber se, o "sinhor inginheiro", teve ou não estas ou aquelas cadeiras, fez ou não fez um tal mestrado, ou ainda se tem fotocópias de todos os certificados e exames que fez, aliás, como é hábito de todos os portugueses, que guardam em casa, ciosamente, tais tipos de provas que atestem o seu grau académico.

Num País em que ser doutor ou engenheiro dá direito a tratamento especial não é de admirar, mas já era tempo de termos andado um pouco mais para a frente.

Até qualquer dia.