11 novembro, 2008

Indemnizar

Ontem, no programa da RTP Prós e Contras, vi alguns senhores dissertarem sobre o acto de indemnizar, clamando que quem comete erros deliberadamente não deve ser indemnizado!

Isto, a propósito do último folhetim da moda que dá pelo nome de nacionalização do BPN.

Até a Fatinha se mostrou agastada por haver direito a ajuste de contas, no caso de os prevaricadores serem pessoas que detenham investimerntos sobre o banco onde causaram dolo.

Pois, é tudo muito bonito, mas ninguém lhes explicou que o direito à indemnização é o resultante do dever de indemnizar existente nas sociedades onde vigora a democracia? Ou será que queremos regressar às nacionalizações selvagens?

Será que um trabalhador que seja despedido por meter a mão na caixa, já não terá direito à indemnização, igual às verbas não pagas a que terá direito pela cessação do contrato, nomeadamente as proporcionalidades já vencidas de férias , subsídios de Natal e quejandos, ou será que deverá ir direito para a rua, sem nada mais ter a haver senão pagar o que roubou?

Que dizer então dos políticos que fazem deliberadamente leis atamancadas para depois ganharem balúrdios, quer através dos pareceres solicitados aos respectivos escritórios de advocacia ou gabinetes técnicos que possuem, ou onde prestam serviços, quer através de avenças exorbitantes pagas por consultadorias de duvidosa eficácia, dos árbitros que apitem com dolo, dos juízes que condenem inocentes, dos jornalistas que publiquem noticias falsas, etc., etc. etc....

Vem tudo para a rua sem direito a indemnização e reforma, ou será apenas para os do BPN?

Voltei

Até porque já chega de descanso. Mas voltei principalmente porque sinto-me triste por ver que tudo continua como dantes, passados que são já nove meses de interregno.

Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, aforismo popular que vem a propósito, muito embora haja cá em casa gente que tem pão a mais (poucos) e gente que não tem sequer pão (bastantes, e em acelerado crescimento).

Agora que o tempo arrefece e as castanhas aí estão - cada vez mais caras - saborosas e olorosas. penso ser tempo de aquecer os motores e botar palavra.

Veremos no que isto dá!

04 fevereiro, 2008

Recusando a morte



Poesia caipira

Vô contá como é triste vê a veíce chegá,

Vê os cabêlo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê “aquilo” esmoreceno, sem força prá levantá.

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As oiça vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pulmão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
Correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
Porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça .


Mão amiga fez-me chegar via e-mail e como é Carnaval.

18 novembro, 2007

Pois é

Pus-me a ver filmes e a ouvir a Dulce Pontes e deu nisto...

Eu escrevi esse texto quando vi Cine Paradiso pela milionésima vez, em fevereiro de 2003:

Eu deveria ver esse filme pelo menos uma vez por mês. Só para ter o horror de saber que a vida é verdadeira, como o NN diz. Ou como ele cita - acho que Fernando Pessoa, não tenho certeza.

Cine Paradiso

Eu não vou conhecer todos os lugares que desejo, nem tudo e todos que quero. Não posso viajar no tempo. Não consigo acabar com a saudade, nem conseguirei. Eu vou morrer algum dia. "O cinema é só um sonho", diz um personagem quando o Nuovo Paradiso é destruído. E eu choro, como já estava fazendo desde o começo do filme e continuo até meia hora (ou mais) depois do fim. Vou até o banheiro, lavo o rosto e tento esquecer novamente que a vida é verdadeira, fugir um pouco do horror, só um pouco: o sentimento, músicas, filmes, livros, amor. Estranho como eu tento amenizar esse horror, de saber que a vida é verdadeira, ao observá-la assim, em sonhos. E de um sonho pode-se dizer tudo, menos que é mentira - como já disse o Ernesto Sábato. É, é isso mesmo: eu só consigo fugir dessa verdade quando a encaro de frente. Mas preciso me lembrar disso com um pouco mais de freqüência.

Nessa época eu era uma estudante de cinema. Sim, eu já fui uma estudante de cinema. Agora parece que foi em outra vida; mas faz só cinco anos. Provavelmente eu fui a estudante de cinema mais relapsa que já existiu. Provavelmente eu não nasci para ser cineasta. Provavelmente o meu amor pelo cinema não venha tanto das imagens, mas das histórias -- o que me torna, definitivamente, uma estudante de cinema desnaturada. Mas o que ninguém pode negar é que sempre fui apaixonada, completamente apaixonada pelos filmes. Ainda assim, eu acreditava que já estava imune a certas coisas. Uma dessas coisas era ouvir a trilha sonora que o Ennio Morricone fez para Cine Paradiso e não chorar. E sim, eu estava redondamente enganada.
por Marcele Fernandes as 20:24:46

in, Eclipse

28 setembro, 2007

Férias

Parece-me que tirei férias a mais, vamos a ver se é desta que regresso.

Nunca pensei escrever isto

Parabéns Santana Lopes.

22 julho, 2007

Ainda há quem se admire...

Rio não participa no «Porto Bike Tour» como forma de protesto contra fim do Porto Feliz (in O Primeiro de Janeiro de hoje)

Mas onde estará a surpresa?!

O homem gosta é de andar de automóvel, e, quanto mais antigo melhor.

O Porto Feliz acabou, não por causa da atitude do IDT, mas por causa da repetida teimosia do presidente que se nega a aceitar qualquer proposta daquele organismo, desde que diversa da que pretende, uma vez que o IDT fez várias propostas que estavam em sintonia com os desejos dos técnicos que gerem a Porto Feliz e - sempre e exclusivamente ele - a todas recusou liminarmente!

Claro, que lhe faz imenso jeito arranjar um bode expiatório para o enterro do abcesso que criou, quando decidiu encerrar o programa existente na cidade, da autoria do Fernando Gomes. e o substituiu por este seu programa, que segundo garantia na época, eliminaria, no prazo de um ano, os arrumadores toxicodependentes da cidade, e dava como garantia, não a sua, mas a cabeça do seu então amigo e apoiante Paulo Morais, no prato da execução a ser servida se tal desiderato não fosse cumprido.

E não foi.

Ninguém então se demitiu, como fora prometido, ninguém avançou sequer com explicações, e as contas do que foi gasto e do que foi alcançado permanecem no segredo de relatórios a que não há público acesso por vontade do agora protestante!!!

O que se sabe, é que os arrumadores toxicodependentes por cá continuam, alguns mesmo à porta da resdência do autarca e arruamentos circunvizinhos, mau grado as tentativas de expulsão por parte de forças policiais.

O programa falhou. Ponto final, parágrafo.

Se a seriedade fosse atributo deste cavalheiro, talvez fosse mais fácil para mim compreender as razões do falhanço, mas como infelizmente - para mim - não basta à mulher de César ser séria, continuo a aguardar (sentado, pois corro o risco de me cansar) as provas da seriedade deste inteligente e manipulador político, que propagandeia ser defensor dos fracos e oprimidos, mas que pouco tem contribuido para o seu bem-estar, preocupado como está em dar à cidade os espectáculos de entretenimento de encher o olho, e deixando escapar por entre os dedos a população residente, criar-se um muro de betão e movimento envolvente ao parque da cidade e manter a Baixa e o Bolhão longe dos seus dias mais felizes.

E como o faz bem.

Ainda há pouco tempo, apenas com uma singela medalha de ouro calou definitivamente uma voz que começava a tornar-se um pouco incómoda...

Alguém adivinha de quem era?

16 julho, 2007

Saloiada

De excursão, despejados em frente à porta de um hotel, diziam honestamente de onde vinham e não sabiam ao que iam!

Não me admirei muito, mas fiquei triste por ver o PS fazer o mesmo que tantos fazem e que agora despudoradamente apontam o dedo acusador.

Como a espontaneidade continua igual ao que era antigamente!!!

02 julho, 2007

De vez em quando...

... tenho de me ausentar mas volto breve...

27 abril, 2007

Do homem que eu gostava de ver na CMP

Para ler com atenção.

Um decálogo inquietante

No Lote 5 - 1º Dto. encontro este aviso perturbante.

Ler com atenção.

Primeiro vieram prender os judeus...

(do poema atribuído ao Pastor Martin Niemöller)

Discurso redondo

É deveras interessante ver como rapidamente somos acusados de utilizar um discurso redondo, sempre que nos referimos a algo que, sendo verdadeiro, é tido por insignificante na óptica do beneficiado.

Vem isto a propósito de um comentário que inseri num blog amigo, que em interessante post acusava de provincianismo a antiga mui nobre sempre leal e invicta cidade do Porto, acusando os seus habitantes de se sentirem desconfortáveis em relação aos lisboetas.

Claro que medidas, de proteccionismo à capital, tão disparatadas como a que não permitiu a uma famosa casa bancária, nos idos de sessenta, se transformar em banco por pretender ter a sua Sede no Porto, não passam de discurso redondo, assim como o desaparecimento por migração/fusão das sedes de algumas instituições financeiras, ou na diferença de tratamento que tiveram as decisões sobre o lançamento de projectos na rede de transportes públicos urbanos, na diferença de tratamento entre as duas cidades nas acessibilidades rodo-ferroviviárias (quem se lembra dos trinta anos que levou a completar a A1) para já não falar no desenvolvimento fluvial inexistente a Norte, na constante prática de sub-valorização de retribuições para uma mesma prática funcional, no esquecimento do desenvolvimento escolar de que é exemplo a faculdade de Direito, que só aparece no Porto em 1978 pela mão da Católica e só 16 anos mais tarde na UP - mas quem quiser aprofundar o assunto das diferentes faculdades é só querer e constatar as diferenças.

E de quem será a culpa?

Dos lisboetas certamente que não é, daí não serem eles os responsáveis por tal situação, mas tentar fazer de conta que ela não existiu, e de que não teve perniciosa influência na evolução das duas cidades, é a mesma coisa que dizer que antes do 25 de Abril estava tudo bem, e que ninguém era preso por delitos de opinião.

Ainda hoje, é ver os exemplos que a governação ainda dá, até na colocação das agências europeias.

Enquanto na Alemanha, Grécia, Espanha, França e Itália se distribuem por cidades que não a capital, por cá, as duas existentes EMCDDA e EMSA ficam-se por Lisboa!


E que dizer da diversidade de tratamento que é dada nas áreas da cultura, espectáculo ou lazer?

Quando tantas vozes se levantam a clamar que o conceito utilizador/pagador deve ser aplicado a todos porque não falar nas indemnizações compensatórias que do erário público saem para, por exemplo, o Metropolitano de Lisboa e para o do Porto?

Será que é o provincianismo portuense que faz deslocar para Lisboa as sedes das empresas, nomeadamente as da comunicação social?

Será que é o discurso que é redondo, ou que a política seguida desde o tempo do D. Manuel I é que tem apenas um sentido?

O centralismo por vezes ofusca os sentidos, e muitas vezes quem mora na capital ou arredores, esquece-se que há mais nove milhões para além deles, e que no Porto estão alguns naquela que já foi a segunda cidade do País, mas que por força de politiquices absurdas, cada vez mais se afasta desse lugar a velocidade mais elevada do que a que tem afastado o País do centro da Europa a que pertence por obrigação geográfica.

26 abril, 2007

Jines

De visita à Carlota, dei com esta palavra (?) recomendada para substituir as velhas jeans, num local tão sério como o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa!

De começo, fiquei um pouco surpreso com o neologismo/barbarismo que invadiu, mais uma vez, a nossa língua, mas dei comigo a vasculhar o glossário lá do sítio, para verificar se mais malabarismos linguísticos apareceriam à superfície.

E lá estão, um pouco por todo o lado, contrariando até opiniões expressas no mesmo site em ocasiões diferentes, vide, por exemplo, a palavra personagem, que no seu glossário é recomendada ser usada no género feminino, negando-se a possibilidade de o fazer no masculino, quando em 11.02.2003 já Susana Correia no artigo Personagem: masculino ou feminino dizia o contrário, ou que na sua Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e Lindley Cintra, na página 197 afirmem : Diz-se, indiferentemente, o personagem ou a personagem com referência ao protagonista homem ou mulher.

Mas neste Glossário, infelizmente, mais coisas esquisitas por lá encontramos, o que quererá dizer que até no melhor pano caem nódoas, como poderá constatar-se ao ver escarrapachadas palavras como futebolês, além/aquém como se fossem apenas usados como prefixos, que não se pode escrever desde Moscovo, ou desde a Bairrada, mas sim de Moscovo ou da Bairrada, que não se pode dizer estratega (!), opina por maqueta em vez de maquete, mas já não o faz em magnate, que admite ser o mesmo que magnata, e por aí fora.

Claro, que quem sai a perder são os que como eu não compram jines, mas apenas calças de ganga ou então apenas umas levis, mesmo que sejam de outra marca qualquer, que continuam a usar uma 1-2-3, mesmo que não seja da Moulinex, fazem marmelada com a ajuda de um passe-vite, ou fazem bricolagem com um Black & Decker mesmo que seja da Bosch.

Depois, ainda querem que nos telejornais e noutros media não brinquem à séria
com a língua de Camões, parindo neologismos e barbarismos a torto e a direito, quando não são apenas anedóticas tolices, ou, simplesmente, erros crassos de português elementar.

23 abril, 2007

Não há meio

de me poder reconciliar com os revisores dos jornais, nem sequer com os jornalistas.

É sagrado... chega o fim-de-semana* e zás... lá estão as aborrecidas gralhas a esparramar-se pelo papel, a fazer-me comichões por todos os lados, conjuntamente com os textos de opinião de jornalistas que teimam em não entender o óbvio, sempre que este se lhes assenta sobre as espáduas.

O mal grassa em todas as publicações, desde as deliciosamente humorísticas revistas ditas do coração, passando pelas dos mexericos, atravessando a pasquinada desportiva, saltando alegremente nos jornais diários e aterrando nos insuspeitos semanários e revistas a dar para o sério.

Numa altura em que decorre uma campanha para a miudagem (e não só) passar a ler mais um bocadito, não deverá a imprensa passar a ter mais cuidado no que deita cá para fora.

Não acharão os bem remunerados directores que se podiam/deviam ocupar dessas coisas em vez de se andarem a ocupar com outras minudências.

* Só ao fim-de-semana é que me dou ao luxo de comprar os ditos jornais, revistas e tudo que dê para entreter os tempos mortos.

18 abril, 2007

Francamente!

Mais 33 entregaram a alma ao Criador - 32 certamente sem ter direito a opinar - numa manifestação de irracionalidade facultada pela legislação apoiada pela maioria dos estado-unidenses.

Neste cantinho europeu, há logo os que aparecem a defender o american way of life e os que, de imediato, o criticam apenas por ser americano, esquecendo que há outros americanos na América do Norte, que detendo armas de caça e defesa em número considerável, estão longe de apresentarem situações como a desta semana.

Claro que me estou a referir ao Canadá.

Com mais de 7 milhões de armas (dados de 2004 - 6.984.485) para cerca de 32,6 milhões de indivíduos, está a grande distância do seu vizinho, que para menos do dobro da população terá 28,5 vezes mais armas, ou seja mais de 200 milhões, segundo esta notícia.

Será que estes americanos, nem pela proximidade se contagiam?

Também oportunamente logo soaram manifestações de pesar, quer da parte dos atingidos que se salvaram, quer de outros que se solidarizaram com as vitímas e suas famílias, logo apoiadas por um presidente que gosta de recorrer a elas sempre que lhe dá jeito.

Estranho, mas mesmo muito estranho, é a NRA ainda estar a aguardar para se pronunciar sobre o assunto! Não saberá que se não existisse a facilidade de comprar armas que defende este estudante ora morto poderia apenas ter andado à pancada com alguém?

E que dizer da segurança de uma Faculdade, que depois de tantos sinais de aviso lançados pelo jovem assassino, continuou a olhar para o lado mais preocupada com o budget anual do que com a segurança dos seus alunos e professores?!

Ter armas de defesa ou caça é uma coisa, poder adquirir armas de guerra apresentando apenas uma identificação e por vezes nem isso é no mínimo escandaloso para não lhe chamar outra coisa ainda pior.

Mas há quem defenda este tipo de hábitos! Alguns porque não fazem intenção de pôr os pés no Estados Unidos, outros porque não se importam de quem morre inocentemente, outros ainda - os piores - que o fazem apenas como defesa de um ponto de vista meramente casual e/ou para alinharem com um grupo de opinião.

Posto isto, só me resta repetir o título desta opinião - FRANCAMENTE!

16 abril, 2007

Confusões

Hoje cá recebi mais um exemplar da revista da CMP - Porto Sempre - que me proporciona sempre algumas divertidas surpresas.

Desta feita, foi uma conversa com o Filipe La Feria que me tirou do sério, pois este insigne encenador, que, pelos vistos, também foi professor da UI, decidiu que a ópera-rock Jesus Cristo Superstar, é o maior clássico do teatro musical de todos os tempos.

Para além do disparate que é a afirmação do encenador, qualificando o musical de modo absoluto, como se o seu dixit fosse uma verdade irrefutável, que dizer de outras obras como My Fair Lady, West Side Story, Musica no Coração, Hello Dolly, Hair, Evita, Porgy and Bess, Violino no Telhado, Cats, Cabaret, O Fantasma da Ópera ou Godspell, e isto só para citar alguns dos grandes!

Talvez ainda um dia, alguém consiga explicar a este brilhante encenador que a poesia não é facilmente transposta para outras línguas, uma vez que se vai perder na tradução a musicalidade da inicial.

Imaginem traduzir isto:

In Xanadu did Kublai Kahn
A stately pleasure-dome decree,
Where Alph, the sacred river ran
Trough caverns measureless to man
Down to a sundless sea.

...

De KUBLA KAHN de Samuel Coleridge

Em Xanadu Kublai Kahn fez
Um impressionante estádio de prazer por decreto
Onde o Alfa, o rio sagrado corre
Através de cavernas impossíveis de medir pelo homem
Para baixo até um mar sem Sol.

Fiz-me entender?

15 abril, 2007

20%

Hoje no JN lá vem a desagradável notícia:

- Em Portugal, 20% da população está abaixo do limiar de pobreza.

Claro, que vamos ficar indignados, vociferar contra o governo, falar sobre o assunto com alguns amigos, e esquecer rapidamente o assunto, pois tristezas não divertem ninguém, voltaremos lestamente aos resultados do futebol, ao diploma do primeiro-ministro, às telenovelas do costume e a sonhar com as férias que estão para aí a aparecer pois o tempo é primaveril.

Esquecemos facilmente que cerca de dois milhões de portugueses nem sequer de pobres podem ser chamados, pois vivem na miséria mais abjecta e certamente que não será por opção própria.

Esquecemos que poderíamos contribuir um pouco para que essa miséria fosse desaparecendo, contribuindo activamente para tantas obras de apoio que tentam chegar a essa população, carente e frágil, que não se cruza connosco, pois vive longe da nossa vista e do nosso olfacto.

Esquecemos que temos roupas e sapatos enfiados em armários e arrecadações a apodrecer, e que poderiam servir para abrigo de alguém, ou que são simplesmente deitados ao lixo pelos mais insensíveis.

Esquecemos simplesmente que até na pobreza somos pobres, mais pobres que os restantes europeus.

Mas, quando por vezes vemos algum desses miseráveis que fazemos?

Já pensou nisso?

11 abril, 2007

Já lá vai algum tempo...

...que por aqui não aparecia.

Ora muito bom dia, meninos e meninas que por aqui apareceram e/ou mandaram recados.

Embora tardiamente, um bom ano para todos, pois este parece querer continuar a correr com falatórios sobre o acessório deixando para trás, como é hábito, o essencial.

Hoje há noite há festa de arromba, pois irá ser notícia de televisão um dos grandes problemas nacionais - o canudo do primeiro-ministro!

Claro que há por aí uma meia-dúzia de outros pequenos problemas tais como a falta de assistência a idosos, a pobreza que se estende pela classe média, a incultura da nossa juventude (pois a dos mais velhos está à vista todos os serões na RTP 1), a falta de vitalidade do nosso comércio, a desertificação do interior, a apatia da generalidade dos nossos industriais, a macrocefalia da Região de Lisboa e Vale do Tejo, a falta de segurança nas estradas e vias públicas, a pobreza do discurso da generalidade da classe política, a corrupção generalizada, a violência nos estádios de futebol, a violência nas escolas, a inoperância da justiça, etc., etc., etc....

Iremos ficar mais descansados e com perspectivas de um futuro mais risonho se passarmos a saber se, o "sinhor inginheiro", teve ou não estas ou aquelas cadeiras, fez ou não fez um tal mestrado, ou ainda se tem fotocópias de todos os certificados e exames que fez, aliás, como é hábito de todos os portugueses, que guardam em casa, ciosamente, tais tipos de provas que atestem o seu grau académico.

Num País em que ser doutor ou engenheiro dá direito a tratamento especial não é de admirar, mas já era tempo de termos andado um pouco mais para a frente.

Até qualquer dia.

20 dezembro, 2006

Bom Natal para todos

Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

17 novembro, 2006

Duas notícias interessantes

Arvoredo

A Câmara Municipal desta cidade, durante o pouco tempo da sua gerência, que foi zelosa e ilustrada, não deixou de atender a uma das coisas que mais embelezam uma cidade, como é o arvoredo. O número total de árvores plantadas ultimamente foi de 628 - sendo 161 nas praças, 167 em diferentes ruas e 300 na estrada da Foz.

ARVORES QUE FORAM PLANTADAS, conforme acima está escrito:

Praças e Largos

Bolhão e Aguardente ................................................ 50 freixos
Santo Ildefonso .................................................... 7 vinháticos
Batalha ............................................................... 34 austrálias
Batalha ................................................................ 2 vinháticos
Congregados .......................................................... 2 negrilhos
S. Bento das Freiras .................................................. 2 chorões
Santa Teresa ........................................................... 25 acácias
Viriato ................................................................. 16 vinháticos
Ribeira ..................................................................... 15 freixos
Trindade .................................................................. 1 negrilho
Carmo ..................................................................... 7 plátanos

Ruas

Clérigos ............................................................... 4 negrilhos
Carmelitas ........................................................... 4 negrilhos
Ferreira Borges ..................................................... 2 plátanos
Ferreira Borges .................................................... 2 negrilhos
Ferreira Borges ....................................................... 3 ilantes
Quartéis .......................................................... 28 amoreiras
Olival ....................................................................... 4 acácias
Olival ....................................................................... 4 freixos
Restauração ............................................................. 23 faias
Restauração ...................................................... 24 negrilhos
Hospital ................................................................ 2 plátanos
Hospital ................................................................ 4 choupos
Passeio Alegre ..................................................... 59 acácias
Na estrada de Miragaia para a Foz ............. 300 choupos

Total ..........................................................628 árvores


-//-

Jantar

A Exma. Câmara desta cidade, ou antes, os cidadãos vereadores dela, mandaram, à sua custa, dar anteontem, um jantar aos presos das cadeias da Relação, aos calcetas e rapazes de calcetaria, ao Recolhimento dos Meninos Desamparados, ao das Meninas Desamparadas, aos pobres do Asilo da Mendicidade e ao Recolhimento das Convertidas.

A cada pessoa destas, diz o "O ECO", foi dado meio arrátel de carne de vaca, meio quartilho de vinho maduro, uma quarta de arroz, uma quarta de toucinho, maio arrátel de pão de trigo, feijões, etc.

Foi deste modo que Suas Excelências comemoraram o aniversário natalício de Sua Majestade o Senhor D. Pedro V.

As datas das notícas são, respectivamente, 11 de Março e 18 de Setembro de 1858, e era presidente da Câmara António José Antunes Navarro.


(do Boletim de 1982 3ª série, nºs 2 e 3 da Associação Cultural Amigos do Porto)

Que pena não se seguirem, actualmente, estes exemplos, com as devidas adaptações....

03 novembro, 2006

Justiça à portuguesa

Um jovem de 26 anos foi ilibado num tribunal português por ter disparado 26 tiros contra uma caravana política e forças da GNR, conforme nos relata o JN de hoje.

Não havendo grande admiração pela absolvição do arguido, uma vez que será inimputável, muito se estranha que o seu pai, detentor ilegal da arma, apenas tenha sido condenado numa multa de 750 €!!!

Isto quererá dizer o quê?

- Que poderemos ter em casa uma arma ilegal desde que não sejamos apanhados?

- Que mesmo que a arma seja utilizada por terceiros, por irresponsabilidade nossa na sua arrumação, o crime não é grave e menos de mil euros chegam e sobram para pagarmos a ilegalidade e irresponsabilidade da nossa actuação?

- Afinal porque é que nos havemos de cansar a tirar alicença de uso e porte de arma, pagarmos os seus custos e andar a fazer exames e demais papelada se poderemos encontrar um juiz compreensivo que nos multa em 750 € se alguém fizer borrada?!

Será isto lógico? E justo?

19 outubro, 2006

Eu já sabia

que ele era assim, com ideias arrumadinhas, algumas dúvidas, e sem grande sede de protagonismo, mas ao ouvi-lo ontem, no Porto Canal, lembrei-me de que estava ali um Homem, com ideias que poderiam muito bem assentar como uma luva a este País e a esta Região.

Creio que já sabem de quem estou a falar. Precisamente. É de facto dele, do Rui Moreira, o presidente da Associação Comercial do Porto, que tem feito alguns esforços para abanar a cidade e a região mas que, talvez por não ser associado de nenhum partido e ser sócio confesso do FCP, tem estado na sombra a que os poderes públicos e o público em geral coloca os que os incomodam.

Falou de várias coisas com interesse para a Região Norte, nomeadamente sobre a ferrovia, a interligação entre esta o aeroporto e o porto de mar; na metrópole que é o conjunto de Porto-Gaia-Matosinhos com as suas fronteiras burocráticas ultrapassadas e desnecessárias; no rio D(e)ouro que corre à nossa porta e entra no País vizinho e que está votado ao abandono nas suas vertentes de transporte e turismo; na incógnita do que é a cidade da Ciência para além de cabeçalho atirado para o ar, vazio de projectos e de orientação; na independência reivindicativa perante o poder central assumindo no entanto as suas responsabilidades na gestão do que só deverá ser pago e consumido pelos seus utentes, e muito mais.

Tendo dentro de casa gente assim, porque é que esperamos pelos partidos para nos indicarem quem é o melhor candidato para assumir a liderança das nossas ambições?

Aqui fica a questão, responda quem pode.

17 outubro, 2006

De passagem

pelo É DA VIDA dei com este texto.

Ler até ao fim, pois vale a pena.

Privatizar

Ouço um pouco por toda a parte, doutos e ignorantes, clamarem pela privatização disto e daquilo, com o estafado argumento de que só os privados é que sabem gerir bem, e que o sector público só serve para dar despesa!!

Cá no burgo, há quem defenda a privatização da gestão de espaços públicos (que bom que é gerir algo que não construímos) dando loas ao sôr presidente sempre que este decide enveredar por esse caminho.

Ninguém porventura se lembra de que, o que é importante, é pedir responsabilidades a quem dirige, em vez de colaborar com a incompetência e laxismo com que todos nós nos deparamos no dia a dia.

Quantos dos que por aí falam já escreveram num livro de reclamações por terem sido mal atendidos?

Quantos perderam tempo em escrever uma carta registada com aviso de recepção pedindo satisfações sobre algo que os incomodou ou lesou?

Quantos se abeiraram de um agente das forças de ordem disponibilizando-se para testemunharem sobre seja o que fôr ocorrido com terceiros na sua (deles) ausência?

Porque não pedem estas vozes clamantes pelas privatizações, que se privatize a recolha dos impostos, ou as inspecções fiscais?

E já agora, porque não privatizar o Governo, Câmaras e Juntas de Freguesia?

Alguém me explica porque é que o privado só é bom naquilo que ao privado interessa?

15 outubro, 2006

Masoquismo

Por um qualquer desvio aberrante que ainda não decidi analisar junto de especialista na matéria, continuo a alimentar as minhas tendências sofredoras lendo religiosamente o Público, todas as manhãs de Sábado, indo ao ponto de chegar a ler o que escreve José Manuel Fernandes(JMF)!

Neste Sábado, adquiri como habitualmente o jornaleco numa banca da outrora maravilhosa Esposende, onde Ruy Belo muitas vezes dialogou com as suas musas, e, surpreendido, constatei que o País se tinha alterado profundamente, pois pude ler na separata Público Local (Porto/Norte), que a "Frente ribeirinha de Lisboa está em risco frequente de inundação", que a "Câmara (municipal de Lisboa) constrói rotundas na Avenida de Ceuta" e que "a esplanada do D. Maria II não está licenciada"!!!!

Pensei que nesta coisa da regionalização, o JMF já deve estar na posse de algum segredo esquisito e que afinal a fusão que se deverá discutir não será a de Porto com Gaia mas a de Porto com Lisboa, pois assim teremos a cidade europeia detentora do recorde Guiness para a cidade com maior costa marítima, ou então no Público reina grande confusão sobre o que é regional e local o que torna a coisa mais grave.

Para além deste delicioso pormenor, continuo a constatar que os revisores do Público não devem ser portugueses ou então terão tido grandes cunhas para serem admitidos no jornal, ou ainda não existem, pois os erros de português, sejam eles de concordâncias gramaticais, ou até de palmatória, como se poderá ler num artigo de opinião de São José Almeida, que mesmo depois de ter ido consultar o dicionário da Academia de Ciências escreveu (ou mais grave ainda, alguém que copiou o seu artigo deturpou), o substantivo masculino suborno como soborno, no já mais do que habitual rol de asneiras que nos é dado num produto que é caro demais para o que fornece.

Mas, para fechar com chave de ouro o desastre, nada mais interessante do que ler um outro artigo do JMF em que ele concorda com Hanna Arendt, quando esta conclui que Eichmann era apenas um homem banal que era incapaz de distinguir o mal do bem, e que só procurou ser eficiente na tarefa que assumiu, que afinal foi tão só tentar o extermínio de uma etnia!!!

Chegados a este ponto, eu diria que teremos chegado ao ponto sem retorno - como se diz em aviação - e a partir daí só duas coisas poderão acontecer, ou um final feliz ou uma colossal catástrofe.

Eu, por mim, não acredito em finais felizes.

13 outubro, 2006

Consistências

Não tenho dúvidas que a consistência do queijo da ilha de S. Jorge está a anos-luz da consistência dos artigos do "grande" (porque gordo) JPP, depois de ler esta prosa no seu ABRUPTO.

Admira-se JPP de Adriano Correia de Oliveira, Ana de Castro ou Fernando Nobre estarem incluídos na primitiva lista do anunciado programa da RTP sobre os Grandes Portugueses, colocando-os em pé de igualdade com os futebolistas e treinadores da moda!

Por outro lado, acha que foi censurazinha atrevida a não inclusão do nosso ex-chefe do governo, Oliveira Salazar, chegando a chamar-lhe omissão... "... gritante de significado..." e concluindo que "uma lista deste tipo sem Salazar não tem pés nem cabeça"!!!

Será que o "grande", que a RTP escolheu para pôr no título do programa, quer dizer influente?

Se fôr esse o caso, claro que Salazar devia lá estar assim como mais uns bons milhares de outros que, de uma ou outra maneira, influenciaram os destinos deste país, mas o que me parece, s.m.o., é que nesta grandeza deverá estar mais do que a simples quantidade da obra feita, mas também a sua qualidade e projecção no futuro.

Já basta o mau gosto de se misturarem velhas glórias com visibilidades efémeras, para que os nossos ditos intelectuais ainda defendam que, numa lista de grandes portugueses, devam ombrear perseguidores e perseguidos, como se a maldade e falta de escrúpulos não fossem critérios a seguir na escolha dos personagens, e, de acordo com a época em que viveram, pois o sadismo dum imperador romano que mandava deitar aos leões os cristãos, não será nunca comparável à decisão de um qualquer oportunista que, para atingir os seus desejos, não se importa de sacrificar os seus concidadãos.

Para bons entendedores....


Mais um

De passagem pel' A Cidade Surpreendente dou com mais um blog com pronúncia do Norte intitulado Comboio Azul.

Pelo andar da carruagem, valerá a pena apanhá-lo e viajarmos um pouco na companhia das fotos e dos interessantes apontamentos.

Boa viagem...

12 outubro, 2006

Já há muito que não venho por aqui

pois nem a disposição tem sido muita, nem a força de vontade para remar contínuamente contra a maré do deixa andar e do não-te-rales deixa-me por vezes em estado de desânimo de que difícilmente me recomponho, mas andando por aí dei com este desleixo e abandono de um marco da nossa história ferroviária:

1. http://www.railfaneurope.net/pix/pt/diesel/dmu/historic/cp_fiat.jpg

2. http://www.railfaneurope.net/pix/pt/diesel/dmu/historic/cp_fiat_2.jpg

São imagens tristes e degradantes do que foi o emblemático comboio rápido FOGUETE que apodrecem algures no Alentejo com destino anunciado para algum sucateiro realizar uns cobres.

Este país, onde a maioria não respeita o seu património histórico, preferindo pavonear-se em férias de tudo-a-monte-e-fé-em-Deus, na América Central, do Sul ou outros destinos exóticos, em vez de conhecer o País onde nasceu, que prefere ter o carrinho de gama-acima-das-suas-posses-para-exibir-aos-amigos-e-vizinhos, em vez de utilizar os transportes públicos ou optar por um mais baratinho que lhe possibilite explorar os arredores, que prefere gastar dinheiro em revistas de mexericos ou jornais desportivos em vez de comprar um livrinho de um dos nossos muitos e bons escritores, que vai às urnas depositar o seu voto, não no partido ou político que apresenta o melhor programa mas no clube que foi escolhido pelos avoengos no pós-25 de Abril como se de um clube de futebol se tratasse, este país que eu adoro e que vejo cada vez mais dependente de meios audiovisuais que em vez de distribuir conhecimento procuram atafulhar os jovens com programas sem qualidade e os mais velhos com telenovelas da treta ou fado, fátima e futebol, este país, como dizia a célebre charada televisiva de há uns anos atrás

É um colosso... está tudo grosso... está tudo grosso!

06 setembro, 2006

Um joguinho para se entreterem

Quem ganhar que reclame o prémio...

Experimente

É triste mas é o que há

Divulgação de texto publicado no blogue Fauna Ibérica de autoria de Miguel Barbosa

Hoje é um dia particularmente triste para a Conservação da Natureza em Portugal. Uma das poucas florestas autóctones que ainda existiam no nosso país, a Mata do Ramiscal, integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, foi na sua maior parte destruída pelo fogo. Enquanto escrevo estas linhas (noite de 10 de Agosto) Azevinhos (Ilex aquifolium) centenários são consumidos pelas chamas.
O Vale do Ramiscal é um vale remoto do Alto Minho com cerca de 10 quilómetros de extensão que se dispõe no sentido Este-Oeste. A maior parte da sua área está protegida legalmente pelo máximo estatuto de protecção ambiental, o de Parque Nacional.
A Mata do Ramiscal estendia-se ao longo da margem esquerda do rio e era formada sobretudo por exemplares de Carvalho-alvarinho (Quercus robur ) de grande porte e pelos supra-citados azevinhos. Neste local deambulava o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), a Águia-real (Aquila chrysaetos ) cruzava assiduamente os céus e o Gato-bravo (Felis silvestris) refugiava-se no mais espesso do bosque.
Seria difícil encontrar uma maior diversidade e riqueza natural no nosso país. Nos últimos dois dias tudo isto desapareceu! A Mata do Ramiscal morreu! O solo carbonizado estende-se do rio até ao ponto mais alto da Serra do Soajo. A Natureza lusa está de luto, o Parque Nacional da Peneda-Gerês nunca mais será o mesmo, a minha tristeza é imensa...

17 agosto, 2006

Porque sim!

KATHY'S SONG
Paul Simon - 1965


I hear the drizzle of the rain
Like a memory it falls
Soft and warm continuing
Tapping on my roof and walls

And from the shelter of my mind
Through the window of my eyes
I gaze beyond the rain-drenched streets
To England where my heart lies

My mind's distracted and diffused
My thoughts are many miles away
They lie with you when you're asleep
And kiss you when you start your day

And a song I was writing is left undone
I don't know why I spend my time
Writing songs I can't believe
With words that tear and strain to rhyme

And so you see I have come to doubt
All that I once held as true
I stand alone without beliefs
The only truth I know is you

And as I watch the drops of rain
Weave their weary paths and die
I know that I am like the rain
There but for the grace of you go I

27 julho, 2006

De facto, a educação vai mal...

Mão amiga fez-me chegar este delicioso texto que pretenderia ser a resposta à questão àcerca da utilidade dos fungos!!!

Os fungos são realmente bastante nocivos aos interesses humanos.

Fungando, uma pessoa pode estar inalando milhões e milhões de vírus e bactérias do ambiente que se respira. Mas há também a utilidade. Uma boa fungada pode efectivamente retirar aquele catarro preso na garganta, sendo que quanto maior o som emitido pela fungada maior é a sua Eficiência e precisão na retirada daquela substância indesejada.

Há quem diga que fungar é porcaria mas pesquisas científicas revelam que, além de serem métodos eficientes, as fungadas fazem parte do dia-a-dia de pessoas em todo o mundo.

E como diz a famosa frase: aquele que nunca deu uma fungada que atire a primeira pedra.

23 julho, 2006

Apontadores

Nestes oportunos apontadores do TAF n'A Baixa do Porto, chamo a atenção para os comentários sobre a composição do júri para apreciação das propostas para o mercado do Bolhão.

Dr. José Pedro Aguiar Branco - Presidente da Assembleia Municipal e distinto advogado;
Engº Rui Quelhas - Administrador da SRU e ex-Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara em exercício;
D. Laura Rodrigues - Presidente da Associação de Comerciantes do Porto e que em todo este processo nunca apareceu a defender os seus associados, optando por uma posição de convite ao diálogo, mas nunca revelando a sua posição;
Dr. Lino Ferreira - Actual resposável pelo pelouro do Urbanismo e Mobilidade, técnico superior do ministério da educação e licenciado em Filosofia;
Prof. Dr. Helder Pacheco - Conhecido cronista e historiador da cidade, dá a impressão que apenas empresta o seu nome para dar prestígio ao júri.

Como se pode ver, o processo começa bem!

Voltam ao palco

Israel, desta vez a propósito de uns militares raptados por uma organização terrorista (se conseguir levar a sua água ao moínho, passará a chamar-se guerrilha de libertação), invade outro país.

Há logo quem condene de imediato, e, simultâneamente, quem aplauda
!

Normal, normalíssimo, uma vez que as opiniões são como as cerejas..., mas o que mais estranho, é que se relegue para segundo plano que nem uns nem outros se coibem de bombardear populações civis inocentes, alegando ambos que actuam em defesa dos sacrossantos princípios da liberdade e da paz!!!!

Vamos lá a ser mais democráticos e a afirmar, claramente, que nem um lado nem outro têm direito de se portar da ignóbil maneira com que habitualmente se comportam.

18 julho, 2006

Sobre os cegos

Via e-mail, recebi hoje mais uma daquelas listas parecidas com petições, desta vez a favor dos cegos.

Lá reencaminhei a lista, muito embora saiba que aquilo não vai dar em nada para além de sensibilizar alguns dos que a recebam para o problema dos invisuais e dos demais portadores de deficiências.

Estranho, que num País conhecido pela sua delicadeza para com os estrangeiros, tanto se esqueçam os naturais, particularmente os portadores de deficiências, nomeadamente as visuais, auditivas e motoras.

Não será já tempo de nos questionarmos sobre esta estranha apatia, nomeadamente a dos poderes públicos, sobre a razão de serem esquecidos esses cidadãos, uma vez que, como a maioria dos restantes, também faz parte da nação e pagam os seus impostos.

Vamos lá a colocar etiquetas "braille" nos impressos oficiais, abrir janelas para a linguagem gestual nos programas televisivos, proibir definitivamente com obstáculos que se projectam para fora dos edifícios a meia-altura bem como o estacionamento sobre os passeios e rampas de acesso, dotar as bibliotecas e museus de equipamento específico para colmatar a impossibilidade de utilização, e por aí fora.

Todos nós agradecíamos.


13 julho, 2006

Sobre os desmandos na Avenida dos Aliados

Mais uma opinião, agora de Levi Guerra, n' O Primeiro de Janeiro do pretérito dia 9 do corrente, e tirada dos Aliados.

Lá vão acordando, um após outro, mas chegam tarde... muito tarde...

Como está calor...

fui à Praia e, a propósito de cultura, dei com este link para o Gato Fedorento.

Por coisas idênticas, já deixei muitos livros traduzidos para a nossa língua nas primeiras páginas e busquei os originais (quando o conhecimento mo permite) para não ser enganado.

Mas ninguém consegue pôr termo a este tipo de vandalismo?!

12 julho, 2006

Acabou

Para meu bem e para desconsolo de muitos, finalmente acabou a grande ilusão daquilo que se intitulou Campeonato do Mundo de Futebol.

Durante cerca de um mês, muitos dos que não tem acesso às condições mínimas de vida, viveram na ilusão de serem importantes, apenas por estarem representados num evento onde os ricos têm assento. Vibraram com as alegrias que as respectivas selecções lhes proporcionaram e aguentaram com os subsequentes desgostos. Nós, portugueses, como muitos outros, embalados num doce torpor, também lá estivemos levados pelo encanto de podermos ombrear com os grandes, sentindo que assim vencíamos os muitos anos de desprezo e falta de respeito com que habitualmente somos brindados nos países em que aparecemos como emigrantes de baixa qualidade, e até alguns dos nossos intelectuais se deixaram enlear no canto da sereia.

Um treinador que apresentava como meta os oitavos de final, fez esquecer o País de que, mais uma vez, preferia esperar para ver do que apresentar-se como um lutador pelo título. As exibições exaltadas por jornalistas e repórteres imbuídos de um nacionalismo entusiasmado, nunca passaram da mediania, do mesmo modo que os outros concorrentes faziam o mesmo, num ambiente onde o futebol espectáculo esteve arredado a maior parte do tempo.

De repente, e graças sabe-se lá porquê, vemo-nos chegados às meias-finais, e o País embandeirava em arco, como se o facto não fosse proporcionado por uma confrangedora falta de qualidade no futebol praticado, mas fruto de uma valorosa e competente actuação em campo.

Infelizmente ninguém ganhou!

Nem Portugal, que com um belíssimo quarto lugar deveria ter festejado a sorte que teve, nem sequer a Itália, que viu a decisão do campeonato ser decidida através de grandes penalidades face à falta de brilhantismo na execução, pode clamar bem alto a qualidade do seu futebol, pois nada disso se viu.

A FIFA, por seu lado, mostrou o seu pior lado ao ensarilhar-se em decisões cujas justificações estarão bem longe do que na realidade se passou nos diferentes relvados.

A arbitragem, essa, se fosse feita por árbitros nacionais, faria história duma incompetência confrangedora e ainda hoje estaria a ser discutida nos habituais jornais de referência.

Daqui a uns anos há mais. Só espero que, para bem do futebol, se analise com a inteligência necessária, porque é que não ganhamos a equipas que nada fizeram para isso, e aí talvez, sem sargentões, nossas senhoras de Caravaggio, Madaís ineficazes e com uma nova fornada de jogadores jovens possamos deliciar-nos com um bom espectáculo.

Eu sei que é pedir muito, mas já é tempo de o fazer.

27 junho, 2006

Preguicite

Uma estranha preguicite tem-me afastado daqui. Não sei bem a que se deve, mas creio que assistir à indiferença com que todos nós (eu incluído) nos abstemos de defender eficaz e tenazmente o que é nosso, me leva um pouco a este desusado desânimo.

A futebolite que nos ataca fazendo-nos embandeirar em arco como se o espectáculo fosse decisivo para o nosso futuro, a falta de um boicote eficaz a produtos vindos de empresas que nos asfixiam economicamente ou que fabricam produtos com falta de qualidade, o encolher de ombros perante os disparates e agressões ambientais com que deparamos no nosso dia-a-dia, a resignação com que aceitamos todo o lixo informativo que nos é fornecido pelos meios de comunicação que na sua generalidade prima pela falta de rigor, falta de isenção ou desleixo na investigação, quando não são apenas notícias montadas a partir de vagos rumores, a permanente guerrilha de intrigazinha de baixa política em vez de discussão fundamentada das opções que nos são propostas pelo governo, o curioso (mau) hábito de defendermos o nosso partido preferido da mesma maneira que defendemos alguém que nos é querido e que nunca nos engana...

Por tudo isto, e porque também às vezes me canso, esta pouca vontade de conversar.

23 junho, 2006

Ainda há dúvidas?!

Se ainda sobram dúvidas sobre a bondade da intervenção nos Aliados, talvez a visualização destas fotos n' A Cidade Surpreendente as esclareça.

Perguntaram ao Dalai Lama

O que mais o surpreende na Humanidade

Resposta:

Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde!

Por pensarem ansiosamente no futuro, e, esquecerem o presente de tal maneira que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.

Vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.

13 junho, 2006

Em 1888

no dia treze de Junho nascia Fernando Pessoa.

Se calhar, por tanto falarem dele, os jornais esqueceram-se do facto.

Análise

Tão abstracta é a ideia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica melhor em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longamente,
E a ideia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

Um ano depois

Rotina

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

Sobre Timor

O DN de hoje publica esta interessante notícia, onde se diz que o enviado da ONU assumiu uma posição fortemente crítica das teses do governo australiano.

Para os que tão acerbamente criticaram a atitude das forças da GNR, do seu comando, e da condução do seu comportamento, esta apreciação do enviado do sr. Kofi Annan deve saber um pouco a fel.

Afinal, parece que a diplomacia portuguesa lá está a conseguir levar a água ao seu moínho, e que afinal tinha razão em toda esta embrulhada.

A ver vamos.

Portugal lidera mortes em acidentes ferroviários

É este o título da notícia que vem estampada no PJ!

Já não bastava sermos um dos países com uma desastrosa rede ferroviária com prejuízos em anos consecutivos avultadíssimos, para além de um ineficiente serviço prestado às populações e ao País, acabamos ainda por averbar um triste recorde no que repeita à segurança!

Se há serviços em que os diversos governos pós-25 mais gastaram e com piores resultados, julgo que o da CP deve liderar o respectivo ranking.

Se o ministro da tutela, em vez de se preocupar com TGV's se preocupasse em tornar eficiente este meio de comunicação, certamente melhoraria em muito a sua imagem bem como a da governação.

Sobre a actualidade

O Pedro Olavo Simões, na sua Fonte das Virtudes, faz uma esclarecida e interessante análise sobre a sociedade contemporânea.

12 junho, 2006

Para os que gostam de fotografias

Aqui vão algumas da Avenida dos Aliados pescadas nos ALIADOS, juntamente com alguns links para artigos de opinião.

Francamente não gosto, nem ao vivo, nem em fotografia, mas que fazer?

É por isso que diariamente leio o ABRUPTO

É que algumas vezes estamos de acordo, como aqui.

Os lamentos

Os nossos milionários do futebol que fazem parte da equipa nacional, pelos vistos andam muito sensíveis, pois ora é o atraso do autocarro, ora são os comentários dos jornalistas, ora são as reclamações sobre os que não vão à comunhão na sua missa.

Depois de um jogo que nada teve de espectacular, o capitão da equipa queixou-se argumentando que se tinham apenas ganho por um golo, também outras equipas tinham feito o mesmo e não tinha havido choradinho.

Para além de não interessar aos portugueses o mal que se passa nas outras equipas, não se compreende muito bem esta lamentação, até porque o Zé Pagode os têm apaparicado q.b.

Claro que o rapaz deve andar distraído com as contas, pois nos restantes seis (6) jogos foram marcados dezassete (17) golos, e apenas em dois encontros existiu um único golo (Sérvia e Montenegro/Holanda e Inglaterra/Paraguai) para além do inusitado empate entre a Suécia e Tobago.

Parece que os jogadores da equipa vice-campeã europeia, andam com a ambição em baixo, ou então julgam que estão a dar um bom espectáculo.

Aconselhava-os a terem mais cuidado com as queixinhas, pois neste País rapidamente se passa de bestial a besta, e eles ainda não são excepção.

Felicidades para a próxima e vejam lá se mexem melhor essas pernas, pois a certa altura pareciam adormecidos e a jogar contra a corrente.

11 junho, 2006

Ordem do Infante D. Henrique

Fins

A Ordem Nacional do Infante D. Henrique visa distinguir os que houverem prestado:

  • Serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro;

  • Serviços de expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, sua história e seus valores.

extraído da página das Ordens Honoríficas Portuguesas

Alguém me consegue explicar onde se encaixa o Rui Rio e porquê, ou será que as ordens nacionais cada vez mais se parecem com sameiras de presente...

E assim vai o País

Ouvimos falar na crise, na poupança que o Estado deve fazer, no apertar de cinto necessário para a nossa sobrevivência, nos malefícios do desperdício, etc., mas basta apenas umas comemorações do 10 de Junho, para se esfumarem todas estas preocupações e para que o Chefe de Estado, incomodado com o estado de degradação do equipamento das nossas FA's, decida esbanjar os parcos recursos num desfile insípido, onde a vetustez do material saltou à vista de todos.

Pelos vistos, a ninguém importou que se tivessem gasto uns milhares de litros de combustível para trazer as tropas cá acima, que se movimentassem umas centenas largas de militares transportados dos seus quartéis de origem, bem afastados do Norte, para virem dar uma voltinha pela Foz, nem a violentação que sofreu o piso por onde se arrastaram os carros de combate e demais veículos de lagartas sem mais nenhum préstimo que não fosse o de satisfazer as cartolas de alguns militares de secretária, para além do desejo expresso por Sua Excelência o Presidente de todos os Portugueses, que entendeu que este seria um dos modos de prestigiar as Forças Armadas!

Um País que anda a vender equipamento militar encaixotado desde a sua aquisição para conseguir reequipar-se para as missões que tem de cumprir, deveria solicitar explicações muito claras sobre o alcance e interesse destas fanfarronices para inglês ver.

Um Presidente, que é economista e que anda a aconselhar toda a gente a poupar e esbanja assim, certamente não está a ver o exemplo que está a dar... ou estará?

Paulo Vallada

Até porque é merecida, não há como relembrar esta crónica de Jorge Vilas no JN, para assim o homenagear .

O macaco e o galho
A cidade do Porto vista por Paulo Vallada, um homem que já foi seu presidente
arquivo jn



Não raro vou ter com Paulo Vallada ao seu escritório, na Areosa. A conversa é sempre longa e os temas andam à volta do Porto, a sua e minha cidade. Aos 80 anos - fê-los na passada semana - aquele que foi presidente da Câmara mantém intacta a sua lucidez e a capacidade de análise dos problemas. Nunca responsabiliza aqueles que o antecederam como agora é timbre dos governantes e autarcas mais na berra e àqueles que o seguiram na gestão da polis, pede desculpa pelo que de menos bom possam ter herdado do seu mandato.

Num tempo em que ninguém gosta de assumir os seus erros e omissões; numa altura em que muito boa gente se aproveita, como o macaco, do galho em que se encontra para pular para o galho que está mais acima, é bom saber que ainda existe gente como ele que faz da modéstia um dogma mas que ao mesmo tempo se mantém atento e capaz de dar sugestões meritórias. A sua opinião no que se refere à revitalização e renovação da Baixa Portuense segue na linha dos inúmeros contributos dados por especialistas na matéria mas, por exemplo, quando ouve alguém defender que o Metro será a ferramenta essencial para a retoma de uma zona deprimida, ele manda-os "tirar o cavalinho da chuva" e pede a todos que têm responsabilidades na matéria que não se fiquem por aí.

Para ele, o renascimento do centro do Porto apenas será obtido à custa de uma mistura de três vectores o habitacional, o comercial e lazer. Tudo combinado, Paulo Vallada apela à imaginação e à inovação dos lojistas. Lembra que, mais do que um cinema juntos atrai, em vez repelir, os espectadores, como acontecia na Praça da Batalha há 20 anos. E que não foi por acaso que os ourives se concentraram nas ruas das Flores e de 31 de Janeiro. É certo que isso aconteceu porque até meados dos anos 70 a estação de S. Bento centralizava todos os comboios de longo curso, o que já não sucede.

Para ele a receita é sempre a mesma inovação no que se refere, por exemplo, à cobertura de ruas para que os potenciais clientes se sintam como num centro comercial; à festa e alegria porque é isso que atrai gente à Baixa, agora servida por um moderno sistema de transportes como é o metro. E, a propósito, recorda que o centro o Porto irá ter três estações: Trindade, Avenida dos Aliados e S. Bento.

Ele lembra-se - em boa verdade, todos nós nos lembramos - como era agradável andar de eléctrico, um meio de transporte que foi liquidado pelo automóvel. No entanto, ele garante que se criarmos as condições para isso, o reinado do "quatro rodas" terá os dias contados, já que o metro, complementado por uma rede de eléctricos (onde está o Plano de Mobilidade ?) permitirá criar novos motivos de interesse. Isto, no entanto, se os lojistas, como defende Paulo Vallada, se aperceberem que o seu sucesso residirá sempre, como aconteceu no passado, na gentileza com que acolhe dos seus clientes em estabelecimentos renovados e arejados. E mais apela àquela classe profissional para o aprofundamento das ruas temáticas, para a flexibilidade de horários e para a recriação de festas populares e de feiras temáticas aos sábados e domingos no Largo do Tribunal da Relação, nas praças da Batalha e da Ribeira e no próprio edifício da Alfândega Nova.

Paulo Vallada pede os jovens que não acreditem na subsídiodependência. Não são precisos fundos comunitários; imperativo, diz ele, é ter ideias, projectos e realizar obras. Em suma, outras mentalidade, que não aquela que infelizmente faz curso nos dias de hoje a do presidente da câmara que quer julgar o presidente do clube e este que quer derrotar o primeiro. A do presidente da junta que quer ser vereador. E a do presidente que quer ser ministro. Por que é que cada macaco não fica no seu galho?

in JN, por JORGE VILAS

09 junho, 2006

Pois é assim que se faz evoluir a cidade!

O Pedro Lessa, n'A Baixa do Porto, deixa mais um apontamento sobre um atentado ao património arquitectónico perpretado em conluio com a autarquia, cujo presidente afirma querer tornar o Porto numa Viena de Áustria!

Para nosso mal e felicidade dos vienenses, ele ficar-se-á por cá, pequenino, mirradito, em cima da sua caixa de sabão que pensa ser um pedestal, e creio que será eternamente recordado como um economista que preferiu ser político, que passou a ser notado só por causa da sua teimosia, pela sua incapacidade para definir uma estratégia para promover a nossa cidade, populista q.b., e com uma tendência terrível para a asneira e para as guerrinhas do alecrim e da manjerona, e que se reclama do mais puro dos puros.

Os que votaram nele, bem podem limpar as mãos à parede pelo trabalho a que se deram.

Se é esta a cidade que pretendiam, muito ódio lhe devem votar... Pobre cidade, que acolhe no seu seio tantos a quererem-lhe mal, ou a não saber o que querem.

08 junho, 2006

Ora toma lá!

Nos Aliados, e a propósito de alguns critícos de última hora, uma boa ensaboadela da Manuela Ramos.

É sempre assim, quando é preciso falar calam-se, depois dão-se ares...

Não sou arquitecto mas...

olhando para os dois projectos que aparecem n' A Baixa do Porto, parece-me que a cidade voltou a perder por causa de quem não deveria ter o poder discricionário à sua disposição.

Não tenho dúvidas em simpatizar com o primeiro boneco - torres mais altas e adaptadas à encosta deixando-a respirar - e entender que o projecto final, é mais um tijolo com janelas de duvidosa estética.

Mas, manda quem pode e não quem deve, e a cidade mais uma vez não agradece.

07 junho, 2006

Quando eramos donos do Mundo



Hoje faz 512 anos, que em conluio com os nuestros hermanos assinavamos o famoso tratado de Tordesilhas, onde se dizia que se traçava uma linha direita do polo ártico ao polo antartico, que se situaria a 370 léguas das Ilhas de Cabo Verde, ficando tudo o que descobrisse a levante dessa linha ficasse para o reino de Portugal e o que se descobrisse a ponente ficaria para o reino de Castela.

Desde aí, e dada a gulodice ser imensa, quer de um quer de outro lado, se foram perdendo as regalias que então foram decididas.

Há outros comensais à mesma mesa, que à força das armas foram retirando em nome da liberdade e de outros sacrossantos princípios o que estava já distribuído.

Não interessa agora, que os povos countinuem a ter tanta ou mais fome do que tinham então, ou que não possam usufruir os direitos que então detinham, pois para isso não há olhos nem interessa fazer análises.

Eu, por mim. acho que em quinhentos anos a sociedade perdeu mais do que ganhou, outros pensarão de forma diversa, mas quem terá razão?

06 junho, 2006

Bolha de sabão

Como são lindas as bolhas de sabão, especialmente quando os raios de Sol nelas incidem fazendo com que elas se espraiem mostrando variegadas cores em voluptuosas formas.

Vem toda esta dissertação a propósito do desaparecimento d' O espectro, que se finou vai para três meses.


Claro que é próprio dos espectros aparecerem e desaparecerem sem mais nem aquela, no entanto deixou no ar uma sensação de frescura deveras interessante.

Este pouco durou, esperemos que os seus habitantes possam retomar novo fôlego que lhes permita mais umas quantas aparições, mesmo sem as fantasmagóricas roupagens.

Obrigado por terem aparecido!

A crise

Pelos vistos veio para ficar!

Tenho-a encontrado um pouco por toda a parte, seja nos engarrafamentos de acesso às cidades, nas bichas (é assim que no Porto chamamos às filas) à porta dos restaurantes, na confusão instalada no El Corte Inglés que abriu em Gaia, no caótico trânsito dos fins-de-semana à noite, nas Ribeiras do Porto e Gaia e na Marginal em direcção à Foz e Matosinhos, nos pubs e bares cheios até à porta, na impossibilidade de estacionar seja onde for no centro da cidade, na dificuldade de comprar um Mercedes Benz Classe S, um Volvo S80, um Jaguar, um BMW M3 e muitos outros com menos de quatro a oito meses de espera, no dilema em arranjar bilhetes actualmente para destinos exóticos de férias no mês de Agosto mesmo em Top Executiva, no número de portugueses que se vão deslocar ao Mundial da Alemanha, e por aí fora...

Dizem que já se vislumbra uma saída algures por aí, e eu rezo fervorosamente para isso, pois mal ela acabe, vou poder andar à vontade nas estradas, ser servido decente e rapidamente no restaurante da moda que eu quiser, voar para onde quiser sem grandes sobressaltos, comprar o Porsche com que ando a sonhar há anos sem ter de esperar oito meses e por aí fora.

Deverá ser assim, ou sou eu que estou a ver mal?

19 maio, 2006

Parece que é desta!

Pois é!

Ao fim de muitas canseiras económicamente pesadas, parece que vamos recomeçar em breve.


A todos os que nos endereçaram palavras amigas, aqui fica um abraço agradecido.

Até breve..