25 novembro, 2008

120.000

É um número redondo, assustador, mas que parece que ninguém pretende analizar exaustivamente.

Os 120.000 que estiveram nas manifestações eram todos professores? Não havia por lá mãezinhas e paizinhos a acompanhar, irmãos solidários, alunos que cursam ESE's, professores reformados, sindicalistas profissionais, funcionários de partidos, aprendizes de políticos e até simples motoristas de camioneta e respectivos familiares?

E estavam lá só contra os critérios da avaliação, ou estariam também contra o estatuto do docente, contra o medo de serem avaliados, ou de não terem a coragem de não ir, pela resistência à mudança, pela redução dos seus muitos tempos livres, contra as aulas de substituição, contra as aulas de apoio, por opção partidária.

É que não me convenço que lá estiveram tantos, até porque conheço escolas de onde não foi um único, mas que sabem que lá estiveram representadas!

24 novembro, 2008

Citações (II)

A compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros de impiedade das lendas

Anatole France

Ou é impressão minha...

ou um serviço do Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo vai aparecer por aqui a muito breve prazo.

Ainda sobre S. Bento

Hoje escrevi isto, n' A Baixa do Porto, em reposta ao António Alves.

23 novembro, 2008

Citações (I)

As pessoas com privilégios preferem arriscar a sua própria destruição a perderem um pouco da sua vantagem material


John Galbraith

Tenho medo desta notícia

Hoje, o JN, dá-nos a conhecer que existem planos para alterar a estação de S. Bento, de maneira a enfiar-lhe anexos, que encobrirão mais um shopping, como se já não existissem terrenos ali perto, em franco estado de degradação, que poderiam disponibilizar o espaço necessário.

Mau é, quando um edifício classificado, começa a ser objecto dos apetites dos especuladores imobiliários, pois sabemos a persuasão que estes grupos conseguem ter junto de entidades públicas.

Vamos estar atentos?

21 novembro, 2008

Professores

Até gosto deles, não de todos é claro, até porque não os conheço a todos, mas alguns que eu conheço, e não são tão poucos como parece, dão-me a sensação de se sentirem ameaçados por algo que não conseguem explicar.

Muitos deles, felizmente, são bons professores, dedicados, esforçados, competentes, que criticam muitos dos seus colegas por serem uns parasitas do sistema, mas, de repente, e sem nexo, passam a juntar-se todos do mesmo lado da barricada, em estranha aliança protectora dos que o são apenas por acidente e não por vocação ou querer.

Esta estranha aliança, faz-me desconfiar que a culpa não é da ministra, do governo, da avaliação, do estatuto do professor ou da autonomia das escolas, mas sim um cocktail esquisito, em que os ingredientes atrás mencionados se misturam em proporções diversas mas cuho resultado só dará a desenxabida mistela corporativa habitual.

Como todos, ou melhor, como a maioria dos que sabem ler e escrever e frequentaram uma escola, também eu tive professores, alguns (muitos) que recordo com saudade, e outros (demasiados) de quem recordo a ineficiência, a ausência de capacidades pedagógicas, e até conhecimentos suficientes para leccionar fosse que matéria fosse.

Gostava que os professores, principalmente os do ensino básico, se lembrassem que são o fermento que faz crescer a sociedade, e que o futuro dessa sociedade também os atingirá, quer directa, quer indirectamente, pelo que esta sua posição de negação da avaliação (eu sei, eu sei, que todos dizem querer ser avaliados) com influência no seu percurso laboral me assusta, pois cheira-me a medos ocultos que só em privado se confessam.

Os professores, afinal, não me parecem ser uma massa unida por um desejo único, antes me parecem um rebanho que só está junto, porque lhes dizem que o lobo lhes ronda o pasto, quando albergam no seu meio, muitas dúzias de lobos disfarçados de cordeiros, que se saciarão dos mais tenros e confiantes, para gáudio das hienas que no alto do monte tentam abafar o seu riso cacarejado, esperando a oportunidade de se saciarem com os restos.

É altura de abrirem os olhos, de confiarem um pouco mais no pastor e nos cães de guarda, por muito que eles lhes mordam nas patas, pois valerá mais ficar com os artelhos esfolados, do que morrer esquartejado, ou à míngua.

Se querem cantar vitória, continuem a caminho do abismo, mas no fim não se queixem de quem comandou o rebanho foi o general Pirro!

Bolhão, outra vez

Pelos vistos, a CMP não está nada interessada no problema do Bolhão, para isso bastará ver a proposta de dotação no Plano Orçamental para 2009.

1.000.000,00 €

conforme se pode ler aqui, com os votos favoráveis do PSD e do CDS.

Depois venham dizer que a culpa não é deles, e que andam a tentar resolver o problema da requalificação do Bolhão.

20 novembro, 2008

Critérios

O Financial Times chamou-nos, a nós, portugueses, com todas letrinhas porcos na pocilga - pigs in muck - , ironizando com o acrónimo de Portugal, Italy, Greece and Spain.

Enquanto nuestros hermanos se irritaram e pediram explicações, nós por cá, nem tugimos nem mugimos - à excepção de alguns blogs que se deliciaram com o insulto, e outros que rapidamente só leram a classificação do nosso ministro das Finanças, para além de poucos que se incomodaram com o facto - como se pela velha Albion tudo estivesse bem no mundo das finanças.

É nestes pequenos pormenores que nós mostramos que somos ainda mais pequeninos do que na realidade geográfica parece, muito embora muitos dos que se riem, passem a vida a reclamar pela dignidade nacional.

O Comércio do Porto

O espólio de O Comércio do Porto, antigo jornal da urbe, ruma para a vizinha cidade de Gaia, por obra e graça do seu presidente de câmara e de um grupo espanhol, derentor do Faro de Vigo.

Tudo isto vem escarrapachado no 'site' de O Primeiro de Janeiro, na sua edição de hoje,, outro jornal da cidade que luta pela sobrevivência.

Entretanto, outro diário que antigamente era conhecido como o farol da cidade, modernizou-se, expandiu-se, e dedica-se sobretudo a outras bandas, deixando mais pobre o Norte e a cidade que o viu nascer, confirmando que só o centralismo absoluto permite o crescimento.

Nós, os portuenses, continuamos a assistir, ao esvaziamento contínuo até ao estertor final, com uma paciência impensável há uns anos atrás, a coberto da conivência dos interesses instalados na cidade, que visam proteger, quer as suas benfeitorias, quer o seu estatuto.

Faltam-nos Almadas, Garrettes, Farias Guimarães, Basílios Teles, e muitos outros que elevaram o nome desta cidade às alturas a que teve e tem direito.

Hoje, temos gente pequena, preocupada com questões do deve e haver - que são encargos de guarda-livros e não de empreendedores - que não arriscam mas petiscam (muito e bem), se enredam em questões comezinhas e nas tricas e baldrocas, mais próprias das comadres e alcoviteiras do que dos feitores e governantas.

E este Porto, vai mirrando, sob um diáfano céu outonal, que não nos permite vislumbrar a chegada do frio Inverno que nos enregelará os osssos, quiçá para sempre, e mantemos a esperança de uma Primavera - que vai e que volta sempre, enquanto eu penso, negativamente , que a mocidade vai e não volta mais.

19 novembro, 2008

Coisas complicadas

O estranho silêncio do ABRUPTO sobre a ironia.

Bolhão

O folhetim continua a arrastar-se.

Depois de se terem tomado medidas e mais medidas, se terem ouvido protestos e mais protestos, a Câmara vem agora dizer-nos que antes do segundo semestre de 2009 nada se fará para a sua requalificação!

De quem é a culpa?

Será da cidade?

18 novembro, 2008

Também não conhecia

Via a Baixa do Porto, tomei conhecimento de mais um hotel cá no burgo, e com preços módicos.

Rivoli Cinema Hostel

Estamos quase em primeiro

Desemprego. Em seis anos, o Norte de Portugal enfrentou mais de 60 casos de reestruturação de empresas que motivaram despedimentos em massa. Dados da Eurofound sugerem a destruição de mais de 17 500 postos de trabalho, sobretudo no sector têxtil. Os autores admitem que existam mais casos O Norte de Portugal é a segunda região europeia com mais situações de despedimento em massa. Com 60 casos, a região surge em segundo lugar num 'ranking' elaborado pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound), que analisa o período entre 2002 e 2007. Dados solicitados pelo DN aos autores do relatório revelam que as falências, reestruturações internas e deslocalizações consideradas ameaçaram, neste período, 17 556 postos de trabalho.

Os autores sublinham que as regiões com mais casos de destruição de emprego não têm necessariamente que ser as menos prósperas do ponto de vista económico. A lista é, aliás, liderada pelo Sul e Este da Irlanda, enquanto a Catalunha (Espanha) surge em terceiro lugar. A economia de uma região pode destruir empregos em determinados sectores e paralelamente criar outros. Mas a avaliar pela mesma base de dados, o alcance dos casos de criação de emprego no Norte de Portugal foi consideravelmente menor: a Eurofound apresenta apenas seis casos de criação de emprego em larga escala, sobretudo nos últimos anos, que corresponderam à criação de 2865 postos de trabalho. Os dados preliminares de 2008, disponíveis até Setembro, não são considerados no estudo. Mas sugerem uma inversão da tendência.

John Hurley, um dos autores do relatório "More and Better Jobs: Patterns of Employment expansion in Europe", admite que os números recolhidos pelo European Reestructuring Monitor estejam subestimados. "Sabemos que existem mais casos. Os nossos correspondentes podem não captar todas as situações", explica, em declarações ao DN. A contabilização de casos de reestruturação e das consequências a nível de emprego é feita por uma rede de correspondentes nacionais, num trabalho que parte das notícias publicadas nos principais orgãos de comunicação nacionais.

A avaliar pela principal base de dados europeia sobre reestruturações de empresas, o sector têxtil e do calçado foi responsável por mais de metade das situações registadas no Norte de Portugal e por mais de dois terços do total de postos de trabalho ameaçados. Esta é aliás, uma tendência comum a outras regiões da Europa. Segundo dados do mesmo relatório, este foi o sector que, a seguir à agricultura, motivou uma maior redução líquida de emprego entre 2003 e 2007: só na União Europeia a 15 e na Noruega foram eliminados 283 mil postos de trabalho. "Um dos mais importantes factores de mudança foi a eliminação das quotas de importação da União Europeia e o livre acesso de todos os fornecedores ao mercado", referem os autores.

O sector de componentes eléctricos (que engloba, por exemplo, o caso da Yasaki Saltano) e automóvel (Lear Corporation ou Valeo) também foram relevantes para a transformação da região portuguesa.

A falência é o principal motivo para estes casos de destruição de emprego (37 empresas) no Norte de Portugal, seguida das reestruturações internas (14) e das deslocalizações (6). Nos seis anos considerados, a Eurofound registou mais de 4300 casos de reorganizações na Europa, que ameaçaram mais de 2 milhões e meio de postos de trabalho.|

in, DN de hoje

Tudo muda

É por vezes interessante fazer uma pausa, e relembrar grandes temas de debate que moveram multidões mas que, pelos vistos, caíram no esquecimento do portugueses.

Ainda há bem pouco tempo, os economistas e teóricos das previsões, não se calavam, proclamando do alto do seu sacrossanto saber, que o 'crude' iria chegar aos 200 dólares; que o mercado era o principal moderador do desenvolvimento económico: que na privatização da maioria dos serviços públicos estava o Santo Graal do desenvolvimento; que a saúde deveria passar pela canalização dos descontos dos trabalhadores, para as seguradoras (que os aplicariam em quê? fundos de investimento de médio/elevado risco?), que por sua vez pagariam a hospitais privados os custos com a dita; que a regionalização era a diabolização a expurgar do pensamento político nacional; que precisavamos de uma revolução na educação já que este modelo se encontrava esgotado; que o excesso de diálogo tinha sido o pecado do guterrismo que arrastou o País para a penúria; que o Santana Lopes era um libertino delapidador do erário público e político inconsequente; que o Marques Mendes não sabia fazer oposição; que a banca estava sólida e para durar; que os USA eram o Sol do Mundo.

Afinal, em menos de doze meses, tudo está de pernas para o ar, e muitas das mesmas cabeças, dão-nos opiniões diametralmente opostas, como se só os 'pobres' dos políticos fossem os únicos a não ter autorização para mudar de opinião.

Não deixa de ser interessante, mas creio que ainda agora a procissão vai no adro, e até ao lavar dos cestos (eleições) ainda veremos muitos mais malabarismos.

17 novembro, 2008

Salas de visitas

As estações de comboio, deveriam (devem) ser salas de visitas que acolhem o visitante da localidade, ao mesmo tempo que terminais priveligiados dos mais diversos meios de transporte.

Agora que tanto se fala de TGV's, turismo, mobilidade, ecologia, não tenho ouvido falar sobre a pobreza das duas maiores estações servidoras desta cidade (Campanhã e S. Bento), que parecem votadas ao esquecimento, e quando comparadas com o que há de mais moderno, estão a anos-luz de uma utilização correspondente à área que ocupam e à cidade que servem.

será que não é ainda tempo de se falar disso.

Ah! e já agora, não se esqueçam da Ponte de D.Maria, pois qualquer dia vem abaixo, o que será mais uma vergonha para esta cidade.

Estão a chegar as eleições?

Começa a falar-se na cidade (Porto) e no seu marasmo, como só agora este tivesse chegado.

Mais vale tarde do que nunca, mas cheira-me um pouco ao 'charme' não muito discreto de pré-campanha eleitoral.

A ver vamos.

Despacho da ministra da Educação

Ao ler o despacho da ministra da Educação, sou levado a crer pelo menos em uma de duas coisas:

- Haverá muitos professores que não sabem interpretar português, ou sabendo-o, apenas pretendem desestabilizar as escolas, ou

- A avaliação dos professores peca por tardia, pois não entendo a necessidade deste despacho clarificador, pois a matéria é simples de entender, a não ser que hajam professores que não o devem ser por ausência de conhecimentos básicos...

16 novembro, 2008

Como sempre

JPP, no seu ABRUPTO, após mais uma das sua egnimática lucubrações.

"..
Não. o que tem calado o Abrupto, que como se sabe é como a voz do poeta Alegre que "ninguém cala!", é um miserável Morbus, alimentado por uma ínfima bactéria, de origem desconhecida, não se sabe se exótica, vinda dos fundos africanos, ou se da opulenta União. Até mais ver, haja autorização da Morbus.".

Afinal Morbus, será masculino ou feminino? Será neutro.... Será da febre?

Faltas

Os alunos protestam contra o regime de faltas contido no estatuto do aluno, pois dizem que estão a ser tratados injustamente!

Depois de ler atentamente o regime de faltas aprovado pela Lei 3/2008, não vejo como será possível concordar com o que aqui vem escrito, ou será que os alunos ainda quereriam ter direito a faltar mais?!

15 novembro, 2008

14 novembro, 2008

10 coisas boas

1. Estar apaixonado(a)
2. Rir
3. Um chuveiro quente em dia de Inverno
4. Ouvir a música que gostamos
5. Ficar na cama a ouvir a chuva lá fora (acompanhado é melhor ainda)
6. Uma boa conversa
7. Um bom livro
8. Chocolate quente
9. Acordar bem cedo e descobrir que podemos ficar na cama um pouco mais
10. Cheiro de maresia.

Os compromissos

Visto e lido na Baixa do Porto .

Os compromissos já não são o que eram!

Idosos

Não há dia que passe, que não ouça alguém falar ou escrever sobre o tema, geralmente com uma posição doutoral e falsamente piedosa sobre os malefícios a que estão sujeitos os idosos neste país.

Para além de um país real que se borrifa neles, esquecendo que o seu bem-estar passaria sobretudo por uma digna reforma, instituições preparadas para o seu acompanhamento e/ou acolhimento, apoios e cuidados domiciliários de acordo com as disponibilidades financeiras reais dos próprios, para além de um possível real e efectivo apoio familiar, nada do que ouvimos vai ao encontro do real problema de hoje que é a longevidade associada à falta de condições sociais.

Mas quando saímos para o 'campo' o que é que vemos?

Que as reformas são de miséria e só servem para ser brandidas como propaganda eleitoral ou partidária; as instituições - quando existem - são poucas, na sua maioria de qualidade mais do que duvidosa, extremamente caras e, na sua grande parte, estão na mão de profissionais de saúde ou de sociedades ditas de benemerência; que os cuidados domiciliários servem na generalidade para levar alimentação, apoio à higiena mais básica ou o transporte para centros de dia que mais parecem salas de arrumos de velharias; apoios familiares quase inexistentes, pois a lufa-lufa diária e a própria incapacidade económica, e/ou falta de saúde, não permite que tal aconteça com a periodicidade desejada.

Ainda há poucos dias, confrontado com a situação difícil de uma idosa abrigada num lar de muita qualidade no Norte do País, uma médica do SNS quando solicitado a ver a senhora em questão, argumentou à enfermeira que a acompanhava à consulta, que nada pretendia receitar dada a avançada idade da paciente, se o lugar onde estava hospedada não tinha médico particular, e que não era para tratar de esse tipo de idosos que estava ali a prestar serviço!!!

Isto passou-se num Centro de Saúde, com uma médica paga por todos nós e que certamente não está ali para condenar os doentes, mas para tentar dar-lhes uma melhor qualidade de vida.

Mas a realidade é esta!

Só me custa que nesses programas não se façam ouvir os idosos, nem aqueles que com eles lidam de perto, e que muito poderiam dizer sobre o assunto, deixando apenas a ribalta para as(os) bem falantes que me parece, segundo a minha humilde opinião, interessarem-se mais pela exposição mediática do que pelo problema em si.

13 novembro, 2008

Coisas interessantes

Aluna agride professora - grande escândalo, com notícias e vídeos nos telejornais, mesas redondas, quadradas, rectangulares, octogonais, deputados chocados, jornalistas inflamados, pedem-se medidas à Ministra e policiamento nas escolas.

Alunos atiram ovos a governantes - não há escândalo, os ministros e secretários de estado é que são culpados por estarem lá, acabaram as mesas, a AR é um mar morno e silencioso, os sindicatos e os professores acham um exagero a polícia ter tentado evitar que os ovos chegassem aos destinatários

Procure as diferenças

Avaliações

A propósito deste tema, dou comigo a arengar com a minha cara-metade, que segundo a lógica professoral e sindical, fui toda a vida um injustiçado, a saber:

1º - Desde 1965 o meu trabalho sempre foi avaliado, e ainda hoje o é;

2º - Creio que me posso queixar de todas as avaliações que tive, pois nunca existiu nenhum critério correcto e efectivo para poderem aquilatar do meu desempenho profissional, e isto porque sempre fui avaliado por pessoas que:

a) - Nem sempre vestiam tão bem quanto eu, e eu era classificado no item - apresentação!

b) - Outros estariam muito longe dos meus conhecimentos profissionais, mas isso não os impedia de me classificarem por comparação com os meus colegas nesse item recorrente nas avaliações;

c) - Vários avaliadores chegavam mais tarde do que eu e saíam mais cedo, pelo que será duvidosa a sua capacidade em me terem avaliado na área da pontualidade/assiduidade;

d) - Tive a felicidade de ter óptimos colaboradores, com quem me relacionava com facilidade, coisa que muitos dos meus avaliadores não conseguiam, mas no entanto tiveram sempre critérios de aferição flutuantes, que variavam, na sua maior parte das vezes, mais com o estilo do avaliador do que com a lógica da avaliação;

e) - Nunca tive nenhum especialista em direito a avaliar-me, muito embora fosse uma área onde eu frequentemente emitia opiniões devidamente fundamentadas;

f) - Nunca tive nenhum professor de português a avaliar-me, não obstante ter de fazer extensos relatórios, para serem entendidos, quer por especialistas, quer por leigos nas matérias então versadas;

g) - Tive oportunidade de avaliar e ser avaliado, fazer parte de comissões de recurso de avaliação, sem ter necessidade de ter a sapiência do Leonardo da Vinci, a compaixão de S. Francisco de Assis, a razoabilidade de S. Tomás de Aquino nem tampouco ser Aristóteles para emitir lógicos pareceres;

h) - Muitas outras que poderia enunciar, mas que certamente enfastiariam o leitor mais apressado.

3º - Nunca entendi porque é que só os confrades se deverão avaliar entre si, pois já sabemos que as confrarias tendem a ser criadas para defender uma casta, e não para aprimorarem a qualidade e o julgamento isento dos confrades;

Assim sendo, não vejo onde é que estarão os grandes problemas da avaliação dos professores, pois as críticas que na sua maior parte são veiculadas, fixam-se geralmente em dois problemas-base:

i - os professores não querem ser avaliados por professores mais novos, ou que tenham especialidade diferente da sua;

ii - a avaliação dá muito trabalho e ocupa-lhes muito o tempo.

Claro que a avaliação dá trabalho, e a primeira é sempre a mais custosa e de maior dificuldade, mas creio que estas não serão de facto razões para rejeitar tal processo.

Por favor, esclareçam-nos, pois eu cada vez menos os entendo.

12 novembro, 2008

Banco Citi

Toca o telefone, com um destes toques modernaços.

- Sim?

- Sr. Fulano de Tal, questionam do outro lado...

- O próprio...

- Já conhece o Banco Citi?

- Já, já...

- Como saberá o Banco Citi está a fazer uma oferta... e vai daí, tenta angariar-me para mais um cartãozinho de plástico, sem anuidade, com direito a côr dourada, e para pagar quando me apetecer (pensei... se fosse tmn - tarde, mal e nunca - valeria a pena) e ... interrompi

- Obrigado, não estou interessado...

- Mas deixe-me explicar as vantagens.... e continua a tentar-me com a plasticidade de um enforcamento sério a curto/médio prazo;

- Já lhe disse, obrigado, mas não estou interessado...

abruptamente escuto atónito

- Mas o sr. só diz que não está interessado, que não está interessado, não sabe dizer mais nada?!

Explodi!

- Desculpe, mas vou desligar, porque o sr. está a ser agressivo e malcriado.(ponto final na conversa).


Se é assim que o Banco Citi pensa angariar clientes, pode começar a procurar nova central de vendas pois com vendedores deste jaez não penso que irá arranjar clientes que valham a pena.

Alegre

Certo dia, o Alegre (poeta), escreveu um soneto, premonitório no seu título chamado:

E Alegre se Fez Triste.

Claro que nem estamos em 'agosto', nem tampouco é de madrugada, mas este Alegre (político), tem vindo a tornar-se triste, afinal por apenas estar a regressar à inconsequência que já era famosa no seu tempo de Argel e que é do conhecimento de muitos dos seus pares.

O Alegre (poeta) que sempre vislumbrou a floresta e jamais a árvore, quiçá por força de más companhias, transmite como Alegre (político) a visão da árvore fugindo de ver a floresta.

Isenção, é nome que serve para transmitir a liberdade e, só deverá ser usada por quem é isento, imparcial, neutro, coisa que o Alegre (político) não está a praticar do mesmo modo que o fazia o Alegre (poeta), nem tal é seu hábito quotidiano.

Se quer falar de Educação. fale com 'E' maiúsculo, aborde o problema segundo todas as perspectivas, disseque o problema até à exaustão, mas por favor, deixe de bater no(a) ceguinho(a), pois nesse(a) já todos batem - com ou sem razão - e espadeire democraticamente para todos os lados e em todos os sentidos, pois a culpa da educação estar como está é de todos, mesmo todos... até do Alegre (político-poeta).


11 novembro, 2008

Indemnizar

Ontem, no programa da RTP Prós e Contras, vi alguns senhores dissertarem sobre o acto de indemnizar, clamando que quem comete erros deliberadamente não deve ser indemnizado!

Isto, a propósito do último folhetim da moda que dá pelo nome de nacionalização do BPN.

Até a Fatinha se mostrou agastada por haver direito a ajuste de contas, no caso de os prevaricadores serem pessoas que detenham investimerntos sobre o banco onde causaram dolo.

Pois, é tudo muito bonito, mas ninguém lhes explicou que o direito à indemnização é o resultante do dever de indemnizar existente nas sociedades onde vigora a democracia? Ou será que queremos regressar às nacionalizações selvagens?

Será que um trabalhador que seja despedido por meter a mão na caixa, já não terá direito à indemnização, igual às verbas não pagas a que terá direito pela cessação do contrato, nomeadamente as proporcionalidades já vencidas de férias , subsídios de Natal e quejandos, ou será que deverá ir direito para a rua, sem nada mais ter a haver senão pagar o que roubou?

Que dizer então dos políticos que fazem deliberadamente leis atamancadas para depois ganharem balúrdios, quer através dos pareceres solicitados aos respectivos escritórios de advocacia ou gabinetes técnicos que possuem, ou onde prestam serviços, quer através de avenças exorbitantes pagas por consultadorias de duvidosa eficácia, dos árbitros que apitem com dolo, dos juízes que condenem inocentes, dos jornalistas que publiquem noticias falsas, etc., etc. etc....

Vem tudo para a rua sem direito a indemnização e reforma, ou será apenas para os do BPN?

Voltei

Até porque já chega de descanso. Mas voltei principalmente porque sinto-me triste por ver que tudo continua como dantes, passados que são já nove meses de interregno.

Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, aforismo popular que vem a propósito, muito embora haja cá em casa gente que tem pão a mais (poucos) e gente que não tem sequer pão (bastantes, e em acelerado crescimento).

Agora que o tempo arrefece e as castanhas aí estão - cada vez mais caras - saborosas e olorosas. penso ser tempo de aquecer os motores e botar palavra.

Veremos no que isto dá!

04 fevereiro, 2008

Recusando a morte



Poesia caipira

Vô contá como é triste vê a veíce chegá,

Vê os cabêlo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê “aquilo” esmoreceno, sem força prá levantá.

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As oiça vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pulmão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
Correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
Porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça .


Mão amiga fez-me chegar via e-mail e como é Carnaval.

18 novembro, 2007

Pois é

Pus-me a ver filmes e a ouvir a Dulce Pontes e deu nisto...

Eu escrevi esse texto quando vi Cine Paradiso pela milionésima vez, em fevereiro de 2003:

Eu deveria ver esse filme pelo menos uma vez por mês. Só para ter o horror de saber que a vida é verdadeira, como o NN diz. Ou como ele cita - acho que Fernando Pessoa, não tenho certeza.

Cine Paradiso

Eu não vou conhecer todos os lugares que desejo, nem tudo e todos que quero. Não posso viajar no tempo. Não consigo acabar com a saudade, nem conseguirei. Eu vou morrer algum dia. "O cinema é só um sonho", diz um personagem quando o Nuovo Paradiso é destruído. E eu choro, como já estava fazendo desde o começo do filme e continuo até meia hora (ou mais) depois do fim. Vou até o banheiro, lavo o rosto e tento esquecer novamente que a vida é verdadeira, fugir um pouco do horror, só um pouco: o sentimento, músicas, filmes, livros, amor. Estranho como eu tento amenizar esse horror, de saber que a vida é verdadeira, ao observá-la assim, em sonhos. E de um sonho pode-se dizer tudo, menos que é mentira - como já disse o Ernesto Sábato. É, é isso mesmo: eu só consigo fugir dessa verdade quando a encaro de frente. Mas preciso me lembrar disso com um pouco mais de freqüência.

Nessa época eu era uma estudante de cinema. Sim, eu já fui uma estudante de cinema. Agora parece que foi em outra vida; mas faz só cinco anos. Provavelmente eu fui a estudante de cinema mais relapsa que já existiu. Provavelmente eu não nasci para ser cineasta. Provavelmente o meu amor pelo cinema não venha tanto das imagens, mas das histórias -- o que me torna, definitivamente, uma estudante de cinema desnaturada. Mas o que ninguém pode negar é que sempre fui apaixonada, completamente apaixonada pelos filmes. Ainda assim, eu acreditava que já estava imune a certas coisas. Uma dessas coisas era ouvir a trilha sonora que o Ennio Morricone fez para Cine Paradiso e não chorar. E sim, eu estava redondamente enganada.
por Marcele Fernandes as 20:24:46

in, Eclipse

28 setembro, 2007

Férias

Parece-me que tirei férias a mais, vamos a ver se é desta que regresso.

Nunca pensei escrever isto

Parabéns Santana Lopes.

22 julho, 2007

Ainda há quem se admire...

Rio não participa no «Porto Bike Tour» como forma de protesto contra fim do Porto Feliz (in O Primeiro de Janeiro de hoje)

Mas onde estará a surpresa?!

O homem gosta é de andar de automóvel, e, quanto mais antigo melhor.

O Porto Feliz acabou, não por causa da atitude do IDT, mas por causa da repetida teimosia do presidente que se nega a aceitar qualquer proposta daquele organismo, desde que diversa da que pretende, uma vez que o IDT fez várias propostas que estavam em sintonia com os desejos dos técnicos que gerem a Porto Feliz e - sempre e exclusivamente ele - a todas recusou liminarmente!

Claro, que lhe faz imenso jeito arranjar um bode expiatório para o enterro do abcesso que criou, quando decidiu encerrar o programa existente na cidade, da autoria do Fernando Gomes. e o substituiu por este seu programa, que segundo garantia na época, eliminaria, no prazo de um ano, os arrumadores toxicodependentes da cidade, e dava como garantia, não a sua, mas a cabeça do seu então amigo e apoiante Paulo Morais, no prato da execução a ser servida se tal desiderato não fosse cumprido.

E não foi.

Ninguém então se demitiu, como fora prometido, ninguém avançou sequer com explicações, e as contas do que foi gasto e do que foi alcançado permanecem no segredo de relatórios a que não há público acesso por vontade do agora protestante!!!

O que se sabe, é que os arrumadores toxicodependentes por cá continuam, alguns mesmo à porta da resdência do autarca e arruamentos circunvizinhos, mau grado as tentativas de expulsão por parte de forças policiais.

O programa falhou. Ponto final, parágrafo.

Se a seriedade fosse atributo deste cavalheiro, talvez fosse mais fácil para mim compreender as razões do falhanço, mas como infelizmente - para mim - não basta à mulher de César ser séria, continuo a aguardar (sentado, pois corro o risco de me cansar) as provas da seriedade deste inteligente e manipulador político, que propagandeia ser defensor dos fracos e oprimidos, mas que pouco tem contribuido para o seu bem-estar, preocupado como está em dar à cidade os espectáculos de entretenimento de encher o olho, e deixando escapar por entre os dedos a população residente, criar-se um muro de betão e movimento envolvente ao parque da cidade e manter a Baixa e o Bolhão longe dos seus dias mais felizes.

E como o faz bem.

Ainda há pouco tempo, apenas com uma singela medalha de ouro calou definitivamente uma voz que começava a tornar-se um pouco incómoda...

Alguém adivinha de quem era?

16 julho, 2007

Saloiada

De excursão, despejados em frente à porta de um hotel, diziam honestamente de onde vinham e não sabiam ao que iam!

Não me admirei muito, mas fiquei triste por ver o PS fazer o mesmo que tantos fazem e que agora despudoradamente apontam o dedo acusador.

Como a espontaneidade continua igual ao que era antigamente!!!

02 julho, 2007

De vez em quando...

... tenho de me ausentar mas volto breve...

27 abril, 2007

Do homem que eu gostava de ver na CMP

Para ler com atenção.

Um decálogo inquietante

No Lote 5 - 1º Dto. encontro este aviso perturbante.

Ler com atenção.

Primeiro vieram prender os judeus...

(do poema atribuído ao Pastor Martin Niemöller)

Discurso redondo

É deveras interessante ver como rapidamente somos acusados de utilizar um discurso redondo, sempre que nos referimos a algo que, sendo verdadeiro, é tido por insignificante na óptica do beneficiado.

Vem isto a propósito de um comentário que inseri num blog amigo, que em interessante post acusava de provincianismo a antiga mui nobre sempre leal e invicta cidade do Porto, acusando os seus habitantes de se sentirem desconfortáveis em relação aos lisboetas.

Claro que medidas, de proteccionismo à capital, tão disparatadas como a que não permitiu a uma famosa casa bancária, nos idos de sessenta, se transformar em banco por pretender ter a sua Sede no Porto, não passam de discurso redondo, assim como o desaparecimento por migração/fusão das sedes de algumas instituições financeiras, ou na diferença de tratamento que tiveram as decisões sobre o lançamento de projectos na rede de transportes públicos urbanos, na diferença de tratamento entre as duas cidades nas acessibilidades rodo-ferroviviárias (quem se lembra dos trinta anos que levou a completar a A1) para já não falar no desenvolvimento fluvial inexistente a Norte, na constante prática de sub-valorização de retribuições para uma mesma prática funcional, no esquecimento do desenvolvimento escolar de que é exemplo a faculdade de Direito, que só aparece no Porto em 1978 pela mão da Católica e só 16 anos mais tarde na UP - mas quem quiser aprofundar o assunto das diferentes faculdades é só querer e constatar as diferenças.

E de quem será a culpa?

Dos lisboetas certamente que não é, daí não serem eles os responsáveis por tal situação, mas tentar fazer de conta que ela não existiu, e de que não teve perniciosa influência na evolução das duas cidades, é a mesma coisa que dizer que antes do 25 de Abril estava tudo bem, e que ninguém era preso por delitos de opinião.

Ainda hoje, é ver os exemplos que a governação ainda dá, até na colocação das agências europeias.

Enquanto na Alemanha, Grécia, Espanha, França e Itália se distribuem por cidades que não a capital, por cá, as duas existentes EMCDDA e EMSA ficam-se por Lisboa!


E que dizer da diversidade de tratamento que é dada nas áreas da cultura, espectáculo ou lazer?

Quando tantas vozes se levantam a clamar que o conceito utilizador/pagador deve ser aplicado a todos porque não falar nas indemnizações compensatórias que do erário público saem para, por exemplo, o Metropolitano de Lisboa e para o do Porto?

Será que é o provincianismo portuense que faz deslocar para Lisboa as sedes das empresas, nomeadamente as da comunicação social?

Será que é o discurso que é redondo, ou que a política seguida desde o tempo do D. Manuel I é que tem apenas um sentido?

O centralismo por vezes ofusca os sentidos, e muitas vezes quem mora na capital ou arredores, esquece-se que há mais nove milhões para além deles, e que no Porto estão alguns naquela que já foi a segunda cidade do País, mas que por força de politiquices absurdas, cada vez mais se afasta desse lugar a velocidade mais elevada do que a que tem afastado o País do centro da Europa a que pertence por obrigação geográfica.

26 abril, 2007

Jines

De visita à Carlota, dei com esta palavra (?) recomendada para substituir as velhas jeans, num local tão sério como o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa!

De começo, fiquei um pouco surpreso com o neologismo/barbarismo que invadiu, mais uma vez, a nossa língua, mas dei comigo a vasculhar o glossário lá do sítio, para verificar se mais malabarismos linguísticos apareceriam à superfície.

E lá estão, um pouco por todo o lado, contrariando até opiniões expressas no mesmo site em ocasiões diferentes, vide, por exemplo, a palavra personagem, que no seu glossário é recomendada ser usada no género feminino, negando-se a possibilidade de o fazer no masculino, quando em 11.02.2003 já Susana Correia no artigo Personagem: masculino ou feminino dizia o contrário, ou que na sua Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e Lindley Cintra, na página 197 afirmem : Diz-se, indiferentemente, o personagem ou a personagem com referência ao protagonista homem ou mulher.

Mas neste Glossário, infelizmente, mais coisas esquisitas por lá encontramos, o que quererá dizer que até no melhor pano caem nódoas, como poderá constatar-se ao ver escarrapachadas palavras como futebolês, além/aquém como se fossem apenas usados como prefixos, que não se pode escrever desde Moscovo, ou desde a Bairrada, mas sim de Moscovo ou da Bairrada, que não se pode dizer estratega (!), opina por maqueta em vez de maquete, mas já não o faz em magnate, que admite ser o mesmo que magnata, e por aí fora.

Claro, que quem sai a perder são os que como eu não compram jines, mas apenas calças de ganga ou então apenas umas levis, mesmo que sejam de outra marca qualquer, que continuam a usar uma 1-2-3, mesmo que não seja da Moulinex, fazem marmelada com a ajuda de um passe-vite, ou fazem bricolagem com um Black & Decker mesmo que seja da Bosch.

Depois, ainda querem que nos telejornais e noutros media não brinquem à séria
com a língua de Camões, parindo neologismos e barbarismos a torto e a direito, quando não são apenas anedóticas tolices, ou, simplesmente, erros crassos de português elementar.

23 abril, 2007

Não há meio

de me poder reconciliar com os revisores dos jornais, nem sequer com os jornalistas.

É sagrado... chega o fim-de-semana* e zás... lá estão as aborrecidas gralhas a esparramar-se pelo papel, a fazer-me comichões por todos os lados, conjuntamente com os textos de opinião de jornalistas que teimam em não entender o óbvio, sempre que este se lhes assenta sobre as espáduas.

O mal grassa em todas as publicações, desde as deliciosamente humorísticas revistas ditas do coração, passando pelas dos mexericos, atravessando a pasquinada desportiva, saltando alegremente nos jornais diários e aterrando nos insuspeitos semanários e revistas a dar para o sério.

Numa altura em que decorre uma campanha para a miudagem (e não só) passar a ler mais um bocadito, não deverá a imprensa passar a ter mais cuidado no que deita cá para fora.

Não acharão os bem remunerados directores que se podiam/deviam ocupar dessas coisas em vez de se andarem a ocupar com outras minudências.

* Só ao fim-de-semana é que me dou ao luxo de comprar os ditos jornais, revistas e tudo que dê para entreter os tempos mortos.

18 abril, 2007

Francamente!

Mais 33 entregaram a alma ao Criador - 32 certamente sem ter direito a opinar - numa manifestação de irracionalidade facultada pela legislação apoiada pela maioria dos estado-unidenses.

Neste cantinho europeu, há logo os que aparecem a defender o american way of life e os que, de imediato, o criticam apenas por ser americano, esquecendo que há outros americanos na América do Norte, que detendo armas de caça e defesa em número considerável, estão longe de apresentarem situações como a desta semana.

Claro que me estou a referir ao Canadá.

Com mais de 7 milhões de armas (dados de 2004 - 6.984.485) para cerca de 32,6 milhões de indivíduos, está a grande distância do seu vizinho, que para menos do dobro da população terá 28,5 vezes mais armas, ou seja mais de 200 milhões, segundo esta notícia.

Será que estes americanos, nem pela proximidade se contagiam?

Também oportunamente logo soaram manifestações de pesar, quer da parte dos atingidos que se salvaram, quer de outros que se solidarizaram com as vitímas e suas famílias, logo apoiadas por um presidente que gosta de recorrer a elas sempre que lhe dá jeito.

Estranho, mas mesmo muito estranho, é a NRA ainda estar a aguardar para se pronunciar sobre o assunto! Não saberá que se não existisse a facilidade de comprar armas que defende este estudante ora morto poderia apenas ter andado à pancada com alguém?

E que dizer da segurança de uma Faculdade, que depois de tantos sinais de aviso lançados pelo jovem assassino, continuou a olhar para o lado mais preocupada com o budget anual do que com a segurança dos seus alunos e professores?!

Ter armas de defesa ou caça é uma coisa, poder adquirir armas de guerra apresentando apenas uma identificação e por vezes nem isso é no mínimo escandaloso para não lhe chamar outra coisa ainda pior.

Mas há quem defenda este tipo de hábitos! Alguns porque não fazem intenção de pôr os pés no Estados Unidos, outros porque não se importam de quem morre inocentemente, outros ainda - os piores - que o fazem apenas como defesa de um ponto de vista meramente casual e/ou para alinharem com um grupo de opinião.

Posto isto, só me resta repetir o título desta opinião - FRANCAMENTE!

16 abril, 2007

Confusões

Hoje cá recebi mais um exemplar da revista da CMP - Porto Sempre - que me proporciona sempre algumas divertidas surpresas.

Desta feita, foi uma conversa com o Filipe La Feria que me tirou do sério, pois este insigne encenador, que, pelos vistos, também foi professor da UI, decidiu que a ópera-rock Jesus Cristo Superstar, é o maior clássico do teatro musical de todos os tempos.

Para além do disparate que é a afirmação do encenador, qualificando o musical de modo absoluto, como se o seu dixit fosse uma verdade irrefutável, que dizer de outras obras como My Fair Lady, West Side Story, Musica no Coração, Hello Dolly, Hair, Evita, Porgy and Bess, Violino no Telhado, Cats, Cabaret, O Fantasma da Ópera ou Godspell, e isto só para citar alguns dos grandes!

Talvez ainda um dia, alguém consiga explicar a este brilhante encenador que a poesia não é facilmente transposta para outras línguas, uma vez que se vai perder na tradução a musicalidade da inicial.

Imaginem traduzir isto:

In Xanadu did Kublai Kahn
A stately pleasure-dome decree,
Where Alph, the sacred river ran
Trough caverns measureless to man
Down to a sundless sea.

...

De KUBLA KAHN de Samuel Coleridge

Em Xanadu Kublai Kahn fez
Um impressionante estádio de prazer por decreto
Onde o Alfa, o rio sagrado corre
Através de cavernas impossíveis de medir pelo homem
Para baixo até um mar sem Sol.

Fiz-me entender?

15 abril, 2007

20%

Hoje no JN lá vem a desagradável notícia:

- Em Portugal, 20% da população está abaixo do limiar de pobreza.

Claro, que vamos ficar indignados, vociferar contra o governo, falar sobre o assunto com alguns amigos, e esquecer rapidamente o assunto, pois tristezas não divertem ninguém, voltaremos lestamente aos resultados do futebol, ao diploma do primeiro-ministro, às telenovelas do costume e a sonhar com as férias que estão para aí a aparecer pois o tempo é primaveril.

Esquecemos facilmente que cerca de dois milhões de portugueses nem sequer de pobres podem ser chamados, pois vivem na miséria mais abjecta e certamente que não será por opção própria.

Esquecemos que poderíamos contribuir um pouco para que essa miséria fosse desaparecendo, contribuindo activamente para tantas obras de apoio que tentam chegar a essa população, carente e frágil, que não se cruza connosco, pois vive longe da nossa vista e do nosso olfacto.

Esquecemos que temos roupas e sapatos enfiados em armários e arrecadações a apodrecer, e que poderiam servir para abrigo de alguém, ou que são simplesmente deitados ao lixo pelos mais insensíveis.

Esquecemos simplesmente que até na pobreza somos pobres, mais pobres que os restantes europeus.

Mas, quando por vezes vemos algum desses miseráveis que fazemos?

Já pensou nisso?

11 abril, 2007

Já lá vai algum tempo...

...que por aqui não aparecia.

Ora muito bom dia, meninos e meninas que por aqui apareceram e/ou mandaram recados.

Embora tardiamente, um bom ano para todos, pois este parece querer continuar a correr com falatórios sobre o acessório deixando para trás, como é hábito, o essencial.

Hoje há noite há festa de arromba, pois irá ser notícia de televisão um dos grandes problemas nacionais - o canudo do primeiro-ministro!

Claro que há por aí uma meia-dúzia de outros pequenos problemas tais como a falta de assistência a idosos, a pobreza que se estende pela classe média, a incultura da nossa juventude (pois a dos mais velhos está à vista todos os serões na RTP 1), a falta de vitalidade do nosso comércio, a desertificação do interior, a apatia da generalidade dos nossos industriais, a macrocefalia da Região de Lisboa e Vale do Tejo, a falta de segurança nas estradas e vias públicas, a pobreza do discurso da generalidade da classe política, a corrupção generalizada, a violência nos estádios de futebol, a violência nas escolas, a inoperância da justiça, etc., etc., etc....

Iremos ficar mais descansados e com perspectivas de um futuro mais risonho se passarmos a saber se, o "sinhor inginheiro", teve ou não estas ou aquelas cadeiras, fez ou não fez um tal mestrado, ou ainda se tem fotocópias de todos os certificados e exames que fez, aliás, como é hábito de todos os portugueses, que guardam em casa, ciosamente, tais tipos de provas que atestem o seu grau académico.

Num País em que ser doutor ou engenheiro dá direito a tratamento especial não é de admirar, mas já era tempo de termos andado um pouco mais para a frente.

Até qualquer dia.

20 dezembro, 2006

Bom Natal para todos

Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

17 novembro, 2006

Duas notícias interessantes

Arvoredo

A Câmara Municipal desta cidade, durante o pouco tempo da sua gerência, que foi zelosa e ilustrada, não deixou de atender a uma das coisas que mais embelezam uma cidade, como é o arvoredo. O número total de árvores plantadas ultimamente foi de 628 - sendo 161 nas praças, 167 em diferentes ruas e 300 na estrada da Foz.

ARVORES QUE FORAM PLANTADAS, conforme acima está escrito:

Praças e Largos

Bolhão e Aguardente ................................................ 50 freixos
Santo Ildefonso .................................................... 7 vinháticos
Batalha ............................................................... 34 austrálias
Batalha ................................................................ 2 vinháticos
Congregados .......................................................... 2 negrilhos
S. Bento das Freiras .................................................. 2 chorões
Santa Teresa ........................................................... 25 acácias
Viriato ................................................................. 16 vinháticos
Ribeira ..................................................................... 15 freixos
Trindade .................................................................. 1 negrilho
Carmo ..................................................................... 7 plátanos

Ruas

Clérigos ............................................................... 4 negrilhos
Carmelitas ........................................................... 4 negrilhos
Ferreira Borges ..................................................... 2 plátanos
Ferreira Borges .................................................... 2 negrilhos
Ferreira Borges ....................................................... 3 ilantes
Quartéis .......................................................... 28 amoreiras
Olival ....................................................................... 4 acácias
Olival ....................................................................... 4 freixos
Restauração ............................................................. 23 faias
Restauração ...................................................... 24 negrilhos
Hospital ................................................................ 2 plátanos
Hospital ................................................................ 4 choupos
Passeio Alegre ..................................................... 59 acácias
Na estrada de Miragaia para a Foz ............. 300 choupos

Total ..........................................................628 árvores


-//-

Jantar

A Exma. Câmara desta cidade, ou antes, os cidadãos vereadores dela, mandaram, à sua custa, dar anteontem, um jantar aos presos das cadeias da Relação, aos calcetas e rapazes de calcetaria, ao Recolhimento dos Meninos Desamparados, ao das Meninas Desamparadas, aos pobres do Asilo da Mendicidade e ao Recolhimento das Convertidas.

A cada pessoa destas, diz o "O ECO", foi dado meio arrátel de carne de vaca, meio quartilho de vinho maduro, uma quarta de arroz, uma quarta de toucinho, maio arrátel de pão de trigo, feijões, etc.

Foi deste modo que Suas Excelências comemoraram o aniversário natalício de Sua Majestade o Senhor D. Pedro V.

As datas das notícas são, respectivamente, 11 de Março e 18 de Setembro de 1858, e era presidente da Câmara António José Antunes Navarro.


(do Boletim de 1982 3ª série, nºs 2 e 3 da Associação Cultural Amigos do Porto)

Que pena não se seguirem, actualmente, estes exemplos, com as devidas adaptações....

03 novembro, 2006

Justiça à portuguesa

Um jovem de 26 anos foi ilibado num tribunal português por ter disparado 26 tiros contra uma caravana política e forças da GNR, conforme nos relata o JN de hoje.

Não havendo grande admiração pela absolvição do arguido, uma vez que será inimputável, muito se estranha que o seu pai, detentor ilegal da arma, apenas tenha sido condenado numa multa de 750 €!!!

Isto quererá dizer o quê?

- Que poderemos ter em casa uma arma ilegal desde que não sejamos apanhados?

- Que mesmo que a arma seja utilizada por terceiros, por irresponsabilidade nossa na sua arrumação, o crime não é grave e menos de mil euros chegam e sobram para pagarmos a ilegalidade e irresponsabilidade da nossa actuação?

- Afinal porque é que nos havemos de cansar a tirar alicença de uso e porte de arma, pagarmos os seus custos e andar a fazer exames e demais papelada se poderemos encontrar um juiz compreensivo que nos multa em 750 € se alguém fizer borrada?!

Será isto lógico? E justo?

19 outubro, 2006

Eu já sabia

que ele era assim, com ideias arrumadinhas, algumas dúvidas, e sem grande sede de protagonismo, mas ao ouvi-lo ontem, no Porto Canal, lembrei-me de que estava ali um Homem, com ideias que poderiam muito bem assentar como uma luva a este País e a esta Região.

Creio que já sabem de quem estou a falar. Precisamente. É de facto dele, do Rui Moreira, o presidente da Associação Comercial do Porto, que tem feito alguns esforços para abanar a cidade e a região mas que, talvez por não ser associado de nenhum partido e ser sócio confesso do FCP, tem estado na sombra a que os poderes públicos e o público em geral coloca os que os incomodam.

Falou de várias coisas com interesse para a Região Norte, nomeadamente sobre a ferrovia, a interligação entre esta o aeroporto e o porto de mar; na metrópole que é o conjunto de Porto-Gaia-Matosinhos com as suas fronteiras burocráticas ultrapassadas e desnecessárias; no rio D(e)ouro que corre à nossa porta e entra no País vizinho e que está votado ao abandono nas suas vertentes de transporte e turismo; na incógnita do que é a cidade da Ciência para além de cabeçalho atirado para o ar, vazio de projectos e de orientação; na independência reivindicativa perante o poder central assumindo no entanto as suas responsabilidades na gestão do que só deverá ser pago e consumido pelos seus utentes, e muito mais.

Tendo dentro de casa gente assim, porque é que esperamos pelos partidos para nos indicarem quem é o melhor candidato para assumir a liderança das nossas ambições?

Aqui fica a questão, responda quem pode.

17 outubro, 2006

De passagem

pelo É DA VIDA dei com este texto.

Ler até ao fim, pois vale a pena.

Privatizar

Ouço um pouco por toda a parte, doutos e ignorantes, clamarem pela privatização disto e daquilo, com o estafado argumento de que só os privados é que sabem gerir bem, e que o sector público só serve para dar despesa!!

Cá no burgo, há quem defenda a privatização da gestão de espaços públicos (que bom que é gerir algo que não construímos) dando loas ao sôr presidente sempre que este decide enveredar por esse caminho.

Ninguém porventura se lembra de que, o que é importante, é pedir responsabilidades a quem dirige, em vez de colaborar com a incompetência e laxismo com que todos nós nos deparamos no dia a dia.

Quantos dos que por aí falam já escreveram num livro de reclamações por terem sido mal atendidos?

Quantos perderam tempo em escrever uma carta registada com aviso de recepção pedindo satisfações sobre algo que os incomodou ou lesou?

Quantos se abeiraram de um agente das forças de ordem disponibilizando-se para testemunharem sobre seja o que fôr ocorrido com terceiros na sua (deles) ausência?

Porque não pedem estas vozes clamantes pelas privatizações, que se privatize a recolha dos impostos, ou as inspecções fiscais?

E já agora, porque não privatizar o Governo, Câmaras e Juntas de Freguesia?

Alguém me explica porque é que o privado só é bom naquilo que ao privado interessa?

15 outubro, 2006

Masoquismo

Por um qualquer desvio aberrante que ainda não decidi analisar junto de especialista na matéria, continuo a alimentar as minhas tendências sofredoras lendo religiosamente o Público, todas as manhãs de Sábado, indo ao ponto de chegar a ler o que escreve José Manuel Fernandes(JMF)!

Neste Sábado, adquiri como habitualmente o jornaleco numa banca da outrora maravilhosa Esposende, onde Ruy Belo muitas vezes dialogou com as suas musas, e, surpreendido, constatei que o País se tinha alterado profundamente, pois pude ler na separata Público Local (Porto/Norte), que a "Frente ribeirinha de Lisboa está em risco frequente de inundação", que a "Câmara (municipal de Lisboa) constrói rotundas na Avenida de Ceuta" e que "a esplanada do D. Maria II não está licenciada"!!!!

Pensei que nesta coisa da regionalização, o JMF já deve estar na posse de algum segredo esquisito e que afinal a fusão que se deverá discutir não será a de Porto com Gaia mas a de Porto com Lisboa, pois assim teremos a cidade europeia detentora do recorde Guiness para a cidade com maior costa marítima, ou então no Público reina grande confusão sobre o que é regional e local o que torna a coisa mais grave.

Para além deste delicioso pormenor, continuo a constatar que os revisores do Público não devem ser portugueses ou então terão tido grandes cunhas para serem admitidos no jornal, ou ainda não existem, pois os erros de português, sejam eles de concordâncias gramaticais, ou até de palmatória, como se poderá ler num artigo de opinião de São José Almeida, que mesmo depois de ter ido consultar o dicionário da Academia de Ciências escreveu (ou mais grave ainda, alguém que copiou o seu artigo deturpou), o substantivo masculino suborno como soborno, no já mais do que habitual rol de asneiras que nos é dado num produto que é caro demais para o que fornece.

Mas, para fechar com chave de ouro o desastre, nada mais interessante do que ler um outro artigo do JMF em que ele concorda com Hanna Arendt, quando esta conclui que Eichmann era apenas um homem banal que era incapaz de distinguir o mal do bem, e que só procurou ser eficiente na tarefa que assumiu, que afinal foi tão só tentar o extermínio de uma etnia!!!

Chegados a este ponto, eu diria que teremos chegado ao ponto sem retorno - como se diz em aviação - e a partir daí só duas coisas poderão acontecer, ou um final feliz ou uma colossal catástrofe.

Eu, por mim, não acredito em finais felizes.

13 outubro, 2006

Consistências

Não tenho dúvidas que a consistência do queijo da ilha de S. Jorge está a anos-luz da consistência dos artigos do "grande" (porque gordo) JPP, depois de ler esta prosa no seu ABRUPTO.

Admira-se JPP de Adriano Correia de Oliveira, Ana de Castro ou Fernando Nobre estarem incluídos na primitiva lista do anunciado programa da RTP sobre os Grandes Portugueses, colocando-os em pé de igualdade com os futebolistas e treinadores da moda!

Por outro lado, acha que foi censurazinha atrevida a não inclusão do nosso ex-chefe do governo, Oliveira Salazar, chegando a chamar-lhe omissão... "... gritante de significado..." e concluindo que "uma lista deste tipo sem Salazar não tem pés nem cabeça"!!!

Será que o "grande", que a RTP escolheu para pôr no título do programa, quer dizer influente?

Se fôr esse o caso, claro que Salazar devia lá estar assim como mais uns bons milhares de outros que, de uma ou outra maneira, influenciaram os destinos deste país, mas o que me parece, s.m.o., é que nesta grandeza deverá estar mais do que a simples quantidade da obra feita, mas também a sua qualidade e projecção no futuro.

Já basta o mau gosto de se misturarem velhas glórias com visibilidades efémeras, para que os nossos ditos intelectuais ainda defendam que, numa lista de grandes portugueses, devam ombrear perseguidores e perseguidos, como se a maldade e falta de escrúpulos não fossem critérios a seguir na escolha dos personagens, e, de acordo com a época em que viveram, pois o sadismo dum imperador romano que mandava deitar aos leões os cristãos, não será nunca comparável à decisão de um qualquer oportunista que, para atingir os seus desejos, não se importa de sacrificar os seus concidadãos.

Para bons entendedores....


Mais um

De passagem pel' A Cidade Surpreendente dou com mais um blog com pronúncia do Norte intitulado Comboio Azul.

Pelo andar da carruagem, valerá a pena apanhá-lo e viajarmos um pouco na companhia das fotos e dos interessantes apontamentos.

Boa viagem...

12 outubro, 2006

Já há muito que não venho por aqui

pois nem a disposição tem sido muita, nem a força de vontade para remar contínuamente contra a maré do deixa andar e do não-te-rales deixa-me por vezes em estado de desânimo de que difícilmente me recomponho, mas andando por aí dei com este desleixo e abandono de um marco da nossa história ferroviária:

1. http://www.railfaneurope.net/pix/pt/diesel/dmu/historic/cp_fiat.jpg

2. http://www.railfaneurope.net/pix/pt/diesel/dmu/historic/cp_fiat_2.jpg

São imagens tristes e degradantes do que foi o emblemático comboio rápido FOGUETE que apodrecem algures no Alentejo com destino anunciado para algum sucateiro realizar uns cobres.

Este país, onde a maioria não respeita o seu património histórico, preferindo pavonear-se em férias de tudo-a-monte-e-fé-em-Deus, na América Central, do Sul ou outros destinos exóticos, em vez de conhecer o País onde nasceu, que prefere ter o carrinho de gama-acima-das-suas-posses-para-exibir-aos-amigos-e-vizinhos, em vez de utilizar os transportes públicos ou optar por um mais baratinho que lhe possibilite explorar os arredores, que prefere gastar dinheiro em revistas de mexericos ou jornais desportivos em vez de comprar um livrinho de um dos nossos muitos e bons escritores, que vai às urnas depositar o seu voto, não no partido ou político que apresenta o melhor programa mas no clube que foi escolhido pelos avoengos no pós-25 de Abril como se de um clube de futebol se tratasse, este país que eu adoro e que vejo cada vez mais dependente de meios audiovisuais que em vez de distribuir conhecimento procuram atafulhar os jovens com programas sem qualidade e os mais velhos com telenovelas da treta ou fado, fátima e futebol, este país, como dizia a célebre charada televisiva de há uns anos atrás

É um colosso... está tudo grosso... está tudo grosso!