10 setembro, 2012

Não era este o Porto que queríamos


Imagem roubada ao TAF .

Música da minha pré-adolescência (IV)


Jornalismo?!

Um garoto qualquer decide colocar na Net imagens privadas de alguém, o que é crime!
Logo, os jornaleiros do costume, para além da divulgação do crime, glosam o acontecimento não tendo uma única palavra crítica sobre o assunto.
Mas pior, como o JN desgraçadamente faz - não  há link porque não pactuo com este tipo de descaramento - como não estaria satisfeito com o vasculho, junta-lhe uma fotografia de má qualidade, quiçá para servir de ensinamento aos mais jovens.
Há por aí algum jornalista sério que defenda isto?
E, se há, porque se calam?

09 setembro, 2012

Concordo!

Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida.

Ernesto Che Guevara

Corrigir desigualdades

Se virmos bem, PPC, com esta última medida afinal começou a corrigir as desigualdades!
Alguém é capaz de desmentir que, agora, os reformados e pensionistas começam a aproximar-se dos restantes trabalhadores por conta de outrém?
E já a seguir, com a mexida nas tabelas do IRS, as diferenças continuarão a esbater-se, pelo que este nivelamento por baixo está a começar a dar os seus frutos.
Não era isto que queriam?

08 setembro, 2012

Será isto investigação?

Há dias, folheando O Público, esbarrei nesta notícia:  
O título era apelativo, pois indiciava que alguém teria tido uma ideia que poderia poupar dinheiro ao estado e que, simultaneamente, poderia trazer mais negócio e menos importações.
E apressei-me a ler o palpita que uma tal Beatriz Pereira, que era crismada de investigadora na Universidade do Minho, dava às autarquias nacionais.
Logo abri a boca de espanto, pois a senhor propagandeava que deveriam ser distribuídas bicicletas aos miúdos que frequentam o ensino entre o 1º e o 9º ano, para utilizar nas suas deslocações de casa para a escola e vice-versa, poupando assim nos custos do transporte subsidiado.
Certamente que a senhora não tem filhos em idade escolar, não faz a mínima ideia do que é andar de bicicleta no meio do caótico trânsito das grandes e médias cidades, como será andar nas estradas municipais e nacionais ou nas distâncias envolvidas.
Mais estranho ainda, é ver uma jornalista que espeta com a notícia no jornal, se preocupar apenas com os custos do equipamento necessário superficialmente, ir pedir a opinião a outra senhora que seria parte interessada no negócio, aceitar as tolas explicações da sra. investigadora.
Curioso o facto de nas caixas de comentários haver uma data de pessoas a achar muito bem e a passar por cima da segurança, do civismo exibido pelos cidadãos auto-transportados, de falta de infra-estruturas, etc.
Já alguém imaginou o que seria mandar um filho de seis ou dez anos para a escola de bicicleta, sózinho, no meio de uma cidade como Braga, Vila Real, Viana do Castelo ou Tomar?
E que tal imaginarmos os miúdos a pedalar à chuva e ao vento, distâncias que por vezes ultrapassam a meia dúzia de quilómetros, em duas ou quatro viagens diárias?
E as bicicletas teriam que especificações?
Guarda-lamas, luz frente e traseira, protetor de corrente, bagageira, sinalizações laterais.
E isso atiraria o seu custo para quanto? Cento e setenta ou duzentos euros?
E o equipamento para os utentes? Qual seria e quanto custaria?
Capacete, faixas refletoras e joelheiras/cotoveleiras.
E os que não soubessem andar de bicicleta ou não dominassem a técnica, iriam a pé, ou a sra. investigadora tem mais soluções?
Claro, que a sra. investigadora falou logo nos países onde isso acontece, não como obrigatório, mas por hábitos criados e infraestruturas adaptadas.
Pensou a sra. investigadora na morfologia do terreno, na ausência de ciclovias, na falta de preparação a nível escolar e pré-escolar, no trânsito, no civismo, na fiscalização, na realidade nacional.
Não!
A sra., limita-se a dizer que "Onde circula um automóvel pode circular uma mota ou uma bicicleta, basta haver uma cultura de respeito pelo outro" !!!
Mas a sra, saberá o que está a dizer ou está a gozar connosco apenas?
A sra. não lê jornais? Não conhece os indíces de sinistralidade nacionais? Não conhece o esado das nossas vias? Será a sra. deste País?
Poderia ter apresentado a ideia com a ponderação devida e os limites que a realidade impõe; aí eu ter-lhe-ía batiado palmas, agora tornar obrigatório algo que não o pode ser, é coisa de quem não tem os pés bem assentes no chão e daí por vezes o descrédito em que cai a investigação de qualidade.
Nem o jornalista, nem a investigadora prestaram um bom serviço à ideia.
Pode ser que alguém pegue nela a acarinhe e a torne exequível. Quem me dera!

O embuste

Vejo o primeiro ministro a falar e não consigo acreditar no que ouço!
O rapaz, com aquela cara das cerimónias solenas, começa a debitar o missal, onde lá está o costumeiro discurso anti-governo anterior, o qual foi capaz de todas as malfeitorias e que arruinou (segundo ele e os seus pares) o país, mas onde não aparecem os desastres que ele e a sua comitiva fizeram a desgraça de nos oferecer.
Depois, com a lata que lhe conhecemos, diz que os empregados por conta de outrém passarão a pagar mais 7% na TSU, para compensar o que irá dar aos patrões (5,75%), ficando com o diferencial para comprar caramelos em Badajoz.
Quanto ao corte dos subsídios, talvez para salvaguardar a equidade, continua a reter os dos reformados e pensionistas, devolvendo um, em duodécimos, aos funcionários públicos!
E estas medidas servem para quê, afinal?
Para tapar o buraco enorme que não conseguem tapar com todas as medidas que já tomaram.
A desculpa apresentada, tentando dar a entender que a culpa e sugestão veio do TC, é ignóbil, para não lhe chamar coisa pior, pois distorce quer a letra, quer o espírito da decisão daquele tribunal, e, por outro lado, afirmar que estas medidas se destinam a criar emprego e aumentar a competitividade, são de uma falsidade atroz.
Se, o universo que beneficia, e pode de facto aumentar a competitividade, é o setor exportador, como explicar que, sendo este apenas uma pequena fração do todo nacional onde os custos do trabalho influenciam os custos totais do produto em apenas 13%, como entender que será isto, apenas e só, que endireitará as contas nacionais?!
Esta, é apenas mais uma medida que vai beneficiar um lado da população, a mais forte, que vai ver aliviada a sua carga fiscal transferida e paga pelos que menos podem.
E onde param os trabalhadores por conta própria, os recibos verdes, os investidores especulativos, os proprietários, os que vivem dos rendimentos, o patronato,  etc., etc..
Qual estado social, qual paz laboral, qual equidade, qual carapuça!
O que este (des)governo está a fazer é a destruir um país, um povo, uma sociedade em nome de interesses mesquinhos e particulares.
Se as pessoas o consentem, quem sou eu para dizer o contrário.

07 setembro, 2012

Ainda sobre educação

Roubado aqui este apontamento da Shyznogud.

Citações (LIX)

Não se podem censurar os jovens preguiçosos, quando a responsável por eles serem assim é a educação dos seus pais.

Esopo

Cratinices!

Era uma voz incómoda que se levantava a defender um certo tipo de "ensino", em vez da vulgar "aprendizagem" que ele detestava e achava aberrante.
Sorri algumas vezes perante as suas ideias, onde separava as duas coisas, como se fosse possível separá-las, sinal de que ele não entendia muito bem qual era a função do professor.
Para além de ensinar, o professor, deve verificar se aquilo que ensina está a ser aprendido, procurando adequar a prática da transmissão do saber à possibilidade de entendimento do receptor.
Claro que estou a falar de Nuno Crato, o atual ministro da educação, que com a sua paixão de ensinar, vai acumulando erros sobre erros até fazer ruir todo o edíficio do ensino público.
A última achega que nos dá é afirmar apenas e só isto:
- (a) redução de professores é inevitável nos próximos anos...
Não lhe interessa que uma das razões seja o aumento do número de alunos por turma que ele decidiu e que faz naturalmente diminuir a necessidade de professores, não ajudando em nada o aumento da aprendizagem, pois como se sabe, e é facilmente demonstrável, atirar um monte de alunos para cima de um professor, não torna a sua tarefa menos exigente, nem ajuda a uma maior interação nas aulas, pelo contrário.
O nº mínimo de 24 alunos por turma saltou de 24 para 26 e o nº máximo passou a ser de 30 em vez de 28!
O que levou Crato a tomar tal medida? Razão pedagógica não foi, pois ele é incapaz de a enunciar. Não será que é apenas o critério economicista a funcionar, mais uma vez?
E que tal dar uma saltada ao terreno?
Porque é que não olhamos para a nossa realidade?
Teremos uma boa rede escolar? As assimetrias regionais não se refletirão nas escolas? Estará este País dotado de uma maioria de escolas modernas, bem equipadas, quer do ponto de vista material, quer do ponto de vista docente? Terá a generalidade dos alunos um ambiente económico-familiar que lhes proporcione um auxílio efetivo na aprendizagem? Estará o estado a fazer um bom trabalho na educação? Estarão os professores ocupados exclusivamente com a dação de aulas e/ou a investigação ou andarão dispersos por outras áreas, que em vez de contribuirem apenas lançam poeira em cima do que se pretende fazer ou já está feito?
Do que tenho visto e ouvido nada disto parece interessar ao matemático ministro, antes pelo contrário, o seu amor antigo pelo rigor e pela excelência parece ser tudo menos isso.
Enganou bem!

06 setembro, 2012

De novo ou apenas mais uma vez!

Já não é novidade para ninguém esta notícia, pois em 18.04.20101, este mesmo jornal referia um documento do GPSS - Grupo de Projecto de Novos Submarinos - vindo a público através do JN, conforme se pode ler nesta noticia.
É deveras estranho que um documento datado de 2004, e que tais acusações faz, não tenha sido alvo de nenhuma inspeção especial ou que esteja adormecido no meio da papelada!
Poderá a PGR explicar convenientemente o porquê deste assunto, ou será que a PGR só atua quando muito bem entende, e contra quem entende?
Como é que um ministério, na posse de uma carta deste tipo, enviada pelo diretor da missão, cruza os braços e não dá públicas explicações do assunto?
O que emperrará tel esclarecimento?
Não vale a pena o ministro andar a solicitar à PGR a inocentação formal, de vez em quando e ao sabor das marés.
Mais fácil era esclarecer porque é que um equipamento destes, não sofre alterações de preço quando são baixadas as especificações do mesmo!
Será que qualquer um de nós, quando vai adquirir um determinado bem não o negoceia em função do que obtém?

Pasme-se!

O ministro da Administração Interna, no fim de Agosto, e em articulação com o ministério das Finanças, saiba-se lá porquê, decidiu dar instruções para "...conceder dispensa de serviço a todos aqueles que sendo funcionários públicos sejam também bombeiros voluntários e sejam requisitados pelas respectivas corporações de bombeiros"!!!
Mas então o Dec-Lei 241/2007 não está em vigor?
Será o ministro desconhecedor do que é dito no nº 1 do artº 26º?
Se não for esse o caso, qual a razão para a declaração acima evidenciada!?
Lapso, desconhecimento, mera incompetência ou será que o estado não cumpre o que está já legislado?
Não será de estranhar o incumprimento, pois ainda há dias tivemos a infelicidade de visionar um pequeno filme onde um cavaleiro tauromáquico - não sei se será digno usar tal nome para identificar um reles cidadão que tão mal fez à tauromaquia com a sua ação - investia a sua montada, contra um conjunto de cidadãos que se manifestava contra as touradas, com a omissão da polícia de segurança, que deveria estar lá para impedir tais desacatos e não o fez, nem sequer deteve o sujeito, mesmo tendo observado o acontecido! 
Onde andava o ministro que, até agora, não deu por nada, nem se manifestou?
Aliás, este ministro, que se mostra mais preocupado com os "graffiti" do que com os assaltos, a violência doméstica ou a droga que entra pela costa dentro, que viu já, durante o seu mandato, as forças policiais abrutalharem-se contra cidadãos indefesos, sem ligar muito ao assunto, que se preocupou mais com o subsidiozinho, de que desistiu depois de muito se falar no mesmo, tem feito pouco ou quase nada do que se esperava dele.
Mas continuemos atentos, pois os tempos estão insalubres e ainda pode vir por aí coisa pior.

05 setembro, 2012

A "troika" está cá?!

Dou uma vista de olhos pelos jornais e procuro novidades sobre a "troika".
Para além de uns subservientes pedidos da parte de alguns partidos políticos e da intenção de os fazer da parte de outros, do lado governamental não nos chega nada.
Longe vão já os tempos em que os três funcionários das instituições financeiras tinham as suas caretas estampadas por todo o lado e um corropio de gente à sua volta.
A discrição é a palavra de ordem!
Num país em que os "mass media", infelizmente, educaram a população a variar de opinião entre o oito e o oitenta, nem será de admirar, mas será sintomático de que algo não estará a correr pelo melhor.
Por outro lado, o extraordinário silêncio do Moedas, do Álvaro, do Gaspar e de outras figuras tão lestas em embandeirar em arco com as anteriores avaliações não deixa de ser curioso. Já nem falo do Relvas, uma vez que depois do desaire das negociações sobre as autárquicas, a que se somam o discurso disparatado na longínqua Timor, a que estão agarradas as monumentais trapalhadas já amplamente glosadas, deve ser deixado em paz, pois quanto mais se mexer nele, pior para as pituitárias nacionais.
Resta-me pois aguardar serenamente pelo resultado da avaliação, que irá oscilar entre o diploma do bom aluno azarado e o de dedicado cumpridor de um programa demasiado esforçado, pois nem avaliadores, nem avaliados, quererão enfiar as orelhas de burro que a ambos deveriam ser enfiadas.

04 setembro, 2012

O país arde

Damos por nós no fim de Agosto e com o país a arder!
Há incêndios para todos os gostos. Desde os habituais florestais, aos que lavram em fábricas e instalações industriais e até os que invadem já áreas urbanas.
A área ardida no 1º semestre quase triplica a do ano anterior - 3.504 ha em 2010 m e 9.447 em 2011- e parece que não há sinais de abrandamento.
A delicadeza com que a imprensa trata do assunto é deveras interessante.
Já não há críticas, já não se barafusta contra a escassez de meios e a quase inexistente prevenção, etc.
Mas não arde o país só com esse tipo de fogos, há muitos outros a lavrar.
Os maus tratos a mulheres continuam a aumentar, segundo o JN três mulheres mortas em menos de 24 horas.
O setor empresarial do estado, o tal que iria ser reestruturado e posto a dar lucro, no segundo trimestre tem uma variação negativa de 94% em relação ao homólogo do ano anterior.
Os centros de emprego estão entupidos com os professores, os tais que se atiravam ao governo anterior em manifestações imensas e que agora resmungam nas filas do desemprego.
A lei autárquica, que tanto queriam renovar, ardeu nas discussões entre os parceiros da coligação.
A bomba relógio do BPN está ainda em contagem decrescente, podendo ainda estragar (mais) as contas do governo, as poucas décimas do Cavaco e os horizontes da troika.
Com tanto cheiro a fumo e com o calor abrasador que nos chega das chamas, o governo diz que sente uma agradável brisa e que tudo está bem!
Voltamos os olhos para a nossa sabedoria popular e lá está o ditado que confirma:
"Não há maior cego do que aquele que se nega a ver"

03 setembro, 2012

Rendas excessivas!

Pescado no Câmara Corporativa

Do disparate à desculpabilização

O governo continua alarvemente a utilizar uma cassete estafada copiando assim o partido de paredes de vidro, e dando a entender que tudo está bem!
No encerramento da pomposamente chamada universidade de verão, que apenas é um tipo de escolinha do tio Marcelo, PPC volta a meter água quando afirma que tudo corre sobre esferas, deitando para baixo do tapete o valor do défice, que não cumpre, o aumento da dívida, que afirmou ir pagar e fazer desaparecer, o aumento da desigualdade social, que se pretendia reduzir, o ensino profissional, que passa de opção a castigo, o aumento do desemprego, que iria diminuir, a destruição da economia e do aparelho produtivo, que ia promover, a ineficácia da justiça, que ia tornal célere, o fim do compadrio, que prometeu acabar, afirmando que ir além da troika foi a melhor coisa que o programa de governo consagrou!
Do outro lado, o inquilino de Belém, tenta desculpar o governo que ajudou a chegar ao poder atirando as culpas do desatino que corre célere por este país para cima da troika, como se o governo não tivesse responsabilidade nas negociações que entretanto já fez, pois como todos muito bem sabemos, a troika pode pedir ou sugerir, mas não pode decidir, e o presidente esquece-se deliberadamente disso, ao ponto de ser recordado do facto pelo representante da CE na troika.

02 setembro, 2012

Cá se fazem, cá se pagam

Ainda se escutam ecos das críticas à ex-ministra Maria de Lurde Rodrigues acerca do célebre despautério da Parque Escolar no seu tempo, para constatarmos que nos novos tempos, agora com o esclarecido Crato ao leme, a Parque Escolar, pelos vistos, continua a sua senda.
Segundo o JN, ela é conjuntamente com a Metro do Porto, mais uma das que ultrapassaram, em Julho,  o fixado para a totalidade do ano.
Afinal, as poupanças que foram prometidas, começam a verificar-se ficar muito além do previsto, e que a excelsa gestão tutelada pelo mago das Finanças é apenas paleio para adormecer os néscios.
Cá se fazem, cá se pagam - diz o velhinho ditado, só é interessante verificar como foi tão rápido o ruir das promessas feitas.
E isto é apenas uma das pontas do lençol que cobre a sujeira que por aí anda.

01 setembro, 2012

Golpe de mestre

O que se está a passar na RTP, e que muita gente acha ser mais uma estupidez levada a cabo pela imaturidade de quem anda à frente dos destinos do País, é clarificador de que quem lá está sabe bem o que faz e tem a lição bem estudada.
Atente-se na elaborada cronologia dos factos e veja-se se tudo isto não foi preparado meticulosamente.
A começar pela recondução do CA da RTP, seguindo pela hipótese de alienação de um canal, introduzindo o necessário ruído com o anúncio de António Borges, passando pela ausência dos três principais atores da farsa (Passos Coelho, Miguel Relvas, Paulo Portas) na altura do vendaval, à ameaça velada feita ao CA da RTP de meter a ERC ao barulho, a propósito da sua manifestação pública, o que, entre outras coisas, terá levado à demissão do CA e acabando na bem encenada zanga de comadres, tudo teve o seu propósito.
Da agenda mediática desapareceram os submarinos, o desvio orçamental, as novas medidas a adotar, o descalabro na educação, os anunciados novos cortes na saúde, etc.
Se isto não é manobrar com arte que o próprio Maquiavel não desdenharia o que será?
Desenganem-se os tolos que os não levam a sério.
Eles sabem o que querem, talvez nós não o saibamos tão bem.

31 agosto, 2012

Curioso!

Desde 2009 que o MP sabe que Paulo Portas sabia que alguém estava a ser legitimamente escutado, e que fez questão de informar o visado sobre o assunto segundo o que aqui se lê!
Se o MP sabia, e não fez nada, poderia alguém explicar-nos porquê?

Será isto uma boa coisa?

Foram publicadas através da Internet 1438 nomes de pessoas pertencentes a uma determinada agremiação que se diz "discreta".
Um jornal, o DN, para além da notícia faz 'link' para o local onde os nomes estão disponíveis, mandando às malvas a confidencialidade dos referidos a quem, pelos vistos, entende que não se aplicam as regras legais deste país, nomeadamente aquelas que visam a proteção de dados pessoais.
Agora, e se calhar porque há quem entenda que tudo é divulgável, vai-se assistindo a fugas cada vez mais flagrantes de dados pessoais como se isso fosso uma coisa natural. Desta vez foi com professores na zona de Lisboa, onde moradas, endereços de e-mail, telefones foram apresentados, mas já tinha acontecido o mesmo há dias na zona de Cinfães (CM de 25 de Agosto).
Para além de não me rever neste tipo de intromissão, pois não vejo o mesmo afã persecutório contra noutros credos ou filiações, nem tampouco vejo expostos os dados de outros profissionais assusta-me ir vendo que há gente que se vangloria ser de esquerda a bater palmas a tal notícia (a do DN) e a criticar acerbamente a que refere os professores!
Para além da dualidade de critérios e mesmo tentando ser angelicais não vejo porque é que um jornalista há-de querer expor o nome de quem se sente bem na maçonaria, e não tenta fazer o mesmo a quem pertence à Opus Dei, Rosa-Cruzes, Templarios ou outra qualquer agremiação do género, aos filiados no PSD ou outro qualquer partido, aos inscritos num determinado sindicato ou associação de classe, etc., etc., etc.
Tenho medo que os genes que o Salazar tenha injetado na corrente sanguínea deste povo que alimentou a sua PVDE, que foi mudando de nome ao longo do tempo para suavizar o nome e não os métodos, se tenham enquistado e hoje sejam um abcesso purulento que urge extirpar a favor da democracia.

30 agosto, 2012

Começou o "spin"

Não será estranho para os mais avisados que a estratégia é sempre a mesma. Quando alguém se opõe a alguma medida do governo ou faz alguma crítica, os jornaleiros de serviço entram em funções e desatam a mandar cá para fora contra-informação.
Com a RTP, ontem já tinha começado a funcionar, hoje, já está em velocidade de cruzeiro.

Correio da Manhã


Jornal de Notícias


Diário de Notícias


* "...Passos Coelho prometeu uma decisão “sem tabus” para um serviço público que no seu entender é demasiado caro. ..."

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* Neste caso a notícia contem inexactidões flagrantes, pois como se pode ler:

"...Guilherme Costa, presidente da RTP, pediu ao governo 80 milhões de euros de indemnizações compensatórias para 2013..."

e, logo mais abaixo, na mesma notícia

"...Nestes valores já estão contemplados os cerca de 90 milhões de euros (com IVA) que a RTP receberá este ano – um valor inferior em cerca de 10 milhões de euros ao que foi pedido para 2013...."

Afinal são 80 milhões para 2013 ou 90 milhões são inferiores em cerca de 10 milhões ao que foi pedido para 2013?!!!!!

Para além do folclore, como é que Passos pode achar demasiado caro um serviço que ele mesmo afirma ainda não saber ao certo o que é, ou que irá ser?

Como é que os "erros" nas notícias saem assim sem mais nem para quê? Será que já não há revisores? Os jornalistas não se dão ao trabalho de lerem o que escrevem? Não há ninguém que lhes chame a atenção e se altere a notícia em conformidade?

Pelos vistos, quem se mete com o governo... leva.

29 agosto, 2012

Citações (LVIII)

O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler.

Mark Twain

Aposta na qualidade!

Não haja dúvida alguma que o nosso ministro da educação é um homem de brilhantes ideias.
Hoje, mais uma brota das páginas dos jornais!
Quem se atrever a chumbar mais de duas vezes, até ao 9º ano, já não pode ser doutor, terá de contentar-se com a profissão de talhante, eletricista, agricultour ou canalizador!
Pior do que o estado novo, que ainda entendia que ser eletricista, carpinteiro, canalizador e muitas outras profissões davam direito a qualidade e mérito, este, entende que apenas os alunos com fracas notas, seja qual for o motivo, só servirão para estas profissões.
O atestado de indigência intelectual que estas profissões agora recebem é, no mínimo, espantoso, vindo da parte de quem tem obrigação de zelar pela diversidade de oferta e pela qualidade do ensino.
Se é esta a maneira de reabilitar o ensino profissional, bem podem limpar as mãos à parede.
Atitudes discriminatórias e fracturantes já há muito que são associadas a quem não tem o papelinho que o Relvas arranjou por equivalência, daí que eu entenda bem o que se passa na cabeça desses iluminados "doutores da mula ruça".
Deixemo-nos de tretas!
Só o ensino qualificado de profissões como as acima referidas, bem como de todas as restantes é que levará este país para a frente.
Ser um profissional de categoria, seja qual for o ramo, reveste-se de características que não passam sem um conhecimento de matérias muito específicas que só os mestres são capazes de transmitir, e esses, não precisam de canudos para serem considerados.
É esta a aposta na qualidade, e não aquela que nos pretendem agora impingir.

28 agosto, 2012

Maneiras de estar na vida

Por via da crise, a Grécia cortou no vencimento dos políticos, a França fez o mesmo, na Irlanda o primeiro-ministro viu um corte no ordenado e o presidento do Banco Central viu o seu amputado de 25%, enfim, o sacrifício é distribuído um pouco por grandes e pequenos.
Portugal no meio de tudo isto que faz?
Corta! 
Corta forte e feio nos vencimentos da função pública. 
Corta nas pensões e reformas de querm trabalhou toda uma vida.
Corta ainda nos apoios sociais.
E quanto aos políticos?
Nada!
Nada, não! 
Invoca os direitos adquiridos para isentar assessores e requisitados na área privada, como se estes não trabalhassem no estado e para o estado (às vezes temos dúvidas disso, eu sei).
O Presidente da República, que gosta de se intitular o presidente de todos nós, lamenta-se por ver os seus rendimentos amputados nas pensões que recebe e chora-se da pensãozeca (1.500 € segundo ele) que a cara-metade recebe.
O Costa do Banco de Portugal recusa o corte nos subsídios como se os empregados no BP trabalhassem e fossem pagos por alguém que não o estado.
Os políticos assobiam para o lado e fazem de conta que não é nada com eles!
E o barco lá segue...
Olhar para isto e deixar passar em branco, é que nós fazemos... todos os dias!
Por vezes torna-se-me difícil entender coisas simples como estas.

27 agosto, 2012

Traduttore, tradittore!

Este simples provébio italiano é o que me aparece mais sugestivo para aplicar às legendas que nos entram pela porta dentro como rodapé de notícias, filmes ou espetáculos, quando não fazem a sua entrada em livros, documentos, guias, etc.
Julgo que para se poder exercer esta profissão há que estar minimamente habilitado com conhecimentos mais do que básicos da língua a traduzir, mas parece que, ou o ensino anda muito mal (o que até nem é de estranhar dados os recentes casos vindos a lume) ou o discernimento anda ainda pior, ou - mais grave - que, quem tem obrigação de zelar pelo respeito da tradução, anda também muito distraído, para não dizer outra coisa.
Ainda há pouco, num filme transmitido na televisão por cabo, paga a peso de ouro, poderia ler-se esta linda tradução:
- I like parties => Eu gosto de partes (!!!!!!!!!)
que bem se podia juntar com  a extraordinária tradução de Yellow Spandex como verde bandeira, ou a famosa You're fired, que se tornou em você está pegando fogo!
Já chega de ver traduzidos nomes como o mr. John Brown, mr. Clay White, mr. Earl Green ou mr. Purple, por sr. João Castanho, sr. Barro Branca, sr. Conde Verde ou sr. Púrpura para dizer que, por norma os nomes são para ficar intocáveis, a não ser que se encontrem alternativas idênticas na língua a que se destina a tradução. (Ex.: Richard => Ricardo; Arthur => Artur; Rose => Rosa, etc.) De qualquer modo deve ter-se em conta o personagem a identificar para que não saia um Ricardo Gere ao nomear o ator Richard Gere ou um António Hopkins...
Será que os tradutores e quem os emprega poderão ser um pouco mais exigentes para bem da comunidade?

25 agosto, 2012

Cães

Adoro cães, mas acho que a falta de controlo da legislação em vigor, que é da responsabilidade dos serviços de segurança pública, é a principal causa de acidentes como este.
Ainda há dias,  no jardim da Boavista, só por mero acaso é que um cão de grande porte não atirou o meu neto de dois anos ao chão, pois o responsável pelo animal, mau grado ser portador de uma coleira, não tinha o animal seguro e preferia entreter-se com as vistas mesmo depois de ter sido chamado à atenção pela acompanhante!
Polícia, nem vê-la, pois é coisa que cá pelo Porto só se encontra em manifestações, operações stop de grande aparato, perto de parquímetros ou à sombra dos quartéis, ademais parece que são poucos e não chegam para as encomendas.
Ou seja... há legislação, há equipamentos de segurança a preço acessível mas parece não haver vontade de fiscalizar.
Se calhar o sr. ministro acha mais interessante zelar pela limpeza das carruagens dos comboios do que pela vida dos cidadãos! È uma opção, errada na minha modesta opinião, mas quem responsabilizar pela morte de alguém? 
O acaso? Haja organização e um pouco mais de profissionalismo e tudo mudará em pouco tempo e nem será preciso gastar dinheiro!

Televisão

Pelos vistos querem fechar a RTP2, pois cheira-lhes a cultura e o zé povo quer-se analfabeto e estupidificado, e lá se irão concessionar os restantes canais a preço de saldo,
Pelos vistos, o Borges, o tal que foi corrido do FMI, já foi eleito porta-voz do governo - mesmo não fazendo parte do mesmo, afinal em mais uma das idiossincrasias deste (des)governo que alguns dos meus compatriotas decidiram experimentar - e fez o anúncio, a coberto duma das suas, cada vez mais interessantes, conversas em família.
No meio deste fabuloso negócio, que parece não ter o acordo do parceiro da coligação, a estado continuará a despender 140 milhões/ano, agora em benefício de um privado, para fazer serviço púbico!
Para além de não me parecer que isto seja lógico como negócio entre pessoas de bem, não me parece razoável em termos de concorrência.
Então os restantes privados, que também fazem serviço público? Não terão direito a receber do estado idêntico pagamento?!
Afinal, pelos vistos, nem há moralidade, nem comem todos!!!
Não me debruçando sobre o estranho que é a hipótese duma concessão onde não acredito que um privado chegue para ter prejuízos, que lucra o estado português com este tipo de negócio?
1. - Se existirem desempregdos na nova estrutura o estado pagará os seus custos, mais um prejuízo sem retorno.
2. - Poderá a gerência alienar património da RTP a extinguir? E que património? E para quem irá o lucro do negócio?
3. - Quem irá assegurar as emissões em língua portuguesa para o exterior?
4. - E a pluralidade da informação?
Estas são apenas algumas questões de momento, muitas outras existem e serão dignas de nota, para já navegamos todos num imenso nevoeiro que estará a servir os interesses de quem?

12 agosto, 2012

Ainda os submarinos

Via Aspirina B, um interessante trabalho a ler com atenção publicado aqui.
Terá o MP ouvido pessoas como Paulo Portas, Durão Barroso, Santana Lopes, Abel Pinheiro, Jurgen Adolff e muitos outros...
Será que o nosso jornalismo de investigação, tão célere em alguns casos, está de férias noutros... ou anda ainda a investigar?

08 agosto, 2012

Jornalismo!

Hoje, dei com uma notícia importantíssima para os portugueses, que o CM refere na primeira página como se pode ver abaixo!


Não, não se trata do pindérico relatório sobre as fundações, da violência dos nefastos resultados dos incendios, da idiossincrasia da informaição no que respeita ao BPN, do cavalgar assustador do endividamento das famílias, da crise da habitação, da curiosidade do apoio às escolas privadas num país que aperta o cinto no público, do estranho critério das vendas a preço de saldo de património do estado a famílias com ligações ao poder, das guerras que alastram nos meandros da justiça, etc, e tal.
Não, o importante para o CM é que Passos Coelho sofre queda acentuada de cabelo!!!!

06 agosto, 2012

Ainda sobre o Rui Rio és um FDP!

Todos que me conhecem sabem que não morro de amores pelo presidente da CMP, posto isto, vamos ao que interessa.
Numa falcatrua de mau gosto, alguém que publica uma revista, estampa uma foto na capa da dita onde, com ajuda de grafismos subsequentes, foi junta uma 'pseudo pichagem' que diz exatamente "RIO ES UM FDP", como se pode ver na foto abaixo, amplamente divulgada na comunicação social.


Todos nós, portuenses, e os portugueses em geral, sabem desde tenra idade que o acrónimo 'fdp' quer dizer apenas e só uma coisa, logo, estar a tentar elaborar justificações para o mesmo, embora admissível, é, no mínimo, caricato.
Poder-se-á dizer que 'fdp' poderá significar 'filho do porto', 'fora do Porto', fanático dos pópós', 'fidalgo demasiado parolo', 'filho da parvónia', 'focinho de porco', 'foleiro dos panfletos', etc. e tal, mas ninguém duvidará que o que se pretendeu foi ofender alguém, que por acaso é o presidente da CMP, e quer queiramos ou não, merece que o tratemos com um mínimo de dignidade evitando enxovalhar a sua imagem com artifícios falsos.
A pichagem, pelos vistos, nunca esteve lá, e a sua inclusão numa fotografia de capa é intencional adivinhando-se-lhe os propósitos.
O que amis me espanta é que a sra. dra. juíza que examina o assunto, não se preocupe com a artificialidade da coisa, mas que, pelos vistos, procure encontrar uma explicação que nada terá a ver com o uso habitual que é dado a tal sigla.
No Porto, e creio que no País, dizer que alguém é um 'fdp' até poderá ser elogio, mas que a tal conjunto de consoantes se tente ligar um outro qualquer significado, será tão ridiculo como dizer que quando mandamos alguém para o c... estaremos apenas a recomendar-lhe uma ida para climas mais quentes e que o c... quer dizer calor!

05 agosto, 2012

Hospitais de excelência

Deixa-me rir!
O Expresso,ontem, decidiu escrever (publicar) sobre excelência em relação aos AVC's e enfartes!
Mas há excelência em Portugal em relação a alguma coisa, tirando a investigação, uma vez que não é tutelada pelo estado?
Terão os jornalistas acordado para a bandalheira que corre no SNS devido à falta de dinheiro e ausência de profissionais deontológicamente orientados para o servilo público?
Saberáo os jornalistas do que estão a falar ou apenas estão a tentar atirar umas achas que não se sabe bem quem pretendem atingir?!
Há falta de dinheiro, do mesmo modo que há uma confrangedora falta de direções clínicas com qualidade, passando por omissões que poderemos considerar assassinas.
Sei do que falo e porque falo, se tiverem dúbidas perguntem...

30 julho, 2012

Segurança alimentar

Fala-se um pouco por aí que, pelos vistos, por razões económicas, a ASAE deixou de recolhar amostras de alimentos passando a DGAV a fazê-lo.
Entretanto altos responsáveis da DGAV vão dando vacilantes explicações sobre o assunto, enquanto a ministra Cristas diz que está tudo bem e que se recomenda...
Seria interessante sabermos o número de inspeções efetuadas pela DGAV para as podermos comparar com o número das efetuadas pela ASAE que estão publicadas no respetivo site, não que isso nos dê uma resposta suficientemente clara mas era um princípio.

26 julho, 2012

Gastos

A propósito de um político nacional que anda na baila pelos piores motivos, esbarro com uma notícia onde espantado constato que um presidente de uma assembleia municipal tem gastos de telemóvel superiores a 30.500 € num período de 10 anos, sendo os gastos num dos anos de mais de 7.000 € e que até durante os mais de dois anos que esteve no governo ainda utilizou a dita Câmara para realizar mais de 3.000 € de chamadas!
Será admissível que seja quem for, num lugar daqueles, gaste à tripa-forra, pois não me acredito que tenha sido para tratar exclusivamente de assuntos ligados a tal autarquia, sem prestar contas a nada nem a ninguém?
Para quem anda, dia sim, dia não, a dizer que os portugueses gastaram acima das suas possibilidades, não estarão a referir-se a eles próprios?
Não terá sido esse tipo de portugueses que gasta à medida das suas conveniências, sabendo que o que gasta não lhe sai do bolso que é o responsável por estarmos de tanga?
Não terá chegado a hora de se criarem mecanismos de consulta populares que possibilitem a inquirição e tomada de medidas para limitar as prevaricações?
Vamos continuar calados e a pagar as contas destes sátrapas de trazer por casa?

25 julho, 2012

Aviso?

Estas são imagens do antes e do depois de uma variação no tempo de apenas cinco dias!
Passou-se na Gronelândia no corrente mês e é, no mínimo, assustador.
Alguém liga a estes avisos?

14 julho, 2012

150 anos depois!

Há quem lhe chame decadente!

05 julho, 2012

Doutores & Engenheiros

Num país que, por hábito, trata a casta dirigente por doutor ou "inginheiro", dá-me vontade de rir ver uma data de patuscos - sim, patuscos - a berrar contra a chico-espertice de um habilidoso que conseguiu tirar uma licenciatura num ano sem necessitar de queimar as pestanas e arrastar os fundilhos nos bancos escolares!
Já antes, e a propósito de um papelucho que atestava que um outro tinha feito um exame onde havia uma data que correspondia a um domingo, outras escandalizadas virgens, tinham chorado baba e ranho clamando aos deuses que a vigarice andava no ar.
Mas será que todos já se esqueceram das passagens administrativas do período quente revolucionário?
Será que não andam para aí uns tantos licenciados da treta que saltaram do antigo primeiro ciclo secundário para licenciaturas da moda desde os meados dos anos 70 e 80?
Quem é que não conhece gente que tem cursos de vistoso diploma passado, que apenas custaram bons cabedais  e bons relacionamentos?
Por muito que o Relvas seja flor que não se deva cheirar, não terá o pobre seguido o mesmo caminho que viu tantos trilharem com êxito e benefício?
Vamos lá meus senhores, tenham lá paciência, atirem-se ao governo pelas asneiras que ele faz, e que são demasiadas; pela discriminação que faz entre ricos e pobres, poupando os primeiros e sugando os segundos; pelo compadrio que tem revelado nas nomeações e indigitações; pelo silêncio do Ministério da Educação que assiste a todo este burburinho e se mantem discretamente distraído; pelo escândalo que vai pela saúde onde o ministro, pelos vistos, desconhece o que fazem as ARS's; pelo descalabro que se passeia pelas Finanças que não acerta numa previsão e atira com o país de cangalhas; pela sonsice da Ecnomia que deixa os negócios estrangeiros tratar da sua vida enquanto vai flanando por reuniões mandando uns bitaites que deixam o país boquiaberto...
O Relvas ministro, é apenas mais um chico esperto português que se aproveitou da legislação feita de boa-fé por quem pensava que os reitores das universidades eram gente acima de qualquer suspeita, e não apenas portugueses habituados ao desenrasca, que gostam de agradar a quem tem o poder na mão.

23 junho, 2012

S. João 2012


S. João, tu és do Norte
e santo bem popular,
dá-nos um pouco de sorte
pois nos andam a matar.

20 junho, 2012

Risota

Como me tenho rido a bandeiras despregadas quando vejo estes nossos governantes que tanto condenaram o Magalhães, o 'cluster' aeronáutico alentejano ou a aposta nas renováveis a dar-se ares de grandes obreiros e incansáveis apostadores no desenvolvimento tecnológico quando andam a vender os produtos que tanto criticaram e a gabar-se dos êxitos das apostas que tanto condenaram.
Se a vergonha matasse, havia para aí enterramentos que tirariam muitas funerárias de má situação e obrigariam se calhar à construção de novos cemitérios.

17 junho, 2012

Viagem no tempo ao SNS (II)

Claro que a complicação atrás referida deveu-se, logo de início, na trnsmissão pelo INEM ao SU, pois quem no hospital o recebeu pouca ou nenhuma atenção prestou ao que lhe foi entregue e dito, limitando-se a nada perguntar, a enfiar um termómetro no ouvido do paciente, resmungar um"... ligeiramente febril..." e enfiar uma pulseira amarela no meu pulso!
Chocado com esta receção, logo me veio à memória o que tinha ocorido há muitos anos atrás, e mesmo há menos de um ano e meio, no seguimento de uma leve crise renal que me deu direito a pulseira laranja, médico em menos de vinte minutos e diferentes exames complementares num espaço de hora e meia!
Pois agora pelos vistos é assim!
Vai-se para o monte no corredor e aguenta-se! Daí se calhar vem a designação de paciente, pois é de facto preciso muita paciência para aturar este tipo de diabruras, mas adiante...
Estacionado numa interminável fila, aguardei por mais de duas horas que uma cansada médica me questionasse nos mesmos termos em que o tinha sido pela equipa do INEM, o que me estarreceu, pois bastar-lhe-ia ter lido o preciso relato escrito da ocorrência para se inteirar do assunto. Deu umas palavrinhas a abater, mediu-me a tensão, auscultou-me e tentou desvalorizar a situação ao que me opus, solicitando que me fossem efectuados exames complementares pois a minha experiência assim o recomendava.
Aquiesceu e dei início à procissão que se foi arrastando por longas horas.
Mais de nove horas, (nove!!!) depois fui então remetido para o serviço indicado que se limitou a informar-me de que necessitava de internamento urgente mas que não tinham camas disponíveis!!!!
Teria de aguardar mais quatro ou cinco horas para poder ingressar na unidade de cuidados intensivos(UCI)!
A minha mulher quando soube da novidade, dirigiu-se de imediato ao diretor do serviço para o questionar sobre todo este disparate e assim, graças à sua decidida intervenção fui levado para cima sem mais demoras e, surpresa das surpresas, deitado muma cama da UCI que tinha uma ala completamente vazia com seis camas disponíveis!!!!  
Muito mais haveria a contar, mas por agora fico-me por aqui, pois parece que a destruição do SNS está no bom caminho e corre célere, dada a competência que o ministro e a sua equipa tem evidenciado na sua destruição.
Comparar este SNS com o que encontrei nos idos de 1995 é naturalmente impossível, pois mau grado as piores instalações na altura, nunca tinha sido deixado ao abandono, nem tinha tido necessidade de mandar os familiares comprar os medicamentos que os médicos receitavam, mas que não existiam no hospital, ficar setenta e duas horas sem ver um médico, etc.
Por este andar, para o ano ainda teremos de levar médico connosco e as cadeiras de rodas ou as marquesas vão ter preços de aluguer...

15 junho, 2012

Viagem no tempo ao SNS (I)


Há cerca de dezassete anos fui obrigado a recorrer ao serviço de urgência (SU) dum hospital desta cidade, por via de uma forte dor nas costas que, erradamente,  confundi com um problema originado por uma hérnia discal.
Nessa época, o número de emergência era o 115 e não vinham buscar doentes a casa, por isso, alguém me levou ao SU, onde após uma espera de cerca de vinte (20) minutos na triagem, fui observado por um médico, medicado e posto em observação durante cerca de meia-hora, e posteriormente remetido ao serviço respetivo, que determinou o meu internamento na unidade de cuidados intensivos (UCI), ou seja, desde a minha entrada no hospital até ao internamento decorreram, quando muito, oitenta ou noventa minutos, o que deve ter levado a que me tivesse safado com uma pequena lesão.
Dezasseis anos depois, regressei ao mesmo hospital por razão idêntica, mas a história foi muito diferente…mas infelizmente para pior!
Atacado com dor semelhante, e como gato escaldado de água fria tem medo, foi chamado o INEM a casa que não se fez demorar, pois cerca de dez (10) minutos depois tinha junto a mim dois simpáticos profissionais, com equipamento moderno e capaz de resolver muitos problemas.
De acordo com os mesmos concordei em fazer uma visita ao SU mais próximo, pois o diagnóstico  parecia complicar-se e por via das dúvidas melhor seria ser visto por especialista.
Chamados os serviços de ambulância que (para surpresa minha) já esperavam no exterior, rapidamente dei entrada no SU onde tudo começou a complicar-se. 
(continua)

24 abril, 2012

25 de abril de 2011

Alguém se recorda de a casa da democracia ter estado fechada nesta data?
É que, pelos vistos, nessa altura ninguém se incomodou com o facto de não haver comemorações na Assembleia representativa do voto popular!
A memória dos homens é muito curta...

09 abril, 2012

Para acabar de vez com a chulice

Título da crónica de Jorge Fiel no JN, que aqui abaixo se reproduz.

Agatha Christie, sim. Toda. Mas não só. Também Stanley Gardner, Rex Stout, Simenon, Chandler .... enfim toda a galeria de autores que a coleção Vampiro nos apresentou em livros de bolso baratos, com capas lindas (em particular as de Lima de Freitas) e encadernações péssimas.
Vampiro sim, mas não só. Também outros clássicos, como Poe, Conan Doyle ou Maurice Leblanc, ou não tão clássicos como a mais recente geração de autores nórdicos, inaugurada pelo imperdível Henning Mankell e colocada em órbita por Stieg Larson.
Fanático por policiais, não resisto a um bom mistério, como este que vou expor, protagonizado pela região que é o principal centro de serviços e a porta de entrada e saída de gentes e mercadorias.
O Porto tem o mais elogiado aeroporto do país, o que mais cresce (carga e passageiros) e é regularmente eleito como um dos melhores do Mundo (senão mesmo o melhor), na sua categoria. Temos Leixões, o mais eficiente, lucrativo e cobiçado de todos os portos portugueses.
Temos indústrias tradicionais (têxtil, vestuário, calçado e metalomecânica, etc.) que souberam aguentar o impacto da globalização e fazer do Norte a única região do país que exporta mais do que importa.
Temos Amorim e Belmiro, os dois maiores empresários da geração pós 25 Abril, que se firmaram sem terem de ser levados ao colo pelo absurdo Condicionamento Industrial do Estado Novo.
Temos o vinho do Porto, produzido no Douro, declarado pela Unesco Património da Humanidade, e as duas marcas de produtos portugueses com maior notoriedade internacional (Mateus Rosé e Super Bock).
Temos Serralves e a Casa da Música, dois Pritzker, a escola de Arquitetura mais famosa do Mundo. Fomos o berço do rock português, uma linhagem que nasce com a dupla Tê/Veloso e inclui Abrunhosa e os GNR de Reininho.
Temos Manoel de Oliveira, o Fantasporto, as Curtas de Vila do Conde, o FITEI, o TN S. João, o Palácio de Vila Flor, o Theatro Circo e dois centros históricos (Guimarães e Porto) que a humanidade adotou.
Temos o F. C. Porto, a mais bem-sucedida e admirada das nossas equipas de futebol, que não é um eucalipto e soube acarinhar o crescimento do Sp. Braga, o clube do distrito mais jovem da Europa, que se afirma como o terceiro grande.
Temos a melhor, maior e mais internacional das universidades, a UP, bem no centro de uma competitiva teia de produção de conhecimento formada pelas suas congéneres de Aveiro, Braga e Trás- os-Montes.
Se temos tudo isto, se o Porto é o melhor destino turístico europeu 2012, se o Norte é a segunda região que mais contribui para a riqueza do país, por que é que continua a ser a mais pobre e negligenciada?
Este mistério tem duas explicações. A primeira é de que Porto e Norte têm excelentes jogadores, mas falta-lhes o líder que os transforme numa equipa vencedora. A segunda é que depois de darmos o nome ao país - e de dar a carne de primeira, para ficar com as tripas -, chegou a hora de dizer não aos chulos que vivem e prosperam com a mão metida no nosso bolso.

17 março, 2012

Copy and paste

Vale a pena ir lá, ao blog do ruitavares, e ler esta opinião

09 março, 2012

Fotos a recordar (II)


Ei-lo de novo!

No meio de uma crise sem precedentes, o senhor presidente da República abre mais um fait divers no mundo palaciano dos noticiários que vai encher o bolso a tudólogos, politólogos, pitonisas e oráculos, especialistas em análise cripto-política, vendedores de banha da cobra, ex-dirigentes do PSD transformados em comentadores a metro, chefes de movimentos de esquerda em estado de coma induzido, esquerdistas puros, esquerdistas não tão puros mas liberais q.b. e restantes direitolas que também largarão a sua bojarda.
O que os movimenta todos é um ódiozinho de estimação que, para mim, é incompreensível mas que para eles fará todo o sentido.
Por outro lado, na luminosa Paris, um ex-primeiro ministro português goza de fininho, ouvindo lá de longe os lamentos dos saudosos e o desespero dos que sentem o seu fantasma pairar sobre as suas cabeças.
Quintiliano, disse-nos que entre o maldizente e o malfeitor a diferença á apenas casual e que quando não se tem talento, diz-se tudo. O homem de talento escolhe e contém-se.
Presumo que o cidadão Cavaco Silva, reputado professor, ilustre economista, ex-alto cargo do Banco de Portugal se sentiu ferido na sua sapiência talvez por não ter conseguido decifrar os números da execução governamental que um mísero engenheiro, com deficiente formação técnica, tenha conseguido forjar para os exibir perante S. Exª Cavaco Silva, presidente da República, dando assim provas de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia!
Ter-se-á esquecido o escritor de tais palavras da famosa inventona de Belém protagonizada por alguém que lhe era próximo, do discurso em que dizia aos portugueses  Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos. depois de ter afirmado umas linhas antes Ao Governo e ao Senhor Primeiro-Ministro reitero o compromisso de cooperação que há cinco anos assumi perante os Portugueses, e que a seguir pedia um sobressalto cívico?
Será que o cidadão Cavaco Silva se esqueceu que o sr. Presidente da República em Março de 2011 se empenhou ativamente para que aparecesse um orçamento sufragado pelo seu (dele) PPD?
Será que o sr. presidente da República tem sido consultado pelo atual governo quando decide ir mais além da troika pedindo cada vez mais sacrifícios aos portugueses que antes o mesmo presidente afiançava já estarem no limite?
Será que o projeto pessoal do cidadão Cavaco Silva o faz esquecer que ainda é presidente da República em exercício, e que as conversas privadas são privadas, sob pena de termos de recordar as célebres reuniões do então presidente Eanes com o Primeiro-ministro Balsemão?
Ajustes de contas à distância são tiros nos pés a curto prazo que se vão enquistando.
Cavaco tem mostrado a sua inabilidade em atos repentistas, este não o é, daí a interrogação de quem é que anda a fazer o quê e em nome de quem!
Dá para desconfiar, agora que já temos um ministro das finanças das Beiras que governa segundo os conselhos da sua avó.

06 março, 2012

Curiosidades estranhamente curiosas

Respigado de O Jumento este naco de prosa que, sem dúvida, é uma das curiosidades dignas de constar no Guiness.

Coisas estranhas


Num país onde se odeia os sindicalistas é estranho que um dirigente sindical tenha tanto protagonismo nos jornais e televisões, sendo bajulado por jornalistas e políticos apesar de não dizer nada que mereça a perda de tempo de o ouvir.
Num país onde a classe política detesta sindicatos e sindicalistas é estranho que a tomada de posse dos órgãos de um sindicato seja tão concorrida por colunáveis políticos como a posse de um Presidente da República.
 
Num país onde os banqueiros odeiam sindicatos é estranho que financiem um congresso sindical.
Num país onde os trabalhadores estão a ser empobrecidos e onde os funcionários públicos já perderam um terço dos seus rendimentos é estranho que um sindicato organize um congresso num hotel de luxo com programa de três dias para acompanhantes, com direito a refeições e cruzeiro pela costa algarvia.
 
Num país em crise é estranho que um sindicato convide uma dúzia de jornalistas  e os instale num hotel de cinco estrelas com deireito a pensaõ completa e programa social.
 
Tudo isto deixa de ser estranho quando se sabe que o sindicato em causa é ele próprio um sindicato muito estranho, o absurdo sindicato dos magistrados do Ministério Público, uma espécie de magistrados que alguém escolheu para polícias da democracia mas pelo estado da justiça não têm desempenhado esse papel. Pois os nossos ilustres sindicalistas organizaram um congresso de luxo com direito a programa para acompanhantes e com borlas para jornalistas. Até aqui tudo normal, as dúvidas surgem quando se percebe que o congresso tem o patrocínio da banca e de grandes empresas, bem como dos jornais, os tais que têm beneciado de acesso generalizado a processos em segredo de justiça..
 
Se a moda pega o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos organizarão o seu congresso numa estância de neve da Suíça, o sindicato dos investigadores da PJ poder escolher entre a Bretanha e o hotel de gelo na Finlândia. Qual será o gestor de bom senso que recusará um patrocínio ao pessoal do fisco ou o criminoso que se arma em forreta se o pedido vier da PJ.
 
Não admira a generosidade do sindicato para com os jornalistas, vem na tradição da generosidade que a justiça portuguesa tem para com os jornalistas, dão-lhe cópias dos processos e um dia destes ainda vão inventar investigações para combater a crise que a imprensa está a atravessar. É evidente que na hora de opinar sobre a escolha do próximo procurador-geral os jornalistas não esquecerão de qual tem sido o grupo de pressão que os tem ajudado e ainda os convida para encher a mula num hotel de cinco estrelas.
Corrupção? Não senhor, corrupção é só o que está previsto no Código Penal. Isto é só pouca vergonha.

05 março, 2012

Ainda há quem reme contra a corrente

Óscar de Mascarenhas, provedor do leitor do DN, assina um artigo de opinião em que arrasa uma hipotética notícia dada à estampa por Francisco Almeida Leite a que a direção do jornal dá cobertura como se tal notícia fosse verdadeira, comprovada e fosse o espelho da realidade e não apenas uma versão governamental sobre direitos de trabalhadores que estavam entao em greve.
Para além de levantar a questão sobre a maneira de fazer jornalismo naquele diário, avisa que por aquelas bandas, palavra de governantes não se discutem e são verdades indiscutíveis.
Provedor de um jornal que se preze não poderá ter outros critérios para além dos jornalísticos, mas, pelos vistos, há muita gente por aí que o critica por este ter tomado tal posição, quiçá por ter denunciado o mau jornalismo e a pouca vergonha noticiosa que grassa neste país um pouco por todo o lado manchando jornalistas honestos e confundindo-os com publicitários profissionais que titulam a publicidade de jornalismo, mesmo que este se evidencie parcial, tendencioso e mentiroso.

03 março, 2012

Racismos

Anda por aí uma nova onda de políticamente correto que já se atira ao Azeite Gallo e ao Houaiss, que aparecem acusados de racismo por amantes duma novilíngua que venha substituir o bom e velho português que lá se vai aguentando.
Recordando o tempo em que havia séries e filmes que metiam o(s) pretinho(s) (ou devo dizer negrinho(s)) só para dar um ar de pluralidade racial, vejo-os substituídos agora por outras séries e filmes onde metem um branquela (ou deveria dizer branco) que fazem exatamente a mesma coisa.
Como diz o Manuel Pina, e passo a citar deverá "A língua portuguesa, por exemplo, seria limpa do uso de "judeu" ou "escocês" no sentido de avarento, "judiarias" no sentido de maldades, ou ainda de expressões como "trabalhar como um negro", "trabalhar como um mouro", "trabalhar como um galego", "gozar como um preto", etc.. Isto é, seria limpa da sua História. E, já agora, porque não limpar a própria História dos factos feios e deixar só os bonitos e "correctos"?"
Se calhar é isso.
Os benfiquistas deixarão de ser lampiões, os sportinguistas lagartos e os portistas dragões; a cãozoada deixará de poder ser utilizada para significar um grupo de amigos que se juntam em bando, um garoto não mais podertá significar indivíduo malcriado e atrevido e nem sei se lhe poderá ser atribuída a definição de bebida, pois como resulta da mistura de café com leite ao pedir um garoto escurinho alguém pode pensar que o que eu quero é um miúdo bronzeado ou mulato para me divertir em brincadeiras perigosas!
A parvoeira do politicamente correto e dos significados da língua e da sua utilização deverá ser feita não por dicionários ou prontuários mas por decisões judiciais e se ninguém nos acudir qualquer dia um no AO ainda vai necessitar de um DL para se poder criar um neologismo.
Deus os guarde para sempre longe da nossa vista a estes pobres defensores da esterilização estética.

01 março, 2012

Traduttore, traditori

Há muito que venho criticando as muitas traduções que eminentes licenciados (em quê?) fazem, pagos a peso de ouro e distribuídos por empresas que ganham bem sem sequer o fazerem bem.
Ontem, mais uma vez, na legendagem de um filme, foram-me apresentados dois novos pintores por um(a) tradutor(a) que não deverá saber ao certo o que andará a fazer e mesmo assim foi remunerado(a) pelo mau trabalho que faz.
Desta feita calhou ao Carvagio e Michelângelo serem dados como pintores famosos!
Se queriam escrever os seus nomes em italiano, faltaram letras num e acentuação a mais noutro, se os quiseram traduzir para português, a fazer asneira continuaram.
Mas como agora aos licenciados, pelos vistos, não lhes é pedida cultura nem conhecimentos gerais basta saberem um pouco do mester que escolheram, talvez tudo esteja certo...
Que lhe perdoem os dois Michelangelos, o estropiarem-lhes parte dos nomes!

Uma boa explicação!

Explicação da Eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"