24 abril, 2012

25 de abril de 2011

Alguém se recorda de a casa da democracia ter estado fechada nesta data?
É que, pelos vistos, nessa altura ninguém se incomodou com o facto de não haver comemorações na Assembleia representativa do voto popular!
A memória dos homens é muito curta...

09 abril, 2012

Para acabar de vez com a chulice

Título da crónica de Jorge Fiel no JN, que aqui abaixo se reproduz.

Agatha Christie, sim. Toda. Mas não só. Também Stanley Gardner, Rex Stout, Simenon, Chandler .... enfim toda a galeria de autores que a coleção Vampiro nos apresentou em livros de bolso baratos, com capas lindas (em particular as de Lima de Freitas) e encadernações péssimas.
Vampiro sim, mas não só. Também outros clássicos, como Poe, Conan Doyle ou Maurice Leblanc, ou não tão clássicos como a mais recente geração de autores nórdicos, inaugurada pelo imperdível Henning Mankell e colocada em órbita por Stieg Larson.
Fanático por policiais, não resisto a um bom mistério, como este que vou expor, protagonizado pela região que é o principal centro de serviços e a porta de entrada e saída de gentes e mercadorias.
O Porto tem o mais elogiado aeroporto do país, o que mais cresce (carga e passageiros) e é regularmente eleito como um dos melhores do Mundo (senão mesmo o melhor), na sua categoria. Temos Leixões, o mais eficiente, lucrativo e cobiçado de todos os portos portugueses.
Temos indústrias tradicionais (têxtil, vestuário, calçado e metalomecânica, etc.) que souberam aguentar o impacto da globalização e fazer do Norte a única região do país que exporta mais do que importa.
Temos Amorim e Belmiro, os dois maiores empresários da geração pós 25 Abril, que se firmaram sem terem de ser levados ao colo pelo absurdo Condicionamento Industrial do Estado Novo.
Temos o vinho do Porto, produzido no Douro, declarado pela Unesco Património da Humanidade, e as duas marcas de produtos portugueses com maior notoriedade internacional (Mateus Rosé e Super Bock).
Temos Serralves e a Casa da Música, dois Pritzker, a escola de Arquitetura mais famosa do Mundo. Fomos o berço do rock português, uma linhagem que nasce com a dupla Tê/Veloso e inclui Abrunhosa e os GNR de Reininho.
Temos Manoel de Oliveira, o Fantasporto, as Curtas de Vila do Conde, o FITEI, o TN S. João, o Palácio de Vila Flor, o Theatro Circo e dois centros históricos (Guimarães e Porto) que a humanidade adotou.
Temos o F. C. Porto, a mais bem-sucedida e admirada das nossas equipas de futebol, que não é um eucalipto e soube acarinhar o crescimento do Sp. Braga, o clube do distrito mais jovem da Europa, que se afirma como o terceiro grande.
Temos a melhor, maior e mais internacional das universidades, a UP, bem no centro de uma competitiva teia de produção de conhecimento formada pelas suas congéneres de Aveiro, Braga e Trás- os-Montes.
Se temos tudo isto, se o Porto é o melhor destino turístico europeu 2012, se o Norte é a segunda região que mais contribui para a riqueza do país, por que é que continua a ser a mais pobre e negligenciada?
Este mistério tem duas explicações. A primeira é de que Porto e Norte têm excelentes jogadores, mas falta-lhes o líder que os transforme numa equipa vencedora. A segunda é que depois de darmos o nome ao país - e de dar a carne de primeira, para ficar com as tripas -, chegou a hora de dizer não aos chulos que vivem e prosperam com a mão metida no nosso bolso.

17 março, 2012

Copy and paste

Vale a pena ir lá, ao blog do ruitavares, e ler esta opinião

09 março, 2012

Fotos a recordar (II)


Ei-lo de novo!

No meio de uma crise sem precedentes, o senhor presidente da República abre mais um fait divers no mundo palaciano dos noticiários que vai encher o bolso a tudólogos, politólogos, pitonisas e oráculos, especialistas em análise cripto-política, vendedores de banha da cobra, ex-dirigentes do PSD transformados em comentadores a metro, chefes de movimentos de esquerda em estado de coma induzido, esquerdistas puros, esquerdistas não tão puros mas liberais q.b. e restantes direitolas que também largarão a sua bojarda.
O que os movimenta todos é um ódiozinho de estimação que, para mim, é incompreensível mas que para eles fará todo o sentido.
Por outro lado, na luminosa Paris, um ex-primeiro ministro português goza de fininho, ouvindo lá de longe os lamentos dos saudosos e o desespero dos que sentem o seu fantasma pairar sobre as suas cabeças.
Quintiliano, disse-nos que entre o maldizente e o malfeitor a diferença á apenas casual e que quando não se tem talento, diz-se tudo. O homem de talento escolhe e contém-se.
Presumo que o cidadão Cavaco Silva, reputado professor, ilustre economista, ex-alto cargo do Banco de Portugal se sentiu ferido na sua sapiência talvez por não ter conseguido decifrar os números da execução governamental que um mísero engenheiro, com deficiente formação técnica, tenha conseguido forjar para os exibir perante S. Exª Cavaco Silva, presidente da República, dando assim provas de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia!
Ter-se-á esquecido o escritor de tais palavras da famosa inventona de Belém protagonizada por alguém que lhe era próximo, do discurso em que dizia aos portugueses  Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos. depois de ter afirmado umas linhas antes Ao Governo e ao Senhor Primeiro-Ministro reitero o compromisso de cooperação que há cinco anos assumi perante os Portugueses, e que a seguir pedia um sobressalto cívico?
Será que o cidadão Cavaco Silva se esqueceu que o sr. Presidente da República em Março de 2011 se empenhou ativamente para que aparecesse um orçamento sufragado pelo seu (dele) PPD?
Será que o sr. presidente da República tem sido consultado pelo atual governo quando decide ir mais além da troika pedindo cada vez mais sacrifícios aos portugueses que antes o mesmo presidente afiançava já estarem no limite?
Será que o projeto pessoal do cidadão Cavaco Silva o faz esquecer que ainda é presidente da República em exercício, e que as conversas privadas são privadas, sob pena de termos de recordar as célebres reuniões do então presidente Eanes com o Primeiro-ministro Balsemão?
Ajustes de contas à distância são tiros nos pés a curto prazo que se vão enquistando.
Cavaco tem mostrado a sua inabilidade em atos repentistas, este não o é, daí a interrogação de quem é que anda a fazer o quê e em nome de quem!
Dá para desconfiar, agora que já temos um ministro das finanças das Beiras que governa segundo os conselhos da sua avó.

06 março, 2012

Curiosidades estranhamente curiosas

Respigado de O Jumento este naco de prosa que, sem dúvida, é uma das curiosidades dignas de constar no Guiness.

Coisas estranhas


Num país onde se odeia os sindicalistas é estranho que um dirigente sindical tenha tanto protagonismo nos jornais e televisões, sendo bajulado por jornalistas e políticos apesar de não dizer nada que mereça a perda de tempo de o ouvir.
Num país onde a classe política detesta sindicatos e sindicalistas é estranho que a tomada de posse dos órgãos de um sindicato seja tão concorrida por colunáveis políticos como a posse de um Presidente da República.
 
Num país onde os banqueiros odeiam sindicatos é estranho que financiem um congresso sindical.
Num país onde os trabalhadores estão a ser empobrecidos e onde os funcionários públicos já perderam um terço dos seus rendimentos é estranho que um sindicato organize um congresso num hotel de luxo com programa de três dias para acompanhantes, com direito a refeições e cruzeiro pela costa algarvia.
 
Num país em crise é estranho que um sindicato convide uma dúzia de jornalistas  e os instale num hotel de cinco estrelas com deireito a pensaõ completa e programa social.
 
Tudo isto deixa de ser estranho quando se sabe que o sindicato em causa é ele próprio um sindicato muito estranho, o absurdo sindicato dos magistrados do Ministério Público, uma espécie de magistrados que alguém escolheu para polícias da democracia mas pelo estado da justiça não têm desempenhado esse papel. Pois os nossos ilustres sindicalistas organizaram um congresso de luxo com direito a programa para acompanhantes e com borlas para jornalistas. Até aqui tudo normal, as dúvidas surgem quando se percebe que o congresso tem o patrocínio da banca e de grandes empresas, bem como dos jornais, os tais que têm beneciado de acesso generalizado a processos em segredo de justiça..
 
Se a moda pega o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos organizarão o seu congresso numa estância de neve da Suíça, o sindicato dos investigadores da PJ poder escolher entre a Bretanha e o hotel de gelo na Finlândia. Qual será o gestor de bom senso que recusará um patrocínio ao pessoal do fisco ou o criminoso que se arma em forreta se o pedido vier da PJ.
 
Não admira a generosidade do sindicato para com os jornalistas, vem na tradição da generosidade que a justiça portuguesa tem para com os jornalistas, dão-lhe cópias dos processos e um dia destes ainda vão inventar investigações para combater a crise que a imprensa está a atravessar. É evidente que na hora de opinar sobre a escolha do próximo procurador-geral os jornalistas não esquecerão de qual tem sido o grupo de pressão que os tem ajudado e ainda os convida para encher a mula num hotel de cinco estrelas.
Corrupção? Não senhor, corrupção é só o que está previsto no Código Penal. Isto é só pouca vergonha.

05 março, 2012

Ainda há quem reme contra a corrente

Óscar de Mascarenhas, provedor do leitor do DN, assina um artigo de opinião em que arrasa uma hipotética notícia dada à estampa por Francisco Almeida Leite a que a direção do jornal dá cobertura como se tal notícia fosse verdadeira, comprovada e fosse o espelho da realidade e não apenas uma versão governamental sobre direitos de trabalhadores que estavam entao em greve.
Para além de levantar a questão sobre a maneira de fazer jornalismo naquele diário, avisa que por aquelas bandas, palavra de governantes não se discutem e são verdades indiscutíveis.
Provedor de um jornal que se preze não poderá ter outros critérios para além dos jornalísticos, mas, pelos vistos, há muita gente por aí que o critica por este ter tomado tal posição, quiçá por ter denunciado o mau jornalismo e a pouca vergonha noticiosa que grassa neste país um pouco por todo o lado manchando jornalistas honestos e confundindo-os com publicitários profissionais que titulam a publicidade de jornalismo, mesmo que este se evidencie parcial, tendencioso e mentiroso.

03 março, 2012

Racismos

Anda por aí uma nova onda de políticamente correto que já se atira ao Azeite Gallo e ao Houaiss, que aparecem acusados de racismo por amantes duma novilíngua que venha substituir o bom e velho português que lá se vai aguentando.
Recordando o tempo em que havia séries e filmes que metiam o(s) pretinho(s) (ou devo dizer negrinho(s)) só para dar um ar de pluralidade racial, vejo-os substituídos agora por outras séries e filmes onde metem um branquela (ou deveria dizer branco) que fazem exatamente a mesma coisa.
Como diz o Manuel Pina, e passo a citar deverá "A língua portuguesa, por exemplo, seria limpa do uso de "judeu" ou "escocês" no sentido de avarento, "judiarias" no sentido de maldades, ou ainda de expressões como "trabalhar como um negro", "trabalhar como um mouro", "trabalhar como um galego", "gozar como um preto", etc.. Isto é, seria limpa da sua História. E, já agora, porque não limpar a própria História dos factos feios e deixar só os bonitos e "correctos"?"
Se calhar é isso.
Os benfiquistas deixarão de ser lampiões, os sportinguistas lagartos e os portistas dragões; a cãozoada deixará de poder ser utilizada para significar um grupo de amigos que se juntam em bando, um garoto não mais podertá significar indivíduo malcriado e atrevido e nem sei se lhe poderá ser atribuída a definição de bebida, pois como resulta da mistura de café com leite ao pedir um garoto escurinho alguém pode pensar que o que eu quero é um miúdo bronzeado ou mulato para me divertir em brincadeiras perigosas!
A parvoeira do politicamente correto e dos significados da língua e da sua utilização deverá ser feita não por dicionários ou prontuários mas por decisões judiciais e se ninguém nos acudir qualquer dia um no AO ainda vai necessitar de um DL para se poder criar um neologismo.
Deus os guarde para sempre longe da nossa vista a estes pobres defensores da esterilização estética.

01 março, 2012

Traduttore, traditori

Há muito que venho criticando as muitas traduções que eminentes licenciados (em quê?) fazem, pagos a peso de ouro e distribuídos por empresas que ganham bem sem sequer o fazerem bem.
Ontem, mais uma vez, na legendagem de um filme, foram-me apresentados dois novos pintores por um(a) tradutor(a) que não deverá saber ao certo o que andará a fazer e mesmo assim foi remunerado(a) pelo mau trabalho que faz.
Desta feita calhou ao Carvagio e Michelângelo serem dados como pintores famosos!
Se queriam escrever os seus nomes em italiano, faltaram letras num e acentuação a mais noutro, se os quiseram traduzir para português, a fazer asneira continuaram.
Mas como agora aos licenciados, pelos vistos, não lhes é pedida cultura nem conhecimentos gerais basta saberem um pouco do mester que escolheram, talvez tudo esteja certo...
Que lhe perdoem os dois Michelangelos, o estropiarem-lhes parte dos nomes!

Uma boa explicação!

Explicação da Eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

29 fevereiro, 2012

Intervalos

De vez em quando gosto de estar uns dias sem nada dizer ou escrever. Anseio por pegar de novo no teclado para dizer que algo mudou para melhor mas o ritmo alucinante do dia a dia, por vezes, não permite a distanciação refletiva que leve a uma melhor perceção da realidade.
Nesses dias refugio-me nas minhas diversões que, muita das vezes, me levam à descoberta de novos poetas, novos excritores, novas músicas e ambientes diferentes, estados de alma muito menos macambúzios que o habitual.
Infelizmente nestes últimos dias, no País, nada de novo se regista para além dos contínuos disparates, mentiras e omissões do costume pelos responsáveis pelo (des)governo em que vivemos.
O intervalo de alguns dias apenas me beneficiou a mim mesmo de evitar ler e constatar que mais do mesmo é distribuído em generosas doses pela pasquinada habitual.
O povo geme, a banca ri-se, a ruína acomoda-se, o (des)governo diz que governa, o PR contradiz o que há pouco disse, o país afunda-se.
No meio de tudo isto, ainda há quem acredite que estamos no bom caminho, ou seja, os otimistas ainda não morreram todos.

24 fevereiro, 2012

A justiça e os justiceiros

Ultimamente aparecem nos jornais conclusões de tribunais que contradizem aquilo com que os jornais vão noticiando (ou deverei antes dizer intoxicando) as gentes deste país.
Logo um coro clama que os juízes não sabem o que fazem, que o que se assiste é um arremedo de justiça, que a justiça está podre e outras patetices do género.
Que a justiça não anda bem, é um facto indesmentível a começar pela salgalhada que esta ministra já começou a fazer.
Que alguns dos seus agentes fazem com que o espetáculo que vão dando com as suas posições, escritos e entrevistas em nada ajuda a justiça nacional é outro, mas a partir daí armarem-se em justicialistas de pacotilha sem sequer terem conhecimento da Lei ou dos factos transmitidos no processo para se arvorarem em juízes NÃO!
De vez em quando é tempo de dizer já chega de julgamentos na praça pública.
Deixerm a César o que é de César e vão procurar notícias onde existam ou então investiguem, mas a sério e não ao faz de conta habitual que se apoia mais nos parece que, ou são simples vendettas armadas por gente mesquinha que graças a uma carteira que diariamente desrespeita clama por liberdade quando o que quer é libertinagem ou por justiça quando o que quer é circo.

23 fevereiro, 2012

Um quarto de século


Felizmente, vi-o, ouvi-o e cheguei a fugir por uma janela numa célebre rusga da Pide que invadiu as instalações onde se realizava uma espécie de concerto.
Ainda não tinha sido rotulado disto, nem daquilo, era apenas mais um cantor que se expressava contra o regime de então e ainda estava na sua fase pura.
Recordar a sua música é uma obrigação, principalmente agora que ela volta infelizmente a ter uma atualidade que julgava eu não voltar mais.

Ser bom aluno

Nos meus tempos de estudante, ser bom aluno dava direito a ir para o Quadro de Honra, ser dispensado dos exames, não ter de pagar propinas, ter bolsas de estudo, etc.
Era esse o pagamento duma sociedade reconhecida que premiava o esforço e a dedicação.
Hoje em dia o (des)governo que preside ao destino do País, manda-nos ser bom aluno, mas em vez de nos dar prémios estimula-nos com castigos diversos.
Aumenta a água, a eletricidade e transportes, como se esses não fossem bens essenciais. Pune-nos com um agravamento do IVA, do IRS, do IMI e de muitos mais e em contrapartida obriga-nos a pagar mais por uma saúde com menos condições, por uma escola com menos qualidade e agora até quer impor uma taxa sobre o conhecimento.
Mas temos de ser bons alunos afinal para quê?
Para termos menos emprego, ver serem-nos levadas as poucas empresas rentáveis que ainda tínhamos, assistir à destruição do nosso tecido produtivo e rezar para que chova?
À medida que nos tornamos melhor alunos o PIB desce e os juros dos empréstimos sobem!
À medida que mais estudamos perdemos subsídios há muito conquistados e por muitos merecidos!
À medida que melhor nos portamos mandam que nos rojemos perante o capital e a nova casta dirigente!
Aqui chegados, alguém me quer explicar qual será o meu interesse em ser bom aluno?

21 fevereiro, 2012

Competências e esquecimentos

Pelos vistos o governo liderado pelo competente Coelho, esqueceu-se de avisar o competente Gaspar de que era preciso ouvir a Comissão de Acompanhamento das Privatizações antes de vender o BPN ao BIC.
O mesmo competente governo, ao abolir a Terça-feira gorda como dispensa de ponto para a função pública, esqueceu-se de que era preciso combinar, com as empresas tuteladas pelo ministério do competente Álvaro, as necessidades para as suas deslocações e deixou que os STCP, Carris, Metro e quejandos fizessem horários de feriado dificultando assim um pouco mais a vida dos funcionários públicos que irão trabalhar.
Ainda no domínio dos esquecimentos, o governo português exercendo as suas competências, esqueceu-se de se colocar ao lado dos países europeus que como a Inglaterra, Itália, Noruega, Polónia, Espanha, Irlanda, República Checa, Estónia, Letónia, Suécia, Finlândia e Eslováquia que querem uma Europa em clima de crescimento, preferindo ficar ao lado da Alemanha, França, Áustria, Países Baixos (são mesmo baixos) ou Roménia, que preferem novos laços com a democrática China e Rússia e os tradicionalmente preocupados apenas com o seu quintal Estados Unidos da América do Norte!
Destas competências e esquecimentos parece que o PR não as vê, nem sequer se apercebe delas, t5ão preocupado anda com as indisponibilidades que ultimamente o têm assaltado.

20 fevereiro, 2012

Citações (LVII)

A prudência dos cobardes assemelha-se à luz das velas; ilumina mal, porque treme.  

Victor Hugo

A censura alemã

Se anda para aí tanta gente a bater a mão no peito e a jurar que a liberdade de imprensa é um bem universal, porque raio de ideia é que o repórter da TVI que gravou a inocente conversa entre um ministro alemão e um português leva a que este seja afastado sem mais explicações?
Pelos vistos a inócua conversa - segundo Gaspar - não seria tão inócua assim, ou será pela TVI ser portuguesa, país que tem um PM que tudo engole à Merkel e agora nem sequer uma palavra diz sobre este atentado à liberdade da informação!
Estranho também, que o sindicato dos jornalistas, as centrais sindicais e os partidos políticos achem que nada disto tem a ver com eles, mostrando apenas e mais uma vez que os interessezinhos se sobrepoem aos interesses éticos.
Claro que se fosse uma moticiazinha sobre quem a gente sabe, já toda a comunicação social e muitos jornalistas andariam aos saltos, muitos blogues gritariam contra a censura, nomeadamente os que acham que a MMG fazia jornalismo, e a HFM e o ativo JMF já teriam escrito laudas sobre o assunto, mas como é apenas um colega da TVI o silêncio é ensurdecedor.
Mais uma vez a Alemanha impõe critérios aos seus parceiros e estes baixam as orelhas obedientes, o que é que lá estão a fazer o Durão Barroso, o von Rompuy e os deputados europeus afinal, se as liberdades não estão nas suas preocupações imediatas?

19 fevereiro, 2012

Para memória futura

Ainda sou do tempo em que um tabefe dado a tempo e oportuno fazia melhor do que dez palestras assistidas pelo melhor psicólogo infantil.
Nessa altura quando andavamos à pancada, não apareciam fotografias nos jornais, filmes no You tube e gentinha a comentar sobre o "bullying".
Um que fosse mais anafado era apelidado de "gordo" ou "bolinha", alguém que usasse óculos era um "caixa de óculos", uma rapariguita mais escanzelada era conhecida por "Olívia Palito" e tudo isso fazia parte da nossa transição da inf|ancia para a idade adulta.
Os paizinhos n\ao eram chamados a reuniões na escola a não ser que os meninos andassem selvaticamente a destruir a propriedade comum ou a manifestar comportamentos anti sociais, os cont[inuos eram respeitados e mantinham a ordem nos corredores e recreios, os professores tinham autoridade q.b. para manterem a disciplina nas aulas e os que n\ao tinham eram gozados de fininho pela malta toda.
Havia uma esquadra de polícia de x em x metros, e quando rebentava uma altercação, era fácil encontrar um ou mais agentes da autoridade que convergiam para o seu apaziaguamento/solução.
Acompanhavamos os pais nas excursões ao Palácio de Cristal, à Feira do Livro ou aos eventos mais interessantes, frequentávamos os museus e biobliotecas e também brincávamos nas linhas do caminho de ferro e jogávamos à bola feita com as meias velhas das irmãs/tias/mães e demais elementos do sexo feminino.
Tínhamos como leitura infantil uma secção dos jornais aos Domingos, com o reizinho, o Flash Gordon, o Dick Tracy, o Johnny Hazzard ou o Santo, eram-nos dados livros com contos dos Irmãos Grimm, do Hans Christien Andersen, do Lewis Carroll, da Sophia de Mello Breyner, do Monteiro Lobato, e tantos outros que me desculpo por não escrever aqui.
As famosa fábulas do La Fontaine ou a história da Nau Catrineta eram declamações obrigarórias em récitas, fossem elas familiares ou não.
Crescemos a ler o Tintin, o Pato Donald e a respetiva família, o Mickey, o Piu-Piu, o azarado coyote, as aventuras dos Vaillante, o Zorro, o super-Homem e outros.
Tudo isso fez de muitos de nós o que somos agora, amantes de boas leituras e de equilibrada poesia, pessoas paraa quem a televisão é uma mera faceta de divertimento e informação e não a Bíblia, que ainda se recordam de alguns princípios humanísticos e os aplicam no seu dia a dia, que se interessam pelos outros e que afastam a visão umbiguista da decadente sociedade atual.
Por esse mesmo motivo, sinto sempre um certo amatgo na boca, quando vejpo serem notícias de primeira página casos que há uns anos eram apenas questões acidentais, enquanto o que é importante é deixado debaixo do tapete e escondido porque se tem medo de falar nele.
A sociedade tem vindo a regredir a passos largos.
A evolução trouxe consigo a apologia do facilitismo, do sensasionalismo, do imediatismo.
O tempo do sonho, do olhar para o próximo, das obrigações sociais da empresa e dos cidadãos parecem ser um discurso que a ninguém interessa.
Assim sendo, quantop mais depressa este estado de coisas descambar numa renovação melhor, será bom que este (des)governo que da Europa nos chega cumpra o seu desiderarto e que finalmente possamos novamente tomar o nosso destino nas mãos, no seio de uma sociedade mais limpa e mais atenta aos valores morais e menos interessada nas roupagens do novo riquismo que nos abafa.

17 fevereiro, 2012